07 Dezembro 2010

CHARGE DO BESSINHA


Presidente do PPS diz que disputa entre SP e Minas no PSDB é 'equívoco provinciano'






Rodrigo Vizeu, folha.com

“O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, chamou nesta segunda-feira de "equívoco provinciano" a disputa entre paulistas e mineiros pelo controle do PSDB após a derrota de José Serra na campanha presidencial.

"É uma briga que, além de prejudicar mineiros e paulistas, prejudica o Brasil. Precisa acabar com esse equívoco provinciano. São os dois maiores Estados em qualquer ponto de vista, mas o Brasil é muito mais", afirmou.

No mesmo dia em que o senador eleito Aécio Neves (MG) e o governador eleito Geraldo Alckmin (SP) almoçaram juntos e defenderam a "refundação" do PSDB, Roberto Freire defendeu que os dois Estados trabalhem unidos porque um não pode ser forte sem o outro.

"Mal terminou a eleição e a gente já vai se dividindo? Isso só interessa aos nossos adversários. O PSDB tem um papel muito mais importante do que ficar enredado em disputas regionais ou de lideranças, por mais expressivas que elas sejam", disse o presidente do PPS.”

http://nogueirajr.blogspot.com/

Entrevista de Dilma Rousseff ao Washington Post

No Brasil, de prisioneira a Presidente
Por Lally Weymouth - segunda-feira, 06 de dezembro 2010

Tradução de Paula Marcondes e Josi Paz, revisão de Idelber Avelar.

Ter sido uma presa política lhe dá mais empatia com outros presos políticos?
Sem dúvida. Por ter experimentado a condição de presa política, tenho um compromisso histórico com todos aqueles que foram ou são prisioneiros somente por expressarem suas visões, sua opinião pública, suas próprias opiniões.

Então, isso afetará sua política em relação ao Irã, por exemplo? Por que o Brasil apóia um país que permite o apedrejamento de pessoas, que prende jornalistas?
Acredito que é necessário fazermos uma diferenciação no [que queremos dizer quando nos referimos ao Irã]. Eu considero [importante] a estratégia de construir a paz no Oriente Médio. O que vemos no Oriente Médio é a falência de uma política – de uma política de guerra. Estamos falando do Afeganistão e do desastre que foi a invasão ao Iraque. Não conseguimos construir a paz, nem resolver os problemas do Iraque. Hoje, o Iraque está em guerra civil. Todos os dias, morrem soldados dos dois lados. Tentar trazer a paz e não entrar em guerra é o melhor caminho.
[Mas] eu não endosso o apedrejamento. Eu não concordo com práticas que possuem características medievais [quando se trata de] mulheres. Não há nuances; não faço concessões nesse assunto.

O Brasil se absteve em votar na recente resolução sobre os direitos humanos na ONU .
Eu não sou Presidente do Brasil [hoje], mas eu me sentiria desconfortável, como mulher eleita Presidente, não dizendo nada contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando eu assumir o cargo. Eu não concordo com a forma em que o Brasil votou. Não é minha posição.

Muitos norte-americanos sentiram empatia pelo povo iraquiano que se rebelou nas ruas. Por isso me pergunto se sua posição sobre o Irã seria diferente daquela do seu atual Presidente, que possui boa relação com o regime iraquiano.
O Presidente Lula tem seu próprio histórico. Ele é um presidente que defendeu os direitos humanos, um presidente que sempre apoiou a construção da paz.

Como a Sra. vê a relação do Brasil com os EUA? Como gostaria de vê-la evoluir?
Considero a relação com os EUA muito importante para o Brasil. Tentarei estreitar os laços. Eu admirei muito a eleição do Presidente Obama. Acredito que os EUA revelaram uma grande capacidade de mostrar que são uma grande nação, e isso surpreendeu o mundo. Pode ser muito difícil ser capaz de eleger um Presidente negro nos os EUA - como era muito difícil eleger uma mulher Presidente do Brasil.

Eu acredito que os EUA têm uma grande contribuição a dar ao mundo. E, acima de tudo, acredito que o Brasil e os EUA têm um papel a cumprir juntos no mundo. Por exemplo, temos um grande potencial para trabalhar juntos na África, porque na África podemos construir uma parceria para disponibilizar tecnologias agrícolas, produção de biocombustíveis e ajuda humanitária em todos os campos.

Também acredito que, neste momento de grande instabilidade por causa da crise global, é fundamental que encontremos formas que garantam a recuperação das economias dos países desenvolvidos, porque isso é fundamental para a estabilidade do mundo. Nenhum de nós no Brasil ficará confortável se os EUA mantiverem altos índices de desemprego. A recuperação dos EUA é importante para o Brasil porque os EUA têm um mercado consumidor fantástico. Hoje, o maior superávit comercial dos EUA é com o Brasil.

A Sra. culpa o afrouxamento monetário [quantitative easing] por isso?
O afrouxamento monetário é um fato que nos preocupa muito, porque significa uma política de desvalorização do dólar que tem efeitos sobre o nosso comércio exterior e também na desvalorização da nossas reservas de divisas, que são em dólares. Para nós, uma política de dólar fraco não é compatível com o papel que os EUA têm, já que a moeda dos EUA serve como reserva internacional. E uma política sistemática de desvalorização do dólar pode provocar reações de protecionismo, que nunca é uma boa política a ser seguida.

Quando a Sra. planeja visitar os EUA? Sei que foi convidada para antes de sua posse, em 1º de janeiro, mas não podia ir.
Eu não estou aceitando os convites que recebo. Não estou visitando países estrangeiros. Tenho que montar o meu governo. Tenho 37 ministros para nomear. Estou planejando visitar o Presidente Barack Obama nos primeiros dias após minha posse, se ele me receber.

Então a Sra. convidará o Presidente Obama para vir ao Brasil?
Nós já o convidamos informalmente, durante a reunião do G-20.

Há preocupações na comunidade empresarial dos EUA sobre se o Brasil continuará o caminho econômico definido pelo Presidente Lula.
Não há dúvida sobre isso. Por quê? Porque para nós foi uma grande conquista do nosso país. Não é uma conquista de uma única administração - é uma conquista do Estado brasileiro, do povo de nosso país. O fato de que conseguimos controlar a inflação, ter um regime de câmbio flexível e ter a consolidação fiscal de forma que, hoje, estamos entre os países com a menor relação dívida / PIB do mundo. Além disso, temos um déficit não muito significativo. Não quero me gabar, mas temos um déficit de 2,2 por cento. Pretendemos, nos próximos quatro anos, reduzir a proporção dívida / PIB para garantir essa estabilidade inflacionária.

A Sra. disse publicamente que gostaria de ver as taxas de juro caírem. A Sra. irá cortar o orçamento ou reduzir o aumento anual de gastos do governo?
Não há como cortar as taxas de juros a menos que você reduza seu déficit fiscal. Somos muito cautelosos. Temos um objetivo em mente: que as nossas taxas de juros sejam convergentes com as taxas de juros internacionais. Para conseguir chegar lá, um dos pontos mais importantes é a redução da dívida pública. Outra questão importante é melhorar a competitividade de nossos setores agrícola e de manufatura. Também é muito importante que o Brasil racionalize seu sistema fiscal.

Se a Sra. quer baixar as taxas de juros, a Sra. tem que cortar os gastos ou aumentar a economia doméstica.
Você não pode se esquecer do crescimento econômico. Você tem que combinar muitas coisas.

Qual é seu plano?
Meu plano é continuar a trajetória que seguimos até aqui. Conseguimos reduzir nossa dívida de 60% para 42%. Nosso objetivo é atingir 30% do PIB. Eu preciso racionalizar os meus gastos e, ao mesmo tempo, ter um aumento do PIB, que leve o país adiante.

Então o que a Sra. quer dizer com “racionalizar gastos”?
Não estamos em uma recessão aqui. Nós não temos que cortar os gastos do governo. Nós vamos cortar despesas, mas vamos continuar a crescer.
Estamos seguindo um caminho muito especial. Este é um momento no qual o país está crescendo. Temos estabilidade macroeconômica e, ao mesmo tempo, muito orgulho do fato de que conseguimos reduzir a extrema pobreza no Brasil.
Trouxemos 36 milhões de pessoas para a classe média. Tiramos 28 milhões da pobreza extrema. Como conseguimos isso? Políticas de transferência de renda. O Bolsa Família é um dos maiores exemplos.

Explique como funciona o Bolsa Família.
Pagamos um estipêndio, que é uma renda para os pobres. Eles recebem um cartão e sacam o dinheiro, mas têm duas obrigações a cumprir: colocar seus filhos na escola e provar que eles comparecem a 80% das aulas. Ao mesmo tempo, as crianças também devem receber todas as vacinas e passar por uma avaliação médica quando recebem as vacinas. Esse foi um fator, mas não foi o único.
Criamos 15 milhões de novos empregos durante a administração do Presidente Lula. Este ano, já criamos 2 milhões de novos empregos.

A Sra. é tão próxima do Presidente Lula. Será mesmo diferente ou apenas uma continuação da administração dele?
Eu acredito que minha administração será diferente da do Presidente Lula. O governo do Presidente Lula, do qual fiz parte, construiu uma base a partir da qual vou avançar. Não vou repetir a administração dele porque a situação no país hoje é muito melhor do que era em 2002.

Eu tenho os programas governamentais em andamento, que ajudei a desenvolver, como o chamado Minha Casa, Minha Vida, que é um programa de habitação.

