Pesquisa CNT/Sensus põe Lula dez pontos à frente de SerraSegundo a pesquisa da CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuperou sua avaliação positiva e seu favoritismo eleitoral de antes da crise. A sondagem aponta que Lula se reelegeria no primeiro turno contra qualquer candidato exceto o prefeito José Serra (PSDB). Neste caso, venceria no segundo turno, por 47,6% dos votos contra 36,6%.Neste cenário, Lula avançou 10,0 pontos percentuais em relação à 79ª edição, de novembro passado. Enquanto Serra recuou 3,9 pontos. Os principais números da 80ª edição da pesquisa encomendada pela CNT acham-se nos gráficos ao lado.No primeiro turno, a vantagem de Lula sobre o prefeito de Sâo Paulo varia entre 4,6 e 11,4 pontos, conforme o quadro de candidatos. Em novembro, Lula estava 4,4 pontos à frente.Melhora em todos os cenáriosO desempenho do atual presidente melhora e o de seus concorrentes piora em todos os cenários de segundo turno que a CNT/Sensus pesquisou em novembro e agora. No confronto com o governador Germano Rigotto (PMDB), que figura pela primeira vez na sondagem, a diferença é de 59,4% a 15,5%.Os especialistas destacam como principal expressão da recuperação de Lula, nesta pesquisa, o avanço nas intenções de voto espontâneas, que indicam um voto mais "amarrado". Estas passaram de 19,4% em novembro para 30,0% em fevereiro.Os candidatos tucanos também avançaram na pesquisa espontânea, mas em proporções mais modestas. Serra passou de 7,2% para 10,0%. E alckmin de 3,6% para 3,8%. Já o ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) passou de 2,1% para 1,8%. E Heloísa Helena (Psol) de 0,6% para 1,1%.Em contrapartida, as indicações de outros nomes recuaram de um total de 6,9% para 2,9%. E ons eleitores que não sabem em quem votariam, ou indicaram voto nulo ou em branco, recuaram de 60,2% para 50,4%.Os índices de rejeiçãoUma das maiores variações da pesquisa ocorreu nos índices de rejeição. O Sensus indagou "em quem o sr(a) votaria ou não para presidente". Os que não votariam em Lula passaram de 39,3% em setembro para 46,7% em novembro e 35,8% em fevereiro. José Serra foi de 38,7% em setembro para 41,7% agora; Alckmin, de 40,7% para 39,9%. Quem teve a maior rejeição foi Garotinho: 59,1% (foi a primeira vez que seu nome foi testado pelo CNT/Sensus neste quesito).Estes foram talvez os resultados mais contestados da pesquisa. A oposição confrontou-os com os das recentes pesquisas do Ibope e Datafolha, para questionar sua validade. Para o diretor-presidente do instituto, Ricardo Guedes, a explicação está no uso de métodos diferentes. O Sensus apresenta um nome de cada vez e pergunta se o eleitor votaria nele ou não. Os outros institutos apresentam uma relação dos presidenciáveis, perguntando em qual o eleitor não votaria de jeito nenhum."Cuidou dos mais pobres"Entre os eleitores de Lula, nada menos de 40,9% justificam a sua escolha dizendo que o presidente "cuidou dos mais pobres". Seguem-se, como motivos: "crescimento do país (21,6%), "é um homem do povo" (14,6%), "já é conhecido" (9,6%) e "é sério/combate a corrupção" (8,1%). Apenas 2,1% dos eleitores de Lula responderam "porque é do PT".Já entre os eleitores que não votarão em Lula, o motivo mais citado foi "não é sério/não combateu a corrupção", somando 27,3%. Em segundo lugar, "a economia não vai bem", 24,6%. E só em terceiro, com 16,3%, figuram os que responderam que preferem "experimentar outro candidato".Ao definir o seu voto, o eleitor passou a priorizar o critério da solução dos problemas sociais: 31,8% deram esta resposta. Em segundo lugar veio a moralidade pública, com 30,1%, quando em novembro figurava em primeiro, com 32,2%. Na terceira colocação figura a solução dos problemas econÇômicos (20,8%) e na quarta a dos problemas políticos (8,2%).Avaliação do governoA avaliação do governo Lula sofreu uma virada. Estava tecnicamente empatada em novembro: 31,1% positiva para 29,9% negativa. Agora os números são 37,5% e 21,4% respectivamente.Coisa semelhante ocorreu com o desempenho pessoal do presidente. Em novembro a aprovação era de 46,7% e a desaprovação de 44,2%. A primeira subiu 6,6 pontos, para 53,3%. Enquanto a última recuou 6,2 pontos, para 38,0%.Quando a pergunta é sobre a polítca econômica, porém, a desaprovação predomina levemente. Os que acham que ela é conduzida de forma inadequada somam 44,5%; os que a consideram adequada são 42,4%Cruzamentos setoriaisLula obtém o seu melhor desempenho na Região Nordeste, mas passa a ganhar em todas as demais, com exceção do Sul. No cruzamento da pesquisa por gênero, ele obtém maior vantagem junto ao eleitorado masculino.O cruzamento por renda familiar mostra um presidente fortemente apoiado nas camadas mais pobres da população. Na faixa com renda até um salário mínimo, a aprovação do governo sobe a 55,0% e a desaprovação é de 34,4%. Já os eleitores com renda maior que dez salários mínimos são contrários à administração federal: 59,0% desaprovam o governo, contra 36,1% que aprovam.Por faixa etária, o governo é aprovado em todas, porém com maior vantagem entre os mais jovens, de 16 e 17 ano: 60,3% de aprovação para 34,9% de desaprovação.A Pesquisa CNT/Sensus ouviu duas mil pessoas, no período de 6 a 9 de fevereiro de 2006, em 24 Estados das cinco regiões brasileiras. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.Clique aqui para baixar o relatório completo da pesquisa CNT/Sensus (em PDF) Com CNT/Sensus
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