03 dezembro 2008

Criticar Petrobras é "dar tiro no próprio pé", afirma Dilma Rousseff
UOL Notícias
Em Brasília
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, criticou nesta quarta-feira (03) as críticas à operação de crédito realizada pela Petrobras com a Caixa Econômica Federal. Para a ministra, a operação é "normal", daí sua "surpresa" diante das críticas. "É um caso estarrecedor", afirmou. O empréstimo foi de R$ 2 bilhões.

"A Caixa emprestar para a Petrobras e a Petrobras buscar melhores taxas de juros no mercado é normal. Uma inversão de papéis, com a Petrobras emprestando para a Caixa é que não seria normal. Mas ela (a Petrobras) dá garantias, é solvente, em 180 dias ela paga. Então, qual é o problema?", afirmou aos deputados, em audiência pública na Câmara.A ministra ressaltou que a Petrobras é "a maior empresa brasileira, tem um dos maiores caixas do Brasil, fornece petróleo e gás para o país e é reconhecida internacionalmente como modelo de governança." Por isso, as críticas ao empréstimo realizado "não têm fundamento técnico." "Por que submeter uma empresa da categoria da Petrobras a um estresse desse?", questionou. "Não é correto expor a Petrobras a uma situação dessas. Isso é dar um tiro no próprio pé". "Aí, internacionalmente, começam a olhar e a se perguntar: 'Mas o que está acontecendo? Por que estão falando isso?' Isso é lamentável", acrescentou a ministra.
Dilma estranhou a "surpresa" do mercado pelo fato de a Petrobras recorrer a capital de giro de curto prazo. "Por que ela não recorreu aos bancos privados? Porque agiu como uma empresa que preserva seus interesses e buscou a melhor taxa de juros", afirmou. Segundo a ministra, a queda no preço do barril do petróleo não afeta a empresa, porque a Petrobras não trabalha com o barril a US$ 140. "Os processos da empresa só passam no comitê de negócios a US$ 35. E antes disso tem processos com barril a US$ 18", destacou.