08 maio 2007

Justiça recebe escutas entre magistrados, lobistas e políticos


Material corresponde a 202 dias de monitoramento feito na Operação Hurricane

Vannildo Mendes



BRASÍLIA - A Polícia Federal enviou nesta segunda-feira, 7, para a 6ª Vara Federal do Rio um arquivo de 70 giga bites de conversas explosivas entre os políticos, magistrados, lobistas e advogados grampeados pela Operação Hurricane (furacão, em inglês). O material corresponde a 202 dias de monitoramento telefônico e ambiental, com 4.861 horas de conversas entre os envolvidos na máfia dos caça-níqueis.

O material, considerado sigiloso, foi enviado por ordem judicial, a pedido dos advogados dos 25 acusados, presos na operação, para subsidiar a defesa dos seus clientes. Segundo fontes policiais, apenas 30% dos diálogos têm importância para a investigação do esquema, que consistia na compra de sentenças em favor de empresários e bicheiros que exploram jogos ilegais.

Todo o restante são conversas pessoais e de natureza diversa, inclusive confidências de alcova. "São confidências pessoais capazes de demolir reputações, desfazer casamentos e trazer dissabores de toda ordem, mas não têm qualquer interesse para a investigação", disse um policial que teve acesso aos autos.

Medina investigado
As interceptações telefônicas da PF começaram antes, no dia 5 de julho de 2006. Naquele momento, o grupo se organizava para obter decisão judicial e liberar 900 máquinas caça-níqueis da empresa Betec que haviam sido apreendidas pela polícia. O primeiro contato, segundo a investigação, foi no Tribunal Regional Federal da 2ª região. O desembargador José Eduardo Carreira Alvim, um dos denunciados no esquema, concedeu liminar liberando os equipamentos, mas o Ministério Público Federal recorreu e a decisão foi suspensa.