18 dezembro 2007


CNI aponta ano promissor para economia do país em 2008
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta terça-feira (18) edição especial do documento “Informe Conjuntural”, com um balanço do desempenho da economia do país em 2007 e estimativas positivas para o ano de 2008. No texto, a CNI traça um panorama promissor para a economia no próximo ano, com expansão do PIB (Produto Interno Bruto), impulsionado pelo consumo interno, pelo cenário favorável aos investimentos e pela demanda externa aquecida.
A CNI cita no documento que a economia brasileira reencontrou o crescimento acelerado em 2007 – ano em que o PIB deverá crescer 5,3%. “A economia não crescia a taxas superiores a 5% desde 2004. O ritmo de expansão deste ano é o dobro da média observada nos últimos dez anos”, afirma o texto. “Mais do que isso, a economia brasileira conseguirá, enfim, expandir-se em 2007 a um ritmo semelhante à média mundial. Trata-se de uma situação pouco usual: em apenas uma ocasião nos últimos dez anos – em 2004 – o crescimento econômico do Brasil foi pelo menos tão dinâmico quanto no mundo. No restante dos anos, o PIB brasileiro cresceu, em média, 1,5 ponto percentual ao ano abaixo da taxa de crescimento do PIB mundial”, acrescenta o texto.
Segundo a confederação, os ganhos em 2007 são expressivos: o PIB cresce com inflação sob controle; o crescimento vem acompanhado de melhor distribuição de renda; o mercado de trabalho tem alta taxa de formalização, a mão-de-obra alcança o nível mais alto da década e a taxa de desocupação, em contraste, chega ao nível mais baixo. Além disso, cita o documento, os juros reais recuam e o volume de crédito aumenta, o que amplia a capacidade de consumo das famílias e reduz o custo financeiro das empresas. “Assegurar esse ritmo de crescimento é o desafio que se coloca para a economia brasileira”, afirma.
Entre os desafios, a CNI apontou que, ao lado da profusão de bons indicadores em 2007, há fatores que devem ser analisados - a taxa de câmbio (R$/US$) valorizada, aumento dos gastos públicos; tributação excessiva e necessidade de maior investimento em infra-estrutura.
Na avaliação do deputado Pedro Eugênio (PT-PE), as estimativas da CNI são consistentes e promissoras, mas há outras interpretações para a questão do gasto público. “Concordo com a análise da CNI, mas a questão dos gastos públicos é um cacoete que o setor produtivo sempre tem e mantém. Os gastos do setor público ao longo de 2007, segundo dados do Tesouro Nacional, revela que esses gastos tendem a se estabilizar. É sempre bom e salutar procurar melhora a qualidade do gosto público, mas o Brasil não tem excesso de gasto”, disse.
Panorama positivo
Para 2008, a CNI estima que o PIB deve expandir-se 5,0% e o bom desempenho da atividade econômica no próximo ano vai se basear nos seguintes fatos. Primeiro, em uma demanda interna forte. “O emprego deve manter-se em alta, o reajuste dos benefícios do Bolsa-Família (já concedido neste fim de ano) e aumento do salário mínimo (proposto para abril de 2008) contribuem para o crescimento da renda das famílias. A taxa de juros que vigorará no próximo ano será a mais baixa de toda a década”, destaca o texto.
A CNI afirma ainda que 2008 é um ano promissor para o investimento, tanto privado como público. “A menor ociosidade do parque fabril no setor privado, associado à demanda crescente formam um cenário propício para o investimento. Do lado do investimento público, a realização das obras do PAC podem contribuir para o crescimento da formação bruta de capital fixo”, afirma.
Segundo o deputado Pedro Eugênio, chama a atenção a capacidade do Estado voltar a investir, por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). “Cabe vencer o desafio de destravar processos licitatórios, que dificultam os investimentos saírem dos orçamentos”. Para 2008, afirmou, é de esperar que o Brasil continue avançando na economia. Pode haver um salto de R$ 14 bilhões para R$ 23 bilhões em investimentos e podemos considerar uma taxa de crescimento futuro de 7%, absorvendo o mercado de trabalho que estava no estoque do desemprego”, afirmou.
Nessa linha, Pedro Eugênio questionou o destaque dado por parte da imprensa à inflação medida pelo Índice Geral de Preços -10 (IGP-10), que fechou o ano com alta de 7,38%, acima do resultado de 2006 (4,05%). O IGP-10 serve como antecipador dos resultados do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) e do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI). Feijão, milho e carnes surgem como destaques entre as maiores elevações de preços do ano.
“Não me parece o melhor acompanhar tendência de inflação apenas por um índice.
A meta de inflação definida (4,5%) será cumprida. Alimentos são produtos sazonais com comportamento de mercado e de safra. A abordagem parece chamar a atenção para algo diferente do que o acompanhamento sistemático da economia”, disse o deputado. Agência Informes
(www.informes.org.br)