23 novembro 2014

Veja bate recorde de capa mais idiota. Só prova honestidade de Dilma.

A revista Veja desta semana deu mais um vexame e corre o risco de entrar para o livro dos recordes como a reportagem mais idiota do mundo.

Querendo derrubar Dilma, só provou a honestidade da presidenta. Pois a revista e seus vazadores vasculharam, procuraram coisas no material da Operação lava-jato e só conseguiram achar um email sem nada suspeito, de Paulo Roberto Costa para Dilma, em 2009, quando ela era ministra da Casa Civil e ele era diretor da Petrobras.

Até os assinantes burros da Veja (para continuar assinando a Veja tem que ser muito burro), se lerem o email com objetividade chegarão à conclusão:

1) O email não tem nada de mais, nem nada suspeito. Poderia ser publicado no Diário Oficial, como um ofício qualquer de um órgão para outro.

2) O conteúdo do email apenas encaminha para Dilma cópia do relatório do TCU que recomendava paralisação de obras em refinarias. O relatório é público, não contendo nenhum segredo, e foi enviado tanto à Petrobras como a própria Casa Civil recebeu também diretamente do TCU.

3) Só mostra que Dilma é honesta, trabalhadora e exigente em ser informada sobre qualquer coisa que afetasse o cronograma das obras do PAC que seu ministério acompanhava na época. Um diretor recebeu um relatório que poderia afetar o andamento e encaminhou como, provavelmente, deveriam fazer todos os funcionários que tivessem responsabilidade sobre o andamento de obras.

4) O email usou endereço oficial de trabalho da Petrobras para o endereço oficial de trabalho da Casa Civil no Palácio do Planalto.

5) Foi enviado por uma funcionária de Paulo Roberto a pedido dele e endereçado para o então chefe de gabinete da Casa Civil, com cópia para o endereço genérico do gabinete da Casa Civil, que deve ser processado por funcionários. Portanto não se trata de qualquer comunicação sigilosa, nem pessoal.

6) O texto mostra que Paulo Roberto Costa não tinha a menor proximidade com Dilma, pelo tratamento formal.

Eis a íntegra transcrita do e-mail, segundo a Veja:
De: lucosta@petrobras.com.br Em nome de pcosta@petrobras.com.br
Enviada em: terça-feira, 29 de setembro de 2009 19:53
Para: pedro.dalcero@planalto.gov.br; gabinetecasacivil@planalto.gov.br
Assunto: TCU. FISCOBRAS 2009 – OBRAS COM RECOMENDAÇÃO DE PARALISAÇÃO. Situação da REPAR, Refinaria Abreu e Lima e Construção de terminal de granéis líquidos no porto de Barra do Riacho/ES.
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Senhora Ministra Dilma Vana Rousseff,
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Seguem em anexo os dados do TCU (FISCOBRAS 2009) com a recomendação de paralisação de três obras do Abastecimento:
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1) RNEST (Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco);
2) REPAR (Refinaria Getúlio Vargas, no Paraná) e
3) Terminal de granéis líquidos no Espírito Santo – Obra do Plangás (GLP).
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Conforme consta na nota, os processos são preliminares, não representando a posição final do TCU, assim como o TCU está enviando a CMO (Comissão Mista de Orçamento) do Congresso Federal, a quem compete a paralisação ou não das obras.
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No ano de 2007, o TCU propôs a paralisação de quatro obras da Petrobras, não tendo tal posicionamento sido ratificado pelo Congresso Nacional.
Como se vê, não há nada no email que indique maracutaia.

A Veja trata seus leitores como sendo tão burros, que "interpreta" o email como se o próprio Paulo Roberto Costa estivesse se auto-denunciando na época.

A Presidência da República emitiu a seguinte nota sobre a revista:

Nota à imprensa sobre reportagem da revista Veja

A reportagem de capa da revista Veja de hoje é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos.

CHARGE DO BESSINHA

22 novembro 2014

Nota à imprensa sobre reportagem da revista Veja

Nota OficialA reportagem de capa da revista Veja de hoje é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos.
Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, Veja tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras demitido em março de 2012 pelo governo da presidenta Dilma.
As práticas ilegais do senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014, graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
Aos fatos:
Em 6 de novembro de 2014, Veja procurou a Secretaria de Imprensa da Presidência da República informando que iria publicar notícia, “baseada em provas factuais”, de que a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, recebeu mensagem eletrônica do senhor Paulo Roberto Costa, então diretor da Petrobras, sobre irregularidades detectadas em 2009 pelo Tribunal de Contas da União nas obras da refinaria Abreu e Lima. O repórter indagava que medidas e providências foram adotadas diante do acórdão do TCU. A revista não enviou cópia do e-mail.
No dia 7 de novembro, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República encaminhou a seguinte nota para a revista:
“Em 2009, a Casa Civil era responsável pela coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Assim, relatórios e acórdãos do TCU relativos às obras deste programa eram sistematicamente enviados pelo próprio tribunal para conhecimento da Casa Civil.
Após receber do Congresso Nacional (em agosto de 2009), do TCU (em 29 de setembro de 2009) e da Petrobras (em 29 de setembro de 2009), as informações sobre eventuais problemas nas obras da refinaria Abreu e Lima, a Casa Civil tomou as seguintes medidas:
a. Encaminhamento da matéria à Controladoria Geral da União, em setembro de 2009, para as providências cabíveis;
b. Determinação para que o grupo de acompanhamento do PAC procedesse ao exame do relatório, em conjunto com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras;
c. Participação em reunião de trabalho entre representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento, Petrobras e MME, após a inclusão da determinação de suspensão das obras da refinaria Abreu e Lima no Orçamento de 2010, aprovado pelo Congresso.
Nesta reunião, realizada em 20 de janeiro de 2010, “houve consenso sobre a viabilidade da regularização das pendências identificadas pelo TCU” nas obras da refinaria Abreu e Lima (conforme razões de veto de 26 de janeiro de 2009). Foi decidido, também, o acompanhamento da solução destas pendências, por meio de reuniões regulares entre o MME, o TCU e a Petrobras.
A partir daí, o Presidente da República decidiu pelo veto da proposta de paralisação da obra, com base nos seguintes elementos:
1) a avaliação de que as pendências levantados pelo TCU seriam regularizáveis;
2) as informações prestadas em nota técnica do MME que evidencia os prejuízos decorrentes da paralisação; e
3) o pedido formal de veto por parte do então Governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Este veto foi apreciado pelo Congresso Nacional, sendo mantido.
A partir de 2011, o Congresso Nacional, reconhecendo os avanços no trabalho conjunto entre MME, Petrobras e TCU, não incluiu as obras da refinaria Abreu e Lima no conjunto daquelas que deveriam ser paralisadas.
E a partir de 2013, tendo em vista as providências tomadas pela Petrobras, o TCU modificou o seu posicionamento sobre a necessidade de paralisação das obras da refinaria Abreu e Lima”.
A inconsistência da reportagem de Veja é evidente. As pendências apontadas pelo TCU nas obras da refinaria Abreu e Lima já haviam sido comunicadas, em agosto, à Casa Civil pelo Congresso e foram repassadas ao órgão competente, a CGU.
Como fica evidente na nota, representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento do Congresso, Petrobras e do Ministério de Minas e Energia discutiram a solução das pendências e, posteriormente, o Congresso Nacional concordou com o prosseguimento das obras na refinaria.
Mais uma vez, Veja desinforma seus leitores e tenta manipular a realidade dos fatos. Mais uma vez, irá fracassar.
Secretaria de Imprensa
Presidência da República


http://blog.planalto.gov.br/nota-a-imprensa-sobre-reportagem-da-revista-veja/

21 novembro 2014

Baiano diz que iniciou negócios na Petrobras no governo FHC

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O empresário Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras, disse à Polícia Federal nesta sexta (21), que começou a fazer negócios com a estatal ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), no início da década passada; "Por volta do ano de 2000, ainda durante a gestão Fernando Henrique celebrou um contrato com uma empresa espanhola, de nome Union Fenosa, visando a gestão de manutenção de termelétricas", disse; FHC não quis se pronunciar sobre o fato

