07 Julho 2011

Simpatia e Identidade Partidária


Ao contrário do que muita gente pensa, a proporção de eleitores brasileiros que se identificam com algum partido pode ser considerada elevada. Já foi o tempo em que era avassaladora a maioria dos que não tinham afinidade com nenhum.
Comparações internacionais relevantes são difíceis. Cada país tem sua história, seus partidos e seu tipo de participação política. Fundamental, por exemplo, é a distinção entre aqueles onde o voto é universal e obrigatório, como o Brasil, e aqueles onde é facultativo, como na maior parte dos desenvolvidos.
Melhor é comparar nossa situação de agora com a do passado. Fazendo isso, podemos ver com mais clareza como e em que estamos mudando.
No começo do século passado, éramos um sistema político tão limitado e restritivo que nem fazia sentido a pergunta a respeito de identidades partidárias. Os partidos que tínhamos pouco mais eram que grupos regionais de interesse, dos quais participavam algumas centenas de indivíduos, quase todos recrutados nas oligarquias econômicas locais e em setores satélites (profissionais liberais, burocratas, intelectuais, magistrados, juristas).
As diferenças sociais e programáticas entre, por exemplo, os diversos Partidos Republicanos (Paulista, Mineiro, etc.), eram irrelevantes. No sentido mais literal, eram todos farinha do mesmo saco, em suas bases, quadros, ideias, discurso e propostas.
Há 100 anos, Hermes da Fonseca (gaúcho, concorrendo pelo Partido Republicano Mineiro) venceu a eleição presidencial com 400 mil votos, ficando Ruy Barbosa (baiano, candidato do Partido Republicano Paulista) em segundo, com 220 mil.
Apenas Hermes obteve os votos hoje necessários para garantir a eleição de um deputado federal em São Paulo. Com os seus, Ruy conseguiria ser deputado em Minas e no Rio (por pouco).
50 anos depois, no apagar das luzes da República de 1945 - o mais celebrado período democrático de nossa história - Jânio Quadros se saiu vitorioso na eleição presidencial de 1960 com 5,6 milhões de votos, acima dos 3,8 milhões de Lott e dos 2,1 de Adhemar. Juntos, receberam 11,5 milhões de votos. Menos que aqueles que Geraldo Alckmin obteve ano passado, quando ganhou as eleições para governador. Com a votação que alcançou no país inteiro, Jânio não derrotaria Antonio Anastasia em Minas Gerais.
Se o universo de votantes era tão menor, o que dizer das identidades partidárias. Por mais festejados que ainda sejam partidos como PSD, UDN e PTB, seriam pequenos, se comparados aos de agora. Nosso sistema político e partidário cresceu tanto, em termos quantitativos, que mudou qualitativamente.
As pesquisas de opinião chegam a resultados diferentes na aferição do fenômeno, pela simples razão de que fazem perguntas diferentes. Uma coisa é simpatia, outra identificação, ainda outra afinidade.
Em uma recente pesquisa nacional da Vox Populi, que quis saber a simpatia, 56% dos entrevistados disseram, espontaneamente, o nome de um partido. Em outras palavras, menos da metade dos eleitores não simpatizaria com, pelo menos, um dos existentes.
De longe, o PT é o maior: 32% dos pesquisados afirmaram simpatizar com ele. Se pensássemos no conjunto do eleitorado, isso equivaleria a mais de 43 milhões de pessoas. Um contingente respeitável.
No primeiro turno, Dilma teve 47,6 milhões de votos, apenas 10% a mais que os simpatizantes de seu partido. No segundo, foi a 55 milhões, ainda perto do que seria a base partidária de sua candidatura.
Com 10% de eleitores que com ele simpatizam, a base do PMDB seria de cerca de 13 milhões de pessoas. O PSDB vem a seguir, com 6%, ou seja, 8 milhões. Nada irrelevante, o PV está em quarto (com 2,5% do eleitorado, o que equivale a quase 4 milhões de simpatizantes), muito em função do desempenho de Marina nas últimas eleições.
Olhando números como esses, é difícil entender o pequeno esforço mobilizador que nossos partidos fazem, à exceção do PT (que, mesmo no seu caso, poderia ser maior). Salvo uma ou outra manifestação retórica e as costumeiras conclamações à filiação sem consequências práticas, eles tendem a olhar apenas para dentro de si mesmos.
Parece que seus dirigentes e quadros só se interessam pela vida interior, nas brigas pelo poder e o controle de recursos que ele enseja.
No fim das contas, não é por que a população os rejeita que nossos partidos são pouco enraizados. Eles é que nada fazem para transformar simpatias em afinidades mais sólidas.
Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Relatório recomenda aos EUA apoio ao Brasil por vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU

Fernando Eichenberg, O Globo

“As pretensões brasileiras de obter uma vaga permanente no Conselho de Segurança (CS) da ONU foram o principal ponto de dissensão nos debates do aguardado relatório sobre o Brasil elaborado pelo Council on Foreign Relations (CFR), um dos mais prestigiados e influentes centros de estudos americanos, com divulgação prevista para breve e ao qual O GLOBO teve acesso. O documento recomenda que o governo Barack Obama "apoie totalmente" o Brasil como um membro permanente do CS, e que incentive negociações com esse objetivo.

