16/12/2006
Dirceu luta para provar inocência
A Tarde
José Dirceu, o ex-ministro da Casa Civil de Lula, esteve ontem em Salvador. Nada de trabalho ou compromissos políticos. Veio passear ou, como disse o próprio, “rever alguns amigos”. Entre eles está o governador eleito, Jaques Wagner, com quem não se encontrou. Nem por isso deixou de ser bastante cortejado por militantes petistas, que o acompanharam em alguns pontos da cidade, como o deputado estadual, líder do MST e futuro secretário do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Valmir Assunção. Dirceu deixou Salvador no final da tarde. Numa entrevista ao repórter Levi Vasconcelos, pouco antes de viajar, disse que a vitória de Jaques Wagner foi a melhor notícia que obteve este ano depois da eleição de Lula. Ele acha que não apenas a Bahia, mas todo o Nordeste, ganhou a condição de reivindicar a realização de obras infraestruturais após o resultado das eleições deste ano porque a maioria dos governadores eleitos é aliada de Lula. Dirceu ressalva que o governo não discriminou a Bahia, como sempre se queixou o governador Paulo Souto. “Não houve investimentos no Brasil inteiro, por falta de dinheiro”, ressaltou. Dirceu se diz tranqüilo, mas se sente injustiçado com a cassação do mandato de deputado federal, há um ano, por conta do escândalo do mensalão. Afirma que a vida dele foi devassada, nada ficou provado, luta para provar a inocência na Justiça e apóia a idéia de um grupo de parlamentares que planejam entrar com um projeto de lei na Câmara dos Deputados para anistiá-lo. ATARDE O que o senhor achou da vitória de Jaques Wagner? JOSÉ DIRCEU Foi a melhor notícia que nós tivemos depois da vitória do Lula nas eleições deste ano. Há muito, o PT estava preparado para governar a Bahia e o Jaques sempre foi o melhor candidato que nós tivemos aqui. É uma vitória histórica, porque derrota um reinado de quase 20 anos de Antonio Carlos Magalhães e do seu grupo político. E é uma oportunidade também, para a Bahia e para o próprio PT, junto com as forças aliadas que deram a vitória a Wagner. Acredito que, com o Lula na presidência e com o Wagner no governo da Bahia, possa haver uma interação, um apoio mútuo maior. Não que o presidente Lula não tenha trabalhado com Paulo Souto. Eu mesmo, quando estava, na Casa Civil encaminhei muitas reivindicações da Bahia, legítimas, mas muda completamente. AT O que efetivamente muda de substancial? JD Acho que houve uma mudança no Nordeste. A vitória do Cid Gomes (Ceará, PSB), a reeleição de Vilma Faria (Rio Grande do Norte, PSB), de Eduardo Campos (Pernambuco, PSB), Marcelo Déda (Sergipe, PT), Wellington Dias (Piauí, PT) e Jaques Wagner na Bahia, criam uma situação nova. Pode haver uma maior integração entre os governos estaduais para defender os interesses do Nordeste junto ao governo federal. Precisamos de mais políticas para o Nordeste, mais investimentos. A questão da infra-estrutura de exportação e do turismo, é fundamental. O desenvolvimento da fruticultura, os grandes empreendimentos siderúrgicos, ferroviários, rodoviários, portuários, petroquímicos, de gás e petróleo... É uma oportunidade.Vejo essa mudança como um sinal dos tempos. A região Nordeste tem uma nova geração (no poder). AT Mas Paulo Souto sempre teve uma grande queixa. Diz que a Bahia foi discriminada, excluída dos projetos infra-estruturais. JD Isso não foi só na Bahia, foi no Brasil. Tanto é que a principal prioridade do segundo mandato do presidente Lula são os investimentos em infra-estrutura. Não aconteceu porque não havia recursos. Com 4,25% de superávit fiscal e com a taxa de juros que nós tínhamos, ficava para investimento zero meio por cento do orçamento, o equivalente a R$ 12,5 bilhões (para