11 julho 2009

A mídia está reescrevendo a história
Por Zé Dirceu
(artigo publicado no Jornal do Brasil, em 10 de julho de 2009)
O que vemos nas comemorações dos 15 anos do Plano Real é mais do que uma campanha explícita a favor dos tucanos. A mídia está reescrevendo a história do país nesse período, ocultando o desastre do segundo governo FHC e os erros cometidos na implementação do Real, o que não significa desconhecer seu sucesso como plano anti-inflacionário que superou os erros e falhas dos anteriores, e apagou a memória inflacionária introjetada na economia pela indexação obrigatória imposta ainda no governo militar.Há um esquecimento proposital da chamada herança maldita de FHC, cuja lista inclui dívida interna em dobro, dolarizada e, a curto prazo, juros reais altos, carga tributária 7% maior com relação ao PIB, ausência de reservas cambiais, a desastrada paridade cambial que quase quebra o país e o risco de desindustrialização, sem falar na ausência de investimentos na infraestrutura, desregulamentação da economia, privatizações com desnacionalização, ausência total de política de inovação tecnológica dentro de uma política industrial, dependência do FMI e desmantelamento do Estado brasileiro e dos bancos públicos como agentes do desenvolvimento do país, e perda do sentido de soberania e presença no mundo.Mais grave é a tentativa de desmoralizar o governo Lula, com uma pregação ideológica e política sobre a continuidade do Real, como se toda política econômica do atual governo decorresse daquele plano. Querem apagar nosso esforço fiscal e monetário nos anos 2003-04, que desdolarizou a dívida interna e a alongou, repôs nossas reservas cambiais, controlou a inflação e criou as condições para a retomada do crescimento e dos investimentos públicos. Sem essas medidas não teríamos condições de enfrentar a crise internacional e fazer as reformas tributária, previdenciária e do judiciário; nem teria sido possível toda a legislação sobre mercado de capitais, imobiliário, recuperação das empresas, incluindo o estatuto da pequena e média, muito menos transformar os bancos públicos em bancos de fomento ou retomar os investimentos em infraestrutura, em saneamento e habitação, tampouco promover mudanças na educação e adotar programas sociais como o Bolsa Família e o Luz para Todos. E, principalmente, não teríamos as condições para criar 11 milhões de empregos em menos de sete anos, quando na era tucana perdemos milhões de postos de trabalho e criamos apenas 800 mil formais no segundo governo FHC.Vemos uma campanha histérica sobre o aumento dos gastos públicos, seja via desonerações fiscais ou rajuste salarial do funcionalismo, seja via programas sociais, tratados como simples repasses de recursos públicos, sem efeito social e econômico. Ignoram que nossa economia resistiu à crise internacional, entre outras razões, pela força de seu mercado interno, gerada pelo aumento dos salários, da renda familiar, dos investimentos públicos e do crédito sustentados pelo governo e pelos bancos públicos. Escondem que nos tiraram R$ 40 bilhões da CPMF (que 95% da população não pagava) e, apesar disso e do aumento dos gastos, ainda temos um superávit de 2,5% e a dívida interna de cerca de 42% do PIB, com a inflação dentro da meta e os juros em queda, hoje 4,5%, os mais baixos dos últimos 15 anos.Protestam, ainda, pelo aumento do salário mínimo na proporção do crescimento do PIB, logo, abaixo deste. Inventam medidas que o governo não apóia - pelo contrário, são reivindicações inclusive de seus governadores (como renegociação da dívida dos estados e municípios), ou de seus congressistas (que apóiam medidas que aumentam, sem apoio do governo, os benefícios e gastos da previdência) e por fim o escandaloso calote nos precatórios, outra reivindicação dos seus governadores e prefeitos, mas atribuída ao governo Lula. Outra tese é que o governo quer reduzir os juros na marra ou por decreto e não respeita a independência do Banco Central,. Escondem, aí, a defesa tucana do capital rentista e financeiro quando os fatos provam que tanto os juros podem cair que os bancos públicos os estão reduzindo, sem perder eficiência e lucratividade.Nossos neoliberais tupiniquins, ancorados na mídia, insistem em uma suposta crise fiscal para os próximos anos, desconhecendo que todos os países do mundo aumentaram suas dívidas internas e gastos públicos, desonerando a produção e estimulando o consumo, como tem feito o governo Lula. Na ausência de uma agenda para 2010, só podem fazer terrorismo e tentar impingir sua agenda do passado neoliberal, enterrada nos escombros da crise financeira internacional.

Vídeos gravados por aliados de Beto Richa levantam mais suspeitas contra o prefeito
Agência Folha, em Londrina

Agência Folha, em Curitiba
Um vídeo gravado por dois auxiliares diretos do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), para tentar desqualificar denúncias de irregularidades na campanha eleitoral que reelegeu o tucano em 2008, acabou por levantar mais suspeitas sobre a existência de um suposto caixa dois na campanha.
O vídeo foi gravado pelo procurador-geral do município, Ivan Bonilha, e pelo diretor de Transportes da URBS (empresa municipal que administra o transporte coletivo), Fernando Ghignone. Na gravação, eles conversam com o ex-gerente comercial da construtora Piemonte, Rodrigo Oriente.
Oriente trabalhou em um comitê de apoio a Richa em 2008. Foi ele quem levou à Procuradoria Regional Eleitoral, no fim do mês passado, a acusação de que esse comitê supostamente recebeu recursos de caixa dois --o que detonou uma crise na administração tucana.
A Piemonte, empresa de loteamentos que atua em Curitiba, pertence a holding Plenaventura e foi a terceira maior doadora da campanha de Richa em 2008. Nas eleições daquele ano, Ghignone era o coordenador financeiro da campanha de Richa e Bonilha era o advogado tucano da campanha.
Com mais de três horas de gravação, o vídeo registra conversas entre eles e Oriente em 10, 11 e 13 de junho deste ano.
As gravações foram feitas no escritório da distribuidora de livros de Ghignone. No dia 22, quando a acusação de caixa dois chegou ao jornais, o PSDB divulgou uma edição de 11 minutos do vídeo, em que Oriente fala que existia ''pressão'' de opositores de Richa para que as denúncias fossem feitas.
A íntegra do vídeo, no entanto, mostra que Oriente também citou na conversa uma série de outros supostos casos de corrupção na Prefeitura de Curitiba e de fraudes na arrecadação de IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) para alimentar a campanha tucana.
Oriente afirma a seus interlocutores que enumerou 26 casos de crimes ambientais e urbanos em depoimento ao Nurce (Núcleo de Repressão ao Crime Econômico), órgão da Polícia Civil do Paraná.
Ao ouvirem as denúncias, Bonilha e Ghignone dizem que ''irão tomar providências''. A íntegra da fita foi entregue à Folha pelo próprio Richa, que também a encaminhou ao MPF (Ministério Público Federal).
Na gravação, Oriente diz que a Piemonte negociou com Richa --entre o final de 2007 e o início de 2008-- que a arrecadação de IPTU de 6.220 terrenos em um loteamento não fosse para os cofres públicos, mas sim para a campanha tucana.
''A prefeitura lança o IPTU para a Piemonte, a Piemonte pega aquele IPTU e, em vez de pagar, resolve não pagar, ficar com o dinheiro. Então foi feito um acordo, que eu participei dele com o prefeito, em que a Piemonte iria doar esse dinheiro para a campanha."
O esquema gerou R$ 334 mil para a campanha de Richa, diz Oriente. Ele afirma que R$ 200 mil foram o comitê central de Richa e o restante foi entregue a comitês pró-Richa espalhados pelos bairros de Curitiba.
Segundo ele, o dinheiro nem saiu dos cofres da Piemonte, que cobrou o IPTU dos compradores de lotes. A prestação de contas de Richa ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) aponta a Piemonte como doadora de R$ 201 mil à sua candidatura.
Ouvido ontem pela Folha, Oriente reafirmou sua versão e disse que o montante não declarado ao TRE foi para o caixa dois da campanha.
A seus interlocutores no vídeo Oriente diz que a Piemonte subornou um funcionário municipal para aterrar a nascente de um rio na zona sul de Curitiba para implantar um loteamento com 479 lotes.
Outro lado
A assessoria de Richa, membros da coordenação de sua campanha à reeleição e a direção da empresa Piemonte contestaram as afirmações do ex-gerente comercial Rodrigo Oriente.
Todos negam a veracidade das denúncias apresentadas por ele nas gravações.
Eles questionaram por que Oriente não trouxe a público os documentos que afirma dispor para comprovar as denúncias que apresentou à polícia.
O diretor-geral da Piemonte, Rui Demeterco, classificou as denúncias de "levianas". De acordo com o empresário, Oriente coordenava uma equipe de vendas de lotes e jamais participou de reuniões que decidiam os rumos da empresa.
Demeterco disse que os repasses à campanha de Richa foram declarados à Justiça Eleitoral. Ele apontou como "loucura" as afirmações de Oriente sobre supostas negociações envolvendo uso de dinheiro do IPTU de moradores de um loteamento na campanha tucana.
Oriente foi demitido da Piemonte no ano passado, após seis anos de empresa, mas o empresário disse que não iria dar detalhes sobre os motivos da dispensa.
Fernando Ghignone, que atuou na coordenação financeira da campanha de Richa, diz que as gravações foram feitas em seu escritório para comprovar eventual "achaque" de Oriente, o que não aconteceu.
O procurador-geral de Curitiba, Ivan Bonilha, disse que determinou a instauração de 14 sindicâncias administrativas após as conversas que ele e Ghignone tiveram com Oriente. Segundo Bonilha, Oriente disse que apresentaria documentos que comprovariam suas acusações, o que não teria ocorrido até ontem.
Por meio da assessoria, o prefeito de Curitiba disse "não ter nada para esconder", voltando a afirmar que sua prestação de contas à Justiça Eleitoral não contém irregularidades.
Como exemplo de transparência, a assessoria de Richa disse que a gravação das conversas com Oriente foram encaminhadas sem cortes à Procuradoria Regional Eleitoral.
SERRA É UM GRANDE CARA DE PAU!
Uma ONG na Suíça, em Genebra, a World Family Organization (WFO), que tem como presidente uma brasileira, Deise Noeli Weber Kusztra, que tem altas ligações com o DEM/PSDB premia Serra. Deise Noeli responde no Brasil um processo na décima oitava vara cível de Curitiba por desvio de R$ 592 mil, de outra ONG a Saza Lattes que ela dirigiu de 1997- 2000. Por mera coincidência, resolve premiar o José Serra, por ele ter sido ministro da Saúde de FHC, exatamente quando o presidente Lula recebe prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).

