Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad diz que
Lula é "novo", "fisicamente forte" e foi "o melhor presidente que o
Brasil já teve"; diz ainda que, como está acostumado a vê-lo como
presidente da República, dificilmente conseguiria enxergá-lo em outra
posição, mas afirma que a presidente Dilma Rousseff tem uma vontade,
"ainda não manifesta", de continuar o seu trabalho
247 - A poucas horas de tomar posse
no comando da maior cidade do País, o prefeito eleito de São Paulo,
Fernando Haddad, criou um fato político novo. Em entrevista à jornalista
Mônica Bergamo, da Folha, disse que Lula pode voltar a ser candidato. E
afirmou ainda que não o vê em outra posição, que não seja a presidência
da República, até porque as pesquisas de opinião o apontam como o
melhor presidente da história do País. Haddad só não explicitou se isso
ocorreria em 2014 ou 2018, mas disse que a presidente Dilma Rousseff tem
uma vontade "não manifesta" de continuar o seu trabalho. Confira,
abaixo, alguns trechos do depoimento de Haddad:
Volta de Lula
"Ele é novo, fisicamente forte, gosta da política e foi o
melhor presidente da República que o Brasil já teve, segundo todas as
pesquisas de opinião. Por que não pode pensar em voltar? Ele tem todas
as condições de pleitear um cargo público, qualquer que seja."
Senado, governo de São Paulo ou presidência da República
"Estou tão acostumado a vê-lo como presidente da República que é difícil imaginá-lo em outra posição."
2014 ou 2018
"Não vejo essa hipótese de 2014 em função até do sucesso
da presidenta Dilma [Rousseff] e da sua vontade, ainda não manifesta, de
continuar o seu trabalho, que é apreciado pela população."
Parcerias na prefeitura
"Não acredito em queda de arrecadação municipal porque no
ano que vem a economia vai crescer mais do que neste ano. Tenho certeza.
Agora, nosso problema só vai se resolver com parceria público-privada e
público-pública."
Denúncias de Marcos Valério
"Ponho as duas mãos no fogo pelo presidente Lula. E mais:
acho uma coisa absolutamente temerária esta pessoa, o Marcos Valério
[pivô do mensalão que afirmou recentemente que Lula deu "ok" para as
operações que originaram o escândalo], depois de anos defendendo
reiteradamente uma versão, agora mudar. É temerário se atribuir o valor
que está se atribuindo a esse depoimento. A partir do momento em que
muda ao sabor das circunstâncias, a credibilidade dessa pessoa é que
precisa ser discutida."
O mensalão do PT
"Os desdobramentos jurídicos desse julgamento vão ganhar
mais espaço. Porque do ponto de vista político está encerrado o assunto.
Mas, do ponto de vista doutrinário, há um longo caminho a ser
explorado, nas faculdades de direito, entre juristas, criminalistas. O
julgamento estará imerso em controvérsia, em função das inflexões que
ele promoveu. Porque houve uma mudança de jurisprudência radical para a
condenação dos acusados. Toda uma releitura foi feita. A
controversíssima tese do domínio do fato [que levou à condenação de José
Dirceu], por exemplo. Essa discussão vai perdurar por muitos anos, vai
se verificar se outros casos vão receber o mesmo tratamento..."
O mensalão do PSDB
"A curiosidade é grande."
Obscurantismo tucano
"Os tucanos sempre foram percebidos como uma camada
ilustrada da sociedade. Tinham verniz de modernidade, não se associariam
ao obscurantismo para a luta política rebaixada. Mas, na hora do
embate, lançam mão de qualquer expediente para ganhar uns votos. O PT se
surpreendeu com essa atitude e talvez tenha taticamente se recolhido.
Até em busca de uma explicação para tamanha virulência de um partido que
nasceu com bandeiras modernas também."
Onda conservadora
"Há no plano da cultura, indiscutivelmente, uma onda
conservadora impressionante. Basta você ver quem eram os intelectuais,
os filósofos, os críticos que tinham voz e palanque nos anos 80 e 90 – e
compará-los com os de hoje. Não vou dizer nomes. Mas é uma
desproporção! Você tem uma virada conservadora e rebaixada do ponto de
vista argumentativo. Quer dizer, perdemos duas vezes. A agenda cultural
parece que está na mão de pseudointelectuais."
Eduardo Campos
"Olha, o Eduardo é um quadro político da
mais alta respeitabilidade, qualificado para qualquer voo. Mas eu não
acredito que saia candidato à Presidência da República em 2014."