Charge do Bessinha07 Julho 2009
DataSenado: maioria da população aprova Sarney
Como você avalia o desempenho de José Sarney na presidência do Senado? Péssimo? Um desastre? Calma. Segundo uma pesquisa feita pelo DataSenado, você é uma minoria (sim, o Senado tem o seu próprio instituto de pesquisas).Segundo pesquisa feita entre os dias 3 e 19 de junho, quando boa parte das denúncias que atolam o Senado já estavam públicas, a avaliação de Sarney é muito boa.
Foram entrevistadas, por telefone, 1 277 pessoas em 81 municípios, incluindo-se aí todas as capitais e o Distrito Federal. A margem de erro, segundo o DataSenado, é de 3% para mais ou para menos.Aos números: dos 28% que responderam corretamente que sabiam que Sarney era o presidente do Senado, 72,6% avaliaram sua gestão como regular, boa ou ótima (ótima, 6%; boa, 27%; regular, 39%) - isso significa, portanto, que o brasileiro aprovaria o seu trabalho. Somente 26% o desaprovam (ruim, 9%; péssima, 17%).
Radar Online
Como você avalia o desempenho de José Sarney na presidência do Senado? Péssimo? Um desastre? Calma. Segundo uma pesquisa feita pelo DataSenado, você é uma minoria (sim, o Senado tem o seu próprio instituto de pesquisas).Segundo pesquisa feita entre os dias 3 e 19 de junho, quando boa parte das denúncias que atolam o Senado já estavam públicas, a avaliação de Sarney é muito boa.
Foram entrevistadas, por telefone, 1 277 pessoas em 81 municípios, incluindo-se aí todas as capitais e o Distrito Federal. A margem de erro, segundo o DataSenado, é de 3% para mais ou para menos.Aos números: dos 28% que responderam corretamente que sabiam que Sarney era o presidente do Senado, 72,6% avaliaram sua gestão como regular, boa ou ótima (ótima, 6%; boa, 27%; regular, 39%) - isso significa, portanto, que o brasileiro aprovaria o seu trabalho. Somente 26% o desaprovam (ruim, 9%; péssima, 17%).
Radar Online
PF prende vice-prefeito do PR, e vereadores do DEM, de Dourados (MS) por corrupção
da Folha Online
A Polícia Federal deflagrou hoje uma operação de combate à corrupção nas cidades sul-matogrossenses de Dourados, Campo Grande Naviraí e Ponta Porã; além de Guaíra e Umuarama --essas duas estão localizadas no Paraná. Até as 11h, a PF havia cumprido 36 dos 42 mandados de prisão. Também há 85 mandados de busca e apreensão a serem cumpridos nessas cidades.
da Folha Online
A Polícia Federal deflagrou hoje uma operação de combate à corrupção nas cidades sul-matogrossenses de Dourados, Campo Grande Naviraí e Ponta Porã; além de Guaíra e Umuarama --essas duas estão localizadas no Paraná. Até as 11h, a PF havia cumprido 36 dos 42 mandados de prisão. Também há 85 mandados de busca e apreensão a serem cumpridos nessas cidades.
Entre os presos estão o vice-prefeito de Dourados, Carlinhos Cantor (PR), e os vereadores Marcelo Barros (DEM) e Sidlei Alves (DEM) --esse último é presidente da Câmara Municipal de Dourados. Também foi detido o empresário Sizuo Uemura, dono de uma funerária em Dourados (MS). A reportagem não conseguiu localizar a assessoria do vice-prefeito, dos vereadores nem do empresário para comentar a prisão deles pela PF.
De acordo com a PF, os detidos são suspeitos de participar de uma organização criminosa que tem como objetivo conseguir benefícios junto às prefeituras na prestação de serviços, principalmente o funerário. A quadrilha seria formada por políticos, servidores públicos, empresários e profissionais liberais.
Eles podem ser indiciados pelos crimes de formação de quadrilha, exercício ilegal de atividade financeira, agiotagem, crimes contra a ordem econômica e o sistema financeiro, fraude à licitação e corrupção.
A PF informa que as prisões ocorrem no âmbito da Operação Owari, que significa "ponto final" em japonês.
DEM O PARTIDO MAIS CORRUPTO DO BRASIL. FONTE TSE
Unesco homenageia Lula com prêmio da PazO prêmio da Paz Felix Houphouët-Boigny foi criado em 1989 e todos os anos é entregue a pessoas ou a organizações que promovem a paz.
Marco Alfaro, da Rádio ONU em Nova York.
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, irá homenagear, nesta terça-feira, em Paris, na França, o presidente Luis Inácio Lula da Silva com a entrega do Prêmio da Paz Felix Houphouët-Boigny.O prêmio da Unesco, criado em 1989, carrega o nome do primeiro presidente da Cote d'Ivore, antiga Costa do Marfim, e todos os anos é entregue a pessoas ou organizações que promovem a paz.
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, irá homenagear, nesta terça-feira, em Paris, na França, o presidente Luis Inácio Lula da Silva com a entrega do Prêmio da Paz Felix Houphouët-Boigny.O prêmio da Unesco, criado em 1989, carrega o nome do primeiro presidente da Cote d'Ivore, antiga Costa do Marfim, e todos os anos é entregue a pessoas ou organizações que promovem a paz.
Presenças Ilustres
A solenidade aconterá na sede da Unesco e contará com a presença do presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, do primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, e do ex-secretário de estado americano, Henry Kissinger.O líder interino do júri da Unesco, o ex-presidente de Portugal, Mario Soares, falou à Rádio ONU sobre o trabalho social de Lula e a busca da paz no Brasil e na América Latina."Ele recebeu o prêmio por ser uma pessoa de paz. E por ser uma pessoa que quer o desenvolvimento de seu país e sobretudo assegurar o fim da distância entre os brasileiros ricos e pobres. Ele vem promovendo o equilíbrio social no Brasil, a paz entre as diferentres etnias e tem feito muito pela paz na América Latina" disse.
Agraciados
A galeria de contemplados com o prêmio da paz da Unesco inclui o rei da Espanha, Juan Carlos, o ex-presidente da África do Sul e prêmio Nobel da paz, Nelson Mandela, e o ex-presidente americano Jimmy Carter.
