17 fevereiro 2006

ANTERO PSDB ARCANJO CRIME ORGANIZADO TUDO A VER.

Juiz acusa senador do PSDB de financiamento ilegal em sua campanha
Juiz afirma que senador tucano fez uso de caixa dois O juiz federal Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara de Mato Grosso, afirmou ontem em depoimento à CPI dos Bingos que houve caixa dois na campanha eleitoral de 2002 para candidatos do PSDB no Mato Grosso, incluindo o senador Antero Paes de Barros. Ele foi o candidato tucano ao governo do estado. Segundo o juiz, "parte do dinheiro utilizado em sua campanha veio das empresas de factoring de propriedade de João Arcanjo Ribeiro, conhecido como 'Comendador', que liderava o crime organizado no estado". Atualmente Arcanjo cumpre pena de prisão de 49 anos no Uruguai por lavagem de dinheiro, homicídio e formação de quadrilha.
Julier Sebastião da Silva explicou a autorização que deu para que a Polícia Federal fizesse busca e apreensão na sede do comitê eleitoral do PSDB no estado. "Atendi a um pedido do Ministério Público que, em investigações contra o Comendador Arcanjo, encontrou ligações das factorings com o Comitê Financeiro Único Estadual do PSDB. Eles tinham a lista discriminando as movimentações que ocorreram de agosto a novembro de 2002 e que revelam um aporte de R$ 240 mil a favor do comitê", afirmou.
O senador Antero Paes de Barros classificou as afirmações do juiz de "calúnias", e negou qualquer ligação com o crime organizado. Em sua defesa, o senador distribuiu um documento de um termo aditivo apresentado ao Tribunal Eleitoral Regional (TRE) do contrato do PSDB com as factorings do Comendador para descontar vários cheques. "O próprio senador está se auto-incriminando", observou a líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC). Ela explicou que "partidos políticos não podem operar com factorings". A petista lembrou ainda que o Comendador Arcanjo operava as factorings ilegalmente, sem autorização do Banco Central.
Desvios - O juiz Julier informou ainda à CPI dos Bingos que nos processos em andamento no Ministério Público e na Polícia Federal já existem comprovações de que houve desvio de recursos da Assembléia Legislativa de Mato Grosso e do Departamento de Viação e Obras Públicas do estado. "Só da Assembléia Legislativa foram desviados cerca de R$ 80 milhões", afirmou Julier.
Para a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), o depoimento do juiz foi "sério, esclarecedor e necessário". Julier compareceu à comissão a pedido do relator da CPI (senador Garibaldi Alves Filho PMDB-RN), por ter sido o juiz que desbaratou a quadrilha do Comendador Arcanjo, que envolvia atividades do jogo do bicho, máquinas caça-níqueis, cassinos e operações de lavagem de dinheiro. "O juiz esclareceu também, com base em processos judiciais em andamento, a ligação entre o Comendador Arcanjo e o PSDB do Mato Grosso", acrescentou.
Embate - O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) avaliou que as informações do juiz, principalmente os documentos que mostram as ligações do Comendador Arcanjo com o PSDB, suscitaram um embate muito forte na comissão. "Não adianta exaltar os ânimos e atacar o PT. Existe uma denúncia e uma investigação em andamento contra o senador Antero Paes, no estado. E é isso que precisa ficar esclarecido", afirmou. Suplicy se referia ao fato do senador tucano ter, durante a audiência, xingado o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o deputado José Mentor (PT-SP), além de ter afirmado que "o PT é o crime organizado do país".
Para as senadoras Serys e Ideli a postura do senador Antero é de desespero. "Espero que o PT tome as providências cabíveis em relação às declarações destemperadas do senador", afirmou Ideli. Por conta de desentendimentos entre senadores governistas e da oposição, o presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), encerrou a reunião da comissão. O depoimento do procurador do Ministério Público de Mato Grosso, José Pedro Taques, previsto para começar em seguida, foi adiado.