Ricardo Kotscho escreveu: "Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula “por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos”.Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje _ anteriormente nenhum deles brasileiro _ , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos.Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimônia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz."


A oposição está crente que somos idiotas, lógico que a premiação de Serra foi acertada, combinada, quem sabe paga a tal ONG, para que Serra saísse bem na fita, para ser usado na propaganda eleitoral, e para ofuscar a premiaçõa do presidente do Lula. Esse tipo de sujeira envergonha o Brasil aqui e no exterior.


A ONU citada nesse imbróglio tratou de soltar uma nota de esclarecimento.
ESCLARECIMENTO
A World Family Organization (WFO) não é uma entidade da Organização das Nações Unidas (ONU). Trata-se de uma Organização Não-Governamental (ONG), com sede em Paris, associada ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) da ONU, com status consultivo, e associada ao Departamento de Informação Pública (DPI) da Organização.As ONGs associadas ao ECOSOC e afiliadas ao DPI não representam a ONU nem podem, em qualquer hipótese, falar em nome da Organização. Seu papel é de colaborar com as Nações Unidas, de forma voluntária, ajudando na divulgação das atividades da Organização e, no caso do ECOSOC, contribuindo com sugestões às atividades do Conselho.
Valéria Schilling Assessora de Comunicação

Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio)
Será que depois de toda essas revelações, o PSDB vai ter a cara de pau de mostrar essa premiação fajuta no horário eleitoral? Serra é um embuste, Serra é um candidato fabricado pela mídia, que sustenta as mentiras, as maracutaias, como verdades absolutas. Serra é um grande cara de pau, além de invejoso.
Vergonhoso!
Jussara Seixas
BOA NOTÍCIA
Alencar fala com Lula e deve deixar UTI hoje
DA REPORTAGEM LOCAL
O vice-presidente José Alencar deve ser transferido hoje para a unidade semi-intensiva do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele se submeteu anteontem a uma cirurgia de seis horas para desobstrução intestinal. O presidente Lula, que chegaria ao país durante a madrugada, pode visitá-lo.Alencar teve uma recuperação classificada como "satisfatória" pelos médicos. Pela manhã, segundo sua assessoria, ele estava disposto. Por telefone, conversou com o presidente. Na ausência de Lula, Alencar ficou no exercício da Presidência -mesmo durante a cirurgia.Os médicos retiraram dez tumores de sua região abdominal, mas ao menos oito ainda permanecem. Parte deles causava a aderência que bloqueou o intestino. Essa é sua 14ª cirurgia desde 1997. Alencar faz tratamento contra o câncer com droga experimental, nos EUA
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Atos secretos esconderam aliados de Demóstenes
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Dois atos secretos foram usados para esconder uma nomeação e uma exoneração de políticos ligados ao senador Demóstenes Torres (DEM-GO), integrante do "grupo ético" que pede mudanças no Senado e o afastamento do presidente José Sarney (PMDB-AP). A mudança ocorreu em um órgão do Senado, o Interlegis, e contou com a ajuda do senador Efraim Morais (DEM-PB).No dia 2 janeiro de 2007, o vereador de Bela Vista de Goiás Eliézer Borges (DEM) foi exonerado de um cargo de técnico administrativo no Interlegis, que promove integração entre legislativos do país. A vaga dá direito a um salário mensal de R$ 7.484,43.No mesmo dia, foi nomeado para o lugar de Eliézer o ex-vereador João Vanderlei de Ávila (PSDB). Os atos constam no boletim administrativo suplementar 3632-S2. Assinado em 2007, o documento só veio a público em maio deste ano. Os atos secretos foram assinados pelo então presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL).Demóstenes negou que tenha pedido os cargos a Renan. "Só falei com o Efraim. Tenho como provar que os dois trabalhavam. Não sou responsável por publicação de atos."A Folha apurou que Eliézer pediu licença para trabalhar na campanha de Demóstenes ao governo de Goiás em 2006. O senador nega. Eliézer ficou no Interlegis de março de 2006 a janeiro de 2007. A corrida eleitoral foi entre julho e outubro.Eliézer disse que atuou na campanha só nos fins de semana. Ele nunca teve residência fixa em Brasília. "Fui indicado pelo senador Demóstenes. Ficava em alguns hotéis, no apartamento do senador Demóstenes." João Vanderlei não quis comentar.O diretor do Interlegis, Márcio Sampaio, afirmou que não conhece nem João Vanderlei nem Eliézer Borges. A assessoria de Demóstenes, porém, diz ter fotografias mostrando os dois em eventos no Interlegis.Demóstenes pediu a Efraim contratação dos aliados porque ele era, à época, o primeiro-secretário do Senado. "Sim, ele me pediu. O pessoal dele fez um trabalho na área de informática", disse Efraim, que também já foi acusado de usar o Interlegis para nomear aliados.O caso mais emblemático motivou a abertura de ação civil pública do Ministério Público Federal no Distrito Federal. Em caráter provisório, a Justiça Federal proibiu nomeações para cargos comissionados, mas não obrigou que os atuais funcionários fossem exonerados. De acordo com o Portal da Transparência do Senado, o Interlegis ainda mantém 13 funcionários comissionados.

ESCLARECIMENTO
A ONU esclarece sobre a WFO (a ONG da amiga do governador)
Por Valeria Schilling

A World Family Organization (WFO) não é uma entidade da Organização das Nações Unidas (ONU). Trata-se de uma Organização Não-Governamental (ONG), com sede em Paris, associada ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) da ONU, com status consultivo, e associada ao Departamento de Informação Pública (DPI) da Organização.As ONGs associadas ao ECOSOC e afiliadas ao DPI não representam a ONU nem podem, em qualquer hipótese, falar em nome da Organização. Seu papel é de colaborar com as Nações Unidas, de forma voluntária, ajudando na divulgação das atividades da Organização e, no caso do ECOSOC, contribuindo com sugestões às atividades do Conselho.Valéria Schilling
Assessora de Comunicação
Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio)

Ciro já admite mudar título eleitoral para São Paulo
O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) admitiu pela primeira vez, em visita ao Guarujá, litoral paulista, a mudança de seu domicílio eleitoral para São Paulo, onde poderia ser o candidato ao governo por uma coligação contra 12 anos de domínio tucano. "Se eu tiver de fazer a transferência do título, não quer dizer que seja candidato a governador. Posso ser candidato a presidente tendo domicílio eleitoral em São Paulo", ponderou.
Ciro foi saudado como "governador" durante a palestra que apresentou nesta quinta-feira (9). Além do PSB paulista, a possibilidade tem adeptos no PCdoB e setores do PT. Ele próprio não fecha as portas para nenhuma de suas três possíveis opções em 2010: as outras duas são candidatar-se à Presidência em nome de uma "terceira via" e sair como vice na chapa de Dilma Rousseff (PT).
Apartamento em Higienópolis
No Guarujá a alternativa paulista pareceu estar em alta. "Há um punhado de pessoas com quem trabalho que tem me pedido para refletir sobre isso. Considero uma responsabilidade muito honrosa, muito grave. Se eu tiver de fazer a transferência do título, não quer dizer, só este ato, que eu seja candidato a governador. Posso ser candidato a presidente tendo domicílio eleitoral em São Paulo", disse Ciro.
Por exigência da Lei, Ciro Gomes só pode concorrer ao Palácio dos Bandeirantes caso se registre como eleitor no estado até o final de setembro. Nascido em Pindamonhangaba, há 52 anos, ele mudou-se aos sete para o Ceará, onde foi deputado estadual, prefeito, governador e hoje deputado federal.
Dias antes, Ciro Gomes revelou que pantém um domicílio na capital paulista – o que atende às exigências da lei eleitoral e pode facilitar sua candidatura ao governo. O apartamento, em Higienópolis, foi a moradia de sua filha Lívia, que estudou na faculdade Santa Marcelina. Lívia Gomes já se formou e se mudou neste ano para o Ceará. Ciro, no entanto, manteve o apartamento. "Tem 12 anos que vou pelo menos uma vez por semana a SP", disse.
Opiniões sobre alianças em SP
Ciro chegou a falar à imprensa no Guarujá como um quase candidato paulista. Fazendo reflexões sobre o arco de alianças no estado, foi duro com o PMDB de Orestes Quércia, hoje engalado no projeto presidencial tucano de José Serra, mas não descartou o PP do deputado Paulo Maluf e até admitiu ter mantido conversas com o ex-prefeito sobre 2010.
"O que pega é catapora, conversar com as pessoas não faz mal nenhum", declarou Ciro, procurando lidar com a alta rejeição a Maluf em setores do eleitorado paulista. Disse que tem uma relação de "cordialidade" com Maluf e argumentou. "Faço aliança até com Satanás se for para fazer a obra de Deus".
Citação de Gramsci
Ciro citou o pensador comunista italiano Antonio Gramsci (1891-1937) para criticar alianças políticas em que há "perda de hegemonia moral e intelectual". Embora guardando distância da inclinação conservadora do PP, disse que a questão "depende da hegemonia moral e intelectual que se estabeleça, porque o PP não tem hoje tamanho para alterar o centro de uma hegemonia moral e intelectual boa".
Mas o deputado descartou uma composição com o PMDB de Orestes Quércia. "Não vou para uma aliança com o Quércia. Não vou. Ponto final", afirmou.
Embora o PSB e o próprio Ciro mantenham a candidatura presidencial como primeira opção, o deputado voltou a defender a pré-candidata petista Dilma Rousseff. Os dois têm boas relações desde quando estiveram juntos no ministério, no primeiro governo Lula.
Ciro disse que estão colocando "a faca no pescoço" de Dilma ao fazerem com que ela defenda o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). "Obrigar a Dilma a defender o Sarney? Que isso? O Lula, na Presidência da República, que se obrigue a essa tarefa institucional, eu entendo. E a Dilma, que é uma persona política em formação, pessoa de valor extraordinário? É uma exigência de faca no pescoço", avaliou.
Com O Estado de S. Paulo e agências