Meus desafios são outros. Vou ter que solucionar questões como a qualidade da saúde pública no Brasil. Vou ter que criar soluções para problemas de segurança pública.

O Brasil passou por mais de 30 anos sem investir em infra-estrutura em uma quantidade suficiente. O governo do Presidente Lula começou a mudar isso. Eu tenho que resolver as questões rodoviárias no Brasil, as ferrovias, as estradas, os portos e os aeroportos.

Mas há uma boa notícia: descobrimos petróleo em águas profundas.

A Sra. está sugerindo que essa descoberta irá financiar a infra-estrutura?
Criamos um Fundo Social [no qual] alguns dos recursos do governo oriundos da descoberta do petróleo serão investidos em educação, saúde, ciência e tecnologia.

A Sra. tem que preparar o pais para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas.
Sim, mas eu também tenho outro compromisso, que é acabar com a pobreza absoluta no Brasil. Nós ainda temos 14 milhões na pobreza. Esse é meu maior desafio.

Todos os empresários que conheci em São Paulo disseram que precisam estar muito preparados para as reuniões com a Sra., porque a Sra. conhece bem a maioria dos projetos.
Sim, é verdade. Eu acho que é uma característica feminina. Nós apreciamos os detalhes. Eles, não.

O que significa, para a Sra., ser a primeira mulher Presidente do Brasil?
Até eu acho incrível.

Quando a Sra. decidiu que queria ser Presidente?
Foi um processo. Não há uma data. Comecei a trabalhar com o Presidente Lula e ele começou a dar algumas dicas sobre eu vir a ser indicada à presidência, mas ele não foi claro no começo. Foi uma grande honra para mim, mas eu não estava esperando.

A partir do momento que ficou claro para mim que eu seria indicada, dois anos atrás, eu sabia que tínhamos criado as condições adequadas para tornar possível a vitória nas eleições. O Presidente Lula teve uma excelente administração e o povo brasileiro reconheceu e admitiu isso. Somos uma administração diferente - nós ouvimos o povo.

A Sra. recentemente lutou contra o câncer.
Sim, mas acredito que consegui lidar bem com isso. As pessoas têm que saber que o câncer pode ser curado. Quanto mais cedo você descobre, melhores suas possibilidades de cura. É por isso que a prevenção é importante. . . Acredito que o Brasil estava preparado para eleger uma mulher. Por quê? Porque as mulheres brasileiras conquistaram isso. Eu não cheguei aqui sozinha, só pelos meus méritos. Somos a maioria neste país.

PS: Original em inglês aqui. Todos os textos d'O Biscoito Fino e a Massa estão licenciados em Creative Commons. Ou seja, você pode reproduzi-los à vontade, desde que com correta atribuição de autoria (ou de tradução, conforme o caso) e link para a fonte.

http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/12/entrevista-de-dilmarousseff-ao.html

Tensão pré-barraco

É pesado o clima no DEM, que amanhã se reúne em Brasília na tentativa de resolver o impasse do "prazo de validade" de seu presidente. Os veteranos, Jorge Bornhausen à frente, oferecerão a Rodrigo Maia (RJ), cujo mandato havia sido prorrogado até o fim de 2011, algo entre três e seis meses para deixar o cargo, que seria então ocupado pelo senador José Agripino (RN).
Tal movimento poderia, em tese, abortar ou pelo menos adiar a ida de Gilberto Kassab (SP), aliado de Bornhausen, para o PMDB. A reação de Maia é incerta. Defensores da mudança disporiam de documento capaz de constranger a atual cúpula do partido.
Painel

RENATA LO PRETE - painel@uol.com.br

Prefeito do PSDB tem mandato cassado

O prefeito de Cabo Frio, Marcos Rocha Mendes, e a vice-prefeita, Delma Jardim, ambos do PSDB, tiveram os seus mandados impugnados, pela 96ª Zona Eleitoral, de Cabo Frio. O efeito é imediato e o presidente da Câmara de Vereadores assumirá o cargo interinamente até a posse do segundo colocado nas eleições 2008. Como Marcos Mendes não alcançou 50% dos votos válidos, não haverá eleição suplementar.

A denúncia oferecida pelo Ministério Público Eleitoral aponta abuso de poder econômico na campanha para a prefeitura. Segundo o juiz auxiliar da 96ª ZE, Dr. Carlos Sérgio dos Santos Saraiva, as provas apresentadas pelo Ministério Público demonstraram que houve contrariedade entre a conduta do candidato e a legislação eleitoral vigente. “Por essas razões acolhi o pedido formulado pelo MP”, explica o magistrado.


De acordo com as provas apresentadas pelo MP, Marcos Mendes teria distribuído material de construção, cestas básicas, café da manhã, assistência dentária e cargos na prefeitura em troca de apoio político e votos.Publicado no O Dia e enviado pelo querido leitor José Lopes

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06 Dezembro 2010

CHARGE DO BESSINHA

Envolvido no mensalão do DEM- DF doa para PSDB

Gontijo foi o 3º maior doador para direção do partido, com R$ 8,2 milhões; também financiou campanha de Jucá

Repasses para partido aparecem no nome de sua mulher; empresário firmou contratos com governo federal e de RR

FELIPE SELIGMAN
FERNANDA ODILLA
DE BRASÍLIA

SILVIO NAVARRO
DE SÃO PAULO
(texto publicado no jornal Folha de S. Paulo)

O empresário José Celso Gontijo, um dos financiadores do esquema do mensalão do DEM no DF, foi o terceiro maior colaborador da direção nacional do PSDB nas eleições deste ano, com doações que totalizaram R$ 8,2 milhões. Também ajudou a financiar as campanhas da família Jucá em Roraima.

Os repasses para o PSDB aparecem na prestação de conta do partido no nome de sua mulher, Ana Maria Baeta Gontijo. À Folha, contudo, o empresário afirmou que a colaboração partiu dele mesmo e explicou que usou uma conta corrente que está registrada no CPF de sua mulher.

Os pagamentos são, em tese, legais. Mas a legislação limita a doação feita por pessoa física em até 10% do rendimento pessoal obtido no ano anterior. Isso quer dizer que Gontijo e sua mulher precisam ter recebido em 2009 pelo menos R$ 82 milhões. Para saber se esse limite foi ultrapassado, Tribunal Superior Eleitoral conta com o apoio da Receita. A doação ilegal pode gerar multa.

Dono da JC Gontijo, o empresário é investigado pela Polícia Federal como uma das fontes que abasteciam o mensalão do DEM.

Tchau e até a próxima:Eleitores se despedem do presidente por carta




"Aqui na minha cidade, quando escrevi a primeira vez para você pedindo a cadeira de rodas para minha esposa, muitos riram de mim, achavam que nunca esta carta chegaria às suas mãos. Mas chegou e todos aqueles que acreditaram e não acreditaram ficaram muito felizes, pois nunca nenhum presidente se comunicou com a classe mais pobre. Você fez a diferença."




A mensagem, enviada a Lula em 9 de novembro deste ano, chegou de Rio Tinto, na Paraíba. É uma das 631.977 correspondências recebidas pelo presidente Lula por meio de cartas ou e-mails em oito anos de governo. O tom das mensagens mapeia altos e baixos durante seu governo: a expectativa e a torcida do início, as decepções e conquistas pelo trajeto.




A 26 dias do fim do mandato, Lula continua recebendo cartas. Como na carta de Rio Tinto, o tom agora é de nostalgia.

Muitos pedidos. Ao ler as primeiras cartas chegadas à Presidência, no início de 2003, já era possível ter uma pista da relação que a população teria com o presidente metalúrgico. "Oi, Lula", começam muitas delas, dispensando o cerimonioso "excelentíssimo senhor presidente da República do Brasil". Antes de desfiar suas histórias, muitos exibem uma intimidade e uma expectativa na solução dos problemas que é resumida assim: "O senhor que é do povo como eu vai me entender..."




Quase todos os textos seguem um padrão: quem escreve primeiro faz um elogio, uma crítica ou dá uma sugestão, depois conta um pedaço de sua história e faz um pedido no final. Tem quem procure dinheiro, remédio, emprego, uma casa, um empréstimo para comprar um carro e até a intervenção do presidente para ajudar marido e mulher a salvarem o casamento em crise.




Tem convite de aniversário, pedido de autógrafos, fotos, a oportunidade de viajar com Lula no avião presidencial. Não há nada mais que surpreenda Cláudio Rocha, chefe do Departamento de Documentação Histórica da Presidência (DDH), órgão responsável por receber, catalogar e responder cada uma das cartas que o presidente recebe. Para as opiniões, a resposta é um agradecimento. Para os pedidos, o DDH informa sobre programas do governo que eventualmente atendam àquela demanda.




Uma por dia. Algumas histórias entraram para o folclore da Presidência. Um eleitor escreveu uma carta por dia ao presidente, desde o início do governo. Outro deu de presente a Lula um torno mecânico velho, como o que Lula operava quando jovem. Algumas mulheres são apaixonadas pelo presidente e pedem a oportunidade de trabalhar "cuidando dele".

As cartas que chegaram nas últimas semanas já começam a felicitar Lula e a primeira-dama Marisa Letícia pelas festas de fim de ano, fazem um saldo do governo e despedem-se do presidente. Mas, até na saída, dá tempo de pedir um último socorro. "Tenho a honra de parabenizar o excelente trabalho feito para a nossa nação. (...) Tenho a esperança que um dia volte a comandar esta nação tão carente de homens que olhem para os mais pobres", diz um homem de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia. O pedido: "Para finalizar, gostaria de receber uma foto do casal para eu colocar em um pôster na sala da minha residência."