o País inteiro) não havia como fazer grandes investimentos. (...) Nunca houve nenhuma discriminação da Bahia. Da parte do presidente, toda a orientação que eu e os ministros recebíamos era no sentido de atender aos pleitos da Bahia até porque tinham o apoio do próprio Jaques Wagner e da bancada do PT. Nunca vi a bancada do PT contra qualquer reivindicação da Bahia. AT Dizem por aqui que, em 2004, o senhor, na condição de ministro, não ajudou a candidatura de Nelson Pelegrino a prefeito de Salvador. JD Pergunta pra ele! Apesar das nossas divergências políticas internas (no PT), ele é testemunha do meu empenho em 2000 e 2004. AT O senhor salvou ACM no episódio do grampo (eleito após ter renunciado em conseqüência do escândalo do painel no Senado, o senador esteve ameaçado de enfrentar novas turbulências com o caso dos grampos telefônicos e se disse na época que o governo ajudou a barrar o caso)? JD Não, isso não é verdade. Eu tive uma relação com o senador Antonio Carlos Magalhães quando era ministro da Casa Civil, era o meu papel, natural, já que havia a possibilidade dele votar com alguns projetos do governo. Havia reivindicações da Bahia, que eram importantes para a Bahia, não eram do PFL, do PT, do PSDB, do PCdoB, do PDT. Estabeleci um diálogo com ele, com o senador Siqueira Campos (PSDB-TO), José Sarney (PMDB-AC), e outros senadores que em alguns projetos importantes votavam com o governo. Não houve nada mais que isso. Não tive nenhuma participação na absolvição do senador. AT Os resultados eleitorais de 2002 e 2006, na sua opinião, apontam para que direção? JD Para o enfraquecimento do PFL e do PSDB. Aliás, isso já aconteceu em 2004. Se você analisar, verá que o PFL perdeu 25% dos seus prefeitos e vereadores. E agora sofreu uma derrota, não no Senado, mas na Câmara. O PT foi bem na Câmara e não no Senado. Elegeu dois senadores de 27 vagas em disputa e 83 deputados entre 513. É evidente que há uma desproporção. Lógico que nós perdemos algumas eleições por pouquíssimo, como é o caso de José Eduardo Dutra (Sergipe). Mas isso não conta. AT E o PT, vai crescer em 2008? JD O PT tende a ter um maior número de prefeitos e vereadores. Mas é óbvio que isso depende do PT também. O PT enfrenta um problema sério, que é uma oposição muito grande da grande mídia. Por exemplo: eu não consigo entender, a não ser como uma tentativa de terceiro turno e um ataque direto ao PT, toda essa celeuma que se criou em torno das contas do comitê do presidente. Primeiro que as empresas não são concessionárias do serviço público. A lei é clara. Não é porque você participa de uma outra empresa que você deixa de existir como empresa. Se fosse assim... É evidente que aquilo foi um exagero. Aí entram as notas fiscais. Foram ver as notas fiscais, eram do PSDB e eram de remessa de mercadorias e não de compra. Os fiscais erraram, mas eles podem errar. O PT é que não pode ter um erro formal de R$ 10 mil numa receita de R$ 94 milhões. Agora se chegou a conclusão que a Tecmar não é a Tecmar que tem a concessão no porto, é outra empresa que tem a mesma marca, embora com CNPJ diferente.Mas pelo estardalhaço que a mídia criou parecia que Lula não ia tomar posse, não ia ter diplomação. O PT foi muito prejudicado. AT Por falar em imprensa, o jornal O Globo publicou na semana passada que o senhor faz grandes negócios internacionais no rastro do governo Lula. Estaria fazendo lobby. JD Esse é um problema sério. Certos setores do mundo político e da mídia não querem deixar eu trabalhar. Faz um ano e meio que estou afastado do governo. Faz um ano que estou cassado. Fizeram tudo para me tirar do governo, me cassaram e agora não querem deixar eu trabalhar. Não tenho nenhum impedimento para exercer