17 dezembro 2007

Bispo teme o fim da pobreza no semi-árido

O bispo d.Luiz Flávio Cappio, de Barra, na Bahia, se comporta como alguém
que acha o fim da pobreza é uma ameaça a sua igreja. Ele faz greve de fome
em uma região onde pessoas passam fome a vida inteira.*O bispo está em
declarada greve de fome há 20 dias contra as obras que levarão uma parcela
das águas do rio São Francisco para o semi-árido.

Não há nada que a obra possa fazer que piore a duríssima vida da gente do
semi-árido. Nada mesmo. Esta é uma região de altos índices de desemprego,
agricultura de subsistência e grande exportadora de mão de obra jovem para
as periferias das metrópoles.

Não li até agora nenhum argumento razoável do bispo que justifique sua
Disposição de morrer fome contra as obras.

O bispo diz que o governo não abriu diálogo sobre o projeto. Mente feio. O
Diálogo existe há mais de 25 anos. Esta não é uma obra que foi inventada
pelo governo do presidente Lula. O governo de FHC tentou, mas não conseguiu
implementá-la .

Está sendo planejada há décadas. Todos os procedimentos de meio ambiente,
sociais e de diálogo com a sociedade foram realizados à exaustão.

Foram realizadas audiências públicas em todos os estados e principais
cidades da região desde o governo Fernando Henrique. Em 1998, se não me
engano, o governo da Bahia, na época contrário a obra, conseguiu na Justiça
que se suspendessem as audiências públicas. Isto mesmo, suspendeu não as
obras mas o debate sobre as obras.

*O bispo alinha-se com velha oligarquia baiana que sempre foi contra a obra
Temendo que o desenvolvimento do semi-árido desviasse investimentos da Bahia
Para outros estados nordestinos.

Transposição das águas do rio são Francisco é uma denominação infeliz porque
Parece que o risco será transposto ou desviado de rumo. Não é isto. O rio
continuará o mesmo. Não vai ficar menor ou mais raso.
Uma pequena parcela das águas, 3%, da gigantesca represa de Sobradinho,
Descerá pela calha do rio São Francisco até a cidade de Floresta de onde
será levada por rede de canais para o semi-árido, para abastecer
reservatórios e açudes.

O que não falta no semi-árido são açudes.

Talvez seja a região com mais açudes no mundo.

Construir açudes era a felicidade de políticos e empreiteiras. Nunca
resolveram o problema das secas. Obviamente, barragens construídas em rios
que secam também secam.

Os canais do são Francisco servirão para garantir abastecimento perene a
esta rede de açudes. Isto é, em tempos de estiagem as águas do São Francisco
vão compensar e regularizar a rede de açudes do semi-árido.

O semi-árido tem extensas manchas de terras férteis, sol o ano todo e, por
ser seca, com baixo risco de pragas agrícolas. É ideal para produção de
frutas. Sua localização exigirá poucos investimentos para estabelecer
corredores de exportação.

Basta chegar à água que junto virá o desenvolvimento. E parece que o fim da
Miséria assusta o bispo
- Etevaldo Dias