Goiás, compromisso de vida
Publicado no Diário da Manhã
Ao contrário da Itabira do Mestre Drummond, Goiás não é um retrato na parede doendo em minha alma. Minha terra é um compromisso de vida e de luta, de amor e de alegria, de trabalho e de estudo.Não creio no homem sem raízes, sem acentuado afeto à sua terra natal, sem admiração pelos valores de sua gente, sem paixão pelas riquezas de seu torrão.Nunca tive o menor temor de ser tido por caipira ou matuto por ter adoração pela culinária goiana. Não há comida no mundo que me faça feliz como o arroz fumegante exalando o odor abençoado do pequi. Faço uma viagem transcendental, profunda, sensitiva, personalíssima, que cura feridas e dissipa qualquer mágoa (que, aliás, não consigo sentir, graças a Deus), e volto ao fogão-a-lenha de Dona Jamira, seus temperos, minha infância humilde mas muito feliz em Buriti Alegre, ao lado dos irmãos, debaixo do olhar severo e da alma bondosa do “seo” Catonho.Minha infância foi feliz. E acho que aí está a chave de ser um homem que não conseguiu deixar-se quebrar pela dor ou pelo sofrimento. A força que me sustenta vem das entranhas da minha terra natal, amada e sempre presente.A vida em Buriti Alegre era singela. Acordava cedo para ir à escola e de tarde trabalhava na lavoura. Despertador é uma chateação para quem sabia da hora certa pelo galo que cantava, infalível e afinado, lá no fundo de nosso sítio. Tanto eu quanto Carlão, o mais velho dos quatro irmãos, trabalhávamos duro para ajudar no sustento da casa. À época, era comum que os filhos começassem cedo na responsabilidade de ajudar no trabalho diário da família. Também foi assim com os caçulas, Delma e Carlos Soares.De Buriti Alegre para a cidade grande foi um passo! Goiânia, que era há exatos 38 anos menos da metade do que é hoje, me parecia uma metrópole! Encantado e pasmo. Logo, no saudoso Colégio Lyceu de Goiânia, fui estudar e me iniciei na política estudantil. Estava no sangue, queria participar, debater, lutar. Numa transformação brusca, troquei a enxada pelos livros. E devo confessar que sinto o mesmo respeito e o mesmo carinho tanto por um quanto por outro desses instrumentos sagrados de vida e de trabalho.Naquele período, dividia o quarto com amigos no Bairro Popular, Setor Universitário, Vila Nova e tirava o meu sustento dando aulas de reforço em Matemática. Além do colchão, os únicos móveis eram dois caixotes de frutas, que fazíamos como guarda-roupa e estante de livros. Tão logo conclui os estudos secundários, passei no vestibular para o curso de Matemática na Universidade Católica de Goiás (UCG), e a minha rotina se dividia entre os estudos e as aulas particulares. Foi quando fui convidado para ser professor substituto nos colégios Ateneu Dom Bosco, Bandeirante e, mais tarde, ingressei como professor efetivo no Dom Abel e no Lyceu de Goiânia. O “vírus” estava inoculado: ler, estudar, debater, ensinar. Quando me chamam de “professor”, ainda hoje, sinto um misto de orgulho e de emoção. Não demorou muito para que ingressasse na luta pela anistia e pelo movimento sindical. Em plena ditadura militar, o verdadeiro sindicalismo e os movimentos estudantis eram proibidos. Na Paraíba, onde fui fazer especialização, conheci várias pessoas ligadas ao movimento sindical. Voltando a Goiânia fundei, juntamente com os companheiros Osmar Magalhães, Niso Prego, professor Getúlio, dentre outros, o antigo Centro dos Professores de Goiás (CPG), que deu origem ao que hoje é Sindicato dos Professores em Educação do Estado de Goiás.O CPG realizou a primeira greve de professores do Estado, à época do governo de Ary Valadão. O movimento cresceu e Goiânia foi sede do Congresso Nacional dos Professores (Congresso Paulo Freire). A luta sindical se mostrava cada vez mais forte e atuante no País. Foi nessa época que começou a surgir no Brasil a necessidade de um partido que realmente tivesse compromisso com a classe trabalhadora, e no dia 10 de fevereiro de 1980, em São Paulo, assinei a ata de fundação do Partido dos Trabalhadores, o PT.Logo depois fundamos a Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Goiás, da qual fui o primeiro presidente. Mais tarde, tive também a honra de presidir o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Em todas as posições que ocupei nada me gratificou mais do que ter sido tão-somente um militante para a construção de uma sociedade sem explorados e exploradores. Afinal, são cerca de quatro décadas de luta e mudanças estruturais que a sociedade brasileira precisa e exige.O homem é o que ele traz da infância e da família. Nosso caráter, os valores mais caros e verdadeiros, as antipatias, os afetos, as manias, tudo. Eu trago tudo isso, e trago mais ainda: Goiás. Sou 100% goiano por onde quer que vá. Tenho sempre um referencial goiano, um valor de minha terra, um ponto cardeal do Goiás para fazer as comparações e saber se isso ou aquilo é bom ou ruim. Qualquer poeta eu comparo com Cora Coralina. É difícil a velha e doce matriarca de nossas letras ser superada... Escritor para mim tem que ser tão bom quanto Bernardo Élis, nosso imortal da Academia Brasileira de Letras.Em viagem pela China, não faz muitos anos, ví o gigante continental sendo despertado pela economia pujante e a conquista dos mercados internacionais, mas com organismos oficiais fortes, com a absoluta defesa das riquezas e potencialidades da grande Nação milenar. Lembrei-me de Mauro Borges, despertando o Goiás arcaico, oligárquico, antigão, criando a Metago, a Caixego, fazendo o Estado sertanejo e acanhado inserir-se no século XX com quase meio-século de atraso. E fazia sentido minha comparação.Imerso em múltiplas leituras vou me surpreendendo com bons autores, cronistas com belos estilos e textos irrepreensíveis. Lá vem Goiás: “é tão bom quanto o Batista Custódio?” - pergunto de cara. É difícil, mas já encontrei alguns do calibre do velho bruxo da pena mais talentosa de nossa terra.Agora Batista Custódio e seus companheiros que fazem o Diário da Manhã me oferecem a possibilidade de, como cidadão e como professor, como goiano e como homem público, encontrar-me semanalmente com seus leitores. A melhor força de agradecer essa oportunidade ímpar e honrosa é ir logo avisando que farei desse espaço uma oportunidade de discussão de nossa terra, nosso País, nossas dificuldades e esperanças, sem medo, sem ódio, com equilíbrio e absoluto sentido democrático e pluralista.Contam que a Nasa tentou preparar um astronauta de fé islâmica para ir ao espaço em uma de suas expedições científicas. Era dos mais qualificados, mas tinha um problema aparentemente insolúvel, além de absolutamente inusitado: como saber, solto no espaço sideral, qual a direção de Meca na hora sagrada de suas orações? Como ajoelhar-se humildemente em tal hora em plena gravidade zero?
