14 setembro 2009

Lula participa de batimento de quilha do primeiro navio do Promef
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa hoje (11) da solenidade de batimento de quilha do primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef). A cerimônia será realizada pela Petrobras Transporte (Transpetro) no Estaleiro Atlântico Sul, em Ipojuca (PE), no Complexo Industrial e Portuário de Suape.
A solenidade tem importante significado na indústria naval: quando os navios eram feitos artesanalmente, a quilha era a espinha dorsal e simbolizava o início da construção do barco. Hoje, o batimento de quilha representa o assentamento do primeiro bloco já pronto.
A partir de 2010, a Transpetro – subsidiária da Petrobras para a área de logística – começará a receber os primeiros quatro petroleiros de um total de 49 embarcações que serão adquiridas por meio do Promef.
O programa é baseado em três requisitos: que os petroleiros encomendados pela Transpetro sejam construídos no Brasil, que tenham 70% de nacionalização e que, após a chamada “curva de aprendizado”, a indústria naval brasileira venha a ter competitividade em nível mundial.
Nessa quinta-feira (10), o diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Agenor Junqueira, explicou, em entrevista, como será a cerimônia de batimento de quilha e detalhou a agenda do presidente em Pernambuco. Lula irá também à inauguração do cais numero 5 e visitará uma biofábrica de cana-de-açúcar.
Junqueira lembrou a cerimônia de corte de aço do navio, realizada em setembro do ano passado. De acordo com Junqueira, esse projeto tem grande significado socioeconômico, não só para o Estado, mas também para o país. “São 9 mil empregos diretos, sendo 6 mil na construção do estaleiro e 3 mil na construção dos navios. Tudo mão de obra local”, explicou na entrevista.
O Promef é um dos mais importantes projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ele criará aproximadamente 40 mil empregos diretos e 120 mil indiretos em suas duas etapas. A primeira prevê a construção de 26 navios (petroleiros e gaseiros), com investimento de US$ 2,5 bilhões. Na segunda etapa, outros 23 navios serão construídos.
A compra permitirá à Petrobras uma economia inicial anual de US$ 300 milhões a US$ 350 milhões aproximadamente, com o afretamento de embarcações para o transporte de cabotagem e de longo curso de seus produtos. A estatal brasileira do petróleo gasta anualmente cerca de US$ 2 bilhões com o afretamento de embarcações.
O evento contará também com a presença dos presidentes da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e da Transpetro, Sergio Machado, além de diretores da companhia.
Atlântico Sul entra em operação de olho em mais oito navios da Petrobras
O evento, que envolve o começo da montagem de um navio no dique seco, marca a primeira produção do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), o maior estaleiro do país, com capacidade de processar 160 mil toneladas de aço por ano. Os atuais estaleiros não produzem nem um terço disso. O empreendimento criado pelos sócios Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e PJMR é fruto da recente leva de encomendas da Transpetro. O projeto tem em carteira a encomenda de 10 navios Suezmax e outros 5 Aframax, além da construção do casco da plataforma P-55.
Agora, o EAS mantém a expectativa de sair vencedor da licitação aberta pela Petrobras para construir oito cascos de navios-plataforma destinados à produção de petróleo na área do pré-sal. "Apresentamos uma proposta muito competitiva e temos um estaleiro pronto para receber a encomenda", disse ontem ao Valor o presidente do EAS, Angelo Alberto Bellelis. A proposta do EAS ficou em segundo lugar, com preço por casco cerca de 14% acima da melhor oferta, apresentada pelo consórcio Engevix GVA. No mercado comenta-se, porém, que a Petrobras estaria solicitando novas informações dos primeiros colocados na licitação. O resultado final do certame, portanto, ainda está em aberto.
Bellelis negou rumores de que o EAS já teria sido chamado para negociar uma nova proposta com a Petrobras. "Ainda temos a expectativa de sermos chamados", afirmou. O custo dos oito cascos é estimado em cerca de US$ 4 bilhões. No total, sete consórcios apresentaram propostas à Petrobras para construir os cascos. Fontes disseram que a proposta do EAS, que participa da concorrência em conjunto com o projetista norueguês LMG, foi de US$ 535 milhões por casco. Mas o Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis divulgou carta esta semana dizendo que a oferta do Atlântico Sul teria sido de US$ 555 milhões, enquanto a da Engevix-GVA situaria-se, segundo o sindicato, em US$ 462 milhões por casco.
O presidente do sindicato, Paulo Ignácio Furtuozo, entrou na briga tentando garantir que os cascos sejam construídos, pelo menos em parte, no estado do Rio. Segundo ele, a Petrobras estaria disposta a descartar a Engevix e começar novas negociações com o EAS. Uma fonte que acompanha as discussões disse que a Engevix continua no páreo. Segundo ele, comenta-se no mercado que a estratégia da Engevix prevê a construção dos blocos dos cascos em diferentes lugares, inclusive no Rio.
Bellelis afirma que o EAS tem capacidade disponível para brigar pelas encomendas do mercado offshore que virão com o pré-sal. Hoje o estaleiro tem em carteira 15 navios petroleiros de grande porte, dos quais 10 são do tipo Suezmax e 5 Aframax. Além destes, o EAS deve fechar com a Transpetro contratos para outros sete petroleiros no valor total de US$ 1,2 bilhão. O estaleiro também trabalha na construção dos módulos do casco da plataforma P-55, um contrato de US$ 390 milhões.
Bellelis disse que com esses projetos o EAS ocupa cerca de 60% de sua capacidade de processamento de aço, que é de 160 mil toneladas por ano. Segundo ele, mesmo se o estaleiro vier a ganhar os oito cascos das plataformas do pré-sal não seria necessário fazer uma ampliação da capacidade instalada. No futuro, se for preciso aumentar a capacidade de produção, várias alternativas podem ser consideradas, incluindo o uso de novas áreas no terreno do estaleiro e até a terceirização do processamento de aço. Hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita o EAS para participar de uma cerimônia de "batimento de quilha", evento que marca o início da edificação do primeiro navio Suezmax da Transpetro.
Com informações Valor Econômico e Agência Brasil