247 - O empresário Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de propinas e corrupção na Petrobras, disse à Polícia Federal nesta sexta-feira (21), que começou a fazer negócios com a estatal ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, em 2000. "Por volta do ano de 2000, ainda durante a gestão Fernando Henrique celebrou um contrato com uma empresa espanhola, de nome Union Fenosa, visando a gestão de manutenção de termelétricas", disse.
A PF suspeita que o reduto de ação de Fernando Baiano na Petrobras era a Área Internacional, que foi comandada por Nestor Cerveró, personagem emblemático da compra da Refinaria de Pasadena, nos EUA. Fernando Baiano disse que conheceu Cerveró “ainda no governo Fernando Henrique”. Na ocasião, segundo ele, Cerveró era gerente da Petrobras.
Ele disse que “soube recentemente” que Cerveró foi “indicação política” do PMDB, mas que achava que o ex-diretor de Internacional “sempre fosse vinculado ao PT”. Fernando Baiano disse que “soube que o diretor que assumiu o cargo no lugar de Cerveró era indicação do PMDB”.
Baiano também falou sobre o doleiro Alberto Youssef e disse que ele lhe pediu que “fizesse doações para campanhas políticas”. O doleiro, segundo Fernando Baiano, teria sugerido que “alguma empresa” por ele representada também fizesse doações. O suposto operador do PMDB negou que tivesse repassado valores para Youssef.
Ele negou também que tenha sido operador de “qualquer partido político”. Admitiu que mantém duas contas no paraíso fiscal de Linchenstein, uma em seu nome e outra em nome de sua empresa, Tecnhis Engenharia e Consultoria, ambas as contas “declaradas”.

PF vai investigar Cemig (que o Globo protege)

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Polícia Federal vai investigar depósito de R$ 4,3 milhões feito em 2012 pela InvestMinas, do empresário Pedro Paulo Leoni Ramos, à MO Consultoria, uma das empresas de fachada de Alberto Youssef; espécie de comissão seria referente à venda de alguns ativos à Light, empresa do Rio controlada pela estatal mineira Cemig; Ministério Público suspeita de contratos fraudulentos; em reportagem desta sexta, jornal O Globo não cita Cemig no título nem no subtítulo, embora negócio esteja relacionado à joia da coroa do governo Aécio Neves

Minas 247 – A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a intermediação feita por Alberto Youssef entre pequenas hidrelétricas (PCHs) e estatais do setor de energia. Um dos negócios envolve a InvestMinas, do empresário Pedro Paulo Leoni Ramos, e a estatal mineira Cemig. A empresa depositou R$ 4,3 milhões, em 2012, na conta da MO Consultoria – uma das empresas de fachada do doleiro, para vender alguns ativos à Light, empresa do Rio de Janeiro controlada pela Cemig.
A justificativa da InvestMinas para o pagamento a Youssef é a de que ele intermediou a venda, por R$ 26,5 milhões, da participação acionária da companhia na Guanhães Energia para a Light Energia, com intervenção da Cemig Geração e Transmissão S.A. O Ministério Público suspeita que os contratos e notas referentes à negociação sejam fraudulentos. Youssef, investigado e hoje colaborador da Lava Jato, costumava afirmar que pequenas hidrelétricas eram excelentes negócios.
No despacho que resultou na prisão de empreiteiros e no ex-diretor da Petrobras Renato Duque, na última sexta-feira 14, o juiz federal Sério Moro, responsável pelas investigações da Lava Jato, cita o inquérito referente à Cemig. Diz ele: "trata-se de negócio que, embora suspeito, não estaria relacionado aos desvios na Petrobras". No entanto, não há motivos para acreditar que pagamentos feitos a Youssef que não sejam relacionados à Petrobras não sejam suspeitos.
Em reportagem sobre o assunto publicada nesta sexta-feira, o jornal O Globo não cita a Cemig no título nem no subtítulo, embora o negócio esteja relacionado à joia da coroa do governo Aécio Neves. O caso pode fazer com que parlamentares trabalhem para ampliar a CPMI que investiga as denúncias da Petrobras no Congresso. Relembre aqui reportagem do 247 sobre o assunto publicada no último sábado 15 e da Rede Brasil Atual sobre a possibilidade de ampliar o escopo da CPI para outras empresas além da Petrobras.

CHARGE DO BESSINHA

Semler: não se vende sem propina desde 1970

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Declarando-se tucano, o empresário Ricardo Semler afirma que sua empresa desistiu de fazer negócios com o setor público há muito tempo, em razão das propinas exigidas por agentes públicos; ele fala ainda em corrupção institucionalizada no País; "Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?", questiona; "Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido"

247 - O empresário Ricardo Semler, que fez sucesso quando lançou o livro "Virando a própria mesa", afirma que a cultura da corrupção está entranhada no setor público e diz que deixou de fazer negócios com estatais, porque era impossível vender sem pagar propina.
Ele critica ainda o cinismo que impera no País. "Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?", questiona. "Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido."
Leia, abaixo, seu artigo desta sexta-feira:
Nunca se roubou tão pouco
Não sendo petista, e sim tucano, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país
Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.
Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.
Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos "cochons des dix pour cent", os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas.
Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão --cem vezes mais do que o caso Petrobras-- pelos empresários?
Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse?
Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro. Tanto faz o partido.
Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país.
É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.
Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas.
Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.
A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas.
O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.
É lógico que a defesa desses executivos presos vão entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui não se volta atrás como país.
A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento.
Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre.
Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?
Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido.
O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar.

Dilma escala seu time na área econômica

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Conforme adiantou o 247, presidente Dilma Rousseff anunciará Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro, como novo ministro da Fazenda no lugar de Guido Mantega, e Nelson Barbosa, ex-secretário-executivo da Fazenda, como titular do Planejamento; Alexandre Tombini permanece no Banco Central; senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) vai para o ministério da Agricultura e o senador eleito Armando Monteiro (PTB-PB) para o Desenvolvimento; expectativa era de que nomes fossem anunciados nesta sexta-feira, após o fechamento do pregão, mas segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência, anúncio foi adiado; de bom humor, Bolsa sobe quase 4%; Petrobras dispara 8%;