"Um endosso formal para o Brasil contribuiria muito para superar a suspeita remanescente dentro do governo brasileiro de que o compromisso dos EUA com uma relação madura entre iguais é em grande parte retórica. (...) Há pouco a perder e muito a ganhar com o apoio americano oficial a um assento brasileiro permanente neste momento", diz o texto prévio do "Independent Task Force on Brazil" (Força-Tarefa Independente sobre o Brasil), dirigido por Julia Sweig, reputada especialista em América Latina do CFR.

Num adendo, porém, nove dos cerca de 30 colaboradores do documento discordaram dos termos escolhidos e apresentaram nuances à forma do apoio americano. O grupo dissidente reconhece os méritos da demanda de Brasília, mas acredita que uma abordagem "mais gradual" seria mais eficaz em meio às complexidades diplomáticas no caso de um firme apoio americano. O grupo teme que um declarado endosso de Washington - como foi feito na visita de Obama à Índia, em relação as mesmas ambições de Nova Délhi - poderia ter repercussões adversas imediatas na América Latina e causar problemas para os EUA nas relações com aliados na região. Os dissidentes aprovam o tom aberto e menos conclusivo da declaração feita por Obama no Brasil, em março, e aconselham consultas prévias ao Congresso americano como a estratégia mais adequada para pavimentar com sucesso o caminho brasileiro na busca da vaga permanente.”
Matéria Completa, ::Aqui::
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06 Julho 2011

À beira de um ataque de nervos


Ilimar Franco, O Globo

A cena aconteceu no gabinete do líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). José Serra entra na sala e aborda o presidente mineiro dos tucanos, deputado Marcus Pestana.

Serra atacou: "Nós somos amigos! Você fica falando mal de mim! Você vai sossegar agora."

Pestana reagiu: "Você tá doido!"

O bate-boca não parou aí. Foi preciso que a turma do deixa-disso entrasse em campo para abafar o acalorado embate. Na plateia, uns 20 parlamentares tucanos.

BLOGUEIRO ABESTALHADO

Li no blog de um abestalhado que o PT aparelhou a mídia. Notem a imbecilidade do infeliz. Durante 18 anos a mídia escondeu o tal filho que FHC tivera com a jornalista Miriam Dutra, da Globo. O próprio FHC disse que confessou a sua esposa, Ruth Cardoso, que havia um filho fora do casamento; contou com medo de que esse fato atrapalhasse a sua eleição para presidente. Diz agora o blogueiro abestalhado que os petistas que "caluniaram” FHC se calam e que a mídia não dá destaque ao fato de o exame de DNA ter resultado negativo. Ora, haja paciência! Como os petistas iriam imaginar que FHC fora enganado pela jornalista? FHC assumiu a paternidade com a certeza de que o filho era dele, como a jornalista afirmava. Virou a tal história que o corno é sempre o último a saber. Agora ficou ruim para a mídia, que escondeu essa tragicomédia por 18 anos para proteger FHC, ficar noticiando que ele é um corno da amante. Aliás, não foi somente a Globo que a escondeu. A informação sobre o filho de FHC circulou por todas as redações naquele período, mas ninguém da mídia teve a coragem de divulgar a notícia. Era assunto proibido nas redações dos jornalões e revistas. Diziam que era assunto pessoal. A mídia vai esquecer esse assunto e vai continuar a proteger FHC e o PSDB. Os petistas não caluniaram FHC, ele mesmo assumiu essa paternidade. Como FHC, os petistas foram enganados, foram os últimos a saber que o filho de FHC não era dele. Agora caberia à jornalista Miriam Dutra dizer quem é o pai biológico do rapaz, se é que ela sabe. Esse é o tipo de situação que quanto mais mexe mais fede. Será que esse blogueiro abestalhado entendeu ou vou ter que desenhar?
Jussara Seixas

CHARGE DO BESSINHA

Estudo prevê: país cresce em 2011 e 2012

Image"Em poucos anos, o Brasil terá menos pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza que os EUA", afirmou Marcial Portela, presidente do Santander no Brasil ao divulgar as projeções do estudo aos jornalistas.

Elas indicam que o crescimento brasileiro este ano será de 3,7% e em 2012 de 4% - índice pouco inferior aos 4,5% estimados para os dois anos pelas autoridades econômicas brasileiras. Esse estudo do Santander prevê uma inflação de 6,2% este ano e de 5,1% no ano que vem.

"As taxas de crescimento no Brasil devem garantir o fortalecimento da classe C. O fenômeno da classe média brasileira é impressionante. O país deve ter um ingresso de 25 milhões de pessoas no sistema bancário nos próximos anos, advindas dessas camadas de renda mais baixas", completou Portela.

Segundo José Juan Ruiz, diretor do Santander para a América, por estes estudos, e a prosseguirem no ritmo atual, os países emergentes deverão superar taxas de crescimento de vários desenvolvidos daqui a quatro anos, já em 2015.

Brasil Sem Miséria começa com marca histórica

A divulgação dos estudos do Santander coincide com o anúncio, pelo governo federal, de que inicia, pelo interior da Bahia e de Minas, o censo de pequenos proprietários rurais que ainda vivam em situação de absoluta carência para torná-los beneficiários do Brasil Sem Miséria, o programa do governo Dilma Rousseff que vai contemplar 16,2 milhões de pessoas.