a advocacia e nem a função de consultor. Agradeço a propaganda que fazem de mim. Fazem propaganda gratuita, eu não teria nenhuma condição de fazer isso. Mas é mentira. Já reiterei ene vezes que não dou consultoria, não tenho relações profissionais com a Telmex (maior operadora de telefonia da América Latina), que eu tenho conhecimento com eles, relações pessoais. Eu dou consultoria, mas é uma coisa modesta, pequena, para me sustentar, sustentar minha família e fazer minhas atividades políticas, além do meu escritório de advocacia que vai levar dois, três anos para ser um escritório de pequeno para médio, porque isso é um processo. Não há nada de lobby. É uma matéria mesquinha, que me surpreendeu, uma desqualificação do jornalismo porque entrou em coisas da minha vida pessoal que não são verdadeiras, dizendo que eu fiz plástica. Você está vendo aqui? Disseram que tenho um guarda-roupa, que só ando com executivos. Querem destruir minha imagem, me enterrar vivo. Ficam com raiva de mim porque não estou mal, não estou deprimido, querem que eu fique mal, não posso deixar o cabelo maior, não posso tomar sol.... AT A que o Sr. atribui tudo isso? JD (Rindo) Você tem que perguntar pra eles. Sempre disse que eu fui cassado, não pelos meus defeitos ou qualidades, mas pelo que eu represento. Na história política da esquerda, do País. Me cassaram para atingir o PT, atingir o presidente Lula. Eu lutei e vou continuar lutando no Supremo provar minha inocência. Agora não há nada contra mim, acabaram as CPIs, os inquéritos, as investigações, fizeram uma devassa em minha vida, inclusive pessoal, familiar, Imposto de Renda, sigilo bancário, fiscal, telefônico, não encontraram nada. A única acusação que há contra mim é apoiada nas declarações do Roberto Jefferson. E eu considero uma denúncia inepta, que deveria ser arquivada pelo STF. AT O Senhor tem a expectativa de conseguir a anistia? JD Tenho. E há um movimento forte para que eu assuma em fevereiro uma campanha pela minha anistia e há dezenas de deputados que querem apresentar um projeto de lei em prol da minha anistia. AT A iniciativa tem seu apoio? JD Tem. Eu quero fazer isso este ano. Vou defender no Supremo o arquivamento da denúncia contra mim, senão eu quero ser processado e julgado rápido. O que eu não quero é a prescrição e a impunidade. Tenho o direito de pleitear a anistia. AT Dizem que o Sr. estaria articulando a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara exatamente para facilitar a anistia. JD Quem sou eu para articular a candidatura do Arlindo. Sou amigo pessoal dele, mas dentro do PT, somos de correntes adversárias. Isso é uma lenda que se criou porque no meu blog eu dei uma opinião de que o PT deve ter candidatura própria à Presidência da Câmara. Não sou presidente do PT, mas sou militante. O PMDB não pode ter a presidência da Câmara e do Senado. E o Arlindo é um nome natural. AT Como é que o senhor se sente hoje do ponto de vista pessoal?... JD Eu me sinto injustiçado e sou um ser humano indignado. O que aconteceu comigo, com o PT, com o presidente... O presidente foi reeleito e o PT está se recuperando. Só a vitória na Bahia já seria bastante, mas elegeu mais quatro. Eu, pessoalmente, tenho experiência, já passei por coisas piores. Eu organizei minha vida familiar e política também. Sou pragmático. Nunca pensei nada a curto prazo. Sempre dois, três anos na frente. Não sofro de angústia. A coisa mais acertada que fiz depois que sai foi o meu blog. Eu leio, me disciplino, tenho contato com 10 mil, 15 mil pessoas do Brasil inteiro. Me custa um pouco, mas vale a pena.
http://br.groups.yahoo.com/group/apoiadores-dozedirceu/
José Dirceu foi cassado sem provas.Esta injustiça precisa ser reparada.