10 julho 2009

Ricos estão se dando conta da importância dos emergentes, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao final da cúpula do G8 em Áquila, na Itália, que os países ricos estão se dando conta de que não é mais possível discutir os grandes problemas do mundo sem levar em conta a posição de países emergentes, como Brasil, China ou Índia.Lula participou como convidado da cúpula do G8, o grupo das nações mais industrializadas do planeta, que terminou nesta sexta-feira.O Brasil faz parte do grupo chamado G5 de países emergentes, ao lado de China, Índia, África do Sul e México, e que vem sendo convidado para as cúpulas anuais do G8 desde 2005.Segundo ele, essa importância ficou clara em declarações de líderes de países desenvolvidos, como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, ou do próprio anfitrião da cúpula de Áquila, o premiê italiano Silvio Berlusconi, defendendo a ampliação do G8 para a incorporação dos países emergentes.Mas Lula disse preferir apostar no fortalecimento do G20, grupo das 20 principais economias e que foi o fórum escolhido para as principais discussões sobre a crise econômica internacional.O G20 deve realizar em setembro, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, uma nova reunião de cúpula, seis meses após a cúpula de Londres, em abril, que decidiu promover uma série de reformas no sistema financeiro internacional como medidas de combate à crise."Os grupos podem contuinuar se reunindo. Mas é preciso fortalecer o G20, porque em setembro vamos ter uma reunião muito importante, para verificar se as coisas estão de acordo com o que foi decidido em Londres", disse Lula.Grupo amplo Segundo o presidente, um grupo mais amplo como o G20 tem mais chances de sucesso em seus objetivos. "Quanto mais países participarem, mais a gente tem chance de evitar os erros nas nossas decisões", disse o presidente.Apesar disso, Lula fez um balanço positivo das discussões nos três dias da cúpula do G8 em Áquila, com a participação do Brasil em discussões de temas importantes como o combate à fome, a ajuda a países pobres, questões econômicas e o combate ao aquecimento global.As discussões sobre clima durante o G8, que tinham como objetivo um acordo preparatório para a conferência da ONU em dezembro que tentará fechar o acordo pós-Kyoto de combate ao aquecimento, foi um dos principais exemplos da influência que os países em desenvolvimento tiveram sobre os documentos finais da cúpula.Na quarta-feira, o G8 havia proposto uma meta de redução de 80% das emissões de gases do efeito estufa dos países ricos em 2050, desde que o mundo como um todo fizesse uma redução de 50%.Mas a discordância dos países emergentes, que exigem uma meta intermediária de 40% de redução das emissões dos países ricos até 2020, impediu um acordo amplo sobre o tema.O documento final da cúpula acabou citando apenas o único ponto em comum entre os dois grupos, que é a necessidade de evitar um aumento das temperaturas médias do planeta superiores a 2 graus em relação à era pré-industrial, ponto considerado crítico após o qual as consequencias do aquecimento seriam imprevisíveis, de acordo com a ONU.Economia Lula disse ainda ter percebido entre os líderes presentes na cúpula de Áquila um otimismo sobre a recuperação da economia mundial."Se analisarmos pelo discurso que todos fizeram, acho que o pior já passou na maioria dos países", disse.Segundo ele, "o otimismo dos países é muito importante" num momento em que muitas nações desenvolvidas vem sofrendo quedas acentuadas em suas economias.Ainda assim, ele advertiu que mesmo com a recuperação da economia mundial, a situação não voltará ao que era no período pré-crise."Tivemos aqui o discurso sincero do Obama, que diz que os americanos vão ter que se acostumar com o fato de que não vão mais poder ter o padrão de consumo que tinham antes. É preciso que eles maneirem", disse.Em uma declaração divulgada na quarta-feira, os líderes do G8 disseram ver sinais de estabilização da economia global nas últimas semanas, mas advertiram de que ainda é cedo para abandonar as políticas de estímulo à recuperação econômica


Charge do Bessinha
SAIBA QUEM É DEISE NOELI WEBER KUSZTRA PRESIDENTE DA ONG Organização Mundial da Família, OMF, QUE PREMIOU SERRA.
Ex-diretora da Associação Saza Lattes vai precisar prestar contas da própria gestão
Álvaro Borba - 25/04/2006
Deise Noeli Weber Kusztra vai ter que prestar contas do período em que foi diretora geral da Associação Sazza Lates. A decisão é referente ao processo que tramitava desde 2003 na décima oitava vara cível. Deise dirigiu a entidade filantrópica de 1987 até 2000. O diretor que assumiu no lugar dela, Paulo Azzolini, diz ter encontrado a Saza Lattes com um furo de R$ 592 mil no caixa. Paulo Azzolini diz que boa parte da quantia saiu da entidade através de cheques de R$ 40 mil cada que eram descontados por um funcionário. Foram sete cheques descontados entre fevereiro e setembro de 2000.
Outra fraude freqüente, segundo Paulo Azzolini, era a movimentação de recursos para pessoas e entidades sem qualquer relação com a Saza Lattes. Esse tipo de movimentação teria sido constatado em uma auditoria que revelou que o buraco no caixa da associação era ainda maior.
A reportagem da rádio CBN tentou contato com Deise Noeli Weber Kusztra através de um telefone residencial registrado no nome dela mas ninguém atendeu. A reportagem também tentou falar com Deise Weber pelo celular, que estava desligado. A direção atual da Saza Lattes disse ter conhecimento da denúncia contra a gestão de Deise mas que desconhecia até a manhã desta terça-feira a decisão da Justiça.
Matéria da CBN Curitiba em 2006, se eles soubessem que Serra seria homenageado pela ONG que ela preside, não teriam feito a matéria.
O prêmio fajuto de José Serra
Serra viajou para Genebra onde recebeu um prêmio da ONG (Organização Mundial da Família), entidade com sede em Curitiba, presidida por uma brasileira, Deisi Noeli Kustra, responsável pela ONG, que resolveu homenagear o governador tucano.A imprensa, amiga do governador, se quer citou o nome da brasileira amiga de Serra, não publicou nenhuma foto de José Serra recebendo o tal prêmio, e ainda se equivocou ao dizer que, o prêmio foi oferecido pela ONU. Mentira!. A Organização Mundial da Família, OMF, é uma ONG, que não pertence ao sistema das Nações Unidas.Para que vocês tenham noção da importância da ONG que ofereceu o prêmio, ela também premiou a ex-primeira dama do Reino Unido, Cherie Blair, e a princesa do Kuwait, Sheikha Fariha Al-Sabah. Nenhuma das duas esteve no eventoSerra, se achando o máximo, fez um discurso em tom de campanha, enumerando os avanços que conseguiu como ministro da Saúde (1998 a 2002) e apontando como suas políticas de acesso os medicamentos genéricos, que segundo ele são "exemplos para o mundo".Mas, quem é a eleitora amiga do governador tucano José Serra?Deisi Noeli Kustra tem problemas com a Justiça em Curitiba.Segundo o jornalista Cláudio Nunes, “Deisi Noeli Weber Kusztra vai ter que prestar contas do período em que foi diretora geral da Associação Sazza Lates Paraná. A decisão é referente ao processo que tramita desde 2003 na décima oitava vara cível. Deise dirigiu a entidade filantrópica de 1987 até 2000.O diretor que assumiu no lugar dela, Paulo Azzolini, diz ter encontrado a Saza Lattes com um furo de R$ 592 mil no caixa. Paulo Azzolini diz que boa parte da quantia saiu da entidade através de cheques de R$ 40 mil cada que eram descontados por um funcionário. Foram sete cheques descontados entre fevereiro e setembro de 2000.Outra fraude freqüente, segundo Paulo Azzolini, era a movimentação de recursos para pessoas e entidades sem qualquer relação com a Saza Lattes. Esse tipo de movimentação teria sido constatado em uma auditoria que revelou que o buraco no caixa da associação era ainda maior.Foi essa senhora que anunciou ao governo passado, que tinha cerca de R$ 1 bilhão (US$ 470 milhões)para erradicar a miséria em Sergipe através do programa “Via Rápida”, da ONU. O então candidato João Alves Filho, fez deste R$ 1 bilhão uma de suas principais metas de campanha. Agora Deisi tem que se explicar ao Ministério Público Estadual e ao atual governo.
Deisi fez a mesma coisa com hospital em Curitiba
O ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca tem até hoje problemas com a justiça por conta de um convênio que fez com a ONG de Deisi Noeli, sem licitação. Lá, o Ministério Público pediu até suspensão de direitos políticos de Rafael Grega.A obra questionada é o Hospital Comunitário do Bairro Novo construído através de convênio com a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância Saza Lattes. O hospital foi construído para realizar assistência básica à saúde, referências ambulatoriais e assistência hospitalar de baixa complexidade, atendendo bairros da Região Sul da cidade. Tem 2.500 metros quadrados e foi inaugurado em 1997, já na gestão Cássio Taniguchi.A Saza Lattes recebeu do município um total de R$ 3,6 milhões para construir o hospital e logo em seguida devolver o bem ao município. O hospital foi construído em associação com a Beacon Medical International, empresa norte-americana, e com equipamentos doados pela Union Internationale Des Organismes Familiaux (Uiof), que possuía a concepção do modelo tecnológico da construção do hospital, sendo que a representante no Brasil dessa entidade (Deisi Noeli Weber Kusztra) era também diretora da Saza Lattes. Ou seja, a Deise embolsou a grama e os americanos contruiram de graça o hospital
A ONU esclarece sobre a WFO (a ONG da amiga do governador)Por Valeria Schilling
ESCLARECIMENTO
A World Family Organization (WFO) não é uma entidade da Organização das Nações Unidas (ONU). Trata-se de uma Organização Não-Governamental (ONG), com sede em Paris, associada ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) da ONU, com status consultivo, e associada ao Departamento de Informação Pública (DPI) da Organização.As ONGs associadas ao ECOSOC e afiliadas ao DPI não representam a ONU nem podem, em qualquer hipótese, falar em nome da Organização. Seu papel é de colaborar com as Nações Unidas, de forma voluntária, ajudando na divulgação das atividades da Organização e, no caso do ECOSOC, contribuindo com sugestões às atividades do Conselho.Valéria SchillingAssessora de Comunicação
Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio)