Vejam que no deslanche do programa há até uma inversão histórica no Brasil: antes era a população mais carente que recorria ao Estado. Agora é este que vai ao encontro dela para cadastrá-la, torná-la beneficiária de projetos sociais e incluí-la nos programas de distribuição de renda.
Foto: Wilson Dias/ ABr

Publicado, hoje, no Blog do Zé Dirceu: http://www.zedirceu.com.br/index.php

Copa de 2014 movimentará mais de R$ 110 bilhões em investimentos, impostos, consumo e turismo

Pedro Peduzzi, Agência Brasil

“Sediar a Copa de 2014 renderá R$ 47 bilhões ao Brasil em impostos diretos. Com outros tributos, serão arrecadados mais R$ 16 bilhões. O aumento do consumo agregará R$ 5 bilhões à economia brasileira. Já os cerca de 600 mil turistas estrangeiros esperados para a competição deverão deixar no país quase R$ 4 bilhões, enquanto os 3 milhões de turistas brasileiros que aproveitarão a Copa para viajar deverão gastar R$ 5,5 bilhões. Esse dinheiro, somado ao que será investido em obras de infraestrutura públicas e privadas e pelo setor de serviços, representará para a economia brasileira incremento de mais de R$ 110 bilhões.

Os números foram apresentados hoje (5) pelo assessor especial do Ministério do Esporte, Ricardo Gomyde, no 2º Fórum Legislativo das Cidades-Sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014. O fórum tem como objetivo mobilizar o Poder Legislativo nos níveis federal, estadual e municipal para debater desafios, metas e estratégias relacionadas à competição.

Gomide disse ainda que, de acordo com as projeções do ministério, serão criados nos próximos três anos 332 mil empregos permanentes e, em 2014, 381 mil empregos temporários. Parte desses empregos será consequência dos R$ 23 bilhões que devem ser investidos em obras de infraestrutura relacionadas à Copa e dos R$ 10 bilhões previstos para o setor de serviços.

Brasília é a sexta cidade a receber o fórum, após Fortaleza, Recife, Curitiba, Belo Horizonte e Manaus. Até outubro, todas as 12 cidades-sede serão visitadas pelos integrantes do fórum.”
http://nogueirajr.blogspot.com/

05 Julho 2011

Governo vai lançar selo de qualidade para trabalho em canaviais

Folha Online

O governo vai lançar um selo atestando boas condições de trabalho nos canaviais a usinas de álcool e açúcar que forem aprovadas em auditoria específica.

A medida é mais uma etapa do "compromisso nacional da cana", lançado em junho de 2009 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que foi avaliado nesta segunda-feira durante reunião do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) com representantes de empresários e trabalhadores.

Para receber o selo, as usinas terão que passar por uma auditoria comprovando que colocam em prática as ações definidas no compromisso. O Palácio do Planalto deve lançar o edital para definir a auditoria na próxima semana.

O acordo foi criado para aperfeiçoar as condições de trabalho nos canaviais e é de adesão voluntária.

O texto prevê, entre outros pontos, a contratação direta (o que acabaria com a terceirização), transporte seguro e gratuito e fornecimento de água potável e equipamentos de proteção individual aos trabalhadores. Alguns deles já estão previstos na legislação em vigor. Das mais de 400 usinas do país, mais de 300 aderiram ao programa.

No final de seu governo, o ex-presidente usou o compromisso para fazer propaganda do álcool combustível brasileiro no exterior.

O assessor especial da Secretaria-Geral, Antonio Feijoó, lembrou que o selo pode facilitar as exportações do etanol brasileiro.

Segundo o presidente da Federação dos Empregados Rurais Assalariados de São Paulo, Elio Neves, houve avanços nos canaviais, mas ainda há muitas melhorias a serem implantadas. "Há uma tradição de modo geral de descumprimento de direitos. Salvo exceções, os empresários acabam diminuindo custos desrespeitando os trabalhadores."

Histórias de Canções

Assistam, compareçam, vale a pena ouvir as músicas, e as histórias de bastidores contadas por Wagner Homem  autor dos livros

9 de julho – 22 h



Histórias de Canções – Toquinho ( Voz e violão: Bruno De La Rosa)



16 e 23 de julho – 22 h



Histórias de Canções – Chico Buarque (Voz e violão: Rogerio Silva)



Café Paon

Av. Pavão, 950 – Moema

São Paulo

Itamar coloca Fernando Henrique Cardoso em seu devido lugar (subalterno) na história

E a imprensa privada (privada nos dois sentidos, tá?) insiste em dizer que o sociólogo FHC (que nunca fez uma conta na vida) é autor do Plano Real.
Que eu saiba, o sociólogo FHC quebrou o Brasil três vezes e foi três vezes ao FMI, além de uma apagão de 9 meses em 1994 e de ter edificado uma política externa de TIRAR OS SAPATOS, quando seu chanceler, Celso Lafer, tirou os sapatos em um aeroporto dos EUA, a mando de um funcionário subalterno daquele País. A mídia corrupta e colonizada e a nossa elite igualmente colonizada consideraram irrelevante o episódio, por falta de vergonha na cara. FHC vai ficar no limbo da história. Sua obra foi péssima. Basta dar tempo ao tempo.
Abraço, Davis Sena Filho.
Vejam o vídeo abaixo:

04 Julho 2011

Preconceito de homofóbico o faz chafurdar no ódio

PELA 1ª VEZ, MINISTRO CONHECIDO POR CITAÇÕES POÉTICAS E VOTOS PROGRESSISTAS NO STF DEFENDE PUBLICAMENTE A CRIMINALIZAÇÃO DA HOMOFOBIA

FELIPE SELIGMAN

JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA

Conhecido por citações poéticas e votos progressistas, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto, 68, defende, pela primeira vez publicamente, a criminalização da homofobia, ao entender que quem a pratica "chafurda no lamaçal do ódio".
Protestos de congressistas da bancada evangélica acabaram paralisando a tramitação do projeto de lei anti-homofobia, que está estacionado há dois meses no Senado.
Para o ministro, não são necessárias novas leis para garantir aos casais gays os mesmos direitos dos heterossexuais já que a Constituição é "autoaplicável".
Em entrevista concedida à Folha na beira do lago Paranoá, em Brasília, Ayres Britto disse que vê o debate sobre as drogas como uma questão de "saúde pública".
Afirmou ainda que "se nós, os homens, engravidássemos, a autorização para a interrupção da gravidez de feto anencéfalo estaria normatizada desde sempre".


FOLHA - O STF tem sido acusado de usurpar a competência do Legislativo. O sr. concorda com essa afirmação?
CARLOS AYRES BRITTO
- Não concordo. Veementemente respondo que o Supremo não tem usurpado função legislativa, principalmente do Congresso. O que o STF tem feito é interpretar a Constituição à luz da sua densa principiologia. O parágrafo 2º do artigo 5º autoriza o Judiciário a resolver controvérsias a partir de direitos e garantias implícitos.

E por que essa crítica ao STF?
As pessoas não percebem que os princípios também são normas e com potencialidade de, por si mesmos, resolver casos concretos quando os princípios constitucionais têm os seus elementos conceituais lançados pela própria Constituição. O Judiciário está autorizado a dispensar a mediação do Legislativo, porque, na matéria, a Constituição se faz autoaplicável.

No caso das uniões estáveis homoafetivas isso aconteceu?
Aconteceu, fizemos o saque de princípios constitucionais, tanto expressos quanto implícitos. Como fizemos quando proibimos o nepotismo no Judiciário e nos demais poderes. Porque o nepotismo é contrário a princípios constitucionais, até explícitos, como o princípio da moralidade. E cumprimos bem com o nosso dever: tiramos a Constituição do papel. Também no caso da homoafetividade, interpretamos os artigos da Constituição na matéria à luz de princípios como igualdade, liberdade, combate ao preconceito e pluralismo.

Qualquer nova lei virá confirmar o que foi decidido, mas nunca para criar regra diferente do que foi debatido?
Exatamente. A isonomia entre uniões estáveis heteroafetivas e homoafetivas é para todos os fins e efeitos. Em linha de princípio, é isso. Assim foi pedido pela Procuradoria-Geral da República quando propôs a ação. Não pode haver legislação infraconstitucional, parece evidente, que amesquinhe ou nulifique essa isonomia.

O que exatamente o STF decidiu sobre homoafetividade?
Pela possibilidade da união estável entre pessoas do mesmo sexo. Possibilidade jurídica, lógico. Em igualdade de condições com as uniões estáveis dos casais heterossexuais. União estável com a força de constituir uma entidade familiar.

Qual a diferença entre a decisão que negou a união estável em Goiânia e a que permitiu o casamento civil em Jacareí?
Como desfrutam de independência técnica, além da política, os magistrados são livres para equacionar juridicamente as controvérsias, desde que fundamentem tecnicamente suas decisões. Natural, portanto, que dois juízes projetem sobre a mesma causa um olhar interpretativo descoincidente, cabendo às partes insatisfeitas os devidos recursos ou, quem sabe, reclamações para o próprio Supremo.

Sem entrar no mérito de decisões específicas, qualquer decisão que diferencie a relação entre o homossexual e o heterossexual vai contra o STF?
Sim. A decisão foi claramente no sentido da igualdade de situações entre os parceiros do mesmo sexo e casais de sexos diferentes.

O Congresso precisa fazer alguma lei complementar?
Entendo que a Constituição é autoaplicável na matéria. Entretanto, há aspectos de minúcias que ficam à disposição da lei comum.

A questão deve voltar ao STF?
A Constituição atual, caracterizando-se como redentora dos direitos e garantias, e não como redutora, estimulou muito a judicialização das controvérsias, inclusive as de natureza política. Daí a expectativa de que a matéria tem potencialidade para retornar ao tribunal.

O sr. é a favor de criminalizar a homofobia?
Tenho [para mim] que sim. O homofóbico exacerba tanto o seu preconceito que o faz chafurdar no lamaçal do ódio. E o fato é que os crimes de ódio estão a meio palmo dos crimes de sangue.

Recentemente o STF decidiu sobre o direito de organização para a defesa da legalização da maconha. Será assim para todas as marchas?
A decisão se circunscreveu à chamada Marcha da Maconha, mas os respectivos fundamentos se prestam para a discussão a céu aberto de toda e qualquer política de criminalização das demais substâncias entorpecentes.

