A trajetória do brasileiro Luís Inácio Lula da Silva marcou a
redemocratização do Brasil de uma forma extraordinária. Uma liderança
popular, oriunda do movimento sindical, com a simbólica origem na grande
migração interna do Nordeste para o Sul e com o signo na luta pela
liberdade de organização dos trabalhadores. Contribuiu decisivamente
para o fim da ditadura, somando a mobilização trabalhista de massas ao
processo de resistência institucional, comandado pelo velho MDB e por
lideranças intelectuais e religiosas. Fundou um partido político de
baixo para cima e ajudou a criar uma central sindical democrática, que
se transformou numa das maiores do mundo.
Sua biografia já seria magnífica, se terminasse por aí. Mas,
disputando quatro eleições presidenciais, venceu em 2002, para assumir
um país estagnado e sem perspectivas, subordinado à globalização
financeira e apequenado nos fóruns internacionais.
Em apenas oito
anos de governo, Lula tirou o Brasil do marasmo, despertou e coordenou
forças positivas, transformou a economia e a política, e fez a grande
obra referencial do início do Século 21: recolocou a autoestima do povo
em alta, como demonstram todas as pesquisas de opinião do final de seus
dois mandatos.
A desigualdade caiu fortemente, regional e socialmente, milhões
migraram de classe socioeconômica, para melhor. O desemprego caiu pela
metade. O país voltou a crescer. Programas inovadores, em várias áreas,
tornaram-se referências internacionais. A educação técnica e superior
ganharam grandes investimentos. Lula foi reeleito e elegeu sua
sucessora, A primeira mulher presidenta da República. Não caiu na
tentação de um terceiro mandato, como muitos apregoavam insistentemente,
temerosos de sua popularidade. Muitos anunciaram o mito, por mais que
ele próprio sempre tenha preferido sua dimensão humana de cidadão. Foi
reverenciado em boa parte do planeta como um exemplo de liderança. O
cara, como disse um certo presidente de um importante país.
As recente tentativas de desgastar sua imagem não são novidade na
história do Brasil, nem na vida de Lula. Mas demonstram a intolerância
daqueles que não se conformam com os resultados das urnas e buscam
outros territórios para tentar a revanche. Lula nunca se afastou de suas
convicções e como pessoa, sempre sacrificou sua vida pessoal para
conduzir as lutas populares. Formou uma geração de lideranças,
estimulando o surgimento de novos quadros políticos em seu partido, que
sabe se renovar, a cada período.
Tentar lhe atingir moralmente, com base em ilações e suposições, é a
última esperança dos que não souberam perceber que o povo brasileiro
hoje tem muito mais discernimento e confiança em suas avaliações,
exatamente porter percebido que, aquele que sempre foi atacado e
desprezado pelas oligarquias, revelou-se o líder necessário que
recuperou a confiança nacional. Como com Getúlio e Juscelino, sentem a
necessidade de destruir o mito. Mas o mito é líder. E é chamado
novamente a percorrer o Brasil, sem medo de ser feliz, para dizer
claramente o que está em jogo.