Publicado no Diário da Manhã
Ao contrário da Itabira do Mestre Drummond, Goiás não é um retrato na parede doendo em minha alma. Minha terra é um compromisso de vida e de luta, de amor e de alegria, de trabalho e de estudo.Não creio no homem sem raízes, sem acentuado afeto à sua terra natal, sem admiração pelos valores de sua gente, sem paixão pelas riquezas de seu torrão.Nunca tive o menor temor de ser tido por caipira ou matuto por ter adoração pela culinária goiana. Não há comida no mundo que me faça feliz como o arroz fumegante exalando o odor abençoado do pequi. Faço uma viagem transcendental, profunda, sensitiva, personalíssima, que cura feridas e dissipa qualquer mágoa (que, aliás, não consigo sentir, graças a Deus), e volto ao fogão-a-lenha de Dona Jamira, seus temperos, minha infância humilde mas muito feliz em Buriti Alegre, ao lado dos irmãos, debaixo do olhar severo e da alma bondosa do “seo” Catonho.Minha infância foi feliz. E acho que aí está a chave de ser um homem que não conseguiu deixar-se quebrar pela dor ou pelo sofrimento. A força que me sustenta vem das entranhas da minha terra natal, amada e sempre presente.A vida em Buriti Alegre era singela. Acordava cedo para ir à escola e de tarde trabalhava na lavoura. Despertador é uma chateação para quem sabia da hora certa pelo galo que cantava, infalível e afinado, lá no fundo de nosso sítio. Tanto eu quanto Carlão, o mais velho dos quatro irmãos, trabalhávamos duro para ajudar no sustento da casa. À época, era comum que os filhos começassem cedo na responsabilidade de ajudar no trabalho diário da família. Também foi assim com os caçulas, Delma e Carlos Soares.De Buriti Alegre para a cidade grande foi um passo! Goiânia, que era há exatos 38 anos menos da metade do que é hoje, me parecia uma metrópole! Encantado e pasmo. Logo, no saudoso Colégio Lyceu de Goiânia, fui estudar e me iniciei na política estudantil. Estava no sangue, queria participar, debater, lutar. Numa transformação brusca, troquei a enxada pelos livros. E devo confessar que sinto o mesmo respeito e o mesmo carinho tanto por um quanto por outro desses instrumentos sagrados de vida e de trabalho.Naquele período, dividia o quarto com amigos no Bairro Popular, Setor Universitário, Vila Nova e tirava o meu sustento dando aulas de reforço em Matemática. Além do colchão, os únicos móveis eram dois caixotes de frutas, que fazíamos como guarda-roupa e estante de livros. Tão logo conclui os estudos secundários, passei no vestibular para o curso de Matemática na Universidade Católica de Goiás (UCG), e a minha rotina se dividia entre os estudos e as aulas particulares. Foi quando fui convidado para ser professor substituto nos colégios Ateneu Dom Bosco, Bandeirante e, mais tarde, ingressei como professor efetivo no Dom Abel e no Lyceu de Goiânia. O “vírus” estava inoculado: ler, estudar, debater, ensinar. Quando me chamam de “professor”, ainda hoje, sinto um misto de orgulho e de emoção. Não demorou muito para que ingressasse na luta pela anistia e pelo movimento sindical. Em plena ditadura militar, o verdadeiro sindicalismo e os movimentos estudantis eram proibidos. Na Paraíba, onde fui fazer especialização, conheci várias pessoas ligadas ao movimento sindical. Voltando a Goiânia fundei, juntamente com os companheiros Osmar Magalhães, Niso Prego, professor Getúlio, dentre outros, o antigo Centro dos Professores de Goiás (CPG), que deu origem ao que hoje é Sindicato dos Professores em Educação do Estado de Goiás.O CPG realizou a primeira greve de professores do Estado, à época do governo de Ary Valadão. O movimento cresceu e Goiânia foi sede do Congresso Nacional dos Professores (Congresso Paulo Freire). A luta sindical se mostrava cada vez mais forte e atuante no País. Foi nessa época que começou a surgir no Brasil a necessidade de um partido que realmente tivesse compromisso com a classe trabalhadora, e no dia 10 de fevereiro de 1980, em São Paulo, assinei a ata de fundação do Partido dos Trabalhadores, o PT.Logo depois fundamos a Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Goiás, da qual fui o primeiro presidente. Mais tarde, tive também a honra de presidir o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Em todas as posições que ocupei nada me gratificou mais do que ter sido tão-somente um militante para a construção de uma sociedade sem explorados e exploradores. Afinal, são cerca de quatro décadas de luta e mudanças estruturais que a sociedade brasileira precisa e exige.O homem é o que ele traz da infância e da família. Nosso caráter, os valores mais caros e verdadeiros, as antipatias, os afetos, as manias, tudo. Eu trago tudo isso, e trago mais ainda: Goiás. Sou 100% goiano por onde quer que vá. Tenho sempre um referencial goiano, um valor de minha terra, um ponto cardeal do Goiás para fazer as comparações e saber se isso ou aquilo é bom ou ruim. Qualquer poeta eu comparo com Cora Coralina. É difícil a velha e doce matriarca de nossas letras ser superada... Escritor para mim tem que ser tão bom quanto Bernardo Élis, nosso imortal da Academia Brasileira de Letras.Em viagem pela China, não faz muitos anos, ví o gigante continental sendo despertado pela economia pujante e a conquista dos mercados internacionais, mas com organismos oficiais fortes, com a absoluta defesa das riquezas e potencialidades da grande Nação milenar. Lembrei-me de Mauro Borges, despertando o Goiás arcaico, oligárquico, antigão, criando a Metago, a Caixego, fazendo o Estado sertanejo e acanhado inserir-se no século XX com quase meio-século de atraso. E fazia sentido minha comparação.Imerso em múltiplas leituras vou me surpreendendo com bons autores, cronistas com belos estilos e textos irrepreensíveis. Lá vem Goiás: “é tão bom quanto o Batista Custódio?” - pergunto de cara. É difícil, mas já encontrei alguns do calibre do velho bruxo da pena mais talentosa de nossa terra.Agora Batista Custódio e seus companheiros que fazem o Diário da Manhã me oferecem a possibilidade de, como cidadão e como professor, como goiano e como homem público, encontrar-me semanalmente com seus leitores. A melhor força de agradecer essa oportunidade ímpar e honrosa é ir logo avisando que farei desse espaço uma oportunidade de discussão de nossa terra, nosso País, nossas dificuldades e esperanças, sem medo, sem ódio, com equilíbrio e absoluto sentido democrático e pluralista.Contam que a Nasa tentou preparar um astronauta de fé islâmica para ir ao espaço em uma de suas expedições científicas. Era dos mais qualificados, mas tinha um problema aparentemente insolúvel, além de absolutamente inusitado: como saber, solto no espaço sideral, qual a direção de Meca na hora sagrada de suas orações? Como ajoelhar-se humildemente em tal hora em plena gravidade zero?
Batista não me convida para ir ao espaço, mas como o cosmonauta que não abandonou suas origens nem renegou sua fé sequer lá em cima, bilhões de quilometros de nosso pequeno e distante planeta Terra, devo confessar que por onde ande e vá, em qualquer situação, Goiás é minha referência principal, é minha identidade mais marcante, é meu afeto mais íntimo e intocável.
Delúbio Soares é professor
AS TÁBUAS DE SALVAÇÃO
Vamos falar às claras, sem hipocrisia. A oposição está há anos se apegando a tábuas de salvação. Foi só que lhes sobrou porque fizeram um péssimo governo na era FHC, afundaram o país. Há pouco tempo um governador do PSDB foi cassado na Paraíba, a governadora do RS, Yeda Crusius, do PSDB, está em vias de ser cassada, e o prefeito de Curitiba, Beto Richa, do PSDB, vai pelo mesmo caminho.
