18 setembro 2005

E pensar que tem gentinha que não quer Lula

presidente




Dieese diz que 79% dos acordos tiveram aumento igual ou acima da inflação

Gazeta Mercantil (19/8/2004)Reajustes são os melhores desde 96


Os reajustes salariais negociados no primeiro semestre deste ano tiveram o melhor resultado desde 1996. Levantamento nacional do Dieese mostra que 79% dos acordos coletivos firmados de janeiro a junho deste ano tiveram reajustes iguais ou superiores à inflação calculada pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do IBGE nos 12 meses anteriores a cada data-base. Dos 264 acordos analisados no primeiro semestre deste ano, 56 (ou 21%) não conseguiram repor a inflação. Os trabalhadores receberam reajustes acima do INPC em 124 acordos (47%). Em 84 outros acordos -ou 32%-, os reajustes foram iguais à inflação. Para fazer o levantamento, o Dieese compara os reajustes com a inflação pelo INPC porque esse é o indicador mais usado nas negociações salariais, além de servir de referência para reajustar o salário mínimo e as aposentadorias. A instituição não divulga o número de trabalhadores incluídos no estudo, mas informa que a amostra é significativa. No primeiro semestre de 2003, apenas em 46% dos acordos os trabalhadores haviam conseguido recuperar a inflação ou obter aumento real. De acordo com o Dieese, esse foi o pior desempenho para o período desde o Plano Real, quando o governo encerrou a política que garantia a reposição automática da inflação. "Apesar de as amostras não serem fixas [149 acordos e convenções coletivas foram analisados de janeiro a junho de 2003, ante 264 em igual período deste ano], pode-se dizer que esse é um dos melhores resultados obtidos nas negociações salariais", afirma Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese. Em 2000, considerado um dos melhores anos para as negociações, 68% dos reajustes firmados no primeiro semestre haviam sido iguais ou superiores à inflação. Na avaliação de técnicos do Dieese, inflação sob controle, juros menores, aumento do emprego e melhora de vários indicadores da economia -principalmente da indústria e do comércio- foram determinantes nas negociações salariais. "O cenário econômico foi mais favorável, e o mercado de trabalho já melhorou. Isso facilita as negociações entre sindicatos e empresários porque a luta pelo emprego dá lugar à luta pelos salários", diz Lúcio. Para José Silvestre de Oliveira, economista e técnico do Dieese, "é mais fácil negociar quando a inflação está entre 5% e 10% do que entre 15% e 20%, como ocorreu no ano passado". No levantamento divulgado ontem, durante o lançamento da "Revista do Dieese" em São Paulo, a instituição informou que os reajustes no setor industrial tiveram o melhor desempenho. Segundo os especialistas, o resultado justifica-se pelo crescimento do setor -de 7,7% no primeiro semestre do ano. O estudo também aponta mudanças na forma de pagar os reajustes. No ano passado, mais de 30% foram pagos em parcelas. De janeiro a junho deste ano, esse percentual caiu para 9,5%.