17 julho 2008

PRESIDENTE LULA
Operação Satiagraha
Lula manda PF divulgar gravação da reunião que decidiu pela saída de Protógenes das Globonews
O Globo Online

BRASÍLIA - A Polícia Federal recebeu ordem para divulgar ainda hoje trechos da gravação da reunião do dia 14 de julho em que foi decidida a saída do delegado Protógenes Queiroz do comando da Operação Satiagraha , que investiga o banqueiro Daniel Dantas. Segundo informações da TV Globo, a divulgação foi ordenada pelo próprio presidente Lula, depois de uma reunião fora da agenda realizada esta manhã com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-interino da Polícia Federal, Romero Lucena Menezes, no palácio do Planalto.
Antes da decisão do presidente, os delegados da PF que defendem a tese de que Protégenes foi afastado do caso contra a sua vontade - já ameaçavam divulgar trechos da gravação da reunião. Na sua edição de ontem,
reportagem do Jornal Nacional mostrou como foi a reunião que afastou o delegado do caso.
O delegado Protógenes e mais dois colegas que estavam à frente da operação vão deixar o caso nesta sexta-feira. A direção da PF e o ministro da Justiça afirmaram que a saída de Queiroz se deve a um pedido dele, que teria de fazer um curso de especialização, exigido para promover delegados com dez anos de profissão. Fontes próximas ao delegado comentaram que sua saída foi resultado de pressão política depois que vieram à tona conversas telefônicas do chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho.
A reunião emergencial de Lula hoje com Genro e o diretor da PF aconteceu um dia após o presidente da República cobrar uma posição de Protógenes Queiroz sobre sua saída. Na quarta-feira, Lula afirmou:
- Esse delegado tem de ficar no caso. Esse cidadão não pode, depois de fazer uma investigação de quase quatro anos, na hora de finalizar o relatório, dizer "eu vou embora fazer meu curso" e ainda dar vazão a insinuações de que ele foi tirado.
Enquanto isso, a Operação Satiagraha avança no judiciário. A Justiça Federal de São Paulo aceitou a denúncia contra o banqueiro Daniel Dantas, seu assessora Humberto José da Rocha Braz e Hugo Chicaroni pela prática do crime de corrupção ativa (
Leia a íntegra da denúncia ). Com isso, eles deixam de ser investigados e se tornam réus no processo, acusados de tentar subornar um delegado da PF. Dos três, apenas Dantas está solto .
Em 8 de julho passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity, do megainvestidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, além de outras 14 pessoas. De acordo com as investigações, que foram um desdobramento do Mensalão, eles são acusados de formação de quadrilha, corrupção ativa, gestão fraudulenta, concessão de empréstimos vedados e evasão de divisas. Nahas é acusado também de uso indevido de informação privilegiada, entre outros crimes. Dantas, por sua vez, foi acusado ainda de tentar subornar policiais para que fosse excluído das investigações.
Lula dá a entender que delegado não podia 'abandonar' o caso
Em entrevista concedida ontem, o presidente Lula deu a entender que o delegado não poderia 'abandonar' um caso ao qual dedicou tanto tempo. Segundo Lula, Protógenes disse a seus superiores que só conseguiria concluir o relatório nos finais de semana, enquanto estivesse de folga do curso que reciclagem que está participando em Brasília. Oficialmente, ele se afastou das investigações para concluir esse curso obrigatório para agentes com mais de dez anos de serviço.
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- A única coisa que queremos neste caso é responsabilidade. Vender insinuações é que não é correto - disse Lula, para quem Protógenes Queiroz tem obrigação "moral" de concluir o relatório depois de ter conduzido as investigações por quatro anos.
- Esse delegado tem de ficar no caso. Esse cidadão não pode, depois de fazer uma investigação de quase quatro anos, depois de apurar, depois de fazer todas as coisas que foram feitas no processo, na hora de finalizar o relatório, dizer "eu vou embora fazer meu curso", deixar para outro e ainda dar vazão a insinuações de que ele foi tirado - afirmou.
Lula contou já ter conversado com o ministro da Justiça, Tarso Genro, sobre o assunto. O ministro afirmou que a saída do delegado não é conveniente. O presidente deseja que o delegado declare publicamente se quer deixar as investigações.
- Passar a idéia de que foi afastado é má-fé.
Perguntado se a informação passada pelo seu chefe de gabinete Gilberto Carvalho a Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do banqueiro Daniel Dantas, preso na operação da PF, deixaria seu chefe de gabinete em posição delicada, Lula defendeu o subordinado.
- Se você ligar para mim, quem vai atender o telefone é o Gilberto. Peça a Deus que o telefone não esteja gravado - ironizou o presidente.
Assim o presidente Lula acaba com as mentiras,com as ilações da mídia.