Matéria do blog- Os Amigos do Presidente Lula
Quando a cegueira é ideológica
Praticamente toda a grande mídia brasileira, dos comentaristas de rádio e TV aos articulistas dos jornais, veicularam na última semana matérias que seguem a toada contra os gastos públicos do governo e a campanha contra o aumento do salário mínimo e dos funcionários públicos. A ponto, até, de um dos grandes jornais paulistas, a Folha de S.Paulo, ter dado em manchete que o governo recorre as estatais para cobrir suas despesas.
Na prática, o que escondem de seus leitores é que o governo federal perdeu a CPMF e com ela R$ 40 bilhões (pagos por apenas 5% da população) compensados apenas em parte, 25%, pelo aumento do IOF. Além da perda de mais R$30 bilhões em desonerações concedidas para sustentar o crescimento e evitar uma queda ainda maior dos índices de emprego e da queda da arrecadação em decorrência da retração da economia. Escondem o acerto das desonerações, comprovado na retomada de postos de trabalho, do crescimento (ainda lento) da indústria e na certeza de que podemos ter, ainda esse ano, um crescimento positivo de 1% e acima de 4% em 2010.
Ao chamar nas primeiras páginas, como manchetes, matérias sobre a ampliação das despesas com o funcionalismo pelo governo federal, os jornais querem seguir na linha de estigmatizar o aumento dos gastos públicos, indispensáveis para evitar uma recessão maior. Preferem taxar o governo de irresponsável e insistir na tecla do aumento de gastos com pessoal, ao invés de falar dos investimentos que na prática dobraram durante os anos Lula. Apenas em 2008, eles totalizam 28,3 bilhões de reais, incluindo os dividendos pagos pelas estatais, além dos recursos do orçamento da União. Isso sem incluir os investimentos das empresas estatais (que em 2008, chegaram a R$ 53,2 bilhões - 2,8% do PIB) e os das empresas privadas que compõem o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Esta sim é uma mudança radical se comparada com os anos Fernando Henrique Cardoso.
Infelizmente, nessa toada, a Folha de S.Paulo ainda tentou semear o pânico e o pessimismo. Projetou um déficit orçamentário para 2010 em diante, sem levar em conta a retomada do crescimento e da arrecadação, e o fim das desonerações provisórias para a indústria. Nisso, o mais grave é a fraude, o jogo de palavras e de dados contábeis que o jornal cometeu ao apresentar dados de seis meses como se fossem do ano todo! Calculou os R$ 13,3 bilhões citados em sua matéria tomando como base junho de 2008, quando o Tesouro projeta para o ano de 2009, os mesmos 13,7 bilhões, apenas 600 milhões acima dos lucros de 2008.
Mas a realidade é outra. Com a queda dos juros da taxa básica Selic - que remunera parte da dívida interna - o governo tem margem para reduzir o superávit, sustentar os investimentos e gastos, e mesmo com a queda da arrecadação, o fim da CPMF e as desonerações, pagar o serviço da dívida interna e manter sua relação com o PIB e o déficit nominal dentro dos padrões dos últimos anos.
Daí a confiança na economia brasileira expressa no Risco Brasil, na entrada de investimentos externos, nos fundamentos de nossa economia. Não podemos esquecer que dada a gravidade da crise internacional, não seria nada absurdo ou arriscado o Brasil dobrar seu déficit nominal de 1,6% para 3,2%, ou mesmo aumentar sua dívida interna, nesse momento em que todo o mundo desenvolvido, praticamente dobra a sua e faz déficits nominais de até 10% do PIB.
Esse tipo de campanha dos jornais só demonstra a cegueira ideológica e o sentido partidário e de oposição da campanha movida por setores da mídia contra o aumento dos gastos públicos no Brasil do governo Lula.
José Dirceu é ex-ministro da Casa Civil
Não se engane: viver é lutar
Sempre enxerguei na vida sindical e nas lutas travadas ao longo de tantos anos de militância e de trabalho sério excelentes oportunidades para que os trabalhadores pudessem avançar na conquista de seus direitos, por melhores condições de vida, na construção de um diálogo fluido, transparente e exitoso com o empresariado ou a administração pública. Trocando em miúdos: pela via de um sindicalismo ético e combativo se consegue muito para todos: os trabalhadores e a sociedade.Mas antes de entrar com coragem e coração no movimento sindical em Goiás, vivi uma experiência fundamental para minha formação de homem e para que se forjasse em mim o sentimento pleno da cidadania e da brasilidade. Estudante da Universidade Católica de Goiás, cursando Matemática, ingressei no movimento pela anistia. Não a queria restrita, parcimoniosa, seletiva, como pretendia a ditadura que já se mostrava decaída e desgastada. Nossa bandeira era óbvia: ampla, geral e irrestrita!E Goiás havia sofrido como poucos Estados no Brasil com o regime de 64. Cassações, prisões, torturas, o sobrevoo rasante de jatos ameaçando de bombardeio o Palácio das Esmeraldas com o povo na praça e o governador cassado resistindo bravamente aos desígnios da ditadura que se inaugurava. Isso sem falar na sucessão de péssimos interventores travestidos de governadores que a ditadura nos impôs. Portanto, anistia era um tema caro e profundo, de transcendental importância para o goiano e todos os brasileiros.Moldava minha estrutura intelectual aprendendo nas salas de aula da Católica e minha conscientização política lutando nas ruas de Goiânia e das cidades do interior de Goiás. Bons tempos.Está viva na memória, de forma cristalina, a reestruturação do Centro dos Professores de Goiás, o CPG, que funcionava na Avenida Araguaia, com participações decisivas dos companheiros Niso Prego, Getúlio, Osmar Magalhães, Cleovam Siqueira, Zezé, Delza, Luci Lobo, Benevides etc. Tínhamos, apesar da simplicidade de sindicalistas jovens e lutadores sociais, a exata noção do momento histórico que protagonizávamos. Dali, saímos Goiás afora para tornar o CPG conhecido e ganhar a confiança, o apoio, e congregar nossa classe em torno de objetivos maiores e da luta que se avizinhava. Não foi fácil, mas vencemos. Fizemos uma extraordinária assembleia com milhares de professores na Igreja Matriz de Campinas e ouvindo um por um, elencamos as reivindicações de toda a categoria. A participação foi maciça, entusiástica e decidida. O CPG inaugura uma nova fase no sindicalismo goiano: coordenando greves, discutindo a situação do setor educacional, inserindo-se de forma decente e respeitável na vida institucional do Estado. Foi nessa época que nós elaboramos e aprovamos o Estatuto do Magistério, na Assembleia Legislativa, que foi uma grande conquista para o ensino em Goiás. Nunca, antes e em tempo algum, o magistério de Goiás havia se engajado na discussão das questões de sua área, desde os salários até a qualidade do ensino. Estávamos, todos, imbuídos por uma educação cada dia melhor, inclusive no combate ao trabalho infantil com o lema “Lugar de criança é na escola”. Éramos mais professores e, ao mesmo tempo, também nos convertíamos em mais cidadãos. Uma metamorfose ambulante, diria (ou cantaria) o saudoso e genial Raul Seixas! Vem daí, tenho certeza, o invejável nível do professorado goiano, um dos mais preparados do Brasil.Na virada dos anos 1970 e início da década de 1980, depois de participar da fundação do PT, lá vou eu para nova luta: a coordenação e direção nacional do movimento pró-CUT, que nos levou à fundação da Central Única dos Trabalhadores. Exerci por seis anos a direção daquela central sindical em Goiás, sendo, ao mesmo tempo, seu vice-presidente nacional para a região Centro-Oeste, englobando Brasília, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de Goiás, é claro. As tarefas se sucederam e a CUT ocupou boa parte da minha vida. Mas, com um enorme prazer, fui também seu secretário sindical, seu secretário de finanças e seu diretor-executivo. Parece que foi ontem, mas já são décadas...Palmilhei o território desse País-continente por dezenas de vezes. Quantas? Perdi a conta, embora recorde cada voo, cada viagem de ônibus ou na boleia de caminhão, cada hotelzinho sem estrela, pensão simples ou generosa acolhida na casa simples de humildes companheiros de cidades perdidas na imensidão do Brasil. Começava a viver a luta numa simbiose impressionante: agora, ela era minha própria vida. E, quando me dei conta, nem se quisesse (e nunca quis) poderia dar um passo atrás.Estávamos vivendo os estertores do regime militar implantado em 64. Se ainda existia um general-presidente e o aparelho repressor está intacto, também já se respirava o ar da liberdade e se antevia no horizonte a perspectiva da abertura democrática. Os sindicatos, tutelados pela máquina pesada do Ministério do Trabalho, davam mostras de oxigenação e voltavam a representar de forma plena os interesses da classe trabalhadora. Nesse Brasil, em que os trabalhadores rurais lutavam pela conquista da Reforma Agrária, onde metalúrgicos do ABC Paulista paravam as máquinas e mudavam o curso da história, os professores goianos iam à greve com impressionantes decisão e coragem, protagonizando lutas memoráveis e colhendo avanços e conquistas que ainda hoje aí estão. Nada me faz sentir tão em casa quanto participar de reuniões e seminários de sindicatos para quais sou convidado. Esta semana mesmo, na Assembleia Legislativa de Goiás, tive a honra de rever inúmeros amigos no seminário organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Vigilantes e pela Federação dos Vigilantes do Estado de Goiás. Estavam lá companheiros de tantas lutas, como Vicente Lourenço, Boa Ventura, Tomé, Joãozinho e vários outros que sempre atuaram em defesa dos trabalhadores, na construção da CUT e no fortalecimento de sindicalismo combativo como instrumento de representação da classe trabalhadora. Conquistas que, há mais de 30 anos, constituem a razão do nosso esforço em busca de um País cada dia mais justo, e menos desigual. Ainda há muito a fazer e muito a conquistar. Pois, não se engane: viver é lutar.
Delúbio Soares é professor (companheirodelubio@gmail.com)
Alencar receberá Lula hoje à noite no Sírio-Libanês
Agencia Estado
SÃO PAULO - O presidente em exercício, José Alencar, se recupera bem da 14ª cirurgia para tratamento de câncer, informou hoje o chefe de gabinete dele, Adriano Silva. O assessor afirmou que o primeiro pedido de Alencar hoje pela manhã foi que ligassem a televisão para que pudesse ver notícias sobre seu estado de saúde nos jornais. Os médicos fizeram uma avaliação do quadro do vice-presidente logo cedo e constataram que todos os sinais vitais estão bem. Também pela manhã, Alencar conversou pelo telefone com o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho. "Ele queria saber de tudo, de como estava o País", disse Silva.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava na Itália para a reunião do G-8, já embarcou rumo ao Brasil. O avião presidencial fará uma escala em Natal (RN) e deve chegar à capital paulista no início da noite. De acordo com Adriano Silva, o presidente irá direto ao hospital visitar Alencar. Segundo Silva, a previsão da equipe médica é de que Alencar deixe a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) amanhã e vá para um quarto do Hospital Sírio-Libanês, onde está internado. Alencar luta contra o câncer há 12 anos. Em 25 de janeiro, o vice-presidente submeteu-se à mais radical intervenção desde a descoberta da doença. Em uma cirurgia de alto risco, com duração de 18 horas, os médicos retiraram tumores do abdome do paciente. Ele ficou 27 dias internado, nove deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em 12 de maio, exames de acompanhamento mostraram a volta de tumores na região abdominal. Alencar resolver então submeter-se a um tratamento experimental nos Estados Unidos.
Estou orando e torcendo pelo pronto restabelecimento do vice-presidente José Alencar.Tenho certeza que ele que é um homem de garra, vai sair vitorioso dessa batalha.