O sr. tem opinião sobre o tema?
Minha inclinação pessoal é para ver o tema como uma focada questão de saúde pública. Me inquieta o fato de que temos tantas leis de endurecimento da resposta punitiva do Estado e, no entanto, a produção, o tráfico e o uso de tais substâncias não param de crescer.

Outro tema polêmico é o do aborto em caso de feto anencéfalo. O sr. já expôs opinião favorável à prática, certo?
No voto que proferi na discussão sobre o cabimento da ADPF [ação que trata do tema] manifestei opinião de que se nós, homens, engravidássemos, a autorização para a interrupção da gravidez de feto anencéfalo estaria normatizada desde sempre.

Lula é aplaudido, e Collor recebe vaias no velório de Itamar

O ex-presidente Lula, ao lado de senadores, presta homenagem no velório de Itamar Franco. Foto: José Guilherme Camargo/Especial para Terra
  Lula, cercado de senadores, presta homenagem a Itamar Franco
Foto: José Guilherme Camargo/Especial para Terra

José Guilherme Camargo
Direto de Juiz de Fora
Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello tiveram recepções antagônicas, no início da tarde deste domingo, por parte da população que aguardava a abertura dos portões para o velório do ex-presidente e senador Itamar Franco (PPS-MG). Na chegada do comboio das autoridades políticas à Câmara Municipal de Juiz de Fora (MG), Lula foi aplaudido pela multidão, enquanto Collor foi recebido com vaias.
Além de Lula e Collor, estão presentes ao velório de Itamar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o vice-presidente da República, Michel Temer, além de ministros, senadores e deputados federais.
Itamar chegou a Juiz de Fora por volta das 10h25, após ser levado de São Paulo a bordo de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Na cidade mineira, o caixão deixou o aeroporto em carro aberto, sob escolta de batedores, e chegou às 11h15 à Câmara Municipal. Músicos do Exército executaram o toque presidencial enquanto o corpo era carregado para o interior do palácio, onde dois Dragões da Inconfidência ficam de guarda junto à porta.
O velório teve início às 11h29, somente para familiares, amigos e autoridades. Depois será liberado para a população que espera ansiosa em frente à Câmara. Segundo o major da PM, Alexandre Nocelli, pelo menos 300 pessoas esperam para ver pela última vez o ex-presidente Itamar Franco. De acordo com o major, 600 policiais prestam apoio na segurança do trajeto do corpo até a Câmara. "Tudo ocorre com normalidade", disse o major.
O aposentado Adão de Assis Ferreira, 47 anos, foi o primeiro a chegar à Câmara Municipal para ver o corpo do Itamar Franco. Ele chegou às 7h30 da manhã. "Vim prestar uma homenagem ao nosso querido Itamar Franco. Eu sou habitante de Juiz de Fora há 40 anos, tive a oportunidade de ir em vários showmícios dele, ele era muito simpático com todo mundo. Foi um ótimo presidente, prefeito e agora senador. Eu fico muito grato por tudo o que ele fez de bom para nós brasileiros. Fico muito feliz por estar aqui na despedida dele", disse.
Na manhã de segunda-feira, por volta das 8h, o corpo segue para Belo Horizonte (MG), onde acontece novo velório, no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. De lá, segue para Contagem, a cerca 25 km da capital mineira, onde acontece a cerimônia de cremação, no mesmo local em que o ex-vice-presidente José Alencar foi cremado.
Itamar Franco morreu na manhã de sábado, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ele estava internado desde o dia 21 de maio, para tratamento de leucemia. O estado de saúde de Itamar piorou na sexta-feira, quando ele passou a respirar com a ajuda de aparelhos. Nesta semana, o senador foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital com um quadro de pneumonia.

Terra

03 Julho 2011

CHARGE DO BESSINHA

KÁTIA ABREU A RAINHA DO DESMATAMENTO

A senadora Kátia Abreu (TO): na mira da fiscalização - Foto: / Arquivo


 



Críticos do Código Florestal já foram multados pelo Ibama
O Globo 
BRASÍLIA - Parlamentares integrantes da bancada que critica o atual Código Florestal e defende mudanças para que os produtores rurais não sejam prejudicados por regras que não podem cumprir já foram autuados pelo Ibama. Pelo menos seis parlamentares receberam multas no valor total de R$ 3 milhões. O maior devedor do órgão ambiental é o senador Ivo Cassol (PP-RO): R$ 1,6 milhão. A presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que lidera a pressão pela reforma do Código, também entrou na mira dos fiscais do meio ambiente. Uma fazenda da família dela foi autuada duas vezes por desmatamento ilegal em áreas protegidas.

