247 - O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP)
será chamado a depor na Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São
Paulo sobre um projeto de instalação de dois crematórios no cemitério
Dom Bosco, no bairro de Perus, durante sua primeira gestão como prefeito
da cidade (1969-1971).
Segundo o presidente da comissão, vereador Gilberto Natalini (PV), há
"alguns indícios de que presos políticos seriam incinerados naqueles
fornos que estavam sendo propostos".
“O projeto só não foi adiante porque a empresa inglesa Dowson &
Mason (D&M) contratada para o serviço desistiu. Seus donos ficaram
desconfiados ao constatarem que projeto não havia reservado nenhum
espaço para uma capela. Não seria possível, portanto, velar e encomendar
os corpos”, disse Natalini.
De acordo com o relatório da CPI da Câmara Municipal sobre a vala
comum descoberta no cemitério de Perus em setembro de 1990, "houve
intenção de cremar os corpos de indigentes, entre os quais estavam os de
presos políticos".
Após os questionamentos da D&M, o projeto foi modificado e
construído posteriormente no cemitério São Pedro, no bairro de Vila
Alpina.
Maluf não é obrigado a comparecer. A comissão paulistana não tem os
mesmos poderes da Comissão Nacional da Verdade para convocar pessoas.