247 – Confirmado. A presidente Dilma Rousseff deve anunciar em breve seu time econômico completo. Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini ocuparão, respectivamente, os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Tombini permanecerá na presidência do Banco Central. Levy foi secretário do Tesouro no governo Dilma e Barbosa secretário-executivo da Fazenda na gestão de Guido Mantega.
Há ainda outros dois nomes confirmados: a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) será nomeada ministra da Agricultura e o senador eleito Armando Monteiro (PTB-PE) ministério do Desenvolvimento e Indústria. A expectativa era de que o anúncio fosse feito nesta sexta-feira 21, após o fechamento do pregão, mas foi adiado, segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência.
A trinca de Levy, Barbosa e Tombini foi adiantada em reportagem do 247 publicada ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo reagiu com otimismo às altas chances de nomeação ainda hoje, operando em alta de mais de 3% às 16h10. Os papéis da Petrobras entraram em disparada de alta, subindo cerca de 8%. Vale também escalou 8%.
A presidente Dilma chamou Barbosa a Brasília no final desta manhã. O 247 apurou que o anúncio oficial da nova equipe econômica será feito hoje, mas após o fechamento do mercado de ações. Leia reportagem do portal Infomoney que aponta previsão da Nomura pela queda do dólar com a escolha de Levy.
Para Nomura, dólar ficará mais barato com Joaquim Levy no Ministério da Fazenda
A Nomura abriu uma recomendação de venda de dólar nesta sexta-feira, 21, em meio às expectativas de que as indicações de Dilma Rousseff para sua equipe econômica agradem ao mercado e favoreçam um fortalecimento do real no curto prazo. "Nós acreditamos que Joaquim Levy muito provavelmente será indicado para o time econômico, provavelmente como ministro da Fazenda", diz o texto assinado por Tony Volpon, diretor de pesquisas para a América Latina.
Volpon comenta que Levy é conhecido como um formulador de políticas ortodoxo e pró- mercado, que deve ajudar na difícil tarefa de ajustar a economia. Atualmente ele chefia a divisão de gestão de ativos do Bradesco. "Após a nomeação dele nós esperaríamos o anúncio de um plano fiscal crível nas próximas semanas. Tal anúncio seria essencial para restaurar a confiança do mercado", afirma o texto. O analista diz esperar um plano plurianual que leve a um resultado primário adequado para estabilizar a dívida pública.
O relatório diz ainda que o surpreendente anúncio da China hoje, de cortar as taxas de juros, é positivo para as moedas emergentes no médio prazo. "Esse afrouxamento deve ajudar o desempenho econômico da China e favorecer economias altamente dependentes do dinamismo chinês, como o Brasil."
Abaixo, notícia a agência Reuters a respeito:
Tombini deve ficar no BC; Levy e Barbosa estão entre Fazenda ou Planejamento, diz fonte
Por Jerferson Ribeiro e Luciana Otoni - BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff deve anunciar nesta sexta-feira sua nova equipe econômica composta por Nelson Barbosa, Joaquim Levy e Alexandre Tombini, disseram fontes do governo à Reuters.
Segundo uma dessas fontes, no momento já está definido que Tombini seguirá como presidente do Banco Central. As fontes, que falaram sob a condição de anonimato, não disseram quem seria o ministro da Fazenda e quem seria o titular do Planejamento.
"Será um dia longo", limitou-se a dizer uma das fontes.
Dilma estava reunida nesta manhã com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Na agenda da presidente, estão previstos ainda "despachos internos" na parte da tarde.
Uma fonte do mercado financeiro também disse à Reuters sobre a equipe sendo formada por Levy, Barbosa e Tombini.
Os mercados financeiros reagiam positivamente aos nomes. O dólar e os juros futuros recuavam, enquanto a bolsa subia quase 2 por cento.
Dilma tinha considerado inicialmente o presidente Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, para comandar a Fazenda, mas na fase atual da montagem dos principais titulares da equipe econômica já está fora de cogitação, segundo outra fonte do governo.
A presidente passou então analisar um outro nome do grupo Bradesco para compor sua equipe econômica.
Joaquim Levy esteve à frente do Tesouro Nacional na gestão do ex-ministro Antonio Palocci, quando o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula buscava conquistar a confiança dos agentes econômicos. Levy atualmente é o diretor-superintendente do Bradesco Asset Management, braço de gestão de recursos do Bradesco.
Nelson Barbosa também já integrou o governo, como secretário-executivo do atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, até 2013. E enquanto esteve no governo sempre teve proximidade com a presidente. Ele chegou a ser especulado como sucessor de Mantega ainda durante os primeiros anos do governo Dilma.
Tombini preside o BC desde o início do governo e também já teve seu nome especulado para assumir a pasta da Fazenda.
Um indício de que Tombini se manteria na equipe econômica foi sua participação inesperada na reunião de cúpula do G20 na Austrália no último fim de semana.
Dias antes da viagem de Dilma para a reunião, Tombini não estava listado na comitiva presidencial e tinha inclusive participação confirmada numa reunião com investidores em Londres.
(Reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal, em São Paulo)

Lula afirma que, para a oposição, a eleição não acabou

Por Cristiane Agostine | Valor
FOZ DO IGUAÇU (PR)  -  O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou nesta quinta-feira a oposição ao governo federal e a imprensa e disse que a disputa eleitoral ainda não acabou. Lula defendeu a presidente Dilma Rousseff e afirmou que o segundo mandato de sua sucessora será uma "surpresa", mas ponderou que Dilma terá de fazer "o melhor governo" do país. O ex-presidente tem demonstrado que pretende continuar na vida pública e influenciar os rumos do país.
"Tenho a conviccão de que aqueles que estão atacando a presidente Dilma - e parece que as eleições não acabaram ainda - vão ter uma surpresa com o segundo mandato. Vão ter uma surpresa extraordinária porque ela sabe que ela tem que fazer o melhor governo desse país", disse o ex-presidente, ao discursar em um evento promovido pela Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR). "Ela sabe que daqui a quatro anos vai ter que escolher qual é a imagem que quer deixar, depois de uma mulher governar este país oito anos. E tenho certeza de que, se eu conheço a nossa presidente, ela vai dar um show no segundo mandato", afirmou.
O ex-presidente tem participado ativamente de reuniões políticas em São Paulo e em Brasília, com mi nistros e parlamentares do PT e de partidos da base aliada. Lula tem atuado como uma espécie de consultor e articulador polític o informal do governo. Só neste mês, o ex-presidente teve dois longos encontros com Dilma em Brasília, para discutir os rumos do segundo mandato, a escolha dos novos ministros -- especialmente o da Fazenda -- e os desdobramentos da Operação Lava-Jato, que tem desgastado o governo federal.
Ao defender Dilma, Lula lembrou das dificuldades enfrentadas em seu primeiro mandato (2003-2006), marcado pelo escândalo do mensalão. "Não foi fácil. Tentaram até falar em impeachment para mim. Eu disse a eles: 'Vocês querem impeachment? Nós vamos disputar é na rua. Vamos para a rua conversar com o povo", afirmou. "Eles têm que aprender a respeitar o resultado das urnas. Na democracia ganha quem tiver mais voto. As pessoas precisam parar de achar que democracia só existe quando eles governam o país."
Lula disse ainda que Dilma é vítima do preconceito de classe, por promover políticas públicas à população mais carente. "O ódio demonstrado contra a presidente Dilma não é porque em nenhuum momento ela prejudicou o sistema financeiro, empresário. O ódio é exatamente porque a filha do pequeno agricultor está virando doutora neste país. É exatamente porque um catador de papel já não anda mais de cabeça baixa como se fosse um cidadão de quinta categoria", disse o ex-presidente petista, sendo muito aplaudido.
Em novos ataques à imprensa, o ex-presidente afirmou que a "televisão brasileira prefere mostrar as coisas que não deram certo nesse país" e que a "a imprensa tem predileção para anunciar desgraça".
Em alguns momentos, o ex-presidente discursou como se ainda estivesse no cargo. Ao lado do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), Lula contou que está negociando desde o ano passado a mudança no pagamento dos royalties a cidades que têm hidrelétricas. O ex-presidente quer que a população afetada diretamente pelas hidreléticas, como a comunidade indígenas, ribeirinhos e pescadores, sejam os responsáveis por receber e administrar a compensação financeira, tirando os recursos das mãos dos prefeitos.
Lula sinalizou que pretende se manter atuante nos rumos do governo e, em tom de brincadeira, disse que tem pedido em suas orações por mais alguns anos de vida. "Tenho conversado com Deus todo dia. O céu pode ser muito bom, mas quero ficar na terra mais um pouco. Pode ir levando quem você quiser, mas me deixa aqui um pouco mais, porque acho que nós temos coisa para fazer neste país", afirmou.

Governo cria grupo para mapear discriminação na internet

Edgar Maciel - AE

O governo federal instaurou nesta quinta-feira, 20, um grupo de trabalho para mapear atos de discriminação na internet. A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti, diz acreditar que, além de incentivar as denúncias de violência e crimes de ódio no Brasil, é necessário investigar casos virtuais. "O crime virtual desemboca, infelizmente, no crime real", disse.