Oposição e a CPI da Petrobras
Por Mauro Santayana

O governo decidiu aceitar a instalação da CPI da Petrobras. Poderia tê-lo feito antes, uma vez que dispõe de maioria no Senado. Agira com prudência, ao tentar impedi-la, porque a Petrobras – a maior empresa brasileira, e uma das maiores do mundo – tem as suas ações negociadas nas bolsas internacionais, e qualquer suspeita sobre suas atividades lhe acarretará danos. Duas devem ter sido as razões principais que orientaram o Planalto a solicitar a instalação do colégio investigador. Diante da crise na Câmara Alta, é melhor que a instituição saia do círculo de giz, e passe a atuar, ainda que por iniciativa da oposição e contra o próprio governo, e o presidente confia na lisura das atividades da empresa. Além disso, as principais figuras da oposição se encontram enodoadas com os escândalos. Se o Senado se encontra desmoralizado diante da opinião pública – e é inegável que assim está – situação e oposição se acham sob a mesma tacha. Escapam, como tantos já constataram, algumas poucas ovelhas, em rebanho enegrecido pelas cinzas da corrupção. As circunstâncias fecham com escolhos o trajeto da CPI. Dificilmente as suas sessões serão acompanhadas pelo interesse da cidadania, cansada dos mesmos comediantes de sempre.A Petrobras, com todos os seus êxitos, vale mais como símbolo da obstinação brasileira do que pelos seus resultados econômicos, por maiores eles sejam. Suas imensas receitas, que nos ajudaram a vencer as duras dificuldades do subdesenvolvimento, revelam a inteligência de nossos geólogos, engenheiros de minas, engenheiros mecânicos e trabalhadores comuns. Essa massa de pesquisadores e inventores não se reuniria, sem que a precedessem os atos políticos de brasileiros comuns, entre eles intelectuais e jornalistas, como Monteiro Lobato, Gondim da Fonseca, Domingos Velasco e Mattos Pimenta, Joel Silveira, Barbosa Lima, Oscar Niemeyer e muitos outros. Os mais jovens não sabem o que é um povo sem petróleo. Durante muito tempo comprávamos, dos Estados Unidos, a gasolina a conta-gotas, e mantínhamos estoques de curta duração. A energia sempre foi arma estratégica. A partir do momento em que a gasolina servia de suporte a uma forma de vida – também ela importada do Norte – dela não poderíamos prescindir. Se houvesse, por acaso, uma guerra em que o Brasil se envolvesse com qualquer vizinho, bastaria aos norte-americanos fechar o nosso suprimento e favorecer o inimigo. Pouco a pouco, fomos construindo pequenas refinarias, mas sempre dependíamos do petróleo bruto, e esse estava sob o controle das sete irmãs. Temos a acrescentar que a iluminação elétrica era luxo de algumas cidades. A iluminação das casas, no vasto interior, quando não se fazia com o óleo de mamona, dependia do querosene Jacaré, produzido, importado e distribuído em latas de 20 litros pela Standard Oil. Nos morros do Rio de Janeiro e nos subúrbios das cidades maiores do resto do país, as lamparinas se alimentavam desse combustível. Impingiram-nos a ideia de que no Brasil não havia petróleo. Os gases emanavam de fendas no solo, aqui e ali, e, de alguns poços pioneiros – como o de Lobato, na Bahia – ele chegou a jorrar com timidez, mas, segundo alguns, não tínhamos o óleo. Havia petróleo na Argentina, na Bolívia, no Paraguai, na Venezuela, na Colômbia, no Peru – não em nosso solo. A criação da Petrobras custou o suor e o sangue de muitos brasileiros. Podemos encontrar dezenas de explicações para a morte de Getúlio, em agosto de 1954, todas marcadas pelo petróleo. A sanção da lei que criara a empresa, em outubro do ano anterior, enfrentou a reação orquestrada da grande imprensa, a serviço dos interesses externos. Vargas só contava com os trabalhadores e com os estudantes, que não dispunham do poder de mobilizar os militares, como fizeram Lacerda e outros. A Petrobras, que afrontou todas as dificuldades para consolidar-se, foi recentemente mutilada pelo governo tucano, que rompeu o monopólio estatal e abriu seu capital aos estrangeiros. A iniciativa da CPI, à parte o interesse em desestabilizar o governo, visa a favorecer a entrega do petróleo do pré-sal a empresas multinacionais. Se existem irregularidades na Petrobras, há como identificá-las e saná-las, mediante os organismos oficiais de controle, como o TCU, a CGU e o Ministério Público – com rigor, e sem espetáculo.A CPI da Petrobras provavelmente terá o percurso de um bumerangue: golpeará os que a promovem.
Quase nota-lamento-ilustrada de um jornalista da mídia corporativa e blogueiro
“É uma comédia sem graça.Ricarco NoblatA oposição comemora finalmente a instalação da CPI da Petrobras criada há dois meses, e que não funcionou porque os partidos do governo negaram quorum.A primeira sessão da CPI será na próxima terça-feira. Na sexta, o Congresso entrará de férias.A oposição comemora a instalação de uma CPI que será controlada com folga pelo governo, que tem ali 11 votos contra 3.Por fim, Sarney posa de magnânimo por ter mandado instalar uma CPI que seria instalada de qualquer jeito - bastava que a oposição pedisse ao Supremo Tribunal Federal.”Blog do Noblat
Esta é para gargalhar!
Aécio defende coluna em jornais para oposição
Governador mineiro critica atos "populistas" de Lula
AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), criticou ontem atos "populistas" do governo Lula e pediu que os 94 jornais que publicam coluna do presidente também deem espaço para a oposição.Aécio, um dos possíveis candidatos tucanos à Presidência, disse que sugeriu isso a líderes do DEM -recebidos ontem por ele- e do PSDB. Pediu que tentem conseguir espaço nos jornais para a oposição se posicionar sobre os mesmos assuntos tratados pela coluna de Lula.Ao dizer que o país precisa de "gestão pública mais qualificada e menos populismo", citando o PAC e o programa Luz para Todos, o mineiro foi questionado se considerava a coluna de Lula um ato populista."Nós não vamos proibir o presidente de se manifestar. Mas eu acho que, em benefício da democracia, poderia ser dado espaço para a oposição."Para ele, isso impediria que fosse passada a ideia de vinculação dos jornais ao governo.A coluna "O presidente responde", em que são respondidas três perguntas de leitores, estreou na terça-feira com os temas SUS, habitação e Copa. A coluna é publicada sem edição.Sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Aécio disse que as propagandas não correspondem a ações concretas.
Desde de 2002 que a oposição tem todo o espaço na mídia, impressa e televisiva. Desde de 2002 que os editoriais dos jornais, revistas, não fazem outra coisa a não ser criticar o presidente Lula, e todas as ações do governo. Para não falar que a inveja é uma merda, só resta gargalhar.
Premiação de emergência de uma ONG e não da ONU
Do blog Cidadania.com:
Eduardo Guimarães“Fui pesquisar quem é a World Family Organization (WFO). Nem consta verbete na Wikipédia. Quase não há referências à organização na internet. É apenas uma das milhares de ONGs ligadas à ONU espalhadas pelo planeta.Apesar de a notícia do Estadão induzir o leitor a acreditar que o governador paulista foi premiado pelas Nações Unidas, não é nada disso. A premiação é de exclusiva responsabilidade da ONG.Inclusive, pode-se mensurar o quê é o quê comparando quem foram os outros agraciados com o prêmio Prêmio da Paz Felix Houphouët-Boigny, da Unesco, recebido por Lula, e quem foram os agraciados pelo prêmio que Serra recebe sabe-se lá por que critérios...”
Matéria Completa no blog,
::Aqui::
http://nogueirajr.blogspot.com/

