
No final da tarde desta sexta-feira, a presidente da CPI da Corrupção da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputada Stela Farias (PT), entregou ao procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Geraldo Da Camino, novos documentos de despesas da Casa Militar do governo de Yeda Crusius (PSDB), desta vez com a aquisição de objetos de cama, mesa e banho na loja Varal, em Porto Alegre. Segundo a deputada, foram gastos R$ 3,14 mil na aquisição de produtos como lençol especial, toalha de rosto e toalha de banho.
"Todos são artigos de luxo adquiridos com dinheiro público, sem tomada de preço e sem justificativa, comprados em uma loja de artigos sofisticados e cujo destino é desconhecido, o que mostra, mais uma vez, a confusão que a governadora faz entre o público e o privado", argumentou a parlamentar.
Segundo Stela, esta não foi a única compra realizada na loja em 2007. De acordo com a Consulta Integrada de Processos no Arquivo - o sistema pesquisado pela deputada -, foram gastos mais de R$ 31 mil em objetos de cama, mesa e banho.
Como a legislação determina a obrigatoriedade de licitação para despesas acima de R$ 8 mil, a suspeita é que o fracionamento do gasto seja uma forma de burlar a exigência legal. A deputada solicitou que o procurador anexe a nova documentação à representação já encaminhada pelo PT no dia 8 de outubro.
Geraldo da Camino, que entra em férias na segunda-feira, prometeu analisar o material ainda hoje. "Dependendo da avaliação, vamos agregar o fato à solicitação, que já encaminhamos ao presidente do Tribunal de Contas do Estado, de realização de uma inspeção especial nos gastos da Casa Civil e da Casa Militar". O pedido de Da Camino deve ser julgado pelo pleno do TCE na próxima quarta-feira.
Na semana passada, a oposição informou que recebeu denúncia de compras feitas em abril de 2007 e entregues na casa da governadora. Entre o material, estaria 70 m² de piso de borracha destinado para uma guarita. Também foram comprovadas pela Casa Civil a compra de móveis. O advogado da governadora, Fábio Medina Osório, disse que não há nenhuma irregularidade com a compra do material. Segundo ele, o procedimento foi aprovado pelo Tribunal de Contas do Estado.
De acordo com o relator da CPI da Corrupção, deputado Coffy Rodrigues (PSDB), é de praxe de todos os governos a compra de bens ou melhorias para residências com verba pública. Segundo o deputado, não há ilegalidade nas compras porque a casa onde mora a governadora, na zona norte de Porto Alegre, é considerada uma residência oficial.
Na quarta-feira, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) aceitou um pedido da governadora para retirar a tucana de uma ação civil pública de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF). A defesa de Yeda alegou que ela não poderia ser julgada na primeira instância da Justiça Federal nesse tipo de ação. O processo é resultante da Operação Rodin, que apura o desvio de verbas envolvendo o Detran-RS, a Universidade Federal de Santa Maria e fundações de apoio.




















