247 - Cerca de mil pessoas protestaram no início
da noite desta quarta-feira em frente à sede da Rede Globo no Rio de
Janeiro, no bairro do Jardim Botânico. Com gritos como "o povo não é
bobo, abaixo a Rede Globo" e "a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a
ditadura", os manifestantes lacraram simbolicamente a sede da emissora
no Rio, inspirados nos lacres que são impostos a rádios comunitárias. No
protesto, acabou sobrando para o colunista Arnaldo Jabor, o jornalista
William Waack e até para o apresentador Pedro Bial, todos alvo de gritos
de guerra.
O protesto foi convocado a partir de
denúncia do blog O Cafezinho
sobre sonegação fiscal no valor de R$ 615 milhões que a emissora teria
cometido na compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002. "Não à
sonegação" e "ô, a Globo sonegou", gritavam os manifestantes, que
prometeram que "amanhã vai ser maior". Manifestação semelhante foi
convocada em São Paulo, mas, 40 minutos após as 18h, horário definido
para a reunião, os manifestantes não haviam aparecido.
Cerca de 30 policiais se posicionaram na porta da emissora no Rio,
mas o protesto foi pacífico. Durante o ato, que durou em torno de duas
horas, a emissora também foi chamada de "fascista", "imperialista",
"golpista" e "sensacionalista". Antes do protesto, coordenadores do
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé protocolaram no
Ministério Público “o documento da Receita Federal que comprova a
sonegação” de impostos da empresa. Eles também entregaram uma carta à
emissora informando o procedimento.
O protesto foi convocado pelas organizações Fale-Rio, 'Cidadania Sim!
Pig nunca mais' e Barão de Itararé, que dizem que, ao contrário do que
afirmou em nota distribuída na segunda-feira, a Globo ainda deve perto
de R$ 1 bilhão aos cofres públicos. “A dívida é a soma do impostos mais
juros e multa, resultantes de um auto de infração no qual a Receita
detectou a intenção da Globo de fraudar o fisco. Em valores atualizados,
chegaria perto de R$ 1 bilhão", diz o jornalista Miguel do Rosário, do
blog O Cafezinho.