Vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, sai em
defesa de Eduardo Campos e critica o correligionário e ex-ministro Ciro
Gomes, que afirmou que o governador pernambucano não teria propostas
para o País; os projetos, diz Amaral, fazem parte do programa do próprio
PSB, que Ciro já deveria conhecer muito bem
Paulo Emílio_PE247 - As declarações do
ex-ministro Ciro Gomes (PSB) em torno da possível candidatura
presidencial em 2014 do governador de Pernambuco e presidente nacional
da legenda socialista, Eduardo Campos, não foram bem recebidas pela
cúpula do partido. Em nota, o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral,
“lamenta profundamente a opinião desinformada sobre a visão de Eduardo
Campos, seja sobre a crise econômica, que tanto tem denunciado, seja
relativamente à sua visão de Brasil, que não é só dele, mas do Partido”.
Amaral também diz que, o fórum adequado para este tipo de discussão é a
próxima reunião da Executiva Nacional. O dirigente, porém, corrobora
com a posição de Ciro no que diz respeito as candidaturas do senador
mineiro Aécio Neves (PSDB) e e da ex-ministra Marina Silva (Rede). Ciro
declarou, em entrevista à rádio cearense Verdes Mares que nem “Eduardo
Campos, Aécio Neves e Marina Silva não têm nenhuma proposta. Nenhuma
visão para o Brasil”. Na entrevista, Ciro também defendeu que o partido
apoie a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).
Segundo a
nota encaminhada por Amaral, “Eduardo Campos sintetiza o pensamento
acumulado pelo PSB, que, desde 1985, data de sua reorganização, vem
estudando o país e formulando programas de governo. Pelo menos
teoricamente, Ciro Gomes conhece os documentos de seu Partido”, diz o
texto. Ao mesmo tempo, o socialista criticou a antecipação do debate
eleitoral, quando Dilma tem pouco mais de anos de mandato e o País está à
beira de uma crise econômica global. Para ele, esta antecipação “é uma
atitude antirepublicana, e que não atende aos interesses do país. Aliás,
interessa, sim, a uma oposição atrasada, desqualificada e sem rumo e a
um candidato que precisa de ghost writer para escrever seus discursos,
lidos em estilo claudicante”, diz o texto em uma referência clara ao
discurso proferido esta semana por Aécio na tribuna do Senado quando
elencou os 13 fracassos do PT à frente do Executivo nacional nos últimos
anos.
Para o dirigente socialista, a candidatura de Eduardo
ainda não foi definida, muito embora ele seja apontado como o quadro
mais apto dentro do PSB para o pleito de 2014. “nada foi decidido pelo
partido, seja quanto à conveniência de ter candidatura própria à
presidência, seja qual o nome de seus quadros que merecerá esta escolha.
Até lá, dentro do partido a discussão está aberta e todos os juízos são
pertinentes, inclusive o que expressa Ciro Gomes”. A nota termina
afirmando que o partido “marchará unido em torno da posição, qualquer
que seja ela, definida por nossos órgãos dirigentes”.
O recado
emitido por Amaral é claro: Quer Ciro queira ou não, a palavra final
sobre a possível candidatura de Eduardo Campos à Presidência em 2014
será dada pelo partido.
Confira a nota na íntegra:
Li
no seu blog resumo de declaração que o ex-governador Ciro Gomes teria
dado à Rádio Verdes Mares, de Fortaleza. Se verdadeira a versão, há que
aplaudir as opiniões formuladas sobre Aécio e Marina (declarações que
subscrevo) e lamentar profundamente a opinião desinformada sobre a visão
de Eduardo Campos, seja sobre a crise econômica, que tanto tem
denunciado, seja relativamente à sua visão de Brasil, que não é só dele,
mas do Partido.
Insisto neste ponto. Além de conhecer nossa
realidade e formular suas análises, Eduardo Campos sintetiza o
pensamento acumulado pelo PSB, que, desde 1985, data de sua
reorganização, vem estudando o país e formulando programas de governo.
Pelo menos teoricamente, Ciro Gomes conhece os documentos de seu
Partido. Ciro é quadro destacado do PSB e nosso colega como dirigente
nacional. A próxima reunião da Executiva Nacional parece ser o melhor
espaço para nossa discussão.
Relativamente à definição da
posição partidária com relação às eleições de 2014, insistimos na
posição partidária: a antecipação do pleito, quando estamos a pouco mais
de dois anos do mandato da presidente Dilma, e quando vivemos crise
econômica gravíssima, é uma atitude antirepublicana, e que não atende
aos interesses do país. Aliás, interessa, sim, a uma oposição atrasada,
desqualificada e sem rumo e a um candidato que precisa de ghost writer
para escrever seus discursos, lidos em estilo o claudicante.
Não
importa que Lula tenha lançado a candidatura de Dilma à reeleição. Ele
deve ter lá seus motivos, mas errou. O nome de Eduardo Campos está nas
folhas, nos meios de comunicação em geral, circula no meio político e
ganha espaço na vida política brasileira e conquista a militância. Mas
nada foi decidido pelo partido, seja quanto à conveniência de ter
candidatura própria à presidência, seja qual o nome de seus quadros que
merecerá esta escolha. Até lá, dentro do partido a discussão está aberta
e todos os juízos são pertinentes, inclusive o que expressa Ciro Gomes.
Mas chegará o momento em que o Partido se definirá.
Para este
efeito, a próxima reunião da Comissão Executiva, que não poderá fugir
desta temática, deverá convocar uma reunião do Diretório Nacional para
definir nosso rumo. Esta reunião deverá ser precedida de uma ampla
consulta entre nossos militantes e a sociedade. O Partido, como sempre,
marchará unido em torno da posição, qualquer que seja ela, definida por
nossos órgãos dirigentes.
Roberto Amaral