O grupo será formado por representantes de diferentes ministérios, além da Polícia Federal, e usará informações fornecidas pelo Laboratório de Estudos em Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo. O laboratório desenvolveu um aplicativo capaz de monitorar em tempo real milhões de mensagens em redes como Facebook, Twitter, Instagram, YouTube e Flickr.

Segundo dados da SaferNet Brasil, houve aumento de até 600% em crimes cibernéticos de 2013 para 2014 - o número absoluto não foi divulgado. "As ações para controle dos crimes online atualmente estão dispersas em várias áreas do governo. Integrar esse trabalho vai facilitar que a polícia consiga muito mais que computar os casos, mas resolvê-los", afirmou Ideli.

Homofobia

Para a ministra, o crescimento dos números de denúncias de atos violentos contra homossexuais revela um movimento de ação LGBT pela busca de seus direitos. "Anos atrás, as pessoas tinham receio de denunciar pelo medo da exposição e de novas agressões. Estamos mudando esse paradigma e precisamos desenvolver novas ações", avaliou.

Segundo Ideli, a redução dos homicídios e agressões contra homossexuais passa, sem desvios, pela aprovação da criminalização da homofobia. Sem previsão de votação, a ministra aposta nas ações do Judiciário.

Ideli disse que tem se reunido com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que já adotou como alternativa usar a lei do racismo como um instrumento para crimes homofóbicos. "Se ainda não temos uma lei específica, aplicamos a geral. Mesmo sem aprovação do Congresso, não podemos virar as costas para esse tema", diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Fonte: Estadao Conteudo

Operação Plateias da PF pega irmão de Marconi Perillo (PSDB) e o tucano Expedito Júnior


O ex-senador e dirigente do PSDB, Expedito Junior (RO), estão entre os investigados.

A Polícia Federal cumpriu na manhã desta quinta-feira, 20, mandado de condução coercitiva do governador de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB). Ele foi levado a prestar depoimento na Superintendência da PF no Estado. A ação da PF ocorre dentro da Operação Plateias que investiga desvio de verbas públicas e direcionamento de licitações.

O irmão do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o empresário Marcelo Reis Perillo, também foi levado pela Polícia Federal, nesta quinta-feira, 20 para prestar depoimento sobre denúncia de participação em esquema de corrupção que teria desviado R$ 57 milhões do governo de Rondônia.

A investigação, iniciada em 2012, apurou que empresas interessadas em participar nos processos licitatórios no Estado precisavam doar financeiramente, formal ou informalmente, para campanhas eleitorais. As licitações eram direcionadas para serem vencidas por empresas do esquema. Foi criado até um "fundo da propina", que chegava a movimentar R$ 2 milhões por mês. Os contratos corrompidos ocorreram em secretarias da Saúde e Justiça, entre outras, e superam R$ 290 milhões.

Trata-se da maior operação da Polícia Federal nos últimos anos em número de mandados. Aproximadamente 300 policiais cumprem 193 mandados judiciais: 163 de condução coercitiva; 26 de buscas; e quatro de prisão temporária. A Operação Lava Jato,  por exemplo, cumpriu 85 mandados judiciais na sétima etapa da investigação.

Os mandados da Operação Plateias são cumpridos em Rondônia, Acre, Amazonas, Bahia, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e no Distrito Federal. Uma das conduções coercitivas ocorre na Espanha. Em Brasília, foi presa a pessoa que distribuiria o dinheiro da corrupção. O nome ainda não foi divulgado.

Tucano Expedito Júnior também é investigado em Rondônia

O dirigente do PSDB no Estado de Rondônia e ex-senador Expedito Júnior, que disputou o segundo turno das eleições para o governo local neste ano, também é investigado na Operação Plateias, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, 20. A PF cumpre mandado de busca e apreensão na casa dele e também há mandado de condução coercitiva para que Expedito Júnior preste depoimento sobre as denúncias do esquema criminoso, formado por lobistas e agentes públicos para desviar verbas públicas e direcionar licitações no Estado.

A defesa do ex-senador informou à PF que ele está em uma fazenda dele na cidade Ji-Paraná e que irá se apresentar à polícia no município. Expedito Júnior disputou o segundo turno para o governo de Rondônia com o governador reeleito, Confúcio Moura (PMDB), também investigado na operação Agência de Notícias Estadão

E a presidenta Dilma disse hoje: 'Combate à corrupção nunca foi tão firme e severo'

Leia também. Em 2010: MP investiga rombo de primo do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), em contratos na Saúde da gestão José Serra (PSDB)
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Dilma despede-se de Márcio Thomaz Bastos

Roberto Stuckert Filho /PR:
Presidente compareceu nesta tarde ao velório do advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, falecido hoje de manhã; Dilma não falou com jornalistas e permaneceu por cerca de uma hora junto com os parentes dele na Assembleia Legislativa de São Paulo, onde o corpo é velado; "O Brasil perdeu um grande homem", disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em nome do governo


 Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil
A presidenta Dilma Rousseff compareceu na tarde de hoje (20) ao velório do advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, falecido no período da manhã. A presidenta não falou com jornalistas e permaneceu por cerca de uma hora junto com os parentes dele na Assembleia Legislativa em São Paulo, onde o corpo é velado.
Dilma pediu para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, falar em nome do governo. "O Brasil perdeu um grande homem. Um homem que lutou para a democracia, um homem que transformou o Ministério da Justiça, criando a possibilidade de nós termos uma Polícia Federal autônoma e republicana", destacou.
"O Brasil perde uma grande referência na área jurídica. Nós perdemos um grande amigo e uma pessoa que, sem sombra de dúvidas, será insubstituível para todos nós de uma geração que convivemos com ele", ressaltou.
Por meio de nota, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, disse que o país perde um grande defensor dos valores democráticos e do Estado Democrático de Direito. "Convivemos juntos como ministros durante o primeiro mandato do ex-presidente Lula, período em que testemunhei as iniciativas inovadoras de Bastos para garantir a qualidade, a autonomia e a transparência da Justiça e de instituições como a Polícia Federal", escreveu.
Thomaz Bastos morreu na manhã de hoje (20), aos 79 anos. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês para tratamento de descompensação de fibrose pulmonar, de acordo com boletim médico do hospital do dia 18. Bastos foi ministro do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre os anos 2003 e 2007.
* Colaborou Paulo Victor Chagas

CHARGE DO BESSINHA

Ex-Itaú, Freitas arrecadou para Aécio em empreiteiras

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Em depoimento à Justiça Federal, o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, afirmou que, nesta campanha, foi procurado pelos tesoureiros do PT, João Vaccari, mas também do PSDB; entre os tucanos, segundo ele, o arrecadador seria "Dr. Freitas"; trata-se de Sérgio de Silva Freitas, executivo egresso do banco Itaú, que arrecadou para José Serra, em 2010, e, neste ano, para a campanha presidencial de Aécio Neves; "Era um grupo de pessoas que fazia isso para o partido. Normalmente. Assim como foi feito com todos os doadores", disse. Todos ligados ao partido, todo mundo se esforçou por isso, eu sou um de muitos", disse o tucano



247 - A Operação Lava Jato jogou luzes sobre o personagem que arrecadava recursos para o PSDB, na campanha presidencial de 2014, do senador Aécio Neves (PSDB-MG).
Trata-se de Sérgio de Silva Freitas, executivo egresso do banco Itaú. Seu nome apareceu no depoimento de Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, à Justiça Federal.
Segundo Pessoa, seus contatos para tratar de doações eleitorais eram João Vaccari, o tesoureiro nacional do PT, e "Dr. Freitas", um personagem que não consta como tesoureiro oficial do PSDB, mas que circula nas sombras da arrecadação de campanhas.
"Dr. Freitas" foi ouvido em reportagem desta sexta-feira dos jornalistas Aguirre Talento, Gabriel Mascarenhas e Rubens Valente, da Folha de S. Paulo.
Ele admite ter procurado o empreiteiro, mas nega qualquer pedido de recursos. Diz que foi lá só para tentar convencê-lo a doar.
"[Era] um grupo de pessoas que fazia isso para o partido. Normalmente. Assim como foi feito com todos os doadores", disse. "[Os integrantes desse grupo são] Todos ligados ao partido, todo mundo se esforçou por isso, eu sou um de muitos", disse "Dr. Freitas".
Aparentemente, o "convencimento" deu certo. Segundo dados da Justiça Eleitoral, nas eleições de 2014 a UTC doou R$ 2,5 milhões ao comitê do PSDB para presidente e mais R$ 4,1 milhões aos comitês do partido em São Paulo e em Minas Gerais, além de R$ 400 mil para outros candidatos tucanos (leia, aqui, reportagem da Folha a respeito).

