Juliane Sacerdote _247 - "Tenho a consciência
serena dos inocentes e espero que a verdade mais cedo ou mais tarde
aparecerá", disse o ex-presidente do PT José Genoino em entrevista
coletiva após tomar posse na Câmara dos Deputados. Depois de avisar que
não falaria sobre o mensalão, pois o processo ainda está em curso,
Genoino disse que resolveu assumir porque está apenas "cumprindo a
Constituição".
Evitando responder qualquer perguntas sobre o mensalão, ele disse que
não terá ou será motivo para crise na Câmara. "Me sinto confortável ao
assumir o mandato, estou cumprindo regras e normas constitucionais",
disse o deputado, que começou a entrevista tranquilo, mas foi ficando
irritado e, após algumas perguntas, chegou a dizer que jornalista não é
juiz. "Recebi 92 mil votos em 2010, em campanha pré-condenatória",
destacou.
"Respeito os poderes republicanos, mesmo não concordando com a
decisao do STF", disse o petista, destacando que participou da
Constituinte e que, portanto, vai cumprir o que determina a Constituição
e o que determinar o STF. "Não tenho previsão de por quanto tempo vou
exercer o mandato e não penso nisso", disse. "As noites são longas, mas a
minha paciência é mais longa que os momentos de escuridão", filosofou.
Após uma breve cerimônia de posse na sala da Presidência da Câmara,
Genoino organizou uma entrevista coletiva para falar sobre o retorno ao
parlamento. Em uma sala abarrotada de jornalistas, o petista cumpriu a
promessa feita na quarta-feira 2, quando foi ao Congresso Nacional
apresentar os documentos necessários para tomar posse. Na ocasião,
cercado por jornalistas, Genoino disse que só falaria depois de
empossado. "Hoje (ontem), não falo nem no pau de arara", disse (
leia mais).
Condenado no julgamento do mensalão a seis anos e 11 meses de prisão,
o petista pôde assumir o cargo porque o processo da Ação Penal 470
ainda não foi finalizado, já que falta a publicação do acórdão, algo que
só vai ocorrer após a apresentação dos recursos da defesa dos
condenados. Por deliberação da maioria dos ministros do Supremo Tribunal
Federal, a perda de direitos políticos (consequência da condenação)
implica na perda de mandato do condenado.
O deputado José Guimarães (PT-CE), que assumiu hoje a liderança da
bancada petista na Câmara, disse que a posse do irmão "não tem nada de
constrangedor, nem de constrangimento na bancada [do PT]". "A bancada
vive o auge do Estado democrático de direito, onde os direitos devem ser
respeitados sob qualquer hipótese", disse Guimarães sobre a posse do
irmão. "O PT está muito tranquilo. E eu, como líder do partido, vim
recepcionar os sete deputados que tomam posse [do PT]", completou.