CHARGE DO BESSINHA

Falta de reconhecimento foi motivo de mágoa até o fim

"Quando morrer, talvez me façam justiça", disse Itamar a amigo que lhe telefonou quando estava no hospital

JOSIAS DE SOUZA
DE BRASÍLIA

O presidente Itamar Franco levou para o túmulo uma mágoa. Resumiu-a em diálogo com um amigo mineiro: "Quando morrer, talvez me façam justiça".
Ex-auxiliar de Itamar na Presidência, o amigo tocara o telefone para o hospital, no início de junho, com o propósito de animá-lo.
Tirou-o do sério ao injetar na conversa uma menção às homenagens que o PSDB organizava para marcar os 80 anos de FHC.
"Se não fosse por mim, o Fernando Henrique seria hoje um professor universitário", reagiu. "Já fiz 80. Quem se lembrou?" Itamar fez aniversário dez dias depois de FHC. Completou 81 anos em 28 de junho. Na véspera, fora transferido para a UTI.
Morreu sem curar os ciúmes que nutria pelo seu ministro da Fazenda que ajudou-o a transformar-se no improvável que deu certo.
Tão certo que desceu ao verbete da enciclopédia como primeiro presidente civil a eleger o sucessor desde Arthur Bernardes.
Itamar queixava-se de não ser reconhecido como alguém que fez o sucessor. Pior: era como se FHC tivesse feito o antecessor, salvando-o do desastre.
Vice de Fernando Collor de Mello, virou presidente nas pegadas do impeachment. Nos primeiros cinco meses, teve três ministros da Fazenda. Gustavo Krause e Paulo Haddad duraram 75 dias cada. Eliseu Resende, 79.
Os ventos começaram a virar em 19 de maio de 1993. Fernando Henrique encontrava-se em Nova York. Itamar telefonou. "Você aceita ser ministro da Fazenda?"
Dois dias depois, já de volta ao Brasil, FHC assumiu a gerência da inflação. Antes, tinha horizontes curtos. Daí a mágoa de Itamar.
Afora a Fazenda, deu a FHC autonomia para montar a equipe que formulou os alicerces do Plano Real, base do palanque presidencial. Deu-lhe um horizonte.
Passados no filtro do tempo, viraram detalhes a ranhetice, o Fusca, os namoros, o Carnaval ao lado da mulher sem calcinha, pelo menos uma ameaça de renúncia...
Já recolhido à UTI, Itamar aguardava pela morte que, segundo a expectativa manifestada ao amigo, pode trazer-lhe o reconhecimento.

02 Julho 2011

CHARGE DO BESSINHA

Após decisão de Dilma, ministro afasta cúpula dos Transportes

O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, divulgou nota em que confirma o afastamento de quatro servidores da cúpula do órgão.
O afastamento foi determinado pela Dilma Rousseff na manhã deste sábado.
Segundo reportagem da revista "Veja", representantes do PR, partido que comanda os Transportes, funcionários do ministério e de órgãos vinculados à pasta montaram um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por empreiteiras.
Entre os citados estão o próprio chefe de gabinete do ministro, Mauro Barbosa, o assessor do ministério, Luiz Tito, o diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, e o presidente da estatal Valec, José Francisco, o Juquinha.
Dilma conversou com Nascimento por telefone dando a ordem.
Na nota, Nascimento diz que "rechaça, com veemência, qualquer ilação ou relato de que tenha autorizado, endossado ou sido conivente com a prática de quaisquer atos político-partidário envolvendo ações e projetos do Ministério dos Transportes".

MORRE O PAI DO REAL: EX PRESIDENTE ITAMAR FRANCO

Itamar Franco, presidente da República de 1993 a 1994, morreu aos 81 anos neste sábado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, onde estava internado desde o dia 21 de maio, quando foi diagnosticado com leucemia.
Segundo o hospital, Itamar morreu às 10h15 após acidente vascular cerebral. O corpo será transferido para Juiz de Fora (MG), para ser velado e depois para Belo Horizonte, onde por desejo do presidente, o corpo será cremado, após receber homenagens no Palácio da Liberdade.
Eleito senador pelo PPS de Minas Gerais no ano passado, Itamar estava licenciado do cargo desde que foi internado em maio.

01 Julho 2011

Lula vai virar enredo da Gaviões Fiel no Carnaval de 2012

A escola de samba Gaviões da Fiel anunciou que o enredo do próximo Carnaval vai homenagear o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O enredo será "Verás que um filho fiel não foge à luta. Lula o retrato de uma nação".
O anúncio da escolha do enredo aconteceu nesta sexta-feira, dia em que a Gaviões completa 42 anos.
Robson Ventura - 31. ago.10/Folhapress
Lula recebe o título de "Torcedor Simbolo do Centenario" no Salão Nobre do Parque São Jorge, em São Paulo
Lula recebe o título de "Torcedor Simbolo do Centenario" no Salão Nobre do Parque São Jorge, em São Paulo
Em nota, a agremiação afirmou que três possibilidades de enredo estavam sendo trabalhadas até recentemente. Com o tema escolhido, a escola quer "prestar uma homenagem ao povo brasileiro, ao sertanejo sofrido e, especialmente, ao Corintiano".
"Queremos abordar a transformação de um trabalhador comum em líder de uma nação, representada, em sua maioria, pelo povo, trabalhadores e trabalhadoras deste país", afirma a agremiação em nota.
Neste ano, havia uma expectativa de que o ex-presidente comparecesse ao desfile da escola Tom Maior, que apresentou o enredo de homenagem a cidade de São Bernardo do Campo, localizada na Grande São Paulo, mas isso não aconteceu.