20 novembro 2014

Dilma: “Brasil sairá muito mais forte desse processo”

Roberto Stuckert Filho/PR: Brasília - DF, 20/11/2014. Presidenta Dilma Rousseff durante Conferência Nacional de Educação (CONAE 2014). Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Sem citar diretamente a Operação Lava Jato, presidente reforça autonomia dos órgãos de investigação em seu governo e afirma que combate à corrupção "nunca foi tão firme e severo como agora"; "Não há qualquer tipo de pressão do governo para inibir as investigações", discursou Dilma Rousseff durante a Confederação Nacional de Educação (Conae), em Brasília; "Queremos a investigação em toda a sua integralidade e garantir também as condições democráticas do direito à defesa. O Brasil sairá muito mais forte desse processo. Mais forte ainda por respeitar as regras do Estado de Direito em que vivemos", acrescentou

 247 – O País sairá "muito mais forte" das investigações sobre esquema de propina em contratos na Petrobras, afirmou nesta quinta-feira 20 a presidente Dilma Rousseff, sem citar diretamente a investigação Lava Jato. Em discurso durante a Conferência Nacional de Educação (Conae), em Brasília, Dilma destacou a autonomia dos órgãos de investigação durante o governo do PT e reformou que "não há qualquer tipo de pressão do governo" contra a apuração da Polícia Federal, que prendeu na sexta-feira o segundo ex-diretor da Petrobras, executivos e funcionários de grandes empreiteiras.
"Falamos a verdade quando destacamos que o combate à corrupção nunca foi tão firme e severo como agora no meu governo. Não foi tão firme e severo quanto neste momento por duas características que tornam esse momento inédito: a Polícia Federal e o Ministério Público, instituições do Estado Brasileiro, estão investigando corruptos e corruptores e não há qualquer tipo de pressão do governo para inibir as investigações", afirmou a presidente.
"Queremos a investigação em toda a sua integralidade e garantir também as condições democráticas do direito à defesa. O Brasil sairá muito mais forte desse processo. Mais forte ainda por respeitar as regras do Estado de Direito em que vivemos", acrescentou. Ela ressaltou que não tolera corruptos e nem corruptores, mas que dará garantias do direito à defesa dos investigados pela PF. Ela agradeceu pelos votos que garantiram sua reeleição e voltou a defender o diálogo e a participação popular em seu segundo governo.
Abaixo, reportagem da Agência Brasil sobre outros momentos do discurso de Dilma:
Dilma diz que opinar, criticar e reivindicar é direito da sociedade civil
Yara Aquino – A presidenta Dilma Rousseff destacou hoje (20) a importância da participação social na construção das políticas públicas. Ao discursar na 2ª Conferência Nacional de Educação (Conae), a presidenta defendeu o respeito ao direito de opinar, criticar e reivindicar, que, segundo ela, caracterizam a democracia em uma sociedade moderna e inclusiva.
"Sabemos que a democracia representativa tem o Congresso e as Casas Legislativas como espaço privilegiado e fundamental de deliberação", afirmou Dilma, ao lembrar que tem de ser garantido à sociedade civil organizada o direito de opinar, de falar, de criticar, dar sugestões, contribuir com suas experiências e reivindicações. De acordo com a presidenta, a participação popular nas políticas públicas não é uma dádiva do governo, mas uma conquista da sociedade brasileira que deve ser respeitada.
Dilma defendeu também a valorização dos professores, tanto no aspecto da formação quanto na melhoria dos salários. "O desafio da valorização do professor não pode estar baseado em frases genéricas. Temos que construir um caminho para que o Brasil tenha, em um prazo curto, não só a carreira mais clara para o magistério, mas refletindo na qualidade da remuneração", disse ela aos cerca de 4 mil profissionais de diversos setores da área de educação que participam da Conae.
A presidenta lembrou ainda que sancionou, neste ano, sem vetos, o Plano Nacional de Educação (PNE). O cumprimento do PNE está no centro das discussões da Conae.
Dilma também mencionou a passagem, hoje, do Dia da Consciência Negra e destacou a importância da política de cotas adotada em universidades federais brasileiras.
Ao faltar sobre as eleições de outubro, a presidenta disse que os votos que a reelegeram são votos claros pela inclusão social, pelo emprego, desenvolvimento, pela estabilidade política e econômica e por maiores investimentos na infraestrutura e modernização do país.
Ela prometeu que, nos próximos quatro anos, manterá um governo coerente com o que pensa e tem feito pelo país. "Nosso Brasil não vai parar. Eu governei quatro anos sem descanso, vou governar mais quatro ainda, sem descanso. Vou continuar coerente com o que penso e o que temos feito pelo Brasil e os brasileiros."
A Conae se estenderá até domingo (23). O documento-base a ser discutido teve origem em emendas apresentadas durante as conferências distrital e estaduais. Participam educadores, pesquisadores, gestores públicos, parlamentares e representantes de organizações e entidades sociais ligadas à área, que debaterão o futuro da educação, da creche à pós-graduação.

19 novembro 2014

Stédile: “Golpe destamparia a revolta popular”

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Em alta, recém chegado do Vaticano, onde participou de encontro de 100 movimentos populares do mundo com o papa Francisco, líder do MST não teme "viúvas da ditadura, que fizeram até o PSDB passar vergonha"; João Pedro Stédile afirma que qualquer tentativa de quebra da ordem institucional  traria o elemento da violência; "Seria destampada a caixa de pandora da revolta popular", avaliou; na condição de ser um dos poucos brasileiros que, com uma palavra, pode 'colocar o povo na rua', ele lembrou em entrevista ao 247: "Brincar com a democracia é muito perigoso"; ping pong

