Os tucanos passaram oito anos no poder tentando, de todas as formas,
privatizar a nossa maior empresa, a Petrobras, criada em 1953 na esteira
da campanha nacionalista 'O petróleo é nosso.' Agora, a pretexto de
investigar supostas irregularidades na compra, pela estatal, de uma
refinaria em Pasadena (Texas) em 2006, a oposição procura enfraquecer a
imagem da empresa, uma das maiores conquistas do povo brasileiro. Essa é
a principal função da CPI pedida no Senado.
A estratégia antinacional traçada pelo Estado-Maior da oposição
conservadora e levada a cabo pelo 'general' Aécio Neves é mostrar que os
governos Lula e Dilma levaram a empresa à bancarrota. Entretanto, se
nos dermos ao trabalho de comparar a desastrosa gestão da Petrobras
durante a gestão FHC com os resultados obtidos por ela desde 2003,
constataremos que a atual campanha da oposição não passa de cortina de
fumaça para uma nova investida para a privatização da estatal. Tanto que
o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a defender essa
medida, numa afronta à memória de seu tio, o general Felicíssimo
Cardoso, um dos líderes da campanha pela criação da Petrobras.
O fato é que as ações de FHC no poder mostram coerência do tucanato
com o ideário privatista. Em 1994, ainda como ministro da Fazenda de
Itamar Franco, ele manipulou a estrutura de preços dos derivados de
petróleo de forma que, nos últimos seis meses que antecederam a
implantação do Plano Real, a Petrobras teve aumentos de combustíveis 8%
abaixo da inflação, enquanto que as distribuidoras tiveram aumentos 32%
acima da inflação. Com isso, houve uma transferência do faturamento da
Petrobras para o cartel das distribuidoras, cerca de US$ 3 bilhões
anuais.
Já como presidente, FHC pressionou a Petrobras para que ela assumisse
os custos da construção do gasoduto Brasil-Bolívia, obra que
beneficiava a Enron e a Repsol, donas das reservas de gás boliviano.
Ocorre que a taxa de retorno do gasoduto era 10% ao ano e o custo
financeiro, 12%, mas a Petrobras foi obrigada a desviar recursos da
Bacia de Campos – com taxa de retorno de 80% – para investir nesse
empreendimento. A empresa também teve que assinar uma cláusula que a
obrigava a pagar pelo gás boliviano mesmo que não o comprasse. Com isso,
pagou por cerca de 10 milhões de metros cúbicos sem ter conseguido
vendê-los.
Em 1998 o governo federal impediu a Petrobras de obter empréstimos no
exterior de emitir debêntures para a obtenção de recursos para novos
investimentos. Ao mesmo tempo, FHC criou o Repetro (regime aduaneiro
especial), isenção fiscal às empresas estrangeiras que importam
equipamentos de pesquisa e lavra de petróleo, sem a devida contrapartida
para as empresas nacionais. Com isso, cinco mil empresas brasileiras
fornecedoras de equipamentos para a Petrobras quebraram, provocando
desemprego e perda de tecnologia nacional.
Em 2000, o então presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul,
levou Pelé a Nova York para o lançamento de ações da Petrobras na Bolsa
de Valores de Wall Street. O governo vendeu, então, 20% do capital total
da estatal e, posteriormente, mais 16%, pelo valor total de US$ 5
bilhões.
No mesmo ano, os tucanos privatizaram a Refinaria Alberto Pasqualini
(Refap) por meio de troca de ativos com a Repsol argentina, do grupo
Santander, braço do Royal Scotland Bank Co. Nessa transação, a Petrobras
deu ativos no valor de US$ 500 milhões e recebeu ativos no valor de US$
500 milhões. Soma zero? Não, porque os ativos da estatal brasileira
eram avaliados em US$ 2 bilhões e os que ela recebeu passaram a valer
US$ 170 milhões, em razão da crise financeira da Argentina. Nada
simboliza melhor esse período nefasto do que o naufrágio da plataforma
P-36, com 11 mortes e prejuízos de US$ 2 bilhões.
A privatização da Petrobras foi revertida pelos governos do PT, mas
agora os demo-tucanos pensam ter encontrado o pretexto ideal para
colocá-la novamente na agenda. Para desespero da oposição, os números
representados pela estatal são a melhor arma contra a estratégia de
desmoralização.
A produção média mensal de petróleo na camada de pré-sal atingiu a
marca de 387 mil barris/dia, novo recorde. A estatal também bateu
recorde de processamento de suas refinarias, com uma média de 2.151 mil
barris de petróleo por dia. E também foi recorde a produção de diesel e
gasolina com baixo teor de enxofre, com 24 milhões de barris de diesel e
14,8 milhões de barris de gasolina. Em relação ao gás natural, a
Petrobras ultrapassou, pela primeira vez, a barreira dos 100 milhões de
metros cúbicos por dia (101,1 milhões).