GOVERNO DILMA: Venda de veículos novos no país bate recorde no 1º semestre

TATIANA RESENDE
DE SÃO PAULO

As vendas de veículos novos bateram recorde no primeiro semestre deste ano, com o emplacamento de 1,74 milhão de unidades, segundo os dados obtidos pela Folha. Essa quantidade representa uma expansão de 10% sobre igual período no ano passado (1,58 milhão), que detinha a melhor marca até então.

Considerando apenas junho, foram licenciados 304,4 mil automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, com o resultado também atingindo uma nova marca para o mês. Apesar disso, o número é 4,4% inferior ao registrado em maio, mas apresenta alta de 15,8% sobre o contabilizado no mesmo intervalo em 2010.

A perspectiva para todo o ano é que as vendas cheguem a 3,69 milhões de veículos, com crescimento de 5% ante 2010, e a 6 milhões em 2020, segundo projeções da Anfavea (associação das montadoras).

Apesar do horizonte positivo, o presidente da entidade, Cledorvino Belini, destacou em evento nesta semana que a produção deve crescer 45% no comparativo entre 2005 e a projeção para o fechamento de 2011 (3,42 milhões de unidades), enquanto os licenciamentos terão expansão de 115% no mesmo intervalo.

A comparação mostra a preocupação da Anfavea com a perda de competitividade do setor no cenário internacional devido, em parte, ao câmbio desfavorável às exportações.

GRAZIANO NA FAO:VITÓRIA DA ESPERANÇA

(*) Delúbio Soares

Desde que o Brasil assumiu a vanguarda da luta contra a fome, a desnutrição e a exclusão social, ainda nos anos 40, quando da publicação da “Geografia da fome” pelo genial Josué de Castro, dois foram os marcos nessa batalha hercúlea pela dignidade dos que nada tem e muito necessitam: o lançamento do programa “Fome Zero” e o retumbante sucesso por ele alcançado.

O Brasil não podia ser rico com milhões de filhos seus imersos na mais absoluta pobreza, passando fome, órfãos dos poderes públicos, esquecidos pela sociedade, ignorados pelo país opulento, oficial e vitorioso, das super-safras e dos superávits. Mas, infelizmente, era o que se sucedia.

A sensibilidade social e a visão humanista do presidente Lula mobilizaram o Brasil e os brasileiros para o combate à chaga aberta em nosso vasto território. E foi através do trabalho de brasileiros idealistas e competentes, espalhados por todos os rincões, nas mais diferentes esferas do poder público, com o apoio da sociedade civil e a mobilização popular, que o Brasil atendeu ao chamado de Lula e enfrentou a vergonhosa situação de fome num país que já era o celeiro do mundo. José Graziano, meu companheiro petista, técnico competente e homem de reconhecidas preocupações sociais, estava à frente de esforço nacional que se converteria num êxito mundialmente reconhecido e numa autêntica epopé ;ia que viria a transformar a face de nosso país e sua sociedade.

Filho de um dos maiores brasileiros que conhecí, José Gomes da Silva, que foi nossa maior autoridade em reforma agrária e cuja generosidade humana e a crença em nosso país não conheceram limites, Graziano herdou do pai a vocação para servir ao Brasil e defender seus ideais. Deu o melhor de suas forças auxiliando o presidente Lula e todos os que com ele fizeram o excepcional trabalho do “Fome Zero”, e agora nos orgulha ao ser eleito diretor-geral da FAO, o organismo das Nações Unidas para agricultura e alimentação. Trata-se de fato histórico e de extrema relevância para o Brasil e os brasileiros.

Graziano venceu renhida disputa com um concorrente respeitado, o ex-chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos. Mas os países mais carentes, aqueles onde a fome ainda castiga milhões de seres humanos, as Nações que conhecem os flagelos da desnutrição, da mortalidade infantil e de toda sorte de carências, optaram pelo nome do brasileiro justamente por sua identificação com o trabalho que desenvolveu no governo Lula e esperam que a FAO, sob seu comando, faça ainda mais do que vem fazendo na luta contra a fome e a exclusão social de centenas de milhões de irmãos nossos pelo mundo afora. A vitória de Graziano é um fato histórico. É a vitória da esperança em um mundo sem fome, um mundo melhor e mais justo.

Enganam-se os que pensam que o combate à miséria e as políticas que redundam em profundas mudanças na estrutura social, como ocorreu no Brasil com a chegada de mais de 30 milhões de cidadãos à classe média, são assistencialistas ou eleitoreiros. As críticas recebidas pelo presidente Lula, seu governo, o PT e os partidos que formam a base de sustentação do governo da presidenta Dilma Rousseff, ou trazem o vezo da arrogância elitista e do preconceito social, ou são, apenas e tão somente, de pura e deplorável má-fé. As conquistas da sociedade brasileira foram evidentes com o “Fome Zero” sob a égide do governo Lula, e os avanços já no governo Dilma, com a consider&aacu te;vel ampliação de recursos e esforços, já se fazem sentir e nos dão ainda mais ânimo para continuar uma luta que não conhece trégua nem tem quartel.

Ao mesmo tempo em que José Graziano e um punhado de brasileiros tocavam adiante a luta contra a fome, o governo Lula avançava em outras frentes: na recuperação da indústria naval, no incentivo à produção agrícola, na geração de empregos, na abertura de oportunidades a todos os brasileiros, na democratização do ensino, na oferta de crédito a todas as camadas da sociedade, no mais ambicioso e bem-sucedido programa habitacional já visto em nosso país. O Brasil conjugou a luta contra o estigma da fome com um conjunto de iniciativas que propiciaram a mudança de um país destroçado na década dos 90 para a Nação confiante e vitoriosa dos dias de hoje.