09 julho 2009

Roberto Amaral, Daniel Dantas e a mídia
Bob Fernandes
Os intestinos do Brasil. (Tomo II)
Roberto Figueiredo do Amaral é homem conhecido nos circuitos do grande Poder. Entre políticos, empresários e jornalistas, por exemplo. Foi dirigente da construtora Andrade Gutierrez por pelo menos duas décadas. Em sua denúncia o procurador da República Rodrigo De Grandis o cita por "formação de quadrilha e organização criminosa e lavagem de dinheiro". E descreve como Amaral foi contratado por Daniel Dantas e seu Opportunity para prestar assessoria em "assuntos sensíveis" do Grupo Opportunity.

Na relação de serviços, escreve De Grandis, se tinha "o contato com políticos, a viabilização de publicação de notícias no interesse da quadrilha e a consultoria e efetiva implementação por intermédio de William Yu (NR: doleiro), de movimentações financeiras no exterior".
A análise de HDs apreendidos na casa de Roberto Amaral levou às conclusões do Procurador. Segundo a denúncia, Amaral e Dantas utilizavam-se de codinomes em suas conversas eletrônicas. O dono do Grupo Opportunity, que tem olhos azuis e pelos mais próximos é chamado de Frank (de Frank Sinatra), é por Amaral tratado de OVS (Olhos verdes Sensuais) ou DD (de Daniel Dantas) e chama Roberto Amaral de "Rogério" ou "Rogério Antar".
Em um dos trechos destacados Daniel Dantas ordena:
- DAÍ SAIRIA UMA MATÉRIA PAGA DE 7 ITENS, AGORA NA 1ª PAG. DOS JORNAIS, POIS O ESTRAGO AUMENTOU; (...)ACHO QUE DE ESTRATÉGIA E SACANAGEM ENTENDO UM POUCO, PELO AMOR DE DEUS: AJA e JÁ.
Segundo o Ministério Público Federal (que deverá aprofundar investigações quanto ao capítulo mídia) Roberto Amaral tinha assessoria paga por Dantas e pagava a jornalistas. O Procurador De Grandis, com base na documentação apreendida, cita dois: Giba Um e Claudio Humberto.
Em um email Roberto Amaral cobra de Daniel Dantas US$ 250 mil, valor este correspondente ao mês de maio de 2002. Relata o MPF a correspondência de "roberto amaral" para "OVS":
- DD: Constrangido pergunto: Vc não acha apropriado, já que estamos em 19 de junho, mandar depositar os 250.000 dólares em minha conta, referente ao mês de maio? O Reinaldo? está à disposição para assinar. O Contrato que vc está elaborando, sugiro fazer o depósito e assinar o contrato depois.
Diz o procurador que o jornalista Gilberto Di Pierro, conhecido como Giba Um, publicava matérias em seu site.
Afirma o MPF:
- (...) Apurou-se que Daniel Dantas planejava em conluio com Roberto Amaral, uma forma de divulgação de gravações de interceptações telefônicas (as chamadas "atas") as quais teriam como principais interlocutores Nelson Tanure(NR: controlador de grupos de mídia, como Jornal do Brasil, e até há pouco o diário Gazeta Mercantil) e Bruno Ducharme (NR: da empresa de telecomunicação canadense TIW, ex-sócia do Opportunity).
Diz o procurador que Daniel Dantas e Roberto Amaral, em 8 de abril de 2002, cogitaram, por exemplo (o texto e a não acentuação é dos interlocutores):
- Rogério. Quanto a reserva de spaco acho melhor que nao seja GIBA, ele estara publicano as atas e nao gostaria de deixar nenhum elo de ligacao, alem disso foi ele que publicou a transcricqao da materia de Colanino que fomos questionados e neguei a publicacao. Podemos depois de colocar uma coisa com ele mas nao gostaria de deixar pista no segundo assunto. Inclusive porque perco a validade da segunda evidencia.
Arremata o procurador em sua denúncia:
- As gravações foram publicadas (o MPF não especifica por quem) e posteriormente utilizadas por Daniel Dantas em benefício do grupo Opportunity.
Diz ainda o procurador De Grandis que, em mensagem eletrônica de 5 abril de 2002, Roberto Amaral cobra de Daniel Dantas o pagamento de valores para si e para o jornalista Giba Um. Reprodução do texto:
- Daniel, espero que vc tenha, como me falou, de ter mandado pagar os 50.000 e mandado separa-lo do CH a partir de março (20.000 para CH e 5.000 para o GIBA). O CH está de acordo. Isso já foi tratado entre nós.
A denúncia do procurador reproduz na íntegra muitos textos de igual teor.
http://terramagazine.terra.com.br/
Quem será esse Reinaldo, será o Reinaldo Azevedo? Perguntar não ofende!
Investimentos da União em 2009 são os maiores desde a criação do Plano Real
GOVERNO LULA
Nem a crise internacional, nem a queda na arrecadação tributária inibiram os investimentos da União no primeiro semestre deste ano. Ao contrário, os órgãos públicos federais investiram mais de R$ 11 bilhões em obras e compra de equipamentos entre janeiro e junho, valor recorde para o período desde a circulação das primeiras moedas do Plano Real, em 1994 (em valores atualizados). O montante representa um aumento de 13% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram investidos R$ 9,8 bilhões. Da quantia desembolsada este ano, R$ 8,7 bilhões (78%) foram aplicados apenas com os chamados “restos a pagar” – dívidas de anos anteriores roladas para exercícios seguintes
(veja tabela). Em 2009, cerca de R$ 50,5 bilhões estão previstos no orçamento para investimentos. Até junho, a União garantiu o empenho (reserva no orçamento) de R$ 14,3 bilhões em recursos para obras ou aquisição de materiais. No entanto, se a média mensal de gastos com investimentos (R$ 1,8 bilhão) persistir até o final do ano, a União terá gasto apenas R$ 22,3 bilhões, isto é, cerca de 44% do previsto. No ano passado, dos R$ 47,9 bilhões autorizados no orçamento, apenas 55% foram desembolsados até o fim de dezembro. Para Paulo Brasil, vice-presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo, esses investimentos são fundamentais em momento de crise, embora ainda sejam tímidos em relação ao montante aplicado em países de economia semelhante à do Brasil. "É necessário uma técnica apurada da equipe econômica do governo para poder lidar com a queda da arrecadação, a necessidade de corte dos gastos públicos sem afetar as despesas com investimentos e manter a meta de crescimento. Porém, essa situação pode ser muito bem implementada por meio de uma criteriosa análise das despesas de custeio e outros ralos dos gastos públicos", analisa. O governo federal estima arrecadar R$ 63 bilhões abaixo do esperado em 2009, disse nesta segunda-feira o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. A projeção, segundo o ministro, tem por base o desempenho observado no primeiro semestre. Paulo Bernardo afirmou ainda que o governo obteve acordo com os relatores da Lei de Diretrizes Orçamentária de 2009 e 2010 para que os investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sejam excluídos das respectivas metas de superávit primário. Na prática, o governo teria mais R$ 6,5 bilhões para investir este ano.Paulo Brasil avalia que existe uma expectativa política sobre o êxito do PAC, em função de ser o programa carro chefe da campanha do ou da candidata de continuidade desta gestão. A iniciativa pode explicar, por exemplo, o salto nos investimentos da União a partir do lançamento do PAC. Durante o primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva, a média anual de investimentos feitos no primeiro semestre foi de R$ 3 bilhões. No mesmo período do primeiro ano do PAC, em 2007, e nos dois anos seguintes, a média desembolsada triplicou, atingindo R$ 8,9 bilhões.Líderes de investimentosNão por acaso, o órgão que mais investiu nos seis primeiros meses do ano foi o Ministério dos Transportes (veja tabela). A pasta é responsável pela maior parte das ações do chamado “PAC Orçamentário”, obras e projetos da administração federal direta passíveis de monitoramento, e já desembolsou R$ 2,9 bilhões em investimentos. Um dos projetos mais bem contemplados com os recursos do ministério é a construção das eclusas de Tucuruí, no Rio Tocantins, que recebeu cerca de R$ 227 milhões entre janeiro e junho. O empreendimento faz partes dos projetos do PAC no estado do Pará e tem o orçamento total estimado em R$ 815 milhões para o quadriênio 2007-2010. O segundo no ranking dos órgãos que mais aplicaram recursos em investimentos é o Ministério das Cidades, com pouco mais de R$ 1,4 bilhão. Cerca de R$ 584 milhões destes recursos foram destinados ao programa de “urbanização, regularização e integração de assentamentos precários”. Outros R$ 257 milhões beneficiaram o saneamento ambiental urbano.Em terceiro lugar, assumindo o lugar que geralmente pertencia ao Ministério da Educação (MEC), aparece a pasta da Defesa. Até junho deste ano o órgão investiu cerca de R$ 1,4 bilhão, mais de meio bilhão a mais que no mesmo período de 2008. O maior investimento do Ministério da Defesa, quase R$ 300 milhões, foi destinado ao reaparelhamento e adequação das Forças Armadas.Também na frente da Educação está o Ministério da Integração Nacional. Até junho, a pasta investiu R$ 1,3 bilhão, valor duas vezes maior do que o gasto no mesmo período do ano passado – R$ 692 milhões. A explicação está nos investimentos de emergência que contemplaram o programa de “resposta aos desastres”, no qual o ministério já aplicou R$ 530 milhões. Durante todo o ano passado, o investimento no programa foi de apenas R$ 186 milhões.O MEC fica em quinto lugar, com o investimento de R$ 1,1 bilhão. Quase metade deste valor – R$ 440 milhões – foi para o programa Universidade do Século XXI, cujo objetivo é ampliar o acesso ao ensino superior. Já no programa “Qualidade na Escola”, que tem o segundo maior investimento previsto no orçamento do ministério, cerca de R$ 1,3 bilhão, somente 10% foram aplicados até junho. Milton Júnior
Do Contas Abetas

