Dirigente petista conclama população a se mobilizar contra oposiçãoO dirigente do PT de Salvador (BA), Jânio Oliveira Coutinho, conclama, em texto intitulado "A hora e a vez da rua", divulgado nesta segunda-feira (25), o povo brasileiro a tomar as ruas e reagir contra a irresponsabilidade da oposição que pretende desmoralizar a Petrobras com a convocação de uma CPI sem fatos determinantes concretos e substanciais.Coutinho defende ainda que "uma mobilização popular ampliada pode permitir o clima político adequado à aprovação de uma modificação da Lei do Petróleo que viabilize a apropriação pelo Estado brasileiro, dos resultados econômicos da exploração do pré-sal".Leia a íntegra do texto:A Hora e a Vez da RuaCerca de cinco mil pessoas atenderam ao chamado da FUP, CUT, UNE, MST e outras entidades da sociedade civil que, no último dia 21, realizaram uma no centro do Rio de Janeiro, em defesa da Petrobrás e contra a instalação de uma CPI no Senado.A reação popular ao golpe perpetrado pela oposição, com a aprovação da mal denominada “CPI da PETROBRÁS”, também encontra apoio na internet, onde uma gigantesca rede de apoio à PETROBRÁS e de mais completa indignação contra o ataque da gangue da privataria explodiu. São antigas comunidades no Orkut que ganharam nova dinâmica, são novas comunidades criadas que ganharam milhares de adeptos em questão de dias, o Youtube está lotado de vídeos críticos à instalação da CPI, mas, também críticos à oposição em geral, ao PSDB e ao seu mais forte pré-candidato presidencial José Serra. Da mesma forma, a pequena parcela da mídia não vinculada ao campo conservador registra uma receptividade nunca vista. Na internet, em especial, os blog´s e sites não alinhados com o PIG verificam um número de acessos nunca visto.A questão agora é saber o que fazer com todo este potencial político. A oposição, para além da irresponsabilidade com o país e a total ausência de substância dos argumentos utilizados para indicar os “fatos determinados” que justificariam a CPI, parece também ter tocado em algum sentimento mais profundo da população. É preciso revisitar o período FHC, onde a privataria perpetrada contra o patrimônio nacional entregou a preço vil a Vale do Rio Doce e tentou preparar o caminho da privatização da PETROBRÁS. A população reagiu vigorosamente. Agora a aprovação da CPI, parece ter reavivado este sentimento, que também esteve presente no segundo turno de 2006, onde a polarização programática ficou mais patente.No fundamental, não basta só ir à rua combater a CPI, é preciso utilizar o sentimento anti-privatista para viabilizar um ambiente político favorável a avanços estratégicos, ainda maiores e, no mesmo movimento, impor um profundo revés político à oposição privatista. Registre-se, a própria imprensa comprometida com a privataria, já se deu conta da “camisa de sete varas” em que a oposição está se metendo. Um acompanhamento permanente da programação deste setor da mídia, expõe claramente um menor ímpeto do que nos primeiros dias após a aprovação da CPI. A mídia golpista é muito mais perceptiva da reação da população, que os parlamentares da oposição.Do ponto de vista estratégico, uma mobilização popular ampliada pode permitir o clima político adequado à aprovação de uma modificação da Lei do Petróleo que viabilize a apropriação pelo Estado brasileiro, dos resultados econômicos da exploração do pré-sal. Isso permitirá, em um futuro próximo, uma ampliação exponencial dos investimentos públicos em educação, ciência e tecnologia, assistência social, saúde, combate à pobreza e cultura, nos próximos 20 anos.Do ponto de vista político, esta mobilização pode significar dois grandes avanços: a) Um ponto de ruptura com o modelo de governabilidade exclusivamente parlamentar, adotado desde o início pelo Governo Lula, que já demonstrou suas fragilidades inúmeras oportunidades, em especial na “crise de 2005” e agora na aprovação desta CPI (em 2005, um “aliado” foi decisivo para a crise se instalar e, agora, os aliados ajudaram, com sua omissão, a aprovação da CPI; b) Um momento único de colocar a oposição na defensiva política e ideológica, aumentar e muito a rejeição aos nossos inimigos, elevar a rejeição de seus candidatos, em todos os estados do Brasil e impor-lhe uma derrota fragorosa, em 2010.É plenamente possível, caso a mobilização extrapole os limites atuais (de mera resposta a criação da CPI), que cheguemos até dezembro/2009 com a Ministra Dilma Roussef, empatada nas pesquisas e seu principal adversário com uma rejeição que inviabilize eleitoralmente a sua candidatura, sem falar na rejeição de todos os Senadores que assinaram a CPI, já que a uma semana, são bombardeados, diariamente, na internet. Não podemos perder a oportunidade de ampliar este movimento.A tarefa agora, para aqueles que entendem a oportunidade política que está aberta e sempre defenderam uma governabilidade sustentada em outros instrumentos, para além da mera formação de maioria parlamentares, é fazer majoritária esta compreensão. É preciso viabilizar que nos partidos de esquerda, no movimento sindical, na UNE, UBES e outros movimentos sociais fique claro que não podemos perder esta chance. A oposição deu um passo em falso, é hora de fazermos ela desabar. É a hora de irmos à luta, a hora e a vez de irmos pra rua.
Jânio Oliveira Coutinho é advogado e, integrante do Diretório Municipal do PT de Salvador.