CALANDRA O TORTURADOR, HOMEN FORTE NO GOVERNO ALCKMIN
Alckmin quando governador de SP, em abril de 2003, nomeou para o comando do Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo, ninguém menos que o Aparecido Laertes Calandra., vulgo capitão Ubirajara, torturador sanguinário da ditadura militar. Há mais de duas décadas que o delegado Aparecido Laertes Calandra foi identificado por ex-presos políticos como sendo o “Capitão Ubirajara”, um dos comandantes das sessões de tortura praticadas nas dependências do Distrito Policial situado na rua Tutóia, na capital paulista. Na década de 70 esta delegacia sediava o DOI/CODI, órgão criado pela ditadura militar para prender, torturar e assassinar os adversários do regime. Presos e presas políticas que sobreviveram às torturas praticadas naquele local jamais conseguirão apagar da memória os “métodos” utilizados pelo “Capitão Ubirajara”. Muitos carregam ainda hoje seqüelas físicas e psíquicas, originárias das cruéis torturas a que foram submetidos por pessoas como Calandra. No sentido de dirimir dúvidas, há pessoas dispostas a fazer uma acareação com seu algoz, identificado como responsável pela tortura e morte de Carlos Nicolau Danielle, dirigente do Partido Comunista do Brasil, e de Hiroaki Torigoi, militante do Movimento de Libertação Popular, entre outros. Este homem de história marcada com sangue, crueldade e terror, que deveria responder na Justiça pelos crimes cometidos, recebeu da parte do governo do Estado de São Paulo de Alckmin, algo que se assemelha a uma premiação para a sua tenebrosa carreira policial. Não há argumento, plano de carreira ou figura jurídica que justifique a nomeação de um torturador sanguinário para um cargo de comando na polícia, seja como responsável pelo Setor de Informações Internas do Departamento de Comunicação Social, cargo que ocupou por dez anos, seja como chefe do Serviço de Escuta Telefônica do Departamento de Inteligência Policial, onde se encontra hoje. Este ato pode significar a concordância do governo com a tortura que campeia pelas delegacias e instituições de guarda de menores como apontam os últimos relatórios de entidades de direitos humanos sobre nosso país. Sua nomeação é uma afronta à consciência democrática e à prática dos direitos humanos. A confirmação da permanência de Aparecido Laertes Calandra, o “Capitão Ubirajara” na função citada só pode ser entendida como uma premiação de um praticante inconteste da tortura.
PALAVRAS DO EX MINISTRO DA JUSTIÇA DE FHC.
O delegado Calandra, conhecido pelo codinome de capitão Ubirajara, atuou no DOI-Codi, a "Casa dos Horrores", durante os anos mais duros da ditadura. Naquele período em que lá esteve o capitão Ubirajara, pessoas foram mortas, bastando lembrar o jornalista Wladimir Herzog, morto durante uma sessão de tortura. Atuei profissionalmente no caso; a documentação do envolvimento do capitão Ubirajara é exuberante. Outras pessoas "desapareceram". Há muitos depoimentos que o vinculam diretamente à tortura. Aliás, por força de lei, está o governo pagando indenizações a vítimas da violência do DOI-Codi no período em que lá estava o capitão Ubirajara.
José Carlos Dias, 62, é advogado criminalista. Foi ministro da Justiça (governo Fernando Henrique) e secretário da Justiça do Estado de São Paulo (governo Franco Montoro).
Jussara Seixas
José Carlos Dias, 62, é advogado criminalista. Foi ministro da Justiça (governo Fernando Henrique) e secretário da Justiça do Estado de São Paulo (governo Franco Montoro).