 Marco Damiani, 247 – O quadro referencial do MST João Pedro Stédile acaba de chegar do Vaticano. Pela primeira vez na história da Igreja, oficialmente um papa avaliza uma grande reunião de movimentos populares. No caso, o encontro de uma centena de entidades, pensada e organizada pelos brasileiros do MST com seus colegas de luta pelo mundo. "O papa Francisco demonstra ter consciência das mudanças que precisam ser feitas", afirmou Stédile ao 247.
Mas, de volta ao Brasil, o que esperava o líder dos sem terra era um país em que setores de elite já discutiam as chances de uma quebra da ordem. Mais radicalmente, em cartazetes levados à avenida Paulista, em duas passeatas com menos de 5 mil pessoas no total, alguns pediram a tal "volta dos militares". De modo mais sofisticado, articulações em Brasília, a partir do escândalo de corrupção na Petrobras, vislumbram a chance de envolver a presidente Dilma Rousseff entre o cientes e tomar-lhe, pelo impechment, o poder. Adeptos do caminho mais curto para este fim apostam num golpe de caneta do ministro Gilmar Mendes, do STF, que poderá censurar as contas da campanha do PT e atalhar uma crise institucional.
Stédile, um dos poucos brasileiros que tem condições, como se diz, de 'colocar o povo nas ruas', desdenha das três alternativas.
- Não vejo um movimento golpista. A conjuntura não permite, não haveria a menor chance de sucesso, diz ele.
- Numa hipótese mais radical, a burguesia sabe que estaria aberta a caixa de pandora da revolta popular. E isso é muito perigoso, completou.
Por e-mail, o líder popular que batalha há mais de 30 anos no mesmo campo social, sem ter caído em tentação de obter mandatos políticos ou assumir cargos bem remunerados deu as seguintes respostas às nossas perguntas:
247 -  O sr. pressente algum tipo de movimento golpista contra a democracia e o resultado das eleições presidenciais? Onde ele se dá? Nas ruas, na mídia, na classe política?
João Pedro Stédile - Não vejo um movimento golpista. E não teria nenhuma chance de sucesso na atual conjuntura. Os tucanos chamaram mobilizações de protestos dia 15 de novembro, que são normais na democracia. E lá se infiltraram algumas viúvas da ditadura militar, que não merecem crédito, que não têm base na sociedade. Até os tucanos ficaram com vergonha. Os partidos da direita sabem que a tentativa de um golpe seria destampar a caixa de pandora da revolta popular. E isso é muito perigoso. A mídia no Brasil é o principal partido ideológico da direita. Mas sua função é manter o governo acuado, com medo de fazer mudanças. Além disso, fazer uma campanha permanente na sociedade mantendo a hegemonia da visão de mundo burguesa, defendendo sempre os interesses dos privilegiados e os falsos valores do individualismo, egoismo e consumismo, como se isso fossem valores da liberdade e da democracia.
- A tese de impeachment da presidente Dilma Rousseff pode prosperar? O sr. vê motivos para isso?
Não há nenhum motivo real. A presidenta não está envolvida em nenhum crime. Esse movimento é absolutamente antidemocrático, de quem não se conforma com a vontade da maioria do povo. Alegar conhecimento de fatos de corrupção em empresas estatais é simplesmente fantasioso. Os fatos que vieram à tona na Petrobras estão sendo perpetuados há 15 anos, segundo a Procuradoria-Geral da República, portanto, iniciaram no governo FHC. Os diretores envolvidos foram indicados por partidos conservadores. Não me consta que algum deles tenha ficha no PT. Por outro lado, há denúncias de corrupção no governo FHC e em muitos governos estaduais e municipais, e não tenho notícias de algum pedido de impeachment.
- Como o MST se posicionará diante desse quadro?
Defendemos que todos os casos de corrupção sejam investigados à exaustão e denunciados, sobretudo os corruptores, que na maioria das vezes saem impunes. Todos os que cometeram algum delito devem pagar por eles. É preciso que a sociedade se dê conta que a corrupção é um modo de agir permanente no capitalismo, em que as empresas e seus políticos procuram se apropriar de recursos públicos. Por isso, sempre existiu corrupção neste país. E a única forma de combatê-los, não é apenas usar a Polícia Federal, porque é impossível controlar. A forma de combatê-la é aprofundar mecanismos de participação popular na gestão pública, em que povo tenha mais informações e instrumentos para acompanhar. Enquanto a administração pública for apenas um privilégio de algumas pessoas, partidos e empresas, sempre haverá corrupção em todos os partidos que chegarem ao governo, seja federal, estadual e municipal.
- O fato de a presidente não ter criado nenhum fato político importante desde a eleição pode estar contribuindo para a desestabilização do governo?
Não acredito em desestabilização do governo. Estamos vivendo um período de transição do primeiro para o segundo mandato, que sempre é muito lento e tensionado, pelos grupos que querem influenciar o próximo governo. Embora para a pequena politica o fato da presidenta ter tirado uma semana de férias e depois uma longa viagem ao exterior estimulem especulações de todo tipo.
- Como os movimentos sociais e, em particular, o MST devem se comportar nesse quadro político agitado?
Esse período de transição até janeiro é sempre de debates e de expectativas. Acho que os movimentos sociais deverão se preparar e ampliar a pressão social nas ruas, fazendo luta social para que os problemas do povo sejam resolvidos de uma forma mais rápida. E nenhum governo do mundo, federal, estadual ou municipal funciona sem a pressão do povo. Os problemas de moradia, transporte público, especulação imobiliária, juros estratosféricos, falta de terra e vagas restritas na universidade estão ai, pedindo soluções urgentes.
- O que o sr. espera do futuro governo Dilma?
Espero que o governo saiba entender o recado das urnas e a vontade da imensa maioria de nosso povo. Nosso povo quer mudanças, mudanças no governo, mudanças na forma de fazer politica e mudanças que possam acelerar a solução de seus problemas. E o governo precisa sinalizar que quer fazer mudanças para resolver os problemas do povo. Esses sinais podem ser simbólicos na composição do novo ministério, como devem ser reais, na apresentação de propostas concretas.
Todos os movimentos sociais temos propostas concretas de soluções praticas. Basta o governo ser mais humilde, convocar cada setor e terá as propostas necessárias para as mudanças. Se o governo não fizer isso, corre o risco de cair num descredito popular e navegará na mesmice, do mais do mesmo, que não resolve nenhum problema e só aumentará a tensão social, que voltará nas ruas, com mais força. E ai contra o governo também.
- Qual sua expectativa sobre o tipo de oposição parlamentar que será feita?
O Congresso brasileiro infelizmente tem se revelado um balcão de negócios. O financiamento privado das campanhas deformou sua representação em relação à sociedade. Apenas dez empresas elegeram 70% dos parlamentares nestas eleições. O Congresso e a democracia brasileira foram sequestrados pelas empresas. Por isso, o povão não acredita mais nos políticos, porque não se sente representado. Os executivos das grandes empresas que se sentem representados por esse sistema político, por ter seus financiados nas campanhas no Congresso. Por isso, só há uma solução, realizarmos uma reforma politica, através da convocação de uma assembleia constituinte exclusiva do sistema político.
- O MST participa da campanha pela Constituinte do Sistema Político, que reúne 400 organizações. O que o movimento quer com essa campanha?
Nós temos uma plenária nacional com mais de 400 movimentos, entidades e organizações, organizamos mais de 2 mil comitês populares em todo o país. Recolhemos quase 8 milhões de votos de eleitores, exigindo a convocação de uma assembleia constituinte. Espero que os poderes da República entendam esse recado. A presidenta Dilma parece que entendeu.
O que queremos é que, seguindo o rito da lei, o atual Congresso aprove um projeto de decreto legislativo, que foi apresentado agora em outubro, com 188 assinaturas de deputados, para a convocação de uma plebiscito legal, em que a população seja consultada se quer ou não uma Assembleia Constituinte para fazer a reforma política. Aprovado o plebiscito, deveríamos realizá-lo ainda em 2015. Aprovada a convocação da Assembleia, que se formasse uma comissão de juristas indicados pelo Congresso para formatar uma proposta de eleição soberana, sem influência do poder econômico, garantindo representatividade popular, de etnias, gênero, para elegermos uma Assembleia exclusiva, para em curto prazo preparar um novo modelo de sistema político para o país. Uma reforma política que não se restrinja a regras de financiamento e listas de candidatos, mas que debata com a sociedade o modelo mais democrático para garantir que a vontade do povo seja cumprida. Para isso, é necessário fazer mudanças no Poder Judiciário e no atual monopólio da mídia, afinal, que fazem parte do nosso sistema politico.
- Como o sr. sente o clima político entre militantes de base e povo em geral? Há base social para uma ruptura institucional?
O povão quer mudanças, quer sinais concretos para acelerar a solução de seus problemas. Os militantes sociais estão organizando comitês e participando ativamente dos debates, para que possamos convocar uma assembleia constituinte. Percebo que há uma reanimação da juventude, em participar da politica. No meu entender, foi essa militância que no segundo turno garantiu a vitória da Dilma, com sua mobilização na campanha. Não há risco de ruptura institucional. O que viveremos no próximo período é um quadro de muitos conflitos, debates e confusão ideológica.
Cabe aos movimentos seguir organizando o povão para fazer luta social. E cabe ao governo dar sinais que quer mudanças.
- Qual sua avaliação sobre a Operação Lava Jato e a situação interna de corrupção na Petrobras?
Sabe-se pela imprensa que esse esquema está montando na Petrobras desde os tempos do governo FHC. É uma vergonha que muitos diretores se locupletaram e se desviaram milhões. Uma vergonha que as empresas pagassem esse pedágio e certamente incluíam depois no custo das obras. Esperamos que a Polícia Federal e a Justiça Federal sejam transparentes, para que toda a sociedade possa acompanhar a realidade dos fatos. Os responsáveis devem ser punidos pelos desvios. O que não podemos aceitar é uma partidarização, que a mídia burguesa está tentando fazer, como se fosse um esquema do PT. Os corruptos e corruptores não tem partidos, têm apenas interesses pessoais. O salutar seria que todas as empresas estatais, do governo federal e de alguns grandes estados como Minas, São Paulo e Rio, também passassem por esse pente fino. A corrupção é um modo particular do capitalismo funcionar na gestão dos recursos públicos.
- O País está avançando institucionalmente, em razão das prisões, finalmente, de corruptores e corruptos, ou esse é apenas um dado normal de um país democrático?
A democracia não pode ser medida pelo número de prisões. A democracia deve ser medida pelo grau de participação popular efetiva nos destinos da Nação. A democracia deve ser medida pelo grau de igualdade que todos os cidadãos devem ter em relação a oportunidades de ter trabalho, terra, moradia, educação e cultura. Infelizmente, o Brasil está muito longe de ser uma sociedade democrática. Ao contrário, estamos entre as sociedades de maior desigualdade social do mundo, apesar de termos a oitava maior riqueza. Portanto, somos uma sociedade altamente antidemocrática.
- O MST pretende se pronunciar formalmente sobre o momento político?
Já estamos nos posicionando nas plenárias de nosso movimento, fazendo debates com nossa militância, participando das plenárias com outros movimentos sociais, nos reunindo com parlamentares e políticos amigos. Nossa pauta é seguir organizando o povo, para lutar por terra, lutar por uma reforma agraria popular, e lutar por uma sociedade mais justa e democrática.
- Quais os reflexos para a luta no campo das confabulações políticas em Brasília?
Brasília é uma ilha da fantasia. O mundo real dos problemas do povo, da cidade ou do campo, ficam muito longe das preocupações de Brasília. Os governos em geral sempre são muito burocráticos e desvinculados da vida real. Como dizia um mestre: " os governos em geral são surdos e cegos" para as demandas populares. Daí a necessidade do povão se organizar e lutar por seus direitos.
Nós, do MST, esperamos que o Governo Dilma faça muitas mudanças em Brasília no próximo período. Mude a orientação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Incra. Mude o jeito de administrar a Conab- Companhia Nacional de Abastecimento, transformando-a numa grande empresa que compre todos os alimentos produzidos pela agricultura familiar e garanta o abastecimento a baixos preços aos trabalhadores. Mude a forma de administrar a educação, enfrentando os problemas do analfabetismo, que ainda atinge a 14 milhões de trabalhadores adultos. E a universalização do acesso dos jovens à universidade, hoje restrito a apenas a 15%.
Esperamos que a Dilma chame o MST, os movimentos da Via Campesina e chame todos os movimentos populares para ouvir nossas propostas de soluções de problemas, assim como fez nas eleições. Espertamos que o governo compreenda que só a convocação de uma Assembleia Constituinte pode de fato construir uma reforma politica, que devolva a democracia ao povo.
- O governo da presidente Dilma tem condições de retomar a iniciativa política? Quais medidas deve tomar?
As urnas deram esse poder da iniciativa politica à presidenta. O governo deve atuar de forma simbólica, sinalizando para o povo e para as organizações populares que quer mudanças, ao reorganizar o ministério. E preparar medidas de impacto popular já no primeiro trimestre. O povo está de olho esperando esses sinais.
-  O sr. concorda com a tese de que o novo governo ficou velho antes mesmo de ser anunciado?
Não concordo. O governo não tem idade. Ele precisa é demostrar claramente de que lado está. Se está do lado dos bancos, dos especuladores, do capital estrangeiro, das empresas transnacionais, do latifúndio, ou do lado do povo.
- Em particular, qual sua avaliação sobre a postura política de líderes do PSDB, como o ex-presidente Fernando Henrique, o senador Aécio Neves e outros?
Os tucanos têm o direito legítimo de se manifestar e fazer oposição democrática ao governo. Mas seu programa é do passado, e claramente vinculado apenas aos interesses dos bancos e das grandes empresas, o chamado programa neoliberal, que aplicaram durante oito anos no Brasil, e em São Paulo e Minas Gerais por mais de 15 anos. Foram derrotados, porque seu programa não resolve os problemas do povo, só aumentam. Por outro lado, sua postura politica é tipicamente de lideres partidários medíocres, expressão apenas das elites. Por isso, não têm lideres populares em quem o povo confia ou que possam mobilizar e sensibilizar as multidões.
- Como foi a experiência de ter participado do encontro de movimentos sociais no Vaticano? Como foi a experiência de encontrar o Papa Francisco? O que pode falar sobre ele?
A Igreja Católica passou os últimos trinta anos imersa numa visão conservadora do mundo. Isso levou o Vaticano a uma grave crise econômica, política e moral. Por isso, Ratzinger teve coragem de renunciar para encontrar uma saída para a crise. E a saída foi escolher um cardeal progressista, e pela primeira vez em dois mil anos, o primeiro Papa representante da América Latina e do Hemisfério Sul. O papa Francisco demonstra ter consciência das mudanças que precisam ser feitas.
Teve a generosidade e a sabedoria de convocar um encontro mundial, com cem líderes populares de todo o mundo, representantes dos mais diversos segmentos dos trabalhadores, dos mais pobres, sem perguntar qual era a crença, líder, ideologia e programa de cada um. Lá nos reunimos durante três dias para analisar a situação atual dos problemas do mundo. Avaliamos as razões e levantamos possíveis saídas. O papa Francisco esteve conosco e manifestou sua opinião num contundente discurso. Saímos de lá, todos, revigorados, percebendo que independente de etnia, crença ou idade, todos enfrentamos os mesmos problemas e que as soluções dependem de uma grande mobilização mundial. Quanto ao personagem Francisco, me surpreendeu pela simplicidade, coragem e sabedoria. Temos um papa gaúcho, mas acima de tudo universal.