A missão de Graziano na FAO é dura. Caberá a ele enfrentar uma desgraça medieval em pleno século XXI. Ele sabe que nos anos mais infames da história brasileira, quando o neoliberalismo dos tucanos arrasou nossa economia, quatro em cada dez brasileiros viviam abaixo da linha da pobreza, passavam fome, eram miseráveis. Reduzimos 75% dessa marca vergonhosa. Hoje, resta um em cada dez brasileiros em tal situação. É pouco? Não, é demais! Somente quando todos os brasileiros comerem, obtiverem condições dignas de sobrevivência e a fome for apenas uma recordação tristonha de um passado longínquo, aí, sim, nós, descansaremos.

José Graziano continuará a luta do inesquecível Josué de Castro, que na FAO lançou a semente generosa de um planeta sem fome, e tornou-se um dos brasileiros mais queridos e respeitados em todo mundo. Levará aos cinco continentes o experimento vitorioso do governo Lula, que recuperou a dignidade e resgatou a cidadania de dezenas de milhões de cidadãos que não comiam, não eram respeitados pelos governos, eram tratados como massa sem alma.

Boa sorte, Graziano! Não lhe faltam nem competência, nem coragem.

(*) Delúbio Soares é professor


CHARGE DO BESSINHA

STF abre ação contra senador Cícero Lucena por suspeita de fraude

O senador Cícero Lucena (PSDB-PB) se tornou réu em uma ação penal aberta hoje (30) no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar supostas fraudes em licitações. As denúncias são relativas à época em que ele era prefeito de João Pessoa, entre 1997 e 2004.

Por unanimidade, os ministros aceitaram em parte a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF). Isso porque eles concordaram com a tese da relatora Ellen Gracie de que parte dos crimes que Cícero respondia já estavam prescritos.

De acordo com a denúncia do MPF, havia fortes indícios de que Lucena participava de uma organização criminosa que desviava verbas públicas por meio de fraudes de licitações, superfaturamento na execução de obras públicas e da prática do sobrepreço nos serviços contratados.
http://www.jornaldebrasilia.com.br/site/noticia.php?id=350981

"Tinha ordem para matar Zé Dirceu. E não cumpri"



Herwin de Barros, ex-policial e agente da CIA que prendeu o então líder estudantil num Congresso da UNE, fala ao 247 e revela que irá processar o Estado brasileiro. Diz que foi perseguido por não executar seu preso mais "perigoso"

Claudio Julio Tognolli, 247

Herwin de Barros, o homem que prendeu Zé Dirceu no Congresso da UNE, fazendo uso de um ancinho, vai processar o estado brasileiro. Quer ser ressarcido. Quer aposentadoria de agente especial da Polícia Civil de São Paulo. Por quê? “Porque eu tinha ordens emanadas da CIA, a central de inteligência dos EUA, para assassinar Zé Dirceu. Não cumpri isso. E fui execrado. Em abril de 1984 mudaram até o regimento interno da polícia de São Paulo para que eu pudesse ser afastado. Tudo porque me neguei a assassinar friamente Zé Dirceu”, confessou Erwin ao Brasil 247.

A este repórter Herwin de Barros contou a história da encomenda da morte de Zé Dirceu, pela primeira vez, em agosto de 1998. Eu e Marcelo Rubens Paiva fazíamos então uma capa do finado caderno Mais!, da Folha de S. Paulo, intitulado “A Companhia Secreta”. Eram documentos, obtidos por Paiva, e trazidos à luz pública pela brazilianista Marta Huggins, mostrando a participação da CIA no movimento militar de 1964. Erwin resolveu contar tudo, pela primeira vez em sua vida. Desde então, seguiram-se capas e capas de revistas sobre sua vida. Agora dr. Erwin quer desabafar mais.

“Minha vida toda fui perseguido por agentes de segurança, que queriam saber de que lado eu afinal estava. Ninguém acreditava que eu não estava de lado nenhum. Em 1975 o SNI plantou duas mulheres lindíssimas em cima de mim, uma negra e uma loira. Deram em cima de mim para simplesmente saber qual era a minha ligação com as esquerdas”, revela Erwin.

Corria o ano de 1985. Um vetusto e poderoso delegado de polícia civil de São Paulo impede a entrada do advogado de Herwin na sala, para defender seu cliente. O advogado, fugindo do estrépito de rabugices do delegado, retira-se e bate a porta. Lá dentro, o delegado dispara a Herrwin, varado de ódio: “Agora você vai ver o que é bom, ninguém mandou ter ficado ao lado dos terroristas”. Mas: como um homem nada fácil, que é Herwin, amante das navalhas e armas brancas, agente do Dops, treinado pela CIA, a Central de Inteligência dos EUA, poderia ser acusado de tamanha postura?

“Paguei muito caro o preço por não ter torturado, espancado, ou levado armas automáticas para prender Zé Dirceu no Congresso da UNE de outubro de 1968”, confessa o hoje advogado Herwin de Barros.”
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