De Alvorada, no Rio Grande do Sul, um porteiro pede que Lula volte à Presidência daqui a quatro anos e conta que voltou a estudar e pretende tornar-se eletricista: "Minha esposa está em tratamento de câncer de mama, por isso que quero fazer um curso de eletricista em Porto Alegre, mas no momento não estou conseguindo pagar o curso, gostaria se fosse possível para o senhor conseguir um desconto no curso aqui no Senai para mim."

"Meu pai é pedreiro. Antes de 2003 o emprego era muito disputado porque tinham poucos, então ele tinha de esperar para pegar um emprego, e agora até escolhe qual ele quer pegar para trabalhar", relata um menino de 10 anos, de Conselheiro Lafaiete (MG), em carta de 29 de outubro. "Quero te pedir uma foto autografada para mostrar que além de bom presidente é um bom homem. Tchau, e até a próxima."

1,4 milhão de lembranças na mudança de Lula

Cada carta, presente e momento do governo Lula foi catalogado e guardado no subsolo do Palácio do Planalto, um acervo que compõe 3 mil caixas de arquivo e que agora seguem viagem para São Paulo, onde farão parte do Instituto Lula.

As polêmicas, as crises e a popularidade do governo refletem-se em números superlativos: foram 1.403.417 itens catalogados pelo DDH em oito anos. Entram aí 355.825 cartas, 287.152 mensagens eletrônicas, 9.697 fotos e vídeos, 9.027 livros, 8.511 presentes, 14.992 textos e bilhetes, e 718.213 material de campanhas feitas por movimentos civis.

Será preciso mobilizar 11 caminhões para transportar todo o material. Cláudio Rocha, chefe do DDH, é quem organiza o trabalho de fazer a mudança de tudo o que cuidadosamente catalogou, arquivou e preservou. "Só nesta semana chegaram mais 14 caixas de livros que estavam no Palácio da Alvorada e ainda precisam ser catalogados aqui", conta. E ainda há mais para chegar. Parte dos presentes fica na residência oficial do presidente.

O desafio do curador do Instituto Lula, que será um misto de memorial com plataforma política do presidente, será organizar um acervo tão plural para visitação pública. São presentes caros (colares de ouro e espadas incrustadas de pedras preciosas enviadas por líderes árabes) e únicos (um capacete usado por Ayrton Senna, camisetas de futebol assinadas por Kaká e Christiano Ronaldo, obras de Antônio Potero e Miró).

A história diplomática e governamental mistura-se ainda à contribuição dos populares. São inúmeras obras de artesanato, bordados, orações escritas, fotos de família, desenhos de criança – pedaços de histórias que formam um mosaico da trajetória brasileira nos últimos oito anos e dão ao acervo um valor inestimável.




TRECHOS

"Sua resposta a um certo jornalista nestes últimos dias foi de uma precisão muito especial. O senhor disse: não sei se estarei vivo até lá. A pergunta era se o senhor seria candidato em 2014. Para o senhor que dizem que és um analfabeto foi um xeque-mate! Quer aprender a aperfeiçoar a arte do carisma, passe aqui em casa uma hora dessas para aprender comigo"

" Tenho a honra de parabenizar o excelente trabalho feito para a nossa nação. Na minha avaliação, foi o melhor presidente do Brasil"

"Creio, oh, senhor presidente, que tudo em sua vida teve origem na luta e na miséria que outrora viveste. Meus sinceros parabéns porque tu foste um vencedor, para muitos um analfabeto, mas para mim um especial, um sábio. Não um sábio qualquer, mas um sábio especial do povo"

"O senhor fez várias coisas boas para o Brasil, mas quero te pedir uma foto autografada para mostrar que o senhor além de um bom presidente é um bom homem"

"É uma honra para mim escrever para o senhor. Parabéns por governar nosso país, é o melhor presidente da história do Brasil. Espero que daqui a quatro anos volte à Presidência. Moro em Alvorada, no Rio Grande do Sul, e trabalho em Porto Alegre de porteiro, mas quero melhorar um pouco e por isso estou terminando os estudos" Agência Estado



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Licitação beneficia produto nacional

Raquel Landim - O Estado de S.Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve aprovar nos próximos dias mudanças importantes nas licitações públicas que vão colocar em vantagem as empresas brasileiras em um mercado de mais de R$ 120 bilhões. O objetivo é utilizar esse poder de fogo para incentivar o desenvolvimento tecnológico, mas as novas regras também abrem uma brecha para medidas protecionistas e podem elevar as despesas.

O preço sempre foi o fator decisivo nas licitações. Agora, as empresas nacionais terão preferência se houver empate e poderão oferecer um preço até 25% maior e, mesmo assim, ganhar o contrato. Uma comissão formada por cinco ministérios (Fazenda, Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Planejamento e Relações Exteriores) vai definir como isso funcionará na prática.

O decreto que regulamenta as mudanças está quase pronto e deve ser publicado até o fim do ano, informam fontes do governo. O Congresso também já aprovou as alterações, previstas em uma medida provisória editada em julho. Tecnicamente, a lei está em vigor, mas sem a regulamentação é difícil utilizá-la.

Com as novas regras, a presidente eleita Dilma Rousseff ganha um poderoso instrumento de política industrial. Em 2009, o governo (sem incluir as estatais) comprou R$ 57,6 bilhões em bens e serviços. A Petrobrás prevê adquirir R$ 55,8 bilhões por ano até 2014. Banco do Brasil e Caixa compraram este ano, respectivamente, R$ 5 bilhões e R$ 3,5 bilhões.

No total, são R$ 122 bilhões, mas esse número ainda está subestimado porque não inclui a Eletrobrás e as demais estatais. Com as obras para Copa, Olimpíada e Pré-Sal, os valores envolvidos nas licitações públicas do Brasil só tendem a subir.

"Esse tipo de medida pressiona ainda mais a inflação. Ao forçar a compra do produto brasileiro ao invés do estrangeiro, o gasto público é um multiplicador mais poderoso da demanda em um momento que o Brasil precisa reduzir o ritmo do crescimento", avalia Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Para ter acesso ao benefício, o governo vai exigir que as empresas instaladas no País comprovem que estão gerando mais renda, emprego e tributos e que desenvolvam tecnologia. "Não queremos dar preferência para qualquer produto, mas para os que incentivem o desenvolvimento tecnológico", disse Luiz Antonio Elias, secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia. A lei também prevê, porém, que o benefício pode ser utilizado para proteger empresas da "concorrência predatória".

O Brasil não será o único a utilizar as compras públicas como política industrial. Os Estados Unidos possuem o "Buy American Act" desde 1933, que foi revigorado com a crise. A China é notória por esse mecanismo. Na América Latina, Colômbia e Argentina dão preferências nas licitações aos produtores locais.

A formação do governo Dilma




Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

À medida que avança a montagem do governo, fica mais visível a dificuldade que a maioria dos analistas tem de assimilar algo que as pessoas comuns entenderam com facilidade nas eleições deste ano.

A ideia de continuidade, na verdade, é simples. Se você gosta de uma coisa, quer que ela permaneça. Se gosta muito, que ela seja, amanhã, o mais parecida com o que é hoje. Inversamente, se desgosta, seu desejo é que ela mude. Se desgosta muito, que mude completamente.

Assim é com os governos. Quando uma administração bem avaliada termina, a maioria dos eleitores (logicamente) quer que ela continue. Se o bom governante pode ser reeleito, ótimo. Se não, se já cumpriu seu segundo mandato, a continuação, normalmente, acontece através de alguém indicado por ele, que se compromete a dar sequência ao que estava em curso. Os outros concorrentes fazem questão de dizer que não promoveriam grandes alterações se ganhassem.

Quando um mau governo se encerra, o oposto é a regra: todo mundo quer mudança. Se for muito ruim, mudanças completas. Os candidatos fazem fila para atacar o culpado.

No Brasil moderno, já tivemos exemplos de sucessões dos dois tipos nos estados e em inúmeros municípios. Este ano, vimos governos estaduais continuando, nas reeleições de vários (bons) governadores e na eleição de candidatos comprometidos com a continuidade. E vimos mudanças em alguns, quase sempre pela insatisfação com o trabalho de quem saía.

Na sucessão presidencial, houve uma novidade. Foi a primeira vez que um presidente bem avaliado indicou alguém para sucedê-lo, o que não havia acontecido com Sarney, Collor ou Fernando Henrique. O mais parecido fora Itamar, mas seu governo não pode ser comparado aos dos outros.

Lula indicou Dilma como candidata de continuidade, Dilma se comprometeu com ela e os eleitores acreditaram que era isso que ela faria. Seria extraordinário se, agora, ela desdissesse o que prometera. Que mandasse às favas as expectativas da maioria do eleitorado, que queria a continuidade.

Quem se surpreende com a disposição da presidente de manter sua palavra são aqueles que não a levaram a sério. Que achavam, talvez, que, uma vez eleita, Dilma “poria as manguinhas de fora” e viraria outra pessoa.

De fato, nossa história política está cheia de exemplos de candidatos que são uma coisa no palanque e outra no palácio. Mas nada, na biografia de Dilma, sugere que ela seja desse tipo.

Nossos analistas não se conformam com o fato do primeiro escalão estar sendo montado, predominantemente, com integrantes do atual governo. Por isso, a cada vez que a presidente anuncia um novo nome, aplicam-lhe um teste. Se o indicado for alguém ligado a Lula, “se decepcionam”. Parece que desejam que Dilma tire coelhos da cartola a cada nomeação. Se não o faz, resmungam que ela exagera na dose de continuidade.