ANISTIA JÁ!
José Dirceu, o ex-ministro da Casa Civil de Lula, esteve ontem em Salvador. Nada de trabalho ou compromissos políticos. Veio passear ou, como disse o próprio, “rever alguns amigos”. Entre eles está o governador eleito, Jaques Wagner, com quem não se encontrou. Nem por isso deixou de ser bastante cortejado por militantes petistas, que o acompanharam em alguns pontos da cidade, como o deputado estadual, líder do MST e futuro secretário do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Valmir Assunção. Dirceu deixou Salvador no final da tarde. Numa entrevista ao repórter Levi Vasconcelos, pouco antes de viajar, disse que a vitória de Jaques Wagner foi a melhor notícia que obteve este ano depois da eleição de Lula. Ele acha que não apenas a Bahia, mas todo o Nordeste, ganhou a condição de reivindicar a realização de obras infraestruturais após o resultado das eleições deste ano porque a maioria dos governadores eleitos é aliada de Lula. Dirceu ressalva que o governo não discriminou a Bahia, como sempre se queixou o governador Paulo Souto. “Não houve investimentos no Brasil inteiro, por falta de dinheiro”, ressaltou. Dirceu se diz tranqüilo, mas se sente injustiçado com a cassação do mandato de deputado federal, há um ano, por conta do escândalo do mensalão. Afirma que a vida dele foi devassada, nada ficou provado, luta para provar a inocência na Justiça e apóia a idéia de um grupo de parlamentares que planejam entrar com um projeto de lei na Câmara dos Deputados para anistiá-lo. ATARDE O que o senhor achou da vitória de Jaques Wagner? JOSÉ DIRCEU Foi a melhor notícia que nós tivemos depois da vitória do Lula nas eleições deste ano. Há muito, o PT estava preparado para governar a Bahia e o Jaques sempre foi o melhor candidato que nós tivemos aqui. É uma vitória histórica, porque derrota um reinado de quase 20 anos de Antonio Carlos Magalhães e do seu grupo político. E é uma oportunidade também, para a Bahia e para o próprio PT, junto com as forças aliadas que deram a vitória a Wagner. Acredito que, com o Lula na presidência e com o Wagner no governo da Bahia, possa haver uma interação, um apoio mútuo maior. Não que o presidente Lula não tenha trabalhado com Paulo Souto. Eu mesmo, quando estava, na Casa Civil encaminhei muitas reivindicações da Bahia, legítimas, mas muda completamente. AT O que efetivamente muda de substancial? JD Acho que houve uma mudança no Nordeste. A vitória do Cid Gomes (Ceará, PSB), a reeleição de Vilma Faria (Rio Grande do Norte, PSB), de Eduardo Campos (Pernambuco, PSB), Marcelo Déda (Sergipe, PT), Wellington Dias (Piauí, PT) e Jaques Wagner na Bahia, criam uma situação nova. Pode haver uma maior integração entre os governos estaduais para defender os interesses do Nordeste junto ao governo federal. Precisamos de mais políticas para o Nordeste, mais investimentos. A questão da infra-estrutura de exportação e do turismo, é fundamental. O desenvolvimento da fruticultura, os grandes empreendimentos siderúrgicos, ferroviários, rodoviários, portuários, petroquímicos, de gás e petróleo... É uma oportunidade.Vejo essa mudança como um sinal dos tempos. A região Nordeste tem uma nova geração (no poder). AT Mas Paulo Souto sempre teve uma grande queixa. Diz que a Bahia foi discriminada, excluída dos projetos infra-estruturais. JD Isso não foi só na Bahia, foi no Brasil. Tanto é que a principal prioridade do segundo mandato do presidente Lula são os investimentos em infra-estrutura. Não aconteceu porque não havia recursos. Com 4,25% de superávit fiscal e com a taxa de juros que nós tínhamos, ficava para investimento zero meio por cento do orçamento, o equivalente a R$ 12,5 bilhões (para o País inteiro) não havia como