14 outubro 2008

Brasil entra em lista de países com maior avanço no combate à fome
Entre 1990 e 2008, índice da fome caiu 45% e elevou status do país em relatório.

- O Brasil foi um dos dez países no mundo que viram mais progressos em um indicador que mede o desempenho no combate à fome, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira por organizações não-governamentais. Entre 1990 e 2008, o chamado Índice Global da Fome (ou GHI, na sigla em inglês) brasileiro se reduziu quase à metade - 45,6% exatamente -, fazendo o país deixar o grupo de nações com problemas alimentares "graves" para figurar entre aquelas onde esse problema é considerado "baixo". Os dados foram divulgados pelo Instituto de Pesquisas sobre Políticas Alimentares (IFPRI, na sigla em inglês) em parceria com as organizações German Agro-Action e Concern Worldwide. O GHI de 2008, calculado para mais de 120 países (não para os industrializados), levou em consideração o número de pessoas com deficiência alimentar entre 2002 e 2004, a taxa de mortalidade infantil de 2006 e a desnutrição infantil para o ano mais recente entre 2001 e 2006. No mundo, sem contar as imensas diferenças regionais, o índice da fome caiu a uma proporção de 20% entre 1998 e 2008. Desnutrição infantil Segundo o IFPRI, a melhora no mundo "foi motivada em grande medida pelo progresso na nutrição infantil". "A proporção de crianças abaixo do peso foi o indicador que mais declinou - em 5,9 pontos percentuais - enquanto a mortalidade de crianças abaixo de cinco anos e a proporção de desnutridos também tiveram melhora." Entretanto, a organização afirmou que o problema da fome no mundo "permanece sério", especialmente em países africanos onde conflitos civis exacerbam a crise alimentar. "As médias globais escondem diferenças dramáticas entre regiões e países", disse a instituição. Enquanto o GHI caiu 40% na América Latina e 30% no Sudeste Asiático em 20 anos, a queda foi de apenas 11% na África subsaariana no mesmo período. Além disso, o instituto lembrou que a redução nos indicadores ocorreu em um ambiente de queda gradual do preço dos alimentos. "Entre 1974 e 2005, os preços de alimentos declinaram 75%, segundo o Fundo Monetário Internacional", disse o relatório.