Vamos falar às claras, sem hipocrisia. A oposição está há anos se apegando a tábuas de salvação. Foi só que lhes sobrou porque fizeram um péssimo governo na era FHC, afundaram o país. Há pouco tempo um governador do PSDB foi cassado na Paraíba, a governadora do RS, Yeda Crusius, do PSDB, está em vias de ser cassada, e o prefeito de Curitiba, Beto Richa, do PSDB, vai pelo mesmo caminho.
No senado, o líder do PSDB, Arthur Virgílio, está envolvido com falcatruas até os ossos. Estão todos envolvidos em situações cabulosas, cabeludas. Em 2005 usaram três CPIs e o tal mensalão – que não passa de caixa 2 – como tábuas de salvação. Não adiantou, afundaram. Agora acharam que a crise econômica mundial seria outra tábua de salvação. Não funcionou, afundaram de novo.
Encontraram outra tábua de salvação nas mazelas do Senado, que já vêm de longa data, no mínimo mais de 15 anos, para jogar no colo do presidente Lula e do PT. Ontem ouvi a oposição no Senado, em uma ação orquestrada, tirando cinicamente os deles da reta, e atacando o presidente Lula.
A senadora Marisa Serrano, do PSDB, teve o desplante de dizer que o presidente Lula quer esfacelar o Senado para viabilizar o seu projeto eleitoral de 2010 a qualquer preço. Ora senadora, o Senado se esfarelou por conta e risco de todos os senadores, que não foram escolhidos pelo presidente Lula, foram eleitos pelo povo. É esse o Senado que se apresenta para o presidente Lula governar o país. O presidente está tentando juntar os cacos da instituição, o que restou depois dessa avalanche de denúncias de mazelas, de privilégios absurdos, para garantir a governabilidade. O presidente Lula está pensando no país, na democracia. O que é menos ruim para o país do que entregar o Senado nas mão da oposição, que há 10 anos, com o DEM, já ocupa a 1ª secretaria do Senado.
Na mesma linha choraminga o senador Jarbas Vasconcelos: - “Nosso Presidente não tem pudor algum; tudo fará para permanecer no poder, inclusive comprometer seus correligionários e destruir o que ainda resta de dignidade no Congresso Nacional, especialmente no Senado Federal.” Tenha tento, senador Jarbas, quem não tem pudor é vossa excelência, que está tentando atribuir ao presidente Lula a culpa de todos os senadores, inclusive as suas, numa covarde manobra eleitoreira, seguindo as ordens de Serra e FHC.
E os tais correligionários? Bando de invejosos despeitados e ressentidos: um porque foi demitido por incompetência pelo telefone, outro porque não foi convidado, outro porque não se elegeu presidente do Senado, outros de olho na reeleição de 2010, querendo posar de vestais quando também têm culpa por usufruírem dos privilégios e desmandos no Senado. E a mídia histérica só denuncia quem apóia o presidente Lula.
Cadê eles falarem dos cabides de emprego do Efraim de Morais, do DEM (esse anda até sumido do Senado), dos contratos superfaturados, escusos?Cadê a mídia para falar do Arthur Virgílio, do PSDB, que até “empréstimos” pegou com Agaciel, que usou dinheiro indevido para pagar despesas hospitalares de sua mãe (só para ficar no que já confessou!)?
Por que a mídia, tão prestativa no combate à corrupção, não investiga o Agripino Maia, o Mão Santa, o Jarbas Vasconcelos, o Tasso Jereissati, o Sergio Guerra, o Álvaro Dias, e outros? Eu respondo: porque se investigar vai encontrar, e a idéia não é moralizar o senado, não é encontrar as falcatruas e lambanças da oposição, mas sim atrapalhar o governo Lula, não dar condições para o presidente continuar com projetos que beneficiem o país e todos os brasileiros.
É o PSDB, o Serra, querendo o apoio do PMDB em 2010, com total apoio da mídia. É, de novo, a busca da tábua da salvação. Mas não vai funcionar novamente porque o povo não é bobo, confia no presidente Lula. Vão afundar outra vez!
Jussara Seixas
Jussara Seixas
Brasil busca oportunidades de negócios em Cuba
Empresários brasileiros estão em Havana (Cuba) para identificar oportunidades de negócios com estatais cubanas, nos setores de energia, construção, alimentos, siderúrgico e medicamentos. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, chefia a missão oficial, articulada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). “As parcerias podem acontecer de diversas formas: investimento, cooperação, troca de tecnologia, de conhecimento”, avalia o presidente da ABDI, Reginaldo Arcuri.
O objetivo da viagem é promover o aumento do comércio bilateral e dos investimentos brasileiros no país. Participam da delegação representantes de 14 empresas dos setores de energia, construção, alimentação, siderurgia e medicamentos. Na próxima quarta e quinta-feira, o ministro participará de encontros empresariais e de reuniões com autoridades do governo cubano.
Cuba, que inicialmente dependia do turismo, da exportação de charutos e de níquel para sobreviver, desenvolveu um vigoroso setor de saúde capaz de alavancar a economia da ilha. Desde 2004, a economia cubana tem crescido a taxas muito superiores à média da América Latina. O PIB do país cresceu 11,1% em 2006 e 7,3% em 2007. No entanto, a devastação causada pelos furações Gustav e Ike, que atingiram a Ilha em setembro de 2008, teve relação direta com o baixo crescimento econômico de 2008: 4,3%. Comércio bilateral
A corrente de comércio entre Brasil e Cuba atingiu US$ 131 milhões no primeiro semestre deste ano, 46,7% menos do que os US$ 245,6 milhões do mesmo período de 2008. O saldo comercial foi favorável ao Brasil, contabilizando US$ 97,8 milhões, valor inferior ao registrado nos seis primeiros meses do ano anterior, US$ 225,6 milhões.
No acumulado janeiro-junho de 2009, as exportações brasileiras para Cuba somaram US$ 114,4 milhões, o que representou queda de 51,4% sobre o mesmo período de 2008, quando as vendas externas para o país totalizaram US$ 235,6 milhões. A participação das exportações para o mercado cubano em relação ao total exportado pelo Brasil foi de 0,2% e o país ocupou a 64ª posição entre os mercados compradores de produtos brasileiros, contra a 52ª posição ocupada no primeiro semestre do ano passado. No período janeiro-junho de 2009, a pauta de exportação brasileira para Cuba foi constituída por 72,9% de bens industrializados e 27,1% de produtos básicos.
As importações brasileiras provenientes de Cuba, no primeiro semestre deste ano, foram ampliadas em 66%, ao passarem de US$ 10 milhões para US$ 16,6 milhões. Cuba ocupou a 75ª posição entre os mercados fornecedores de produtos ao Brasil, 15 abaixo da registrada no mesmo período de 2008, quando ocupou a 90ª. Na importação, os itens que compõem a pauta restringem-se praticamente a produtos industrializados (99,6%), representados exclusivamente por bens manufaturados.
