12 janeiro 2011

Dilma sabe enfrentar a geoeconomia das drogas proibidas.

–1. Anima saber que a presidenta Dilma Roussef percebeu que cultivos substitutivos à folha de coca têm o efeito de reduzir a oferta da cocaína e de criar uma nova cultura nos países andinos de cultivo e produção ilícita.

Conforme revelaram mensagens difundidas pelo WikiLeaks, a então ministra Dilma Roussef lutou para a inclusão da Bolívia e da Colômbia no projeto voltado à promoção do consumo global de biocombustíveis. Bolívia e Colômbia são países andinos de cultivo de coca e de ilegal produção de cocaína

O plano da então ministra Dilma era, com a implantação e desenvolvimento da indústria do biocombustíveis, propiciar à Bolívia e Colômbia, dois países com “PIBs” dependentes do mercado da cocaína, uma alternativa econômica viável, lucrativa e lícita.

O referido projeto, elaborado em 2007 e com inclusão de Bolívia e Colômbia, não foi aprovado no governo Lula, em face de parecer contrário do Itamaraty.

–2. Como se sabe, a Bolívia, com dinheiro das Nações Unidas e dos EUA, tentou implantar, no último governo do falecido Hugo Banser (não completou o mandato e morreu de câncer no cérebro), o chamado Plano Dignidade de cultivos substitutivos à coca.

A produção substitutiva (alimentos, como café, abacaxi, banana, etc) seria absorvida pelo mercado da Argentina.

Só que a Argentina, no final dos anos 90 e início de 2000, quebrou economicamente. Como decorrência, os agricultores bolivianos, que tinham abandonado o cultivo da coca, perderam as safras substitutivas e amargaram prejuízos econômicos.

Diante disso e à força, o presidente Hugo Banzer passou, com o emprego do Exército, à destruição manual de cultivos. Ocorreram conflitos sangrentos e uma dezena de mortes.

O Plano Dignidade estava restrito à região do Chapare, onde o cultivo, por força de lei da época, era proibido e realizado por agricultores pobres.

Na região de Yungas de La Paz, o cultivo da folha de coca é permitido: mastigação, infusão e emprego medicinal (é potente anestésico).

O uso da folha de coca é milenar pelos nativos. A folha é considerada sagrada pelos nativos.

A coca (que não se confunde com a cocaína) contém proteína e minerais. Além disso, o sumo da folha possui componente psico-ativo de uso necessário para os nativos suportarem as altitudes.

À época do Plano Dignidade, Evo Morales presidia o sindicato dos cocaleiros: o sindicato dos cocaleiros nunca teve ligações com os cartéis ( na Bolívia recebem o nome de “firmas) de produção de cocaína.

–3. PANO RÁPIDO. Fotografias aéreas e imagens de satélites mostram que nos útimos 25 anos as áreas de cultivo de coca na região andina continuam com a mesma extensão, ou melhor, nunca houve qualquer redução. E a coca é a matéria prima para a elaboração do cloridrato de cocaína.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

Terra Magazine