fazer grandes investimentos. (...) Nunca houve nenhuma discriminação da Bahia. Da parte do presidente, toda a orientação que eu e os ministros recebíamos era no sentido de atender aos pleitos da Bahia até porque tinham o apoio do próprio Jaques Wagner e da bancada do PT. Nunca vi a bancada do PT contra qualquer reivindicação da Bahia. AT Dizem por aqui que, em 2004, o senhor, na condição de ministro, não ajudou a candidatura de Nelson Pelegrino a prefeito de Salvador. JD Pergunta pra ele! Apesar das nossas divergências políticas internas (no PT), ele é testemunha do meu empenho em 2000 e 2004. AT O senhor salvou ACM no episódio do grampo (eleito após ter renunciado em conseqüência do escândalo do painel no Senado, o senador esteve ameaçado de enfrentar novas turbulências com o caso dos grampos telefônicos e se disse na época que o governo ajudou a barrar o caso)? JD Não, isso não é verdade. Eu tive uma relação com o senador Antonio Carlos Magalhães quando era ministro da Casa Civil, era o meu papel, natural, já que havia a possibilidade dele votar com alguns projetos do governo. Havia reivindicações da Bahia, que eram importantes para a Bahia, não eram do PFL, do PT, do PSDB, do PCdoB, do PDT. Estabeleci um diálogo com ele, com o senador Siqueira Campos (PSDB-TO), José Sarney (PMDB-AC), e outros senadores que em alguns projetos importantes votavam com o governo. Não houve nada mais que isso. Não tive nenhuma participação na absolvição do senador. AT Os resultados eleitorais de 2002 e 2006, na sua opinião, apontam para que direção? JD Para o enfraquecimento do PFL e do PSDB. Aliás, isso já aconteceu em 2004. Se você analisar, verá que o PFL perdeu 25% dos seus prefeitos e vereadores. E agora sofreu uma derrota, não no Senado, mas na Câmara. O PT foi bem na Câmara e não no Senado. Elegeu dois senadores de 27 vagas em disputa e 83 deputados entre 513. É evidente que há uma desproporção. Lógico que nós perdemos algumas eleições por pouquíssimo, como é o caso de José Eduardo Dutra (Sergipe). Mas isso não conta. AT E o PT, vai crescer em 2008? JD O PT tende a ter um maior número de prefeitos e vereadores. Mas é óbvio que isso depende do PT também. O PT enfrenta um problema sério, que é uma oposição muito grande da grande mídia. Por exemplo: eu não consigo entender, a não ser como uma tentativa de terceiro turno e um ataque direto ao PT, toda essa celeuma que se criou em torno das contas do comitê do presidente. Primeiro que as empresas não são concessionárias do serviço público. A lei é clara. Não é porque você participa de uma outra empresa que você deixa de existir como empresa. Se fosse assim... É evidente que aquilo foi um exagero. Aí entram as notas fiscais. Foram ver as notas fiscais, eram do PSDB e eram de remessa de mercadorias e não de compra. Os fiscais erraram, mas eles podem errar. O PT é que não pode ter um erro formal de R$ 10 mil numa receita de R$ 94 milhões. Agora se chegou a conclusão que a Tecmar não é a Tecmar que tem a concessão no porto, é outra empresa que tem a mesma marca, embora com CNPJ diferente.Mas pelo estardalhaço que a mídia criou parecia que Lula não ia tomar posse, não ia ter diplomação. O PT foi muito prejudicado. AT Por falar em imprensa, o jornal O Globo publicou na semana passada que o senhor faz grandes negócios internacionais no rastro do governo Lula. Estaria fazendo lobby. JD Esse é um problema sério. Certos setores do mundo político e da mídia não querem deixar eu trabalhar. Faz um ano e meio que estou afastado do governo. Faz um ano que estou cassado. Fizeram tudo para me tirar do governo, me cassaram e agora não querem deixar eu trabalhar. Não tenho nenhum impedimento para exercer a advocacia e nem a