Goiás247_ Numa medida considerada improvável por
muitos devido à influência do ex-senador junto ao comando da
instituição, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) protocolou nesta
segunda-feira (24), no Tribunal de Justiça do Estado, denúncias de
corrupção passiva e ativa e de advocacia administrativa contra o
procurador de Justiça Demóstenes Torres, o contraventor Carlinhos
Cachoeira e o ex-diretor da Delta Construções para o Centro-Oeste,
Cláudio Abreu. A denúncia proposta resulta das investigações da Operação
Monte Carlo, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, que
resultou no maior escândalo político de 2012 e na criação da CPI Mista
do Cachoeira no Congresso Nacional.
O anúncio da ação movida pelo MP-GO aconteceu em entrevista coletiva
na sede da instituição e foi feita pelo procurador-geral de Justiça,
Lauro Machado Nogueira. Ele disse que as investigações do órgão
identificaram indícios técnicos e seguros que comprovariam as denúncias
que envolvem as relações de Demóstenes com Cachoeira e Abreu. A Operação
Monte Carlo flagrou mais de 300 telefonemas entre o ex-senador e o
contraventor.
Lauro reforçou que os fatos imputados diretamente a Demóstenes,
membro do MP desde 1987, são muito graves, o que impediria qualquer
possibilidade de sua permanência como integrante da instituição. A
denúncia, portanto, pede a suspensão de Demóstenes das funções no MP, o
que resultaria na perda temporária de seu salário de R$ 26 mil na
instituição. Demóstenes está afastado desde janeiro de 2013 por
determinação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), porém
continua a receber os vencimentos normalmente.
Recentemente, o CNMP considerou que o ex-senador é vitalício no cargo
de procurador, o que restringe o escopo de punição pelo conselho à
aposentadoria compulsória, com a garantia de proventos proporcionais ao
tempo da contribuição.
Na denúncia, foram imputados a Demóstenes oito crimes de corrupção
passiva e advocacia administrativa. Cláudio e Cachoeira vão responder
por corrupção ativa.
Na denúncia, o MP-GO reforça que Demóstenes usou de seu cargo para
obter vantagens, como a utilização de aeronaves particulares do grupo de
Cachoeira, garrafas de bebidas caras, eletrodomésticos de luxo e
quantias em dinheiro que superariam os R$ 5 milhões. Demóstenes teria
participado da oferta de propina ao prefeito de Anápolis com o objetivo
de facilitar a liberação de recursos de R$ 20 milhões a uma empresa
parceira do esquema.
Se condenado, o ex-senador pode pegar entre 16 e 96 anos de prisão.
Veja o histórico das investigações acerca do ex-senador
(Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MP-GO)