247 – O governo da presidente Dilma Rousseff
pode ter alcançado, nesta quinta-feira 23, seu ponto de inflexão. O
anúncio da antecipação para outubro do leilão internacional, aberto pela
ANP, para o campo de Libra, cujas reservas são estimadas em até 42
bilhões de barris, deverá provocar uma repercussão econômica bilionária.
Trata-se, afinal, do maior campo do País – Lula, que era até aqui o
principal, contém reservas de 8 bilhões de barris recuperáveis –, o
primeiro do Pré-Sal a ir a martelo e um dos mais expressivos do mundo,
com 30% de óleo recuperável (13,5 bilhões de barris).
Em maio, o 9º leilão da ANP bateu o recorde de arrecadação ao apurar
US$ 2,5 bilhões pela concessão de 270 blocos de exploração espalhados em
nove setores. Em setembro, o Libra vai oferecer 289 blocos. Há a
expecativa pela participação de mais de 60 companhias nacionais,
estrangeiras e consórcios e quebra de recorde de arrecadação.
O leilão de Libra é capaz de tirar da oposição a Dilma uma bandeira
imponente. A revista Exame, do grupo Abril, dedicou sua capa de maio a
uma iminente quebra da Petrobras (abaixo), que teria se iniciado na
gestão do ex-presidente Lula e estaria sendo completada agora. Na semana
passada, no entanto, a companhia estatal de petróleo teve um largo
gesto de reconhecimento do mercado internacional, ao arrecadar US$ 11
bilhões, num só dia, com o lançamento de bônus para pagamento posterior.
A compra dos títulos mostrou investidores que acreditam na capacidade
de pagamentos da companhia – e recheou os cofres da Petrobras. Eles
serão reforçados, em setembro, pela arrecadação do leilão de Libra nos
exatos moldes sugeridos tanto pela publicação da Abril, como pelo
principal partido de oposição, o PSDB.
Em seminário sobre o presente e o futuro da Petrobras, os tucanos
recomendaram a reabertura de licitações de campos de petróleo para
dinamizar o setor. A ANP fará seu leilão em regime de partilha com a
Petrobras. O modelo poderá ser criticado, mas, nesse caso, vai se tratar
muito mais de uma questão ideológica – a da presença do Estado em todas
as etapas da exploração do Pré-Sal --, do que administrativa, uma vez
que a estatal estará, efetivamente, abrindo espaço para quem quiser ter a
sua parceria. O certo é que, pela extensão da descoberta, haverá muito
dinheiro correndo para o campo do governo.
"É uma descoberta singular, inimaginável", saudou uma nitidamente
emocionada Magda Chambriand (foto abaixo), diretora-geral da ANP. "Com
os dados que temos até o momento, o volume está mais para 42 bilhões do
que para 26 bilhões", afirmou. Com uma recuperação estimada em 30% do
volume total, a perspectiva "é que Libra seja capaz de produzir de 8 a
12 bilhões de barris de petróleo. É a maior descoberta que fizemos com
os dados que temos até o momento", frisou.