A cantilena do racionamento
Por José Dirceu
Oposição e mídia continuam a campanha e, querem porque querem, racionamento de energia elétrica já. Toda a tônica do noticiário no fim de semana foi nessa linha, de que o apagão é inevitável e pode ocorrer já este ano. Não adiantam esclarecimentos, nem desmentidos. O objetivo parece ser bater nesta tecla e instaurar o pânico. Mostrei aqui, no sábado, quão remotas são as possibilidades de racionamento neste momento e no futuro próximo e a boa margem de manobra que o governo dispõe para afastá-lo. Repito: de imediato temos a iminente conclusão do gasoduto Cabiúnas-Vitória, que elevará em 5,5 milhões de metros cúbicos diários a oferta de gás; a opção de a Petrobras remanejar os insumos básicos em seu processo industrial de exploração e produção de combustível e liberar o gás que usa para as termoelétricas; a possibilidade de acionar termoelétricas hoje paradas, o que acrescenta mais 4 mil megawats de energia; e colocar em funcionamento as que operam a óleo diesel.A médio e longo prazo, reitero, serão construídas as hidrelétricas de Madeira e Monte Belo, que somarão mais 12 mil megawats à capacidade energética nacional; ampliadas a importação de gás liquefeito, as bases de regazificação e a exploração das jazidas de gás no país; e já estão em construção e ampliação as instalações portuárias. Há plano de investimentos publico-privado em geração e transmissão e uma política consistente e planejada para garantir energia. Ter confiança nele, pressionar pelo fim das chicanas judiciais nas concorrências e da burocracia que emperra licenciamentos, fiscalizar e cobrar o cumprimento dos prazos estabelecidos para as obras ajuda muito mais do que ficar nessa cantilena de que vem apagão e jogar até o ano, mês e dia para isto.Pessoal, o problema é outro. É preciso fazer uma campanha nacional pela economia e uso racional de energia, buscar e explorar fontes alternativas que o Brasil tem, antipoluentes, baratas e que ajudam na sobrevivência ambiental do planeta. Aí preservamos bens escassos e fundamentais como a água, o petróleo,a energia em geral.
Considerado um dos maiores especialistas em energia no país, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e ex-presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, vai na mesma direção. Para ele, a solução para a crise está na racionalização, com maior eficiência do consumo. Pinguelli argumenta que o consumo industrial, destino de 70% do gás no mercado secundário, fora das térmicas, é fundamental neste momento de estímulo ao crescimento econômico. Mesmo que na minha visão tenhamos possibilidade remota de racionamento, vamos transformar o Conselho Nacional de Energia Elétrica em um fórum aberto, no qual se reúnam e discutam todas essas questões representantes do governo e da oposição, do empresariado e da sociedade civil, do setor de energia, da agência reguladora da área (ANEEL), técnicos e cientistas, que trarão a contribuição da comunidade acadêmica. Dessa junção de esforços, e com espíritos desarmados, encontraremos não só a melhor campanha em defesa da economia e uso racional de energia, como uma boa, viável e duradoura solução para os problemas do setor.
Oposição e mídia continuam a campanha e, querem porque querem, racionamento de energia elétrica já. Toda a tônica do noticiário no fim de semana foi nessa linha, de que o apagão é inevitável e pode ocorrer já este ano. Não adiantam esclarecimentos, nem desmentidos. O objetivo parece ser bater nesta tecla e instaurar o pânico. Mostrei aqui, no sábado, quão remotas são as possibilidades de racionamento neste momento e no futuro próximo e a boa margem de manobra que o governo dispõe para afastá-lo. Repito: de imediato temos a iminente conclusão do gasoduto Cabiúnas-Vitória, que elevará em 5,5 milhões de metros cúbicos diários a oferta de gás; a opção de a Petrobras remanejar os insumos básicos em seu processo industrial de exploração e produção de combustível e liberar o gás que usa para as termoelétricas; a possibilidade de acionar termoelétricas hoje paradas, o que acrescenta mais 4 mil megawats de energia; e colocar em funcionamento as que operam a óleo diesel.A médio e longo prazo, reitero, serão construídas as hidrelétricas de Madeira e Monte Belo, que somarão mais 12 mil megawats à capacidade energética nacional; ampliadas a importação de gás liquefeito, as bases de regazificação e a exploração das jazidas de gás no país; e já estão em construção e ampliação as instalações portuárias. Há plano de investimentos publico-privado em geração e transmissão e uma política consistente e planejada para garantir energia. Ter confiança nele, pressionar pelo fim das chicanas judiciais nas concorrências e da burocracia que emperra licenciamentos, fiscalizar e cobrar o cumprimento dos prazos estabelecidos para as obras ajuda muito mais do que ficar nessa cantilena de que vem apagão e jogar até o ano, mês e dia para isto.Pessoal, o problema é outro. É preciso fazer uma campanha nacional pela economia e uso racional de energia, buscar e explorar fontes alternativas que o Brasil tem, antipoluentes, baratas e que ajudam na sobrevivência ambiental do planeta. Aí preservamos bens escassos e fundamentais como a água, o petróleo,a energia em geral.
Considerado um dos maiores especialistas em energia no país, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e ex-presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, vai na mesma direção. Para ele, a solução para a crise está na racionalização, com maior eficiência do consumo. Pinguelli argumenta que o consumo industrial, destino de 70% do gás no mercado secundário, fora das térmicas, é fundamental neste momento de estímulo ao crescimento econômico. Mesmo que na minha visão tenhamos possibilidade remota de racionamento, vamos transformar o Conselho Nacional de Energia Elétrica em um fórum aberto, no qual se reúnam e discutam todas essas questões representantes do governo e da oposição, do empresariado e da sociedade civil, do setor de energia, da agência reguladora da área (ANEEL), técnicos e cientistas, que trarão a contribuição da comunidade acadêmica. Dessa junção de esforços, e com espíritos desarmados, encontraremos não só a melhor campanha em defesa da economia e uso racional de energia, como uma boa, viável e duradoura solução para os problemas do setor.