Arapongas da Abin grampearam políticos
VIXE!!! OLHA O ILIBADO HERÁCLITO FORTES!!!!
Monitoramento ocorreu durante a primeira etapa da Satiagraha e aponta diálogos entre Heráclito Fortes e o lobista Humberto Braz; o senador nega

Fausto Macedo
Estadão

Relatos de arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)mostram que autoridades com prerrogativa de foro, entre "políticos e ministros do Poder Judiciário", caíram mesmo na malha de grampos telefônicos da Operação Satiagraha - investigação contra o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. O monitoramento ocorreu durante a primeira etapa da Satiagraha, sob comando do delegado Protógenes Queiroz.
Detalhes da interceptação foram revelados por Sonia Maria Pagioro Cavalcante de Almeida e Eloir Vetterlein, agentes da Abin, em depoimento ao general de divisão João Roberto de Oliveira, que presidiu a comissão de sindicância instalada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República para investigar supostas irregularidades na parceria Abin/Polícia Federal. Os depoimentos confirmam suspeitas sobre espionagem ilegal na Satiagraha.Quando a sindicância foi concluída, em dezembro, o general Jorge Armando Felix, ministro chefe do GSI, encaminhou cópias dos depoimentos de Sonia e Eloir à Procuradoria Geral da República "para conhecimento e providências que entender cabíveis". O ministro destacou o conteúdo das declarações que vão das páginas 465 a 469 (Sonia)e da 796 a 798 (Eloir).
Sonia declarou: "Que ouviu em uma ocasião uma conversa citando o senador Demóstenes Torres; que ouviu diálogos do senador Heráclito Fortes e supostamente de ministros do Poder Judiciário; que o assunto era acerca de operações financeiras; que ouviu diálogos de pessoa, provavelmente um lobista, que se articulava intensamente com ministros do Poder Judiciário e políticos, essa pessoa se chamava Guilherme."Eloir Vetteerlein contou que se lembra de diálogo entre Humberto Braz (lobista de Dantas condenado por corrupção ativa) e o senador Heráclito Fortes. "Nas transcrições de conversas de Braz com o senador Heráclito, o parlamentar cobrava remuneração pecuniária pela aprovação de projetos de interesse do grupo; que se recorda de uma ligação onde pelo menos três vezes o senador fazia a cobrança; o senador dizia mais ou menos o seguinte: Eu quero o meu, trabalhei prá isso; que Humberto dizia que iria falar com o homem; que havia presunção de que tratar-se-ia do sr. Daniel Dantas."Sonia acrescentou: "Que se recorda de diálogo de político famoso onde esse descrevia acidente de avião sofrido por ele, acompanhado de outros políticos, embora não tivesse gerado consequências mais graves; que os assuntos tratados nas degravações em sua maioria se referiam a transações financeiras envolvendo a Brasil Telecom, fundos de pensão, bancos, notadamente o Opportunity."Eloir e Sonia integraram o pelotão de 84 arapongas da Abin recrutados por Protógenes para o cerco a Dantas. Em 2 de junho, o então procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza determinou o arquivamento dos autos relativos aos depoimentos. "A instauração de procedimento investigatório pressupõe a indicação de fato concreto, em tese delituoso, de autoria de pessoa identificada, sem o que carece a investigação da necessária justa causa."Sobre o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), o procurador assinalou que "a frase ?eu quero o meu, trabalhei pra isso", dissociada do contexto em que se desenvolveu o diálogo, não autoriza à conclusão de que o parlamentar estivesse cobrando vantagem indevida ao seu interlocutor por eventual atividade que tenha exercido em decorrência da função parlamentar"."Nunca tive um diálogo telefônico com esse Humberto Braz", rebateu o senador. "Nunca vi canalhice tão grande. É uma irresponsabilidade. Os arapongas querem aliviar a posição dos colegas que gravaram o senador Demóstenes Torres e o ministro Gilmar Mendes. Vi uma única vez esse Braz e não simpatizei. Se acharem de fato conversa minha com ele eu renuncio."
Se a gravação foi legal ou ilegal, não anula o teor da conversa, a cobrança de propina do Heráclito Fortes, e a ligação dele com Daniel Dantas.

Premiação de emergência
Do blog Cidadania.com:
Eduardo Guimarães“Fui pesquisar quem é a World Family Organization (WFO). Nem consta verbete na Wikipédia. Quase não há referências à organização na internet. É apenas uma das milhares de ONGs ligadas à ONU espalhadas pelo planeta.Apesar de a notícia do Estadão induzir o leitor a acreditar que o governador paulista foi premiado pelas Nações Unidas, não é nada disso. A premiação é de exclusiva responsabilidade da ONG.Inclusive, pode-se mensurar o quê é o quê comparando quem foram os outros agraciados com o prêmio Prêmio da Paz Felix Houphouët-Boigny, da Unesco, recebido por Lula, e quem foram os agraciados pelo prêmio que Serra recebe sabe-se lá por que critérios...”
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EMPRESÁRIO DIZ TER PROVA CONTRA YEDA DO PSDB
O advogado Lúcio de Constantino disse ontem que seu cliente, o empresário Lair Ferst, tem gravações de diálogos de pessoas supostamente envolvidas em irregularidades na campanha eleitoral de 2006 da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB). Ele não revelou os nomes das pessoas nem as circunstâncias em que foram gravadas. Na segunda-feira, o jornal "Zero Hora" divulgou documento atribuído a Ferst denunciando o governo de caixa dois e arrecadação ilegal de recursos na campanha. Yeda negou todas as acusações


Crise exige líderes que promovam uma resposta coletiva
Nicolas Sarkozy e Luiz Inácio Lula da Silva



