DAIENE CARDOSO - Agência Estado
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na manhã desta quarta-feira
(19), durante evento de posse da nova presidência do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC, que os "ataques" que vem sofrendo nos últimos dias são fruto da mágoa de
seus adversários pelo sucesso de sua liderança. "O que mais machuca os meus
adversários é o meu sucesso", afirmou o ex-presidente, em um discurso de 42
minutos.
No evento, Lula disse que compreende o "jogo" da oposição e que seus
adversários não perceberam "a construção" promovida por ele em oito anos de
mandato, como a ampliação do acesso a universidades e escolas técnicas pelo
governo federal. Lula avisou também que a partir de 2013 voltará a viajar pelo
País para ajudar a eleger mais governadores e mais prefeitos alinhados com seu
projeto. "No ano que vem, para a alegria de muitos e a tristeza de outros,
seguirei andando por este País", afirmou.
O petista ainda mandou um recado para seus opositores. "Só existe uma
possibilidade deles me derrotarem: é trabalhar mais do que eu. Mas se ficar um
vagabundo em sala com ar condicionado falando mal de mim vai perder", finalizou
o ex-presidente para uma plateia de sindicalistas e militantes do PT e de
movimentos sociais.
Apoio
O evento, que marcou a posse do novo presidente do sindicato, Rafael Marques,
virou um ato de desagravo a Lula. Faixas foram espalhadas pelo local com os
dizeres: "Lula é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo". Nos discursos, as
lideranças fizeram questão de manifestar solidariedade ao ex-presidente e
destacar a sua importância para a história política brasileira e
internacional.
Alguns, como Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST, sugeriu que em
2013 se discuta o papel dos meios de comunicação e do poder judiciário
brasileiro. "É preciso colocar em pauta e fazer uma luta de massa", propôs.
"Tentaram tirar a luta do plano político para levar para o plano jurídico.
Tentaram criminalizar os movimentos sociais, mas não vão conseguir", emendou o
presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo. Já a diretora executiva do
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Ana Alice Carvalho, saiu em defesa do
ex-presidente Lula. "Não admitimos o que estão fazendo com você (Lula)",
afirmou, em referência ao novo depoimento do empresário Marcos Valério ao
Ministério Público Federal em que afirmou que o esquema do Mensalão teria
bancado despesas pessoais do ex-presidente.
Crise
Aos sindicalistas, Lula afirmou que não há motivo para o Brasil temer uma
crise econômica. "Um País que tem o que nós temos não tem porque ter medo do
futuro." Segundo Lula, a presidente Dilma e o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, "têm clareza, têm consciência e sabem o que o Brasil precisa" para
crescer.
Ele também rebateu os críticos que dizem que a crise que atinge outros países
vai chegar ao Brasil. Lula afirmou ainda que, se os atuais parceiros comerciais
do Brasil vivem um momento difícil e não podem continuar comprando como faziam
antigamente, é preciso buscar novos parceiros comerciais. "Vai ficar perdendo
tempo com quem não tem dinheiro?", ironizou.
Lula enalteceu os seus feitos no governo federal, entre eles o estímulo ao
consumo durante a crise de 2008 e a retirada de milhões de brasileiros da
miséria. "Não me peça para gostar de miséria, porque eu não gosto", disse o
ex-presidente, que criticou as pessoas que afirmam que preferiam o Lula de
antigamente, que andava de macacão nas fábricas. "Vai se ferrar, vai você andar
de macacão", disse.