função de consultor. Agradeço a propaganda que fazem de mim. Fazem propaganda gratuita, eu não teria nenhuma condição de fazer isso. Mas é mentira. Já reiterei ene vezes que não dou consultoria, não tenho relações profissionais com a Telmex (maior operadora de telefonia da América Latina), que eu tenho conhecimento com eles, relações pessoais. Eu dou consultoria, mas é uma coisa modesta, pequena, para me sustentar, sustentar minha família e fazer minhas atividades políticas, além do meu escritório de advocacia que vai levar dois, três anos para ser um escritório de pequeno para médio, porque isso é um processo. Não há nada de lobby. É uma matéria mesquinha, que me surpreendeu, uma desqualificação do jornalismo porque entrou em coisas da minha vida pessoal que não são verdadeiras, dizendo que eu fiz plástica. Você está vendo aqui? Disseram que tenho um guarda-roupa, que só ando com executivos. Querem destruir minha imagem, me enterrar vivo. Ficam com raiva de mim porque não estou mal, não estou deprimido, querem que eu fique mal, não posso deixar o cabelo maior, não posso tomar sol.... AT A que o Sr. atribui tudo isso? JD (Rindo) Você tem que perguntar pra eles. Sempre disse que eu fui cassado, não pelos meus defeitos ou qualidades, mas pelo que eu represento. Na história política da esquerda, do País. Me cassaram para atingir o PT, atingir o presidente Lula. Eu lutei e vou continuar lutando no Supremo provar minha inocência. Agora não há nada contra mim, acabaram as CPIs, os inquéritos, as investigações, fizeram uma devassa em minha vida, inclusive pessoal, familiar, Imposto de Renda, sigilo bancário, fiscal, telefônico, não encontraram nada. A única acusação que há contra mim é apoiada nas declarações do Roberto Jefferson. E eu considero uma denúncia inepta, que deveria ser arquivada pelo STF. AT O Senhor tem a expectativa de conseguir a anistia? JD Tenho. E há um movimento forte para que eu assuma em fevereiro uma campanha pela minha anistia e há dezenas de deputados que querem apresentar um projeto de lei em prol da minha anistia. AT A iniciativa tem seu apoio? JD Tem. Eu quero fazer isso este ano. Vou defender no Supremo o arquivamento da denúncia contra mim, senão eu quero ser processado e julgado rápido. O que eu não quero é a prescrição e a impunidade. Tenho o direito de pleitear a anistia. AT Dizem que o Sr. estaria articulando a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara exatamente para facilitar a anistia. JD Quem sou eu para articular a candidatura do Arlindo. Sou amigo pessoal dele, mas dentro do PT, somos de correntes adversárias. Isso é uma lenda que se criou porque no meu blog eu dei uma opinião de que o PT deve ter candidatura própria à Presidência da Câmara. Não sou presidente do PT, mas sou militante. O PMDB não pode ter a presidência da Câmara e do Senado. E o Arlindo é um nome natural. AT Como é que o senhor se sente hoje do ponto de vista pessoal?... JD Eu me sinto injustiçado e sou um ser humano indignado. O que aconteceu comigo, com o PT, com o presidente... O presidente foi reeleito e o PT está se recuperando. Só a vitória na Bahia já seria bastante, mas elegeu mais quatro. Eu, pessoalmente, tenho experiência, já passei por coisas piores. Eu organizei minha vida familiar e política também. Sou pragmático. Nunca pensei nada a curto prazo. Sempre dois, três anos na frente. Não sofro de angústia. A coisa mais acertada que fiz depois que sai foi o meu blog. Eu leio, me disciplino, tenho contato com 10 mil, 15 mil pessoas do Brasil inteiro. Me custa um pouco, mas vale a pena.
http://br.groups.yahoo.com/group/apoiadores-dozedirceu/
José Dirceu foi cassado sem provas.Esta injustiça precisa ser reparada.
ANISTIA JÁ!