13 abril 2014

Paulino, do Datafolha: "oposição não convenceu"

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À frente do instituto Datafolha, o sociólogo Mauro Paulino afirma que as eleições de 2014 serão imprevisíveis e que os candidatos Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB, ainda têm o desafio de construir um discurso que conquiste o eleitor; a vitória de Dilma, na sua visão, não está assegurada, uma vez que seus índices de ótimo e bom, de 36%, estariam muito perto de uma zona de risco; Paulino
247 - Uma semana depois de uma polêmica pesquisa, que apontou queda de seis pontos da presidente Dilma Rousseff, o sociólogo Mauro Paulino, diretor do Datafolha, concedeu uma entrevista ao jornalista Otávio Cabral, em que falou da imprevisibilidade das eleições de 2014. Um dos principais motivos será a Copa do Mundo de 2014, em que estará em jogo o "orgulho de ser brasileiro", dada a posição do Brasil como anfitrião.
Segundo ele, uma Copa, em condições normais, não influencia uma eleição. Mas, desta vez, é diferente, diz ele. "O que importa agora não é o desempenho do Neymar, mas a organização, o sucesso ou o fracasso do Brasil como anfitrião", diz ele. "Outra coisa a levar em conta é a possibilidade de haver novas manifestações".
Paulino diz que a posição da presidente Dilma Rousseff, com 36% de ótimo e bom, não é confortável. Segundo ele, um estudo apontou que um "limite mínimo de ótimo e bom para um governante se reeleger é de 34%". Ou seja: a presidente estaria perto do nível mínimo de segurança.
No entanto, segundo Paulino, Aécio Campos e Eduardo Campos ainda não se mostraram como alternativas viáveis. "A oposição não se apresentou ainda. Ou digamos que, no pouco que apresentou, não convenceu".
Paulino afirma que Eduardo Campos tem mais espaço para crescer do que Aécio Neves, uma vez que Marina Silva é um cabo eleitoral melhor do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas diz que o PSDB, com mais estados e uma máquina partidária mais robusta, representa uma plataforma melhor de lançamento para Aécio.
Sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele diz que o movimento "Volta, Lula" é absolutamente natural. "[Ele] poderia captar a memória afetiva do seu governo e, ao mesmo tempo, encarnar esse espírito de mudança".