A reunião de cúpula que está ocorrendo em L'Aquila, na Itália, onde ao Grupo dos 8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia) juntaram-se a África do Sul, o Brasil, China, o Egito, a Índia e o México, será a primeira do gênero depois que percebemos a dimensão da crise financeiro e econômica que estamos enfrentando. Luiz Inácio Lula da Silva se encontra com presidente francês, Nicolas Sarkozy (7.jun.2009)
Esta crise revela o nosso grau de interdependência. Ela exige líderes que promovam uma resposta coletiva, baseada em valores e responsabilidades compartilhados. Ela também nos obriga a avaliar o desempenho das nossas instituições internacionais e a repensar as atuais estruturas globais de governança. A necessidade de reforma da governança global não é derivada da crise. Bem antes da manifestação deste problema, o sistema multilateral já se mostrava flagrantemente não representativo e incoerente. A capacidade das instituições internacionais de responder a desafios sérios às necessidades atuais do mundo precisa ser reforçada, e as atribuições dessas organizações têm que ser revistas. Isso se aplica a várias áreas, da economia à segurança, da energia ao meio ambiente. A crise expôs o fato de que nós, como líderes de países, precisamos gerenciar as reformas necessárias para a construção de um mundo mais justo, desenvolvido e sustentável. Não estamos começando da estaca zero. Algum progresso já foi alcançado. No que diz respeito a questões econômicas e financeiras, as reuniões de cúpula do G-20 em Washington e Londres contribuíram para o fortalecimento do diálogo entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento. Juntos, fomos capazes de alcançar resultados concretos, porque estávamos unidos. As reuniões entre o G-8 e o G-5/G-6 são mais um exemplo da necessidade de incluir países emergentes nas discussões a respeito do futuro da economia mundial e no enfrentamento dos principais desafios globais. Os países emergentes representam não apenas uma grande porção da massa terrestre e da população do planeta, mas também (e cada vez mais) do consumo e da produção globais. A cooperação internacional nunca foi tão necessária quanto neste momento.Mas agora precisamos ir além disso. As organizações financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o World Bank, precisam dar uma maior importância às economias emergentes dinâmicas nos seus processos de tomada de decisão. As decisões tomadas pelo G-20 no sentido de aprimorar a regulação e a fiscalização das finanças internacionais, de coibir a especulação, de acabar com os paraísos fiscais e os centros de lavagem de dinheiro e de promover o desenvolvimento precisam ser implementadas. Com a crise, a ameaça de protecionismo cresceu. A conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial de Comércio (OMC) é uma tarefa urgente, com o objetivo de chegar-se a um acordo ambicioso, abrangente e equilibrado, que beneficie especificamente os países em desenvolvimento, e particularmente aqueles mais pobres, e reforce o multilateralismo no comércio. Mas para tirarmos todas as lições possíveis desta crise, precisamos abraçar essa iniciativa e estendê-la para além das esferas econômica e financeira. Não pode haver paz sem desenvolvimento econômico e social, e também é impossível haver uma prosperidade duradoura sem estabilidade e segurança. Ocorrem com frequência crescente conflitos em países que encontram-se social e economicamente debilitados. A pobreza e a exclusão social intensificam a instabilidade no sistema internacional. Este é o momento de priorizar a dimensão social da globalização. Em todo o mundo, os trabalhadores que enfrentam a tempestade econômica estão pedindo mais justiça e maior segurança. As vozes deles precisam ser ouvidas. O impacto social desta crise precisa ser especificamente enfrentado pelas organizações internacionais. O papel da Organização Internacional do Trabalho (OIT) na governança econômica global precisa ser bastante incrementado quanto a isto. A estrutura para a paz e a segurança coletiva também exigem adaptações significativas. Uma ampla reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) tem que ser implementada, com o objetivo de assegurar uma ordem internacional mais equilibrada e inclusiva. Para garantir a efetividade do conselho, este tem que refletir as realidades atuais, incluindo um papel maior para os países em desenvolvimento em todas as regiões, como o Brasil e a Índia, uma representação mais justa da África e de grandes contribuintes do sistema da ONU, como o Japão e a Alemanha. Outras ameaças também ameaçam a paz e o desenvolvimento. A mudança climática representa um grande desafio para a governança global. É preciso que haja um resultado inteligente em Copenhague, em dezembro deste ano, para que possamos atingir a nossa meta global de prevenir uma grave alteração climática e de limitar o aumento da temperatura global a dois graus centígrados. Todas as nações precisam reduzir as suas emissões de forma consistente com as recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas e com o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. Outras desafios globais são o crime organizado e transnacional, o terrorismo, o tráfico de drogas e humano, as pandemias e a segurança alimentar. As nossas respostas a estas ameaças são frequentemente insuficientes devido à fragmentação das organizações internacionais ou à tendência de duplicação do trabalho já feito por outros. Os atuais mecanismos de governança global são inadequados para lidar com a característica sistêmica dos desafios que enfrentamos e com a interrelação da enorme quantidade desses desafios. A escala desta crise econômica representa para nós uma oportunidade única para implementarmos a reforma abrangente das instituições internacionais. O Brasil e a França desejam oferecer ao mundo a visão que compartilham de um novo multilateralismo adaptado ao nosso mundo multipolar. Nós simplesmente não podemos enfrentar os problemas do século 21 com instituições internacionais herdadas do século 20. Juntamente com outros líderes mundiais, precisamos forjar uma "Aliança para a Mudança", a fim de promovermos esta visão de um mundo mais democrático, e baseado em maior solidariedade e justiça. É isto o que os cidadãos do mundo esperam de nós. Somente desta forma nós seremos capazes de fazer frente aos desafios que afligem o nosso século.
Tradução: UOL
OPORTUNISMO DE HIPÓCRITAS
*Carlos Nina
Em dois recentes episódios do Senado, um presidente da instituição renunciou após acusação de recebimento de propina de pequeno valor nesse tipo de transação, já incorporada à cultura e indissociável da história e das tradições de praticamente todas as atividades lícitas e ilícitas deste País. Outro, por força desses valores, também renunciou porque aceitou ajuda do empresariado - sempre solícito e solidário com autoridades em dificuldades ou nem tanto - para pagar obrigação pessoal de alimentos.Renunciaram porque que quiseram. Poderiam ter ficado e enfrentado o julgamento das acusações que lhes eram feitas. Por razões íntimas, decidiram pela renúncia. Ninguém os obrigou a assinar a renúncia. Poderiam ter exigido o direito constitucional ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, requisitos fundamentais para um julgamento justo a que todos têm direito. Logo, por maior que tenha sido a pressão que receberam, não poderão, jamais, atribuir a ninguém a decisão final pela renúncia. É ato exclusivamente pessoal.
Exatamente por isso é mais um absurdo dos julgamentos sumários que a mídia brasileira faz condenar e até insultar o presidente José Sarney por não querer renunciar ao cargo para o qual foi eleito.Não estou, com isso, dizendo que Sarney é inocente ou que é culpado. Afirmo, apenas, que a decisão de renunciar ou não à presidência do Senado é totalmente pessoal e deve ser respeitada. Se há acusações contra ele e as quer enfrentar, deve ser respeitado por isso, e não insultado. A ofensa pessoal, que extrapola a crítica à conduta pública, é recurso de quem não tem argumento.As acusações contra Sarney seriam absurdas se não fizessem parte, também, da história, das tradições, dos hábitos, da rotina de parlamentares de todos os legislativos do País, municipais, estaduais e federais, de governos federais, estaduais e municipais, de tribunais de todas as instâncias.No caso das nomeações de parentes, a pena seria só para o cargo de Presidente do Senado? Se não, quantos senadores teriam que renunciar? Quantos deputados federais, estaduais e vereadores? Quantos presidentes de tribunais, ministros e desembargadores? Quantos ministros e secretários de Estado? Quantas outras autoridades que assim procedem?Então, se realmente isso é uma irregularidade, que se apure na forma que os constituintes de 88 proclamaram: através do devido processo legal, já que o presidente Sarney não quer – e é direito seu – renunciar.Outra acusação é de tráfico de influência para beneficiar negócio de parente. E de que brotam inúmeras decisões do Executivo e o Judiciário? Quantas vezes, até para dar efetividade a uma decisão justa, o jurisdicionado não precisa ter um canal de comunicação com o julgador?
Isso sem falar nos casos em que esse tráfico é apenas uma atividade que nem chega à autoridade. É apenas um meio de vida de atravessadores de falsas facilidades. Com isso não estou afirmando que, também nesse caso, Sarney seja culpado ou inocente. Deve, como qualquer outro, ser apurado, se realmente houver indício para isso. Ou será correto presumir que o presidente do Senado não tem direito às garantias constitucionais, inclusive do direito à imagem e à honra pessoal?No caso da omissão patrimonial, valem as mesmas perguntas feitas sobre as nomeações. Ou omissões desse tipo só não podem ocorrer com o presidente do Senado?Contudo, as pressões da oposição fazem parte do exercício democrático. Assim como a manifestação da mídia – contra ou a favor - e as reações defensivas de Sarney. É fato público e notório que José Sarney incomoda porque tem sido um eficiente e eficaz aliado de Lula, como nenhum outro, desde as eleições deste em seu primeiro mandato. E é um aliado temido pela inteligência política que tem e pela capacidade de superação e resistência, do que tem sido prova essa crise que está atravessando.O que me leva a essas considerações não é a intenção de defender, como também não é a de acusar José Sarney, mas a indignação com o oportunismo de hipócritas, o dedo em riste de quem não tem autoridade moral para acusar ninguém.
O Presidente do Senado tem sido criticado por quem já se serviu desses mesmos favores que agora apontam como aberração: empregos, passagens aéreas, contratos etc.Nessa farsa, sobressai-se, para mim, a OAB, cujos dirigentes fazem discursos de arautos da moralidade, em contradição com o autoritarismo, a imoralidade e a corrupção que grassa nos seus bastidores. Engrossam o coro dos oportunistas, como se a Ordem tivesse direitos que outros não podem ter. São os mesmos que estavam no Conselho Federal da OAB, em Brasília, quando esta inaugurou o seu museu, em 2003. E não sou eu quem diz. Está no site da instituição – se não tirarem depois desta crítica -, onde se lê, com direito a fotografias do evento: “o então Presidente do Senado, José Sarney, teve destacado papel no processo de sua criação, ao gentilmente designar a funcionária responsável pelo Museu do Senado Federal, Sra. Tânia Toledo Tenório, para dar suporte técnico ao projeto instalado na OAB.”
Será que a OAB não tinha condições de pagar um museólogo? O que torna a OAB imune aos princípios da administração pública?Sarney, realmente, está enfrentando uma crise pessoal, pela sua força política, movida menos pela moralidade e mais pelos interesses contrariados, ou por puro oportunismo de hipócritas. A crise que Sarney enfrenta resulta da que realmente é do Senado. Mais que do Senado, é do sistema político, da sociedade brasileira, de valores morais.Sua renúncia não vai resolver a crise do Senado. Se resolvesse, o Senado não teria mais problemas. Com sua firmeza, Sarney está sendo o bode expiatório de todas as mazelas, assumindo, pelo silêncio, vícios de outros pares. O problema do Senado não é José Sarney. São as práticas dos senadores, suas ações e omissões. E estas são reflexos da sociedade. Afinal, na democracia representativa, todo poder emana do povo e em seu nome é exercido. Sacrificar Sarney não purifica o Senado.A solução da crise dos Parlamentos não está dentro de seus plenários, mas na consciência de cada eleitor no dia da votação.
*Carlos Nina é membro do Instituto dos Advogados Brasileiros e x-Conselheiro Federal da OAB