Empresários brasileiros estão em Havana (Cuba) para identificar oportunidades de negócios com estatais cubanas, nos setores de energia, construção, alimentos, siderúrgico e medicamentos. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, chefia a missão oficial, articulada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). “As parcerias podem acontecer de diversas formas: investimento, cooperação, troca de tecnologia, de conhecimento”, avalia o presidente da ABDI, Reginaldo Arcuri.
O objetivo da viagem é promover o aumento do comércio bilateral e dos investimentos brasileiros no país. Participam da delegação representantes de 14 empresas dos setores de energia, construção, alimentação, siderurgia e medicamentos. Na próxima quarta e quinta-feira, o ministro participará de encontros empresariais e de reuniões com autoridades do governo cubano.
Cuba, que inicialmente dependia do turismo, da exportação de charutos e de níquel para sobreviver, desenvolveu um vigoroso setor de saúde capaz de alavancar a economia da ilha. Desde 2004, a economia cubana tem crescido a taxas muito superiores à média da América Latina. O PIB do país cresceu 11,1% em 2006 e 7,3% em 2007. No entanto, a devastação causada pelos furações Gustav e Ike, que atingiram a Ilha em setembro de 2008, teve relação direta com o baixo crescimento econômico de 2008: 4,3%. Comércio bilateral
A corrente de comércio entre Brasil e Cuba atingiu US$ 131 milhões no primeiro semestre deste ano, 46,7% menos do que os US$ 245,6 milhões do mesmo período de 2008. O saldo comercial foi favorável ao Brasil, contabilizando US$ 97,8 milhões, valor inferior ao registrado nos seis primeiros meses do ano anterior, US$ 225,6 milhões.
No acumulado janeiro-junho de 2009, as exportações brasileiras para Cuba somaram US$ 114,4 milhões, o que representou queda de 51,4% sobre o mesmo período de 2008, quando as vendas externas para o país totalizaram US$ 235,6 milhões. A participação das exportações para o mercado cubano em relação ao total exportado pelo Brasil foi de 0,2% e o país ocupou a 64ª posição entre os mercados compradores de produtos brasileiros, contra a 52ª posição ocupada no primeiro semestre do ano passado. No período janeiro-junho de 2009, a pauta de exportação brasileira para Cuba foi constituída por 72,9% de bens industrializados e 27,1% de produtos básicos.
As importações brasileiras provenientes de Cuba, no primeiro semestre deste ano, foram ampliadas em 66%, ao passarem de US$ 10 milhões para US$ 16,6 milhões. Cuba ocupou a 75ª posição entre os mercados fornecedores de produtos ao Brasil, 15 abaixo da registrada no mesmo período de 2008, quando ocupou a 90ª. Na importação, os itens que compõem a pauta restringem-se praticamente a produtos industrializados (99,6%), representados exclusivamente por bens manufaturados.
Fonte: PT
Brasil passa 'dançando pela crise', diz Financial Times
Agencia Estado
LONDRES - O Brasil passa "dançando pela crise", disse hoje o jornal britânico Financial Times (FT), em caderno especial sobre o País publicado nesta terça-feira. "Acontece que o Brasil, finalmente, após anos de promessas não cumpridas, está chamando a atenção mundial - e sugando investimento estrangeiro direto, enquanto muitos rivais ficam sem nada", afirma o periódico.A publicação parte da movimentação dos negócios em torno da tradicional festa junina de Caruaru, em Pernambuco, para concluir que o mercado doméstico brasileiro é capaz de amparar não somente marcas específicas, como indústrias inteiras. É o caso, por exemplo, do carro bicombustível (flex fuel), feito para o mercado nacional e responsável por 90% das vendas de veículos novos no País."(O Brasil) é uma democracia madura, com uma economia diversificada e população jovem e adaptável deleitando-se de emprego estável e da renda em alta", diz o FT. O jornal prossegue afirmando que o País, com poder crescente na área de matérias-primas (commodities), será um grande exportador de petróleo no futuro.No entanto, apesar de parecer que o Brasil sairá da crise antes do esperado, não significa que está imune à retração global. O governo registrou, em maio, o primeiro déficit primário desde 1999, refletindo a queda na arrecadação e os gastos com os pacotes de estímulo. A princípio, a informação poderia não preocupar, diz o FT, já que muitos países enfrentam déficits ainda maiores neste período de crise. "Mas é exatamente pelo fato de ter feito muito para colocar a casa em ordem que o Brasil se tornou tão atrativo para os investidores."A publicação também lista o atraso de reformas consideradas estratégicas, aguardadas desde o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). A falta de infraestrutura, com estradas dilapidadas, a ameaça da violência e a aceitação da corrupção como algo comum na vida pública são outros problemas apontados pelo FT."Mas, se as conversas sobre recuperação fazem sentindo em algum lugar do mundo, é no Brasil, um líder emergente mundial na agricultura, mineração, petróleo, até em bancos de investimento com um mercado doméstico que os concorrentes só podem sonhar", conclui.
Agencia Estado
LONDRES - O Brasil passa "dançando pela crise", disse hoje o jornal britânico Financial Times (FT), em caderno especial sobre o País publicado nesta terça-feira. "Acontece que o Brasil, finalmente, após anos de promessas não cumpridas, está chamando a atenção mundial - e sugando investimento estrangeiro direto, enquanto muitos rivais ficam sem nada", afirma o periódico.A publicação parte da movimentação dos negócios em torno da tradicional festa junina de Caruaru, em Pernambuco, para concluir que o mercado doméstico brasileiro é capaz de amparar não somente marcas específicas, como indústrias inteiras. É o caso, por exemplo, do carro bicombustível (flex fuel), feito para o mercado nacional e responsável por 90% das vendas de veículos novos no País."(O Brasil) é uma democracia madura, com uma economia diversificada e população jovem e adaptável deleitando-se de emprego estável e da renda em alta", diz o FT. O jornal prossegue afirmando que o País, com poder crescente na área de matérias-primas (commodities), será um grande exportador de petróleo no futuro.No entanto, apesar de parecer que o Brasil sairá da crise antes do esperado, não significa que está imune à retração global. O governo registrou, em maio, o primeiro déficit primário desde 1999, refletindo a queda na arrecadação e os gastos com os pacotes de estímulo. A princípio, a informação poderia não preocupar, diz o FT, já que muitos países enfrentam déficits ainda maiores neste período de crise. "Mas é exatamente pelo fato de ter feito muito para colocar a casa em ordem que o Brasil se tornou tão atrativo para os investidores."A publicação também lista o atraso de reformas consideradas estratégicas, aguardadas desde o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). A falta de infraestrutura, com estradas dilapidadas, a ameaça da violência e a aceitação da corrupção como algo comum na vida pública são outros problemas apontados pelo FT."Mas, se as conversas sobre recuperação fazem sentindo em algum lugar do mundo, é no Brasil, um líder emergente mundial na agricultura, mineração, petróleo, até em bancos de investimento com um mercado doméstico que os concorrentes só podem sonhar", conclui.
Meus amigos e leitores, entendem porque o ódio da oposição, entendem porque a oposição precisa assumir a presidência Senado, e desestabilizar o governo Lula.