CHARGE DO BESSINHA

Desemprego cai a 4,7%, menor nível para outubro

Militares avisam radicais: o Brasil é uma democracia

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Os três chefes das Forças Armadas, o almirante Julio Soares de Moura Neto, o general Enzo Peri e o brigadeiro Juniti Saito, falaram à jornalista Monica Bergamo sobre as manifestações radicais que pediram a volta da ditadura e conseguiram atrair até um ex-guerrilheiro que combateu o regime militar como o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP); Moura Neto falou em militares "inseridos na democracia"; Saito criticou "extremistas"; Peri afirmou que o Brasil vive ambiente de "absoluta normalidade"


247 - Depois das manifestações de grupos radicais no último dia 15, que chegaram a pedir a volta da intervenção militar no Brasil, em protestos que atraíram até ex-guerrilheiros, como o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), a jornalista Monica Bergamo decidiu ouvir os chefes das Forças Armadas. Os três, o general Enzo Peri, o brigadeiro Juniti Saito e o almirante Julio Soares de Moura Neto, falaram num ambiente de absoluta normalidade institucional.
"Os militares estão totalmente inseridos na democracia e não vão voltar. Isso eu garanto", disse o almirante Julio Soares de Moura Neto, comandante da Marinha. "Os militares só voltam em seu papel institucional, que é o que têm hoje", afirmou.
Saito, por sua vez, criticou os radicais. "São opiniões de extremistas", afirma, antes de sentenciar. "É algo impossível de acontecer. Só quem poderia tentar fazer isso é o pessoal da ativa. E, como nós não queremos nada nesse sentido, não há a menor chance de essas ideias evoluírem."
Peri também rechaça a pregação golpista. "Nós vivemos há muitos anos em um ambiente de absoluta normalidade."
Na última manifestação, até mesmo alguns de seus "líderes", como o cantor Lobão, desistiram de participar, quando se deram conta de que um dos objetivos era a volta de uma ditadura no País.

