Um sentimento permeia estrategistas do PSDB: em condições normais de
temperatura e pressão, é quase impossível derrotar a presidenta Dilma
Rousseff ou o ex-presidente Lula nas eleições de 2014. Para derrotar
estes adversários, os presidenciáveis do partido devem aderir a tese de
que só com violência e oposição encarniçada será possível apear o PT do
Palácio do Planalto. Em resumo: 2014 não será um debate de ideias, mas
uma guerra campal.
Para estes estrategistas, é preciso ampliar o anti-petismo além dos
limites atuais. E para isto vale tudo. Mas é o VALE TUDO mesmo!
Não importam se as estatísticas beneficiam os governos petistas.
Não interessa se a inadimplência das famílias está em queda ou se os
juros para pessoas físicas e jurídicas está no menor patamar da história
no Brasil.
E daí se a renda per capita domiciliar cresceu acima do PIB, que foi de 1,03% e a renda das famílias subiu a uma média de 4,89%?
Não é da conta do PSDB se a presidenta Dilma decidiu dar um desconto
de 21% nas contas de energia elétrica para consumidores domiciliares e
indústrias: Cesp, Copel e Cemig não cederão!
Não são as boas notícias do governo petista que contam. O que conta
na avaliação de certos estrategistas tucanos é criminalizar o PT,
criminalizar seus líderes, criminalizar Lula e, finalmente, criminalizar
Dilma Roussef.
Mentira e violência como armas da política
A violência e a mentira como armas da política não são novidade. Uma
dos maiores exemplos de como uma mentira contada infinitas vezes toma
ares de verdade é o livro "Os protocolos dos sábios do Sião".
Criado numa conspiração pela antiga Okrana, a polícia política do Tzar
Nicolau Romanov, o livro acusa os judeus de um plano para dominar o
mundo. A trama seria desmascarada pelo jornal londrino Times em 1921
pelo correspondente Philip Grave. Apesar disto, continuou a ser editado
em vários países, tendo sido inclusive publicado pelo magnata
norte-americano Henry Ford, conforme lembra o pastor Caio Fábio:
"Ford comprou um jornal falido, o Dearborn Independent, que
serializou Os Protocolos por 91 semanas. Sua empresa em seguida publicou
a série sob a forma de livro, com o título O Judeu Internacional (The
International Jew). Usando as técnicas de produção de massa, Ford pode
expandir o alcance dos Protocolos, transformando-o de panfleto
insignificante circulado entre uns poucos numa sensação nacional com
tiragem de 500.000 exemplares. Ao devotar a força nacional de vendas e
os ativos da Ford Motor Company à tarefa da hostilidade, Henry Ford foi o
primeiro a organizar o antisemitismo político nos Estados Unidos.
Acabou tornando-se, na verdade, herói dos antisemitas do mundo inteiro.
Na Alemanha, onde Ford era venerado, O Judeu Internacional foi
traduzido e publicado em fevereiro de 1921. O livro conheceu seis
edições em dois anos, com milhares de exemplares impressos. O livro de
Ford tornou-se rapidamente a bíblia dos anti-semitas alemães e das
primeiras encarnações do partido nazista. Os nazistas distribuíam a obra
país afora "aos borbotões".
A campanha anti-semita de Ford teria servido de inspiração a Adolf
Hitler para o seu livro Mein Kampf: "O Führer leu a obra pelo menos dois
anos antes de escrever o Mein Kampf. E deixa claro que leu. No capítulo
11 do Mein Kampf Hitler escreveu: "Toda a existência deste povo é
baseada numa mentira contínua, como demonstrado incomparavelmente pelos
Protocolos dos Sábios de Sião. Com segurança absolutamente
aterrorizadora, esses documentos revelam a natureza e a atividade do
povo judeu, bem como seus objetivos últimos". Hitler descreveu Ford como
"seu herói". Não é de admirar que Ford tenha recebido a Medalha da
Águia Alemã de Hitler, numa suntuosa cerimônia em Berlim. A medalha era
reservada para estrangeiros que prestavam serviços especialmente
valiosos ao Reich.".
Bater, bater e bater
Não haverá trégua. O primeiro passo foi eliminar a intelligentsia do
PT. Criminalizar José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares era
fundamental aos planos do PSDB. Foi este trio que participou de todas as
articulações que tirariam o PT do isolamento político para uma ampla
aliança que seria vitoriosa em 2002. Sem eles o PT está fragilizado. Não
fosse a postura altiva do presidente da legenda, Rui Falcão, o partido
estaria acéfalo.
A segunda etapa é o bate-estaca midiático. Ele reverbera mentiras que
são replicadas exaustivamente nas redes sociais de tucanos mais
exasperados, tal e qual militantes nazistas nas marchas em Nuremberg
gritando palavras de ordem contra judeus e comunistas.
A consequência da campanha midiático-partidária é promover o
"convencimento" do Judiciário e Ministério Público da "ameaça petista". E
assim como os judeus foram transformados em sub-raça e os comunistas,
socialistas, e social-democratas foram postos na ilegalidade na Alemanha
Nazista; trabalha-se para que se chegue ao ponto de pôr o PT na
ilegalidade.
Rio, São Paulo e Minas
O governo de Geraldo Alckmin (PSDB) está em baixa em São Paulo,
eclipsado pela vitória de Fernando Haddad na capital e pela escalada da
violência. Apesar disto, é em São Paulo que procura-se disseminar com
mais virulência o ódio ao petismo. Não funcionou nas eleições
municipais? Pouco importa. Vão aumentar a carga até se tornar
insuportável.
A candidatura de Aécio Neves, acreditam estes estrategistas tucanos,
será o diferencial em relação às campanhas anteriores. Se em 2002 a
candidatura de José Serra pagou o preço da rejeição ao final do governo
de FHC, ou se em 2006 a candidatura de Geraldo Alckmin ficou restrita a
São Paulo, em 2014 apostam que Aécio Neves levará Minas Gerais consigo,
além de contar com um trunfo: vencer no "túmulo" do PSDB, o Rio de
Janeiro.
A aposta é que com o ódio ao petismo em alta, Aécio Neves vença em
São Paulo, tenha uma vitória arrasadora em Minas Gerais e avance
consideravelmente no Rio de Janeiro, onde nas últimas três eleições
(2002, 2006, 2010) o PSDB teve resultado pífio, ficando Serra em
terceiro, atrás de Marina Silva (PSDB), na última disputa presidencial.
O povo judeu pagou, e ainda paga, um preço alto pelos infames
"Protocolos dos sábios do Sião". Mas os descendentes de Abraão são um
povo guerreiro e enfrentam esta mentira incansavelmente, na esperança de
que um dia a verdade prevaleça.
O ódio disseminado por Ford e assimilado por Hitler levaria à morte
de 6 milhões de judeus, 20 milhões de soviéticos ceifando um total de 50
milhões de pessoas ao final da Segunda Guerra Mundial. Calados os
canhões, o mundo rejeitaria o totalitarismo com a maioria dos abraçando a
democracia como valor universal.
É, portanto, insana a aposta no ódio como arma política que fazem o
"Ford" brasileiro, setores do PSDB, da mídia e de outros partidos e
lideranças oposicionistas. A História já deu mostras, por demais
expressivas, de que o povo regurgita o ódio e põe de ponta cabeça seus
semeadores.