Sobre Sarney
A Mesa do Senado, recentemente empossada, não é responsável pelos atos de anos atrás, revelados e repelidos pela população. No entanto, quer-se afastar o seu atual presidente. A Mesa funciona como um colegiado, não sendo ninguém individualmente responsável pelo que o conjunto delibera. Ainda assim, há quem insista na saída de Sarney. O Senado é uma Casa política, fundamental para a governabilidade do país, que está às vésperas do “ano político de 2010”. E um argumento é habilmente construído, pelo qual o afastamento de Sarney não tem nada de político. Por tudo isso, acredito ser importante examinar politicamente a situação.
Por Haroldo Lima*
José Sarney é um político conservador, como a maioria que está no Senado. Protagonizou, entretanto, como poucos, papel importante, decisivo mesmo, em momentos cruciais da vida brasileira. Tendo pessoalmente participado de alguns desses momentos, sinto-me no dever de relembrar pelo menos três deles, principalmente à esquerda brasileira.
Em abril de 1984, o movimento das “diretas já” foi derrotado no Congresso Nacional. Forças democráticas perceberam a possibilidade de irem ao Colégio Eleitoral para derrotar a ditadura. Isto acontecendo, o fim do autoritarismo poderia ser encaminhado através do restabelecimento das liberdades, das eleições diretas e da convocação de uma Constituinte livremente eleita. As forças de oposição à ditadura, quase todas, uniram-se com esse propósito, em torno da figura de Tancredo Neves. Conseguiu-se amplo apoio do povo nas ruas. Mas havia um problema: toda a oposição unida tinha 330 votos no Colégio Eleitoral, enquanto o PDS sozinho contava com 365 sufrágios. A solução era dividir o PDS.
Pela pressão das ruas, pelas articulações de Tancredo, algo inesperado sucedeu. O presidente nacional do PDS, José Sarney, rompeu e saiu do PDS, formou uma Frente Liberal com gente do próprio PDS e apoiou a Aliança Democrática de Tancredo. Veio a ser o vice de Tancredo. A correlação de forças se inverteu no Colégio, e o resultado todos sabemos. No dia da votação, Tancredo teve 480 votos, Maluf 180. A ditadura foi derrotada. Sarney deu contribuição inestimável.
Na continuidade, Tancredo morre. Sarney assume em clima tenso. Os militares, ainda no poder, não o viam bem, os inconformados consideravam-no um desertor. Mais ainda, o chefe supremo, o general Figueiredo, recusou-se a passar-lhe a faixa presidencial. Por outro lado, o processo que visava pôr fim ao regime autoritário, e que apenas começara com a vitória no Colégio Eleitoral, não podia parar. Por oportuno, lembremos: Sarney encaminhou o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República, prefeitos das capitais e dos municípios considerados “areas de segurança nacional”; promoveu a extensão aos analfabetos do direito ao voto; deliberou pela legalização da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), do então Partido Comunista Brasileiro (PCB). E convocou a Assembléia Constituinte que se instalou em 199. Claro que houve ações de outra natureza, que provocaram rejeição da esquerda. Mas Sarney cumpriu um papel de grande relevo na transição a um estado de direito democrático.
Finalmente, um testemunho relacionado à área onde hoje atuo, a petrolífera, e à empresa brasileira principal dessa área, a Petrobrás. Em 20 de junho de 1995, a Câmara dos Deputados aprovou um Relatório sobre Emenda Constitucional enviada pelo governo, “quebrando” o monopólio estatal do petróleo. A vantagem que o Relatório tivera foi muito maior do que imaginávamos, 200 votos. Mas, pressentíamos e temíamos o pior: aprovado o Relatório no Senado, e com votação tão expressiva, o governo de FHC encaminharia a privatização da Petrobras. Seria um desastre para o país. Era tudo o que não queríamos.
Articulamos uma emenda no Senado, a de Ronaldo Cunha Lima: o Relatório iria à votação com um acréscimo, a proibição de se privatizar a Petrobras. O governo não aceitou. Ficava claro que a privatização da estatal viria em seguida à votação do Relatório. A situação era difícil. O movimento popular já produzira uma greve de petroleiros, que acabara sem resultados. Estávamos debilitados.
Foi quando o presidente do Senado expressou que só colocaria o Relatório em votação se recebesse do presidente da República um texto por ele assinado, no qual estivesse patenteado o compromisso de que não iria privatizar em seguida a Petrobras. O presidente do Senado era José Sarney. E FHC, no dia 9 de agosto de 1995, assinou texto comprometendo-se a não encaminhar a privatização da Petrobras. Grande vitória. Façamos justiça: a contribuição de Sarney foi decisiva.
Porisso, quando agora fatos lamentáveis são revelados, ligados não a grandes projetos nacionais mas à administração interna do Senado, é justo querer apurá-los com rigor. Mas quando se cogita de afastar o presidente Sarney para supostamente facilitar essa apuração, é importante lembrar fatos históricos irrefutáveis, ligados a grandes projetos nacionais, de agenda progressista, para os quais ele já contribuiu e o projeto nacional em curso, com o qual ele está comprometido.
Cabe então questionar. Afastar por quê? Para por quem no lugar? Para enfraquecer que projeto? Para fortalecer que outro?
* Ex-líder da bancada federal do PCdoB
A Mesa do Senado, recentemente empossada, não é responsável pelos atos de anos atrás, revelados e repelidos pela população. No entanto, quer-se afastar o seu atual presidente. A Mesa funciona como um colegiado, não sendo ninguém individualmente responsável pelo que o conjunto delibera. Ainda assim, há quem insista na saída de Sarney. O Senado é uma Casa política, fundamental para a governabilidade do país, que está às vésperas do “ano político de 2010”. E um argumento é habilmente construído, pelo qual o afastamento de Sarney não tem nada de político. Por tudo isso, acredito ser importante examinar politicamente a situação.
Por Haroldo Lima*
José Sarney é um político conservador, como a maioria que está no Senado. Protagonizou, entretanto, como poucos, papel importante, decisivo mesmo, em momentos cruciais da vida brasileira. Tendo pessoalmente participado de alguns desses momentos, sinto-me no dever de relembrar pelo menos três deles, principalmente à esquerda brasileira.
Em abril de 1984, o movimento das “diretas já” foi derrotado no Congresso Nacional. Forças democráticas perceberam a possibilidade de irem ao Colégio Eleitoral para derrotar a ditadura. Isto acontecendo, o fim do autoritarismo poderia ser encaminhado através do restabelecimento das liberdades, das eleições diretas e da convocação de uma Constituinte livremente eleita. As forças de oposição à ditadura, quase todas, uniram-se com esse propósito, em torno da figura de Tancredo Neves. Conseguiu-se amplo apoio do povo nas ruas. Mas havia um problema: toda a oposição unida tinha 330 votos no Colégio Eleitoral, enquanto o PDS sozinho contava com 365 sufrágios. A solução era dividir o PDS.