18 novembro 2014

Por que Dilma está confiante se parte da oposição quer derrubá-la?

Por Helena Sthephanowitz

Sobre Operação Lava Jato, presidenta disse que este não é o primeiro escândalo desta proporção na história do Brasil, e sim o primeiro a ser investigado

Na entrevista coletiva que a presidenta Dilma Rousseff concedeu na Austrália, durante a reunião dos países do G-20, no domingo (16), ela apareceu confiante, desapontando setores que apostam todas as fichas em crise política decorrente da Operação Lava Jato. O bom humor parece ser devido ao fato de o Brasil ter colhido vitórias nas resoluções dos líderes do G-20.
A presidenta fez um breve relato sobre decisões dos países de adotarem medidas que visem ao crescimento aquecendo a demanda, falou sobre investimentos em universalização do acesso à energia e educação, ambiente favorável a aumentar o comércio mundial, e sobre a reforma do Fundo Monetário Internacional para dar mais peso aos países em desenvolvimento.
Em seguida vieram as perguntas, e a primeira já foi sobre o impacto sobre seu governo e sobre ela da inédita prisão de grandes empreiteiros e financiadores de campanha na Operação Lava Jato. A presidenta demonstrou uma confiança que até surpreende quem se informa exclusivamente pela imprensa tradicional brasileira. Disse que não é o primeiro escândalo desta proporção na história do Brasil, e sim o primeiro investigado. Disse que pode mudar o país para sempre, ao acabar com a impunidade, e que mudará as relações entre a sociedade, o Estado e as empresas privadas. Que a investigação não é algo engavetável. Que colocará à luz do sol os processos de corrupção, inclusive, de alcance internacional.
Ao contrário da sanha golpista de alguns quadros da oposição e do jornalismo oposicionista com tradição em apoiar golpe, Dilma tem um histórico de combate e enfrentamento a cartéis. Bem diferente dos governos do PSDB e DEM, tanto quando estiveram no Planalto, como dos governadores que ainda estão no poder.
Sua fama nacional começou em 2004, quando ministra das Minas e Energia responsável por promover o primeiro leilão de energia elétrica no governo Lula. Para evitar combinação de preços entre os concorrentes, as regras do leilão exigiam de todos que fossem dar lance se "internarem" em um hotel, incomunicáveis com o mundo exterior e entre concorrentes, sem telefone, notebook, tablet. Só puderam usar computadores e softwares oferecidos pelos organizadores para fazer seus cálculos.
As empresas, do lado de fora, não sabiam o que se passava lá dentro com seus representantes. Só souberam do resultado no fim de leilão. Os consumidores tinham o que comemorar com os preços baixos. Os lobistas reclamavam que o preço a que se chegou foi baixo demais. Mas foi o preço dado pelas próprias empresas que calcularam serem o suficiente para se sentirem remuneradas, em ambiente de livre concorrência. Esse episódio levou Dilma a ser chamada internacionalmente de "Dama de Ferro" por jogar duro com empresários em defesa do interesse público.
Leilões de concessão de rodovias e outros serviços públicos também levaram a uma queda-de-braço entre governo e setor privado em torno de taxa de retorno aceitáveis. O governo defendendo tarifas e pedágios menores para o cidadão. As empresas reclamando que o governo queria "tabelar" os lucros.
Houve várias quedas-de-braço com empreiteiras desde o governo Lula. Batalhões de engenharia do Exército chegaram a fazer obras em rodovias, em parte da transposição do Rio São Francisco, por causa de licitações onde empreiteiras não aceitavam o preço máximo que o governo se dispunha a pagar, acima do qual considerava abusivo.
Em parte, vêm daí reclamações dos setores empresariais sobre falta de diálogo com a presidenta. O que é falso, neste caso. Há um processo de negociação onde o governante defende o interesse público, o empresário seu interesse privado. Cada um está de um lado diferente do balcão e devem chegar a um valor justo. Errado seria se o governante passasse para o lado do balcão do empresário. Aí não seria diálogo e negociação, seria cooptação, e é o que ocorre em muitos casos de corrupção.
No governo federal, em que pese os males decorrentes da governabilidade e de legislação permissiva, é fato que vários órgãos procuraram fazer editais de licitação que permitissem a participação de empreiteiras menores para aumentar a concorrência. Curiosamente até o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, no depoimento que foi divulgado ao público pela Justiça Federal do Paraná, disse ter recebido em alguns momentos orientação para incentivar maior concorrência entre fornecedores, o que vai contra os interesses de cartéis. Infelizmente, nem o juiz, nem os procuradores que cuidam da Operação Lava Jato se aprofundaram para perguntar de quem veio a orientação.
O fato é que o Brasil não é um país pronto. Precisa de construtoras para fazer sua infraestrutura, e é bom que sejam nacionais para não haver perda de divisas, para desenvolver a engenharia nacional e para os trabalhadores brasileiros terem empregos, sobretudo empregos qualificados na área tecnológica. As grandes empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato estão no mercado há décadas e, ao que tudo indica, passaram a atuar em cartéis e não é de hoje. Fazem obras para os três poderes e para os três entes federativos.
Também, ao que tudo indica, passaram a corromper agentes públicos, para facilitar a atuação em cartéis. E ainda financiam campanhas eleitorais, mesmo de políticos que não são corruptos, mas convenhamos que mitiga o ímpeto investigativo em CPIs, mesmo da oposição, sobre quem os financia. Não por acaso, nunca vimos em CPIs nenhum dos presos na Operação Lava Jato. Sempre se convocou apenas os agentes públicos e políticos, deixando os grandes financiadores privados de campanha de fora. E isso vem, pelo menos, desde o escândalo dos anões do Orçamento há mais de 20 anos.
Quebrar esta estrutura patrimonialista enraizada é uma das transformações nacionais mais importantes. A oposição e a imprensa vinda da ditadura prestam um desserviço à nação ao ficar alimentando factóides sobre impeachment sem o menor fundamento. Pedir impeachment da presidenta é tão insano como pedir o fechamento do Congresso Nacional e impeachment de governadores e prefeitos, já que a maioria recebeu, direta ou indiretamente, financiamento de campanha dessas empresas. Tão insano quanto pedir a destituição de membros do Poder Judiciário por já terem firmado contratos licitados com estas empresas em obras de palácios de Justiça.
A presidenta presta um serviço à nação ao dizer e apostar que os desdobramentos da Lava Jato mudarão as relações entre a sociedade, o Estado e as empresas privadas.
É bem provável que a prisão leve os próprios empresários a aderirem ao fim do financiamento empresarial de campanha, a principal raiz da corrupção sistêmica. Afinal, hoje foram empreiteiros. Quem garante que amanhã não pode ocorrer algo semelhante com banqueiros privados, já que agem em bloco na Febraban (Federação do Bancos Brasileiros), fazem propostas semelhantes nos leilões de títulos públicos, nas exigências das taxas de juros, por nomeações no Banco Central, na CVM, financiam campanhas e fazem pressão no Congresso por leis de seu interesse. Só não há conhecimento de casos de suborno, nem de delatores, mas não é impossível que venham a ocorrer.
Quem sabe, agora, até o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, resolve devolver o processo para prosseguir o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adi) 4.650, proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, contra o financiamento empresarial de campanhas eleitorais?
http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2014/11/por-que-dilma-esta-confiante-se-parte-da-oposicao-quer-derruba-la-2243.html