Esse seria também o motivo da freada na
candidatura de Eduardo Campos, que estaria disposto a enfrentar a
presidente Dilma, mas não o ex-presidente Lula
11 de Maio de 2013 às 10:45
247 - Uma
coluna da jornalista Tereza Cruvinel, ex-presidente da EBC, publicada
ontem no Correio Braziliense, tem dado o que falar. Segundo ela, Lula
ainda pode vir a ser o candidato do PT em 2014. E esse seria o motivo da
freada brusca da candidatura de Eduardo Campos. Leia abaixo:
Lula na linha
As explicações
dadas nos últimos dias pelos aliados do governador de Pernambuco,
Eduardo Campos, para seu recente chá de sumiço deixaram a impressão de
que faltava uma informação. Segundo esses interlocutores, Campos se
retraiu para evitar a eleitoralização de todos os seus atos e a
hiperexposição de imagem. E se voltou para as tarefas de governo também
porque já começavam a dizer que ele viajava muito. Tudo isso é razoável,
mas o ponto que faltava foi-nos revelado por eminências do próprio PSB:
uma mensagem do ex-presidente Lula ao governador, nas vésperas do
Primeiro de Maio, também contribuiu muito para a desaceleração de seus
movimentos.
A fonte não
sabe precisar o meio pelo qual a mensagem chegou ao governador, mas
conhece perfeitamente o conteúdo. Desde que o governador avançou na
disposição de concorrer à Presidência em 2014, rompendo a aliança
histórica do PSB com o PT, seus aliados afirmam que só uma situação
poderia levá-lo a desistir da candidatura: aquela em que o candidato do
PT fosse o ex-presidente Lula, e não a presidente Dilma Rousseff. Campos
não seria ingrato para com quem lhe deu todo apoio nos anos recentes,
fazendo-o ministro, apoiando a candidatura a governador e
propiciando-lhe recursos que ajudaram a garantir o êxito de suas duas
gestões em Pernambuco. Sem dúvida, o governador é bom gestor, mas os
investimentos federais no estado contaram muito. Para além da gratidão,
existem também as fortes razões político-eleitorais. Por maior que seja a
popularidade da atual presidente, especialmente no Nordeste, um
eventual confronto com Lula ampliaria muito os riscos para qualquer
desafiante.
A mensagem que
Lula enviou, na semana do Primeiro de Maio, diz o informante do PSB,
não foi afirmativa nem ameaçadora. Ele apenas pediu que Eduardo
refletisse mais. Hoje, Lula teria mandado dizer: ele não é e não deseja
ser candidato em 2014. A opção do PT já está feita por Dilma. Mas, e se
lá na frente surgirem circunstâncias que o obriguem a concorrer? Iriam
se enfrentar?
Depois disso é
que Campos teria cancelado a participação na festa do Primeiro de Maio
da Força Sindical, depois de ter prometido presença ao deputado Paulo
Pereira da Silva, fundador daquela central sindical. Cancelou também a
visita que faria a um órgão de imprensa em São Paulo depois da festa
sindical. De lá para cá, tem se dedicado a visitar o interior de
Pernambuco. Na semana passada, enquanto uma nuvem de políticos, com
Dilma e Aécio Neves no destaque, participavam da exposição agropecuária
de Uberaba (MG), Campos visitava 16 cidades do agreste. Esta semana,
circulará pelo sertão.
Para quem
vinha em altíssima velocidade, a freada foi brusca. Pode ter sido
determinada pelo repentino cuidado com a saturação da imagem.
Entretanto, a incursão de Lula também teve seu peso, garante o
socialista que sempre recomendou mais cautela.