Pela pressão das ruas, pelas articulações de Tancredo, algo inesperado sucedeu. O presidente nacional do PDS, José Sarney, rompeu e saiu do PDS, formou uma Frente Liberal com gente do próprio PDS e apoiou a Aliança Democrática de Tancredo. Veio a ser o vice de Tancredo. A correlação de forças se inverteu no Colégio, e o resultado todos sabemos. No dia da votação, Tancredo teve 480 votos, Maluf 180. A ditadura foi derrotada. Sarney deu contribuição inestimável.
Na continuidade, Tancredo morre. Sarney assume em clima tenso. Os militares, ainda no poder, não o viam bem, os inconformados consideravam-no um desertor. Mais ainda, o chefe supremo, o general Figueiredo, recusou-se a passar-lhe a faixa presidencial. Por outro lado, o processo que visava pôr fim ao regime autoritário, e que apenas começara com a vitória no Colégio Eleitoral, não podia parar. Por oportuno, lembremos: Sarney encaminhou o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República, prefeitos das capitais e dos municípios considerados “areas de segurança nacional”; promoveu a extensão aos analfabetos do direito ao voto; deliberou pela legalização da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), do então Partido Comunista Brasileiro (PCB). E convocou a Assembléia Constituinte que se instalou em 199. Claro que houve ações de outra natureza, que provocaram rejeição da esquerda. Mas Sarney cumpriu um papel de grande relevo na transição a um estado de direito democrático.
Finalmente, um testemunho relacionado à área onde hoje atuo, a petrolífera, e à empresa brasileira principal dessa área, a Petrobrás. Em 20 de junho de 1995, a Câmara dos Deputados aprovou um Relatório sobre Emenda Constitucional enviada pelo governo, “quebrando” o monopólio estatal do petróleo. A vantagem que o Relatório tivera foi muito maior do que imaginávamos, 200 votos. Mas, pressentíamos e temíamos o pior: aprovado o Relatório no Senado, e com votação tão expressiva, o governo de FHC encaminharia a privatização da Petrobras. Seria um desastre para o país. Era tudo o que não queríamos.
Articulamos uma emenda no Senado, a de Ronaldo Cunha Lima: o Relatório iria à votação com um acréscimo, a proibição de se privatizar a Petrobras. O governo não aceitou. Ficava claro que a privatização da estatal viria em seguida à votação do Relatório. A situação era difícil. O movimento popular já produzira uma greve de petroleiros, que acabara sem resultados. Estávamos debilitados.
Foi quando o presidente do Senado expressou que só colocaria o Relatório em votação se recebesse do presidente da República um texto por ele assinado, no qual estivesse patenteado o compromisso de que não iria privatizar em seguida a Petrobras. O presidente do Senado era José Sarney. E FHC, no dia 9 de agosto de 1995, assinou texto comprometendo-se a não encaminhar a privatização da Petrobras. Grande vitória. Façamos justiça: a contribuição de Sarney foi decisiva.
Porisso, quando agora fatos lamentáveis são revelados, ligados não a grandes projetos nacionais mas à administração interna do Senado, é justo querer apurá-los com rigor. Mas quando se cogita de afastar o presidente Sarney para supostamente facilitar essa apuração, é importante lembrar fatos históricos irrefutáveis, ligados a grandes projetos nacionais, de agenda progressista, para os quais ele já contribuiu e o projeto nacional em curso, com o qual ele está comprometido.
Cabe então questionar. Afastar por quê? Para por quem no lugar? Para enfraquecer que projeto? Para fortalecer que outro?
* Ex-líder da bancada federal do PCdoB
Embaixatriz Flexa de Lima e ACM: justiça nega exame de DNAA justiça baiana acaba de negar pedido de exumação dos restos do senador Antonio Carlos Magalhães, em busca de dados de seu DNA.Era um dos lances do processo, que corre sob sigilo de justiça, movido pela embaixatriz Lucia Flexa de Lima, reclamando a paternidade de ACM para seu filho caçula.O processo foi aberto contra a vontade do embaixador Paulo Tarso de Lima e considerado anti-carlista.A justiça baiana optou pelo respeito a ACM.Agora, quem sabe se a embaixatriz recorrer ao Programa do Ratinho ...
Em jogo, se reconhecida a paternidade, um patrimônio estimado em R$ 2 bilhões.O filho da embaixatriz é um clone do falecido deputado Luis Eduardo Magalhães.
ACM SE HOSPEDAVA NA CASA DE LÚCIA FLECHA DE LIMA QUANDO IA A BRASÍLIA
Em uma dessas notas sociais quando ACM ainda tinha 74 anos:"O ex-senador Antônio Carlos Magalhães, 74 anos, e a embaixatriz Lúcia Flecha de Lima, 60, se encontraram na festa de lançamento de uma coleção de jóias num hotel da capital.Apreciaram juntos as peças e ele, galante, sacou do talão de cheques e lhe ofereceu uma. Aí, viram os fotógrafos e resolveram provocar. Ele disse que gostaria também de dar-lhe um beijo. Mas ponderou que logo iria virar manchete. Ela achou que podiam encarar o desafio. Pronto: beijo trocado (de olhos fechados), fotografado e manchetado."
Amigos do presidente Lula - Zé Augusto
Poupança registra a maior captação no ano
Depósitos na caderneta superam saques em R$ 2,1 bi em junho; fundos de renda fixa e DI, atrelados aos juros, perderam R$ 4,3 biNo 1º semestre, resultado da poupança ainda é 45% menor do que no mesmo período de 2008 por conta dos saques no início do ano
Depósitos na caderneta superam saques em R$ 2,1 bi em junho; fundos de renda fixa e DI, atrelados aos juros, perderam R$ 4,3 biNo 1º semestre, resultado da poupança ainda é 45% menor do que no mesmo período de 2008 por conta dos saques no início do ano
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A procura pela caderneta de poupança voltou a crescer no mês passado, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Em junho, os depósitos superaram os saques em R$ 2,09 bilhões, aumento de 11% em relação ao resultado de maio.Foi também a maior captação registrada pela aplicação desde dezembro de 2008, mês em que tradicionalmente há mais depósitos devido ao 13º salário. No final de junho, o saldo total das cadernetas ativas estava em R$ 282 bilhões.O resultado acumulado no primeiro semestre, por sua vez, foi um pouco mais modesto. Entre janeiro e junho, os depósitos na caderneta superaram os saques em R$ 2,45 bilhões, queda de 45% em relação ao saldo dos primeiros seis meses de 2008. Isso ocorreu porque o comportamento da poupança ao longo dos primeiros meses deste ano não foi uniforme, com a maior parte da captação concentrada em maio e junho, depois de anunciadas as mudanças planejadas pelo governo na tributação da caderneta.Desde janeiro, quando o BC deu início ao processo de redução da taxa Selic, começou a ser discutido no governo o impacto que essa queda dos juros teria sobre os fundos de investimento. Boa parte do patrimônio desses fundos, especialmente os de renda fixa e DI, está aplicada em títulos públicos, que perdem rentabilidade a cada corte da Selic.Além do efeito dos juros mais baixos, a rentabilidade dos fundos era afetada pela taxa de administração cobrada pelos fundos e pela alíquota de até 22,5% de Imposto de Renda a que são sujeitos os seus ganhos. A poupança não está sujeita a nenhuma dessas duas cobranças, o que aumenta o ganho líquido oferecido a seus aplicadores.À medida que as discussões sobre possíveis medidas a serem adotadas pelo governo avançavam, os saques na caderneta aumentavam. Partidos de oposição chegaram até a comparar as possíveis mudanças com o confisco da poupança no governo de Fernando Collor. Entre janeiro e abril, os saques superaram os depósitos em R$ 1,52 bilhão.Em maio, as mudanças foram anunciadas. O governo se comprometeu a cobrar Imposto de Renda das aplicações acima de R$ 50 mil da poupança e a reduzir a alíquota que incide sobre os fundos, mas não fixou uma data para a implantação das novas regras.O anúncio da medida pode ter mudado os planos dos poupadores, e entre maio e junho a captação da caderneta voltou a ser positiva.
