30 maio 2008


PF prende deputado e acusa Garotinho de integrar quadrilha
Segundo denúncia, ex-governador mantinha Lins à frente da polícia, mesmo sabendo de suas ligações criminosas
A Polícia Federal, em operação conjunta com a Procuradoria Regional da República do Rio, prendeu ontem o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), ex-chefe de Polícia Civil dos governos de Anthony Garotinho e Rosinha Matheus. A prisão ocorreu durante a Operação Segurança Pública S.A. Ele é apontado como chefe de uma quadrilha que usava a Polícia Civil para receber favores. Lins, alguns de seus familiares e sete policiais a ele ligados foram denunciados pelos crimes de corrupção, facilitação de descaminho (possibilitar entrada de mercadorias importadas sem pagamento de impostos), contrabando, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha armada.Na mesma denúncia foi incluído o ex-governador Anthony Garotinho pelo crime de formação de quadrilha armada. Segundo os procuradores regionais da República Mauricio da Rocha, Paulo Fernando Correa e Cristina Romano, Garotinho mantinha Lins à frente da Polícia Civil, mesmo sabendo de suas ligações criminosas. Os procuradores garantiram, porém, não ter sido provado que o ex-governador tenha se beneficiado com a situação. Eles também decidiram não incluir Rosinha "nesta grave acusação de organização criminosa, porque não há nada contra ela no que foi coletado até agora".Além de Lins e Garotinho, foram denunciadas 14 pessoas. Oito são policiais ligados ao deputado estadual, três deles delegados de Polícia Civil - Ricardo Hallak, que o substituiu no cargo de chefia, Luiz Carlos Santos e Daniel Goulart - e mais cinco inspetores e detetives.
Diante destas graves denuncias, fica muito fácil entender porque o RJ está dominada pelos bandidos, pelo tráfico, pela violência. Fica compreensível porque o atual governo do RJ encontra tanta resistência no combate a criminalidade, a violência, a corrupção nas policias.