247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
participou na noite desta segunda-feira do debate de lançamento do
livro "10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil – Lula e Dilma",
quando prometeu participar ativamente da eleição de 2014. "Pode ficar
certo que eu vou estar participando das eleições, sou cabo eleitoral,
estarei nas ruas 24 horas por dia", disse.
Ao discursar, Lula disse que o maior legado que deixou não foi nenhum
dos programas sociais de êxito, mas sim ter mostrado que é possível
"governar sem odiar os que lhe odiaram". Para o ex-presidente, "o
Palácio, que até então era para reis e rainhas, banqueiros e grandes
empresários, continuou sendo. Mas com uma diferença: é que lá entravam
também os índios, os hansenianos, os moradores de rua, os favelados,
fazendo com que, pela primeira vez, aquela fosse uma casa de todos e não
apenas de uma parcela da população brasileira".
O lançamento do livro contou com um debate entre o economista Marcio
Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, a filósofa Marilena
Chauí e o sociólogo e organizador do livro, Emir Sader. Durante o
debate, Lula lembrou das 74 conferências nacionais que fez, "sobre todos
os temas que vocês possam imaginar. E eu ia lá para ouvir mais do que
falar".
Sobre as críticas que recebeu desde o início de seu governo, o
ex-presidente foi direto: "Eu tinha consciência que meu problema com
parte da elite política desse país e da elite da imprensa brasileira era
meu sucesso. Se eu fracassasse, eles falariam bem de mim: 'coitadinho
do operário. Coitadinho chegou lá, mas não tem culpa, não tava
preparado, não fez nossa escola'."
Mudanças
Pochmann destacou de mudanças estruturais pelas quais o Brasil passou
e fez um mea-culpa em nome dos economistas, que apostaram durante
décadas que era preciso primeiro crescer para depois dividir o bolo. "Em
1980, o Brasil era a oitava economia do mundo, enquanto um em cada dois
brasileiros vivia em condição de miséria", lembrou. "No ano 2000, já
tínhamos caído para a 13ª posição entre as maiores economias do mundo,
atrás do México na América Latina, tínhamos 11 milhões de
desempregados", completou, lembrando que o Brasil vive situação próxima
ao pleno emprego atualmente.
Com Instituto Lula