A procura pela caderneta de poupança voltou a crescer no mês passado, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Em junho, os depósitos superaram os saques em R$ 2,09 bilhões, aumento de 11% em relação ao resultado de maio.Foi também a maior captação registrada pela aplicação desde dezembro de 2008, mês em que tradicionalmente há mais depósitos devido ao 13º salário. No final de junho, o saldo total das cadernetas ativas estava em R$ 282 bilhões.O resultado acumulado no primeiro semestre, por sua vez, foi um pouco mais modesto. Entre janeiro e junho, os depósitos na caderneta superaram os saques em R$ 2,45 bilhões, queda de 45% em relação ao saldo dos primeiros seis meses de 2008. Isso ocorreu porque o comportamento da poupança ao longo dos primeiros meses deste ano não foi uniforme, com a maior parte da captação concentrada em maio e junho, depois de anunciadas as mudanças planejadas pelo governo na tributação da caderneta.Desde janeiro, quando o BC deu início ao processo de redução da taxa Selic, começou a ser discutido no governo o impacto que essa queda dos juros teria sobre os fundos de investimento. Boa parte do patrimônio desses fundos, especialmente os de renda fixa e DI, está aplicada em títulos públicos, que perdem rentabilidade a cada corte da Selic.Além do efeito dos juros mais baixos, a rentabilidade dos fundos era afetada pela taxa de administração cobrada pelos fundos e pela alíquota de até 22,5% de Imposto de Renda a que são sujeitos os seus ganhos. A poupança não está sujeita a nenhuma dessas duas cobranças, o que aumenta o ganho líquido oferecido a seus aplicadores.À medida que as discussões sobre possíveis medidas a serem adotadas pelo governo avançavam, os saques na caderneta aumentavam. Partidos de oposição chegaram até a comparar as possíveis mudanças com o confisco da poupança no governo de Fernando Collor. Entre janeiro e abril, os saques superaram os depósitos em R$ 1,52 bilhão.Em maio, as mudanças foram anunciadas. O governo se comprometeu a cobrar Imposto de Renda das aplicações acima de R$ 50 mil da poupança e a reduzir a alíquota que incide sobre os fundos, mas não fixou uma data para a implantação das novas regras.O anúncio da medida pode ter mudado os planos dos poupadores, e entre maio e junho a captação da caderneta voltou a ser positiva.
Cadê o terrorista abestalhado do PPS, Raul Jungmann, para se explicar? Ele vai pedir desculpas a população? Fala asneiras e depois some, finge que não é com ele. Safado!
"O presidente responde"Tribuna do Norte
Natália Miranda Vieira, 36 anos, professora universitária de Natal (RN) - Como o governo federal vai garantir que não haja uma sangria de dinheiro público nas obras que serão realizadas para a Copa de 2014, a exemplo da que ocorreu nas obras para os Jogos Pan-americanos de 2007?
Presidente Lula – Não houve sangria do dinheiro público. Os investimentos no Pan superaram o previsto porque o planejamento inicial, que não foi da responsabilidade do nosso governo, não previu itens necessários para a execução do evento, como por exemplo, segurança pública e a capacidade de 45 mil lugares do estádio João Havelange, projetado para apenas 10 mil pessoas. O governo federal teve que arcar com compromissos do estado e do município, o que não acontecerá com a Copa de 2014. Vamos fazer um planejamento detalhado das obras e depois reunir representantes dos estados e dos municípios sedes para definir responsabilidades, dando transparência ao processo. O Ministério do Esporte vai monitorar as obras para que tudo esteja pronto antes de 2014.
Leila Dalgolbo, 41 anos, pensionista de Cariacica (ES) - Em relação ao programa Minha Casa, Minha Vida, gostaria de saber por que não é feito o desconto das prestações em folha do INSS e se legaliza de vez a tão sonhada casa própria dos menos favorecidos? E por que as pessoas não podem se cadastrar pelo computador em vez de ficarem mofando em imensas filas?
Presidente Lula – O desconto na folha de pagamentos do INSS já é amplamente adotado pelo sistema bancário brasileiro e pode vir a ser realizado pelo programa Minha Casa, Minha Vida. É uma segurança para os bancos e uma comodidade para os pensionistas. Em relação aos trabalhadores da ativa, os descontos poderão vir a ser feitos na folha de pagamentos. Quanto à possibilidade de cadastramento pela internet, sua pergunta é, na verdade, uma ótima sugestão. As áreas específicas do governo serão acionadas para o estudo e a possível adoção dessa alternativa. O cadastramento também pode ser feito pelo 0800-726-0101 da Caixa Econômica. O mais importante é que o programa atende a boa parte da demanda por moradia e cria um grande número de empregos na construção civil e nas empresas que produzem telhas, tinta, canos, pias, tijolos, vasos, tomadas, torneiras, chuveiros etc., tudo contado aos milhões.
Anna Maria Marcus, 60 anos, dona de casa de Diadema (SP) - Diariamente a gente vê na televisão o caos na saúde nos principais estados brasileiros e o mau atendimento nos hospitais públicos. Por que é tão difícil oferecer assistência médica de qualidade pelo SUS?
Presidente Lula – Sabemos que há problemas no SUS, como filas e dificuldades para se marcar um exame ou consulta, o que é um transtorno para as pessoas mais fragilizadas. Conhecemos essas deficiências e estamos permanentemente tentando eliminá-las. A questão é que temos o maior sistema de saúde pública do mundo. Imagine que 70% dos brasileiros dependem exclusivamente dele. E o restante é beneficiado em campanhas de vacinação, atendimentos de urgência, transplantes e aquisição de medicamentos de alto custo. O financiamento desse sistema é um desafio gigantesco. E as demandas aumentam sem parar e variam de natureza, devido ao crescimento da população e da porcentagem de idosos. De 2002 para 2008, a verba que o governo repassa a estados e municípios triplicou, passando de R$ 12 bilhões para R$ 37 bilhões. É bom lembrar ainda que, com a derrubada da CPMF, perdemos volume expressivo de recursos, que esperamos recompor com a regulamentação, pelo Congresso, da Emenda Constitucional 29.
Aliança para MudançaLUIZ