Perguntados sobre o que acham da presidente, os brasileiros estão, majoritariamente, tranquilos em relação a seus atributos como governante. Em pesquisa nacional da Vox Populi concluída esta semana, 65% dos entrevistados a consideraram “preparada para administrar o Brasil” e 67% disseram que ela “ é uma líder, com capacidade de comando”. Discordaram 25% e 21%. Em outras palavras, mesmo muitos que não votaram nela a veem positivamente.

É cumprindo o que prometeu que Dilma transformará expectativas em boa avaliação. Até o momento, seu principal compromisso, a continuidade, está sendo honrado na formação do governo.

Correio Braziliense

05 Dezembro 2010

‘Ninguém engana a Dilma nem põe faca no pescoço dela’

Escolhido para ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho diz que presidente eleita não será refém de partidos

Vera Rosa / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo




'Lula adora ser presidente. para deixar, vai ter síndrome de abstinência', diz Carvalho

Testemunha privilegiada dos bastidores do Palácio do Planalto, o ex-seminarista Gilberto Carvalho sempre atuou longe dos holofotes, como chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há quatro dias, Dilma Rousseff deu-lhe uma ordem sem direito a réplica: "Gilbertinho, passe um Gumex no cabelo e ponha um terno bem bonitinho porque vou anunciá-lo na sexta-feira como ministro da Secretaria-Geral da Presidência."

Veja também:

link'Tudo é possível', diz Carvalho sobre eventual volta de Lula

As horas se passavam e nada de anúncio. Até que, muito tempo depois de ter lido um salmo do Evangelho de Cada Dia – prática adotada desde 2003, antes de iniciar o expediente –, Carvalho telefonou para a presidente eleita. "Você me deve um vidro de Gumex", cobrou ele, rindo. Foi quando Dilma leu para o futuro ministro a nota, que acabara de ser redigida, oficializando sua indicação. "Eu tardo, mas não falho", disse ela.

Na noite de sexta, Carvalho recebeu o Estado em seu gabinete no Planalto, decorado com fotos de seus cinco filhos – dos quais duas meninas adotivas – e imagens de São Francisco e do Espírito Santo. O homem que será ouvidor dos movimentos sociais ficou com os olhos marejados ao falar do apoio dado a ele por Lula quando teve de depor na CPI dos Bingos, em 2005, e garantiu que Dilma não será refém de partidos.

Diante das cotoveladas entre o PT, o PMDB e outros aliados por cargos no primeiro escalão, Carvalho pediu que todos mantenham a calma. "Ninguém engana a Dilma nem deve achar que na base do grito vai levar alguma coisa", avisou. "A pior coisa que tem é botar a faca no pescoço dela."

A Secretaria-Geral da Presidência vai mudar de perfil no governo Dilma?

Até se pensou nisso, mas a conclusão foi a de que a secretaria deveria permanecer com a mesma natureza, que é o trabalho de articulação e diálogo com os movimentos sociais no seu amplo espectro. Aí estão incluídos os movimentos sindicais, movimento popular, ONGs, igrejas...

O presidente Lula sempre diz que os movimentos sociais salvaram o governo dele. Por quê?

Ele se refere à questão de 2005, quando houve aquela ameaça de impeachment. Uma vez ele falou para mim: "Esses caras falam de impeachment porque não sabem da minha relação com o povo." Mas eu diria que os movimentos salvaram o governo em outro aspecto também. Esse diálogo, que em geral é tenso, permitiu a Lula ter novos projetos, como o ProUni.

É justa a reivindicação de salário mínimo de R$ 580?

É papel das centrais sindicais reivindicar, tensionar com o governo. Eu diria que justo seria um salário mínimo talvez de R$ 1, 5 mil, do ponto de vista de uma vida digna e decente para todos os brasileiros. O governo, por seu turno, tem de ver o que pode fazer sem irresponsabilidade. Temos um acordo com as centrais de um reajuste permanente do mínimo. Não adianta dar aumento muito acima e no ano seguinte ter de recuar porque isso pode provocar crise na economia, nas prefeituras.

O sr. é um dos últimos sobreviventes do núcleo duro do governo Lula. Como é o presidente na intimidade?

É uma pessoa muito boa de lidar, que vai deixar saudade. É duro, muito duro. Às vezes fico com pena dos ministros que recebem certos telefonemas dele. Fico com pena de mim mesmo (risos). Acho que fui o cara que mais apanhou nestes oito anos aqui, até pela proximidade. Para azar nosso, ele tem uma memória prodigiosa.

Cobra resultados?

Cobra. E sem misericórdia. Mas, ao mesmo tempo, é o cara que dois minutos depois já esqueceu aquilo e é superafetuoso. Tem um episódio que nunca vou esquecer na minha vida.

Qual?

Foi quando eu fui exposto, na CPI dos Bingos (em 2005), por causa da questão de Santo André. O presidente sabia da maldade de tudo aquilo, um jogo político, mas podia ter se livrado de mim. E houve um dia em que teve aquela acareação com os irmãos do Celso Daniel (prefeito assassinado de Santo André). Lula ia viajar às 18 horas. Eu cheguei de volta do Congresso lá pelas 19 horas e ele estava na minha sala me esperando. Atrasou a viagem, passou a mão na minha cabeça e falou: "Gilbertinho, você não tem uma cachacinha pra gente tomar aí, não?" Um cara desses você morre por ele. Sou um privilegiado.

Como o sr. explica ter se tornado réu em processo de corrupção na Prefeitura de Santo André?

Sou réu num processo civil a partir de denúncia feita por um dos irmãos do Celso, dizendo que eu contei para ele que levava dinheiro para o José Dirceu. Não tem prova nenhuma. É doloroso para mim ser acusado de uma coisa que não devo. Eu faço 60 anos em janeiro e meu capital não chega a R$ 300 mil.

Quais as diferenças de estilo entre Lula e Dilma?

A diferença mais forte é essa questão do carisma e da relação com o povo. Dilma é uma militante que veio da classe média, que participou da luta social e foi se aproximando aos poucos dos movimentos. Bem antes da eleição, ela dizia que, mesmo que nada desse certo, o presidente tinha lhe dado um grande presente.

Que presente?

Era justamente essa aproximação com o povo. Ela dizia que tinha medo de ser uma relação demagógica, essa coisa de abraçar criancinha, mas que se sentiu emocionada ao se aproximar das pessoas. Isso a fez mudar por dentro. E a Dilma é uma pessoa muito sensível. Um dia, quando ela era ministra de Minas e Energia, estávamos conversando sobre poesia e no dia seguinte me trouxe as obras completas de Adélia Prado.

Agora, ao indicá-lo para ministro, ela lhe fez algum pedido especial?

Na primeira conversa mais clara sobre a Secretaria-Geral, há uns dez dias, ela falou: "Gilbertinho, preciso de você para me dizer as verdades. Você vai ficar do meu lado criticando, falando as coisas com clareza. Preciso de você me trazendo a sensibilidade dos movimentos sociais." Fiquei muito animado.

O fato de a futura presidente não ter traquejo político não pode torná-la refém dos partidos, principalmente nessa disputa por cargos entre o PT e o PMDB?

Quero dizer que não convém nunca subestimar a Dilma. Quem o fez quebrou a cara na campanha eleitoral. Ela mostra uma capacidade de aprendizado e de habilidade política surpreendentes. Ninguém engana a Dilma nem deve achar que na base do grito vai levar alguma coisa. A pior coisa que tem é botar a faca no pescoço dela porque aí a reação é mais dura. Ela não será refém. Aliás, é fundamental que ela tenha essa ligação fortíssima com os movimentos sociais, que pode funcionar como contraponto a esse tipo de pressão.

Mas na montagem do novo governo já houve um curto-circuito, quando o governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou o ministro da Saúde e teve de recuar, depois de uma rebelião no PMDB...

E você viu qual foi a atitude dela, não é? A Dilma tem essa vantagem, é muito transparente. É natural que haja tensões. Agora, se fosse atender a todas as demandas, teríamos de ter uns 60 ministérios...

O presidente sugeriu a Dilma que mantivesse muitos ministros. Isso não deixa a nova gestão com cara de governo antigo?

Eu sou testemunha de muitas conversas entre os dois. Quando a Dilma pergunta, ele dá opinião. Mas Lula age com muito cuidado e tem opiniões diferentes de algumas das nomeações que ela fez.

Em que cargos?

No Banco Central, por exemplo. É verdade que o governo Dilma tem um pouco da cara do governo Lula. Agora, você sabe que o ministério que começa não é o que termina. É natural que, aos poucos, Dilma vá dando cada vez mais a feição dela ao governo.

Lula sentirá falta do Planalto?

Ah, sim, está muito mais emotivo. Outro dia quando o Franklin (Martins, secretário de Comunicação Social) lembrou que era 1.º de dezembro, ele deu um grito. "Não, não, não. Não fale isso!", disse. Lula vai sentir muita falta. Ele se preparou para isso e adora ser presidente. Para deixar, vai ter síndrome de abstinência (risos).

Ele disse a José Dirceu que vai desmontar a farsa do mensalão. O que significa exatamente isso?

Lula quer fazer, fora da Presidência, uma análise detalhada do que foi, de fato, aquele processo. Quando fala em farsa do mensalão é porque está convencido de que nunca foi dado dinheiro para alguém votar com o governo. Ele não nega erros e problemas de uso de recursos. Nega o nome mensalão. E sempre disse: "Quem comprou voto foi o Fernando Henrique na reeleição."

QUEM É

* É formado em filosofia pela Universidade Federal do Paraná. Estudou Teologia, trabalhou como soldador em Curitiba e morou em favela para vivenciar a experiência de Jesus entre os pobres. Foi secretário de Comunicação (1997-2000) e de Governo (2001) da Prefeitura de Santo André. Ocupou vários cargos no PT, entre eles o de presidente do diretório no Paraná (1987-89) e secretário-geral (1993-95). É chefe de gabinete de Lula desde 2003.

Estilo de Dilma tira impacto dos anúncios de ministros

Ricardo Galhardo, iG São Paulo e Andreia Sadi, iG Brasília

Para se preservar, presidenta eleita evita aparições públicas até mesmo na hora de formalizar a composição da equipe de governo

O estilo marcado pela falta de informações oficiais, excesso de especulações, idas e vindas na formação do governo Dilma Rousseff reduziu o impacto de um dos momentos mais marcantes do universo político brasileiro, a nomeação do ministério.

Ao contrário de presidentes anteriores, que fizeram questão de anunciar pessoalmente seus ministros - numa demonstração de poder que fortalecia a certeza de que a nomeação do gabinete é uma prerrogativa exclusiva do chefe do Executivo - Dilma optou por ficar atrás da cortina.

Na apresentação da equipe econômica, a presidenta eleita não apareceu e nem sequer assinou a nota que formalizou a escolha, firmada pela assessoria de imprensa e distribuída uma hora antes, enquanto os futuros ministros se apresentavam sozinhos numa espécie de autonomeação. Nesta sexta-feira, na apresentação do grupo palaciano, nem mesmo os futuros ministros apareceram. As escolhas foram confirmadas por meio de uma simples nota à imprensa.

A diferença é grande em relação ao anúncio do primeiro ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora também tenha sido feita em blocos, Lula fez questão de apresentar todos os ministros pessoalmente em grandes entrevistas coletivas nas quais a imprensa recebia alentados perfis e tinha acesso total aos escolhidos.

A distância do estilo Dilma para seus antecessores fica ainda maior se comparado ao governo de José Sarney, quando todas as crises eram “resolvidas” com amplas reformas ministeriais, método abolido por Fernando Henrique Cardoso e enterrado definitivamente por Lula.



Foto: Agência Estado




Até agora, Dilma tem evitado aparições em público e declarações à imprensa



Segundo especialistas e pessoas próximas de Dilma, embora o estilo deixe transparecer certa falta de controle sobre o processo, é mais uma forma de preservar a presidenta eleita do desgaste natural desta fase de montagem do governo.

“É uma maneira de se poupar e não se deixar fritar logo no primeiro momento”, disse a historiadora Zilda Márcia Iokoi, da Universidade de São Paulo. Segundo ela, a discrição de Dilma revela aspectos negativos da cultura política brasileira como a sobreposição dos interesses pessoais aos públicos.

Estilo

Além do aspecto político, os atos de confirmação do ministério também revelam o estilo e personalidade da presidente eleita. Avessa a entrevistas, Dilma manteve a linha de evitar aparições públicas no governo de transição. Até agora falou publicamente só três vezes.

Oficialmente, a equipe de Dilma não forneceu nenhuma informação adicional sobre a decisão da presidenta eleita de não participar dos anúncios. Nos bastidores, entretanto, a versão que circulava é a de que ela nunca teve planos de participar. Havia até uma expectativa de que Lula convencesse sua sucessora a comparecer ao evento, mas ela não teria cedido ao apelo. "Será o estilo Dilma de ser", disse um assessor.

A decisão de anunciar nomes “em bloco”, segundo o iG apurou com membros da transição, também tem a função de evitar o desgaste de colocar sob os holofotes apenas um integrante da equipe. Um exemplo foi o que aconteceu com o secretário de Saúde Sérgio Côrtes, confirmado num ato isolado pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, como futuro ministro da Saúde. No dia seguinte do anúncio de Cabral, diante da reação negativa entre os peemedebistas, a própria presidenta eleita desmentiu o nome.

03 Dezembro 2010

Helena Chagas é convidada para comandar Comunicação Social no governo Dilma

A jornalista Helena Chagas, chefe da equipe de imprensa do governo de transição, foi convidada a comandar a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República no lugar do ministro Franklin Martins. A secretaria tem status de ministério.

Ottoni Fernandes Junior deve continuar no ministério à frente da distribuição da verba publicitária do governo federal.

O convite foi feito pela própria presidente eleita, Dilma Rousseff, ontem à noite.

A petista também já bateu o martelo sobre a nomeação dos nomes de Edison Lobão para o Ministério de Minas e Energia e de Wagner Rossi para continuar na Agricultura. Para o núcleo político, foram escolhidos Antonio Palocci para a Casa Civil; Gilberto Carvalho para a Secretaria-Geral.; e Alexandre Padilha para continuar no comando das Relações Institucionais, cargo também com gabinete palaciano.

O deputado José Eduardo Cardozo foi convidado pela presidente eleita para assumir o Ministério da Justiça. Já Paulo Bernardo foi escolhido para as Comunicações.

Os nomes da equipe econômica foram divulgados há nove dias. Na ocasião, foram oficializados os ministros Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central).

O trabalho de Fernando Haddad

Por Stanley Burburinho

Sobre o Haddad tenho algumas informações:

O Método TRI: "ONU: metodologia aplicada no ENEM garante isonomia mesmo que prova seja reaplicada" - http://migre.me/2anXJ

Em 2004, o Enem foi aplicado na Febem pela primeira vez - http://migre.me/27jKd

Haddad de 2007 a 2010, em todo o país, já fechou 20 mil vagas em cursos de Direito com avaliação ruim. Barões da educação perderam milhões. Haddad na educação superior à distância, de 2008 a 2010, fechou 3.800 pólos de apoio presenciais inadequados e suspendeu 20 mil vagas. A educação superior à distância é a mina de ouro para os barões por causa escala: baixo custo e possibilidade de aumentar nº de alunos sem precisar de grande infra-estrutura.

Os barões não se conformam com regulação na educação à distância. Eles pensavam que o Haddad não mexeria nisso.

Na gestão Haddad implantou-se o mais profícuo projeto de EAD público da história, a Universidade Aberta do Brasil (UAB)

Meta de Haddad é 50% com ensino superior nos próximos anos. Educação reduz a manipulação pela velha imprensa.

Os barões não perdoam o Haddad por isto: "MEC mostra problemas no ensino a distância" -http://youtu.be/E-ByqHDeWK4

Haddad revogou a DRU (Desvinculação das Receitas da União), criada por FHC e Paulo Renato, que surrupiou, desde 95, 10 bilhões da educação por ano.

Haddad criou o FUNDEB. Fundo que financia não só a educação fundamental como no tempo do Paulo Renato, mas também à educação infantil e educação média.

Todos os relatórios de organizações internacionais mostram que o Brasil avançou muito nesta década em educação. Isso incomoda.

Nunca houve tantos concursos para professores das universidades federais, graças à expansão do REUNI.

Haddad criou o SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) que permite a regulação do setor. O SINAES permite fechar cursos. Sistema privado odeia o SINAES.

Haddad fechou cursos à distância da Unicid por falta de qualidade. Deputados não gostaram. Unicid contribui PARA campanhas.

Haddad foi o mentor do PROUNI. Foi idéia dele com a esposa quando ele ainda era Secretário Executivo (Vice) do Tarso Genro.

Em 2002, as receitas brutas da maior empresa de bebidas do Brasil (AMBEV), e da 2º mineradora do mundo (VALE), estavam pouco abaixo das receitas obtidas no setor de educação privada.

Em 2002, as quatro maiores empresas de transporte aéreo juntas, na época, (VARIG, TAM, GOL, VASP), tiveram receita bruta inferior à receita do setor privado de educação superior.

Na era FHC, Paulo Renato causou atraso de uma década na educação, diz deputado -http://migre.me/25NeO

Paulo Renato distorceu a Lei Darcy Ribeiro. Confundiu "progressão continuada" com "formação de analfabetos"

Em 1995, FHC assume e cria a "aprovação automática". Menos repetentes, mais vagas sem gastar nada.

Sessenta países membros da OCDE submetem os estudantes ao ENEM – lá conhecido como teste PISA.

Na gestão Haddad, o FIES passou a dispensar fiador. E, se o aluno cursar Medicina ou se tornar professor de escola pública não paga o financiamento – o Estado paga tudo -http://migre.me/26s39

Para o ano que vem, o Haddad estabeleceu que o ENEM também será critério para receber financiamento do FIES- http://migre.me/24vxA

Institutos federais também usam o ENEM. Previsão de 83 mil vagas públicas para este ano.

Com avaliação mais rigorosa, Haddad fechou milhares de vagas de faculdades particulares. Faculdades particulares odeiam o Haddad.

Haddad fez o IDEB que deu transpararência à avaliação da educação básica. Cada município tem IDEB. Tem prefeito que odeia Haddad por conta dessa transparência.

Haddad fechou cursos à distância da universidade Castello Branco por falta de qualidade.

Um dos mais recentes embates de Haddad, contra a mercantilização da educação, foi com o todo poderoso Di Genio, do Objetivo.

Haddad criou a universidade aberta do Brasil com mais de 200 mil alunos estudando graduação à distância de graça

Haddad foi quem começou a distribuição de livros didáticos para o ensino médio em 2005. Antes era só para o ensino fundamental

Haddad criou 214 escolas técnicas e as transformou em institutos federais com cursos de graduação e pós-graduação. Especialmente licenciaturas para formar professores.

Haddad aumentou o orçamento do MEC de 19 bilhões para 70 bilhões em 2011.

Haddad estendeu o ensino obrigatório para nove anos e agora é obrigatório dos quatro aos dezessete anos. Emenda Constitucional.

Haddad criou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) com compromisso de metas de qualidade até 2022, firmado por todos os prefeitos e governadores do Brasil. Acordo histórico.

Haddad melhorou o IDEB do Brasil de 3.8 para 4.6 em quatro anos. Objetivo é chegar a seis em 2022 (média dos países da OCDE: mais ricos).

Haddad mais que dobrou o nº de vagas de ingresso nas universidades federais. De 113 mil para 270 mil.

Em 2009, número de novos alunos aumentou 17% em relação a 2008. E os formandos até 2008 são reflexos dos ingressos nas Federais até 2002.

A aprovação automática do Paulo Renato inflou índices na Educação Básica, esvaziou salas e dispensou novos investimentos.

Análise do Fernando Rodrigues da Folha de São Paulo: “Após Enem, chance de Haddad ficar no governo Dilma é quase zero” - http://migre.me/27HdT

OBS: O Haddad não ficará como Ministro da Educação nos próximos quatro anos do governo da Dilma porque em 2013 ele será o Prefeito de São Paulo.

Lula oficializa indicação de Tombini

Rosana de Cassia, da Agência Estado
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Senado Federal a indicação de Alexandre Tombini para o cargo de presidente do Banco Central no governo Dilma Rousseff.
A mensagem presidencial foi publicada nesta sexta-feira, 3, no Diário Oficial da União. Com a indicação já garantida, Tombini será sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos na terça-feira, como antecipou ontem o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).O próximo presidente do BC será sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos na terça-feira

TSE aceita julgar recurso de Maluf, barrado pela Lei da Ficha Limpa

Débora Zampier
Da Agência Brasil
Em Brasília
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram hoje (2) que o registro da candidatura de Paulo Maluf (PP-SP) a deputado federal pode ser julgado pelo tribunal. Por 6 votos a 1, o plenário derrubou o argumento do ministro relator, Marco Aurélio Mello. Ele alegou que a defesa de Maluf ajuizou recurso fora do prazo contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que negou o registro com base na Lei da Ficha Limpa.

No julgamento de hoje, os ministros não entraram na questão principal: se Maluf é ou não inelegível de acordo com a Lei da Ficha Limpa. Maluf foi enquadrado no artigo que determina a inelegibilidade de quem foi condenado por órgão colegiado por ato doloso de improbidade administrativa.

A data do julgamento do recurso de Maluf não foi marcada.

Não me causa espanto que o Tiririca tenha sido eleito deputado federal por São Paulo, com mais de 1 milhão de votos. Não votei nele, mas não tenho nada contra a sua eleição. Afinal, ele é conhecido do povo por ser um artista, cantor, é uma pessoa bastante popular; além disso, não está envolvido em corrupção, em roubo do dinheiro público. O que me espanta e causa muita indignação é a quantidade de paulistas que votaram em Paulo Maluf. Os mesmos paulistas que cobram do STF a lei Ficha Limpa. Maluf é um dos políticos mais corruptos do Brasil, foi preso pela PF, foi preso na França, teve suas contas no exterior bloqueadas, se pisar nos EUA será preso: há um mandado de prisão esperando por ele lá. Maluf é um corrupto com fama internacional, e se elegeu graças a centenas de milhares de eleitores de São Paulo, garantindo foro privilegiado. E ainda tem promotor que ao invés de tentar barrar a eleição do Maluf, fazer com que devolva aos cofres públicos o dinheiro que roubou de São Paulo, e foi muito, fica causando pela eleição do Tiririca. Depois, quando dizem que há um povinho muito besta em SP, tem gente que acha isso um absurdo. Absurdo é eleger Maluf!
Jussara Seixas



Brasileiro está otimista com Dilma e vê influência de Lula

Pesquisa Vox Populi encomendada pelo iG mostra o que os brasileiros esperam do governo da presidenta eleita
Matheus Pichonelli, iG São Paulo

O brasileiro chega ao final do ano otimista em relação ao governo Dilma Rousseff, que assumirá o comando do Palácio do Planalto no próximo dia 1º de janeiro. Pesquisa encomendada pelo iG ao instituto Vox Populi mostra que, para a maioria dos entrevistados, a presidenta eleita terá condições de manter as conquistas do atual governo, contará com um quadro econômico favorável e será capaz de dar ao País uma projeção internacional maior que a obtida nos últimos oito anos. Os entrevistados, no entanto, ainda associam essa expectativa de sucesso à influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no governo. A partir desta quinta até domingo o iG publica reportagens com os resultados da pesquisa.

Leia também: Vox Populi/iG: Brasileiros querem que Dilma priorize saúde

Segundo o levantamento, 57% dos brasileiros acreditam que Lula terá forte influência sobre o futuro governo – e não apenas apoiará Dilma caso ela necessite, como prega o discurso oficial, e como afirmam que deve acontecer 38% dos entrevistados. Lula, que chega ao final do mandato com índices recordes de popularidade, foi o maior fiador da campanha de Dilma à Presidência.

Entre os atributos que os entrevistados associam à futura presidenta estão a sinceridade (citada por 59% dos participantes), liderança e capacidade de comando (67%), preparo para administrar o País (65%), preocupação com os pobres (65%) e melhores propostas (67%). No Nordeste, todos esses atributos são citados por mais de 70% dos entrevistados. Após a eleição da petista, 81% das pessoas dizem que o Brasil caminha hoje na direção certa – contra 8% que dizem o contrário. O índice chega a 88% no Nordeste.

Para 65% dos entrevistados, Dilma poderá se beneficiar de um cenário econômico mais favorável, já que sua expectativa é de melhoria nesta área durante os próximos quatro anos. Outros 24% acreditam que a economia deve permanecer como está e apenas 6% afirmam prever uma piora no cenário.

O índice de otimistas em relação à economia é maior no Nordeste, onde 72% das pessoas esperam evolução na economia. A maioria das pessoas acredita que Dilma será capaz de fazer um mandato tão bem avaliado como o do atual presidente – outros 22% acham que o mandato será ainda melhor (o índice chega a 28% no Centro Oeste). Entre os entrevistados que disseram ter votado em José Serra (PSDB) nas últimas eleições, 22% acreditam que o governo Dilma será pior que o de Lula – a média da pesquisa, entre os “pessimistas”, é de 10%.

A maioria dos entrevistados acredita também que, mesmo sem a liderança do presidente Lula, o Brasil vai continuar aumentando sua importância no cenário internacional. Essa é a avaliação de 61% das pessoas, enquanto 28% não acreditam nessa evolução. A região onde estão concentrados os eleitores mais otimistas quanto à projeção internacional do País é o Nordeste (67%).

A aliança com o PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer, é vista de forma positiva por 43% dos entrevistados. Apenas 9% dizem que a atuação do PMDB no futuro governo será negativa – para 25% ela será apenas “regular”.

A pesquisa ouviu 2.200 pessoas em 161 municípios e foi realizada entre os dias19 e 23 de novembro. A margem de erro é de 2,1 pontos percentuais.

SERRA PARA PRESIDENTE........CAUSA ARREPIOS




O governador eleito Geraldo Alckmin, de SP, começou a defender que José Serra (PSDB-SP) seja eleito para a presidência do PSDB. A possibilidade causa arrepios no partido em Minas Gerais. Sob a bandeira da "refundação" da legenda, os mineiros defendem que lideranças derrotadas nas eleições deste ano sejam meras "conselheiras". E que o comando da agremiação fique com o senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) ou com alguém ligado a ele.
Mônica Bergamo
bergamo@folhasp.com.br

02 Dezembro 2010

Lula: Ativistas da comunicação devem se preparar para debate sobre regulação


Os ativistas da comunicação no Brasil devem se preparar para o importante debate sobre a mudança na regulação no setor, que se dará com força total no próximo governo, com destaque para o papel da sociedade civil nas discussões, alertou o presidente Lula em entrevista a oito rádios comunitárias concecida nesta quinta-feira (2) no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). O Ministério das Comunicações do governo Dilma Rousseff irá priorizar esse debate, avisou, porque a legislação brasileira é ultrapassada e não reflete o mundo altamente tecnológico e conectado à internet que temos hoje.

"O novo Ministério está diante de um novo paradigma de comunicação. Quero alertar vocês porque esse debate vai ser envolvente, tem muita gente contra e muita gente a favor. Certamente, o governo não vai ganhar 100% e quem é contra não vai ganhar 100%. Eu peço que vocês se preparem para esse debate. Se a gente fizer um bom debate conseguiremos encontrar um caminho do meio. Esse será o papel do novo Ministério de Comunicações", afirmou o presidente.

Lula expressou a vontade de se dedicar às discussões a respeito do Marco Regulatório das Comunicações após o fim do mandato, já que, segundo disse, poderá ter um discurso que não podia ter na função de presidente da República. Ele disse que como militante político exercerá um papel centralizador dos debates da sociedade brasileira para politizar a questão do marco regulatório e “resolver a história das telecomunicações de uma vez”. Para isso, ΅é preciso ter força política” e embasamento, para vencer “o monopólio”que existe atualmente nas comunicações.

Na opinião do presidente, é preciso mudar urgentemente o padrão da comunicação brasileira, que não reflete a pluralidade do País e não contribui para a difusão da diversidade cultural. Lula disse que não é mais possível que uma pessoa que mora na região Norte, por exemplo, só tenha acesso à programação de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na opinião dele, “sem querer tirar nada de ningúem”, é preciso que se dê a oportunidade para que moradores do Sudeste tenham acesso às informações de todo o País e para que todas as regiões estejam em contato com sua própria cultura.

"A democracia tem uma mão para ir e uma para voltar. Por isso é que nós trabalhamos a necessidade que você tenha uma programação regional para uma interação mais forte. Acho que poderemos avancar", disse ele.

Durante a entrevista, que durou pouco mais de uma hora, o presidente falou sobre o preconceito que existe na política brasileira que o vitimou “a vida inteira” e que o assustou durante a campanha presidencial. Lula ressaltou, entretanto, que acredita que prevalecerá o bom senso e que está certo de que Dilma Rousseff fará mais e melhor, porque encontrou um País muito mais desenvolvido e com a economia em amplo crescimento.

"O que eu vi nessa campanha me assustou. Eu sempre fui vítima de preconceito, carreguei a vida inteira, e o preconceito deixa marcas profundas, quase que incuráveis. Eu não tinha noção de que eles seriam capazes de fazer uma campanha tao preconceituosa quanto fizeram com a Dilma… apenas porque era uma mulher candidata. Mas podem ficar certos de que a Dilma não veio de onde eu vim, mas ela vai para onde eu fui", lembrou Lula.

Participaram da entrevista com o presidente Lula as rádios Maria Rosa, de Curitibanos (SC); Heliópolis, de São Paulo (SP); Líder Recanto, do Recanto das Emas (DF); Oito de Dezembro, de Vargem Grande Paulista (SP); Santa Luzia, de Santa Luzia (MG); Cidade, de Ouvidor (GO), Fercal, de Sobradinho (DF) e Comunitária Integração, de Santa Cruz do Sul (RS). A entrevista foi transmitida ao vivo pelo Blog do Planalto e também por diversos outros blogs do País.

Ouça a íntegra da entrevista no Blog do Planalto


http://blog.planalto.gov.br/

GOVERNO LULA:Produção industrial bate recorde de alta no acumulado em 12 meses, diz IBGE

A produção industrial brasileira registrou expansão de 11,8% no acumulado dos dez primeiros meses deste ano, o mesmo acréscimo apresentado nos últimos 12 meses, que manteve a trajetória ascendente iniciada em outubro do ano passado e alcançou a taxa mais elevada da série histórica.

Considerando apenas outubro, houve crescimento de 0,4% na comparação com o mês anterior, na série livre de influências sazonais, segundo os dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE.



Nos dois meses anteriores, o indicador havia ficado praticamente estável (-0,1% em agosto e 0,1% em setembro).

Já no confronto com o mesmo mês do ano passado, houve avanço de 2,1%, apontando desaceleração no ritmo de alta frente os resultados anteriores.

SETORES
O resultado da atividade industrial entre setembro e outubro (0,4%) se deveu ao crescimento na produção em 12 ramos e à queda em outros 15.

Entre os que avançaram, os principais impactos vieram de farmacêutica (4,9%), outros produtos químicos (2,9%), veículos automotores (1,6%), produtos de metal (5,3%), metalurgia básica (2,7%) e outros equipamentos de transporte (6,0%).

Na comparação com igual mês do ano anterior, a produção industrial mostra expansão há 12 meses, mas a taxa de outubro (2,1%) foi a menor do período devido à quantidade de dias úteis e à elevação da base de comparação.

Setorialmente, o avanço atingiu 17 das 27 atividades pesquisadas, com destaque para veículos automotores (7,4%), máquinas e equipamentos (9,0%), indústrias extrativas (8,6%) e produtos de metal (12,7%).

No acumulado do ano (11,8%), as taxas positivas foram registradas em 25 dos 27 ramos, com veículos automotores (26,7%), máquinas e equipamentos (29,2%) e metalurgia básica (21,5%) exercendo os maiores impactos positivos.

Na análise dos 12 meses terminados em outubro, o destaque ficou com o aumento na produção de bens de capital (21,1%) e de bens intermediários (12,8%). Já o item bens de consumo, que na média apresentou crescimento de 7,8%, teve desempenhos distintos entre os duráveis (15,4%) e semiduráveis e não duráveis (5,6%).

CHARGE DO BESSINHA


Lula defende acesso de país pobre a remédio contra aids


LÍGIA FORMENTI - Agência Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que é necessário produzir alternativas para ampliar o acesso da população mundial a medicamentos usados no tratamento contra a aids. A afirmação foi feita em cerimônia no Palácio do Itamaraty para lembrar o Dia Mundial de Luta contra a Aids/HIV.

Segundo Lula, é preciso analisar o modelo comercial e de propriedade intelectual existente no mundo e encontrar alternativas para fazer frente às medidas restritivas sofridas por países mais pobres, sobretudo os africanos. Ele disse que, além do combate à fome, é essencial a luta contra a aids naquele continente para o surgimento de uma nova África, que poderá fazer um mundo mais justo, mais igualitário.

Lula afirmou que a partir de 1º de janeiro entrará em férias, não tanto para descansar do período de governo (oito anos), mas pelas três eleições que disputou. Lula disse que depois do período de descanso ele gostaria de trabalhar contra o preconceito. "Eu fui vítima do preconceito. Sei o que é preconceito contra os pobres, contra negros, contra a mulher. Naquilo que depender de mim, pode contar", afirmou Lula, para quem o preconceito é uma das mais danosas doenças.

HOJE : PRESIDENTE LULA NAS RÁDIOS COMUNITÁRIAS

O Blog do Planalto e a #dilmanarede transmitirá, nesta quinta-feira (2), a partir das 9 horas, a entrevista coletiva que o presidente Lula concederá a 10 emissoras de rádio comunitária no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).

A transmissão será ao vivo e terá sinal aberto para todas as emissoras de rádio do País. Você poderá acompanhar a entrevista aqui ou, se preferir, em seu próprio blog/página – basta copiar o código abaixo e colar no local desejado.

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Que Gilmar Mendes não solte os bandidos do Rio

Artigo do Messias Pontes

O Brasil inteiro assistiu, atônito, nos últimos dias, às ações das forças militares e policiais no Rio de Janeiro contra o crime organizado. Toda a sociedade apoiou o combate sem trégua aos bandidos e aplaudiu por não atingir pessoas inocentes nos morros da Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. Muita droga – maconha, cocaína e crack – e muita arma pesada e farta munição foram apreendidas, causando enorme prejuízo financeiro aos traficantes, calculado em mais de R$ 100 milhões.
A sociedade brasileira aplaudiu também a prisão de vários “chefões” do tráfico, mas espera que os que conseguiram furar o cerco sejam presos no curto prazo. Espera também que haja uma averiguação rigoroso para apurar denúncias de que maus policiais facilitaram a fuga de alguns bandidos tanto no morro da Vila Cruzeiro como no Complexo do alemão. Há denúncias também de excesso por parte de policiais e até mesmo de roubo, conforme declarou um morador da Vila Cruzeiro que um soldado lhe roubou R$ 31 mil, dinheiro recebido da rescisão de contrato de trabalho.
Mas o que os brasileiros de bem esperam mesmo é que o ministro Gilmar Mendes – ou Gilmar Dantas, conforme o jornalista Ricardo Noblat – não venha a decretar a liberdade dos bandidos presos durante a operação policial-militar. A preocupação é procedente, pois este ministro, que infelizmente chegou à presidência da mais alta Corte de Justiça do País, tem sido benevolente, para não dizer um pai, com bandidos de colarinho branco.
Para surpresa geral, Gilmar Mendes soltou o banqueiro-bandido italiano Alberto Salvatore Cacciola, dono do banco Marka, que deu um rombo de mais de R$ 1,5 bilhão. Em liberdade, Cacciola fugiu para o seu país, e só foi preso pela Interpol quando resolveu passear no Principado de Mônaco, e depois extraditado para Cá. Ele foi condenado a 13 anos de prisão por gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público.
Gilmar Mendes, para não perder a fama, concedeu celeremente dois habeas corpus ao também banqueiro-bandido Daniel Dantas, indiciado por vários crimes, entre eles gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Além de proteger o banqueiro-bandido, Gilmar Mendes perseguiu implacavelmente o delegado federal Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha que apurou a roubalheira de do dono do banco Opportunity ; também perseguiu o legado federal Paulo Lacerda, então diretor da ABIN, e o juiz Federal Fausto di Sanctis que decretou as prisões de DD.
A posição e as decisões do ministro Gilmar Mendes foram tão esdrúxulas que um movimento nacional ganhou corpo para o seu impeachment, o que acabou não acontecendo porque a maioria dos senadores é muito conservadora e medrosa, para não dizer covarde. Dezenas de entidades nacionais se manifestaram pelo impeachment desse ministro que foi indicado pelo Coisa Ruim (FHC) para o Supremo Tribunal Federal apesar das advertências feitas pelo grande jurista Dalmo de Abreu Dallari.
Setores progressistas da igreja católica têm denunciado as ações antidemocráticas de Gilmar Mendes, notadamente na criminalização dos movimentos sociais, em especial do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Comprometido com os interesses do baronato da mídia, esse ministro tornou sem efeito a obrigatoriedade do diploma de curso superior em Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista.
Agora, para indignação geral, o ministro Gilmar Mendes põe em liberdade o médico-monstro Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão, em primeira instância, por crimes sexuais contra 60 pacientes. O relato das vítimas desse monstro, que é milionário, chocou a todos, menos ao ministro do STF que não gosta de ver bandido de colarinho branco na cadeia.
A consciência democrática brasileira não aceita, por hipótese alguma, que o ministro Gilmar Mendes tenha a petulância de ordenar a soltura dos traficantes de drogas e armas do Rio de Janeiro, presos nos últimos dias nas comunidades de Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão.

Serra garante que não concorre à sucessão de Kassab

Julia Duailibi - O Estado de S.Paulo

O candidato derrotado à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, descartou ontem a possibilidade de concorrer à Prefeitura de São Paulo na eleição municipal de 2012.

Em reunião com cerca de 200 sindicalistas, num hotel na zona norte da capital paulista, o tucano disse que não pretende concorrer ao cargo que disputou em 2004. Afirmou, no entanto, que pretende continuar na política, mas não deu pistas se entrará na corrida presidencial de 2014.

"Não sou candidato em 2012, mas continuo na política, que faço com prazer há muitos anos", declarou o tucano, segundo relato de sindicalistas que estiveram presentes ao encontro. O ex-governador paulista deu a declaração após ouvir da plateia manifestações sobre seu futuro político e a disputa pela prefeitura.

Eu acredito no Serra. Acredito também em duendes, mula sem cabeça, coelhinho da Páscoa, Papai Noel.............................................

01 Dezembro 2010

A cara do governo

Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi


A reação de parte da imprensa às informações sobre a composição do governo Dilma é curiosa. Em alguns veículos, chega a ser cômica.

Outro dia, um dos jornais de São Paulo estampou em manchete que Dilma estava “montando o núcleo de seu ministério com lulistas”. O que será que o editor imaginava? Que ela fosse recrutar “serristas” para os postos-chave de sua administração?

Como ensinam os manuais do jornalismo, essa não é uma notícia. Ou será que algo tão óbvio merece destaque? “Cachorro come linguiça” não é um título para a primeira página. No dia em que a linguiça comer o cachorro, aí sim a teremos uma notícia (que, aliás, deverá ser impressa em letras garrafais).

Na mesma linha, um jornal carioca achou que era necessário alertar os leitores para o fato de que “Lula está indicando várias pessoas para o governo Dilma”. Em meio a estatísticas sobre quantos nomes já havia emplacado, a matéria era de franca desaprovação.

Na verdade, tanto nessa, quanto na manchete do jornal paulista, estava implícita quase uma denúncia, como se um duplo mal-feito estivesse sendo cometido. Por Lula, ao “se meter” na formação do novo governo, ao “tentar interferir” onde, aparentemente, não deveria ter voz. Por Dilma, ao não reagir à intromissão e o deixar livre para apontar nomes.

Quem publica coisas assim dá mostras de não ter entendido a eleição que acabamos de fazer. Não entendeu como Lula, seu principal arquiteto, a concebeu, como Dilma encarnou a proposta, e como a grande maioria do eleitorado a assimilou.

Tudo mundo sabe que, quando Lula formulou o projeto da candidatura Dilma, a ideia central era de continuidade: do governo, de suas prioridades, de seu estilo. Ele nunca disse o contrário e insistiu no uso de imagens que caracterizavam, com clareza, o que ela representava. Para que ninguém tivesse dúvidas, chegou a afirmar que votar em Dilma era a mesma coisa que votar nele. Foi explícito nos palanques, nas declarações, na televisão.

Dilma sempre falou a mesma coisa. Mostrou-se à vontade como representante de Lula e do governo, seja por sua lealdade para com o presidente, seja pela boa razão de que o governo era dela também. Apresentar-se ao país como candidata de continuidade nunca a deixou desconfortável, pois significava defender aquilo a que havia se dedicado nos últimos oito anos.

Isso foi bem entendido pelos eleitores. Desde o primeiro momento e até o fim da eleição, as pessoas olharam para Dilma sabendo qual era a natureza de sua candidatura. Muitas descobriram suas qualidades pessoais, mas o núcleo da decisão de votar em seu nome foi outro, como mostraram as pesquisas.

Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse, se os eleitores olhassem para o que cada candidato representava e não se limitassem a fazer a velha comparação de biografias.

Agora, quando Dilma escuta Lula na montagem do governo, ela apenas cumpre a promessa fundamental de sua candidatura, a razão principal (para alguns eleitores, a única) dela ter sido votada. Quando dá mostras de que manterá ministros e dirigentes, faz apenas o natural. Se, por exemplo, se comprometeu durante a campanha com a preservação de determinada política, porque razão não seria adequado que o responsável permanecesse?

O governo que está sendo organizado terá a cara da continuidade, política e administrativa. Terá a cara de Lula, do PT e das outras forças partidárias que venceram a eleição. Terá a cara da atual administração, que é aprovada pela maioria da sociedade. Terá a cara de Dilma, pois é ela que o chefiará.

É isso que foi combinado com o país.

Correio Braziliense

Lula eclusas de Tucuruí



Da Agência Brasil

Brasília – O primeiro evento oficial de governo com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta eleita, Dilma Rousseff, depois das eleições, foi marcado pela troca elogios. Durante a inauguração das eclusas da Usina Hidrelétrica de Tucuruí , no Rio Tocantins, no Pará, Lula afirmou que Dilma poderá fazer em quatro anos mais do que ele fez em oito. Já Dilma, afirmou que Lula entrará para a história como maior presidente que o Brasil já teve.
Em seu discurso, Lula ressaltou que Dilma assumirá o país no ano que vem com investimentos recorde e em andamento as maiores obras hidrelétricas e de ferrovias do mundo.

Dilma afirmou que a construção da Hidrelétrica de Tucuruí mostra da sensibilidade política de Lula. “Esta obra é a manifestação da sensibilidade política. O presidente Lula sabia que a eclusa abre para o Pará, para a Região Norte e para o Nordeste para oportunidade de geração de emprego e de renda. Cria oportunidade para jovens, homens e mulheres estudarem no campos avançado de Tucuruí. Essa sensibilidade que torna o presidente Lula o presidente de todos os brasileiros, principalmente daquelas regiões mais pobres do país”.

O presidente disse que as obras de Tucuruí só serão bem aproveitadas se trouxerem benefícios aos moradores do Pará e a todos os brasileiros. “Essa eclusa que inauguramos hoje, que falaram que tem não sei quantos maracanãs, elas só terão sentido se significarem a melhoria da qualidade de vida de homens e mulheres que moram nesse país. Se for apenas para os ricos passarem e não deixarem parte de sua riqueza, estaremos cometendo o mesmo erro histórico em que os ricos ficavam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”.

De acordo com o ministério de Minas e Energia, o sistema de transposição de desnível (eclusas) construído na Hidrelétrica de Tucuruí possibilitará a utilização dos rios Tocantins e Araguaia como hidrovias de grande porte, permitindo o tráfego de comboios com capacidade de carga de 19 mil toneladas.

As eclusas de Tucuruí, que são as maiores do Brasil e uma das maiores do mundo, segundo o ministério, compõem um conjunto de tanques para elevar ou baixar embarcações em diferentes níveis. Cada um dos dois tanques mede 33 metros de largura e 210 metros de comprimento, com 44,5 metros de altura e capacidade para dar passagem a 40 milhões de toneladas de cargas por ano. De acordo com o Ministério dos Transportes, as eclusas permitirão a passagem de um comboio de até quatro barcos do tipo chatas, por elevação ou descida, em uma mesma operação.

QUEM PERGUNTA O QUER OUVE O QUE NÃO QUER!

Breno Costa, do UOL:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se irritou nesta terça-feira ao ser questionado se agradeceria à "oligarquia Sarney" pelo apoio dado durante seu governo.

Na cerimônia que marcou o fechamento simbólico da primeira de 14 comportas da Usina Hidrelétrica Estreito, no Maranhão, erguida ao custo de R$ 4 bilhões na divisa do Maranhão com o Tocantins, estavam presentes a governadora Roseana Sarney (PMDB), e o aliado e ex-ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão (PMDB-MA).

Lula recomendou que o repórter [Leonêncio Nossa, do jornal O Estado de S. Paulo], autor da pergunta, fizesse "psicanálise".

"Eu agradeço [aos Sarney], e a pergunta preconceituosa sua é grave para quem está há oito anos comigo em Brasília. Significa que você não evoluiu nada do ponto de vista do preconceito, que é uma doença. O presidente Sarney é o presidente do Senado. E o Sarney colaborou muito para que a institucionalidade fosse cumprida. Você devia se tratar, quem sabe fazer psicanálise, para diminuir um pouco esse preconceito."

Roseana ainda disse que a pergunta demonstrava "preconceito contra a mulher".

A semelhança do ministério já anunciado pela presidente eleita, Dilma Rousseff, com o do seu próprio governo foi considerado natural por Lula, que voltou a negar que indique nomes para a sucessora.

Segundo o presidente, Dilma não poderia indicar adversários políticos.

"Ela indicou companheiros que foram ministros junto com ela. Ela convive com eles há muitos anos. Você queria que ela convidasse quem, os adversários? Você queria que ela convidasse o José Serra para ministro da Fazenda?", questionou.




O presidente Lula deu a resposta a altura para a pergunta maldosamente feita pelo jornalista. Ora se o jornalista quer perguntar o que lhe vem a cabeça, ou se foi instruído por seus chefes a fazer uma pergunta impertinente, capciosa, tem que saber que vai receber uma resposta a altura, uma resposta que talvez não lhe agrade. Toda a ação tem uma reação, o presidente Lula foi certeiro, respondeu no ato sem rodeios, disse o que esse jornalista merecia ouvir.