29 abril 2011

Zumbis da oposição



FERNANDO DE BARROS E SILVA



SÃO PAULO - Gilberto Kassab acaba de criar a Secretaria Especial de Articulação de Grandes Eventos. É a 29ª da prefeitura. Marta Suplicy e José Serra governaram com 21.
A caminho do PSD, o ex-tucano Walter Feldman assumiu a pomposa pasta. Vai despachar de Londres, onde acompanhará os preparativos da Olimpíada de 2012. Será, sem dúvida, muito útil para a Olimpíada de 2016 no... Rio de Janeiro.
Este é um exemplo menor de como a máquina municipal foi posta a serviço dos interesses do partido de Kassab. É também mais um capítulo da guerra civil na oposição.
Os ataques de Kassab não fariam tanto estrago no ninho tucano se Alckmin e seus aliados, por sua vez, não estivessem agindo de olho no retrovisor, movidos por óbvio espírito de vingança.
É notável a vocação dos tucanos para destruir o próprio legado (a começar do que fizeram com FHC). Transmitem sucessivamente a ideia de que não há nada mais importante que suas brigas internas.
De maneira ainda mais determinada do que Serra havia feito com seu grupo, Alckmin está dando aval ao estrangulamento do serrismo no partido. O ressentimento da turma de Pinda está em marcha.
Na melhor das hipóteses, Alckmin se fixará como líder regional de um partido provinciano. O PSDB -com suas aspirações cosmopolitas e o desejo de ser a locomotiva da modernização brasileira- acabou. E Serra, que não é apenas vítima, mas ator desse desmanche, se vê hoje dividido: tentar sobreviver entre os despojos de um PSDB que lhe é cada vez mais hostil ou buscar uma alternativa no PSD de Kassab?
Não é uma decisão simples. Em termos práticos, o PSD é um ajuntamento de zumbis. Gente que desistiu de fazer oposição e quer se aproveitar do lusco-fusco ideológico do país para tirar algum proveito à sombra da hegemonia petista.
Mas, emparedado por Aécio Neves no país e agora por Alckmin em São Paulo, Serra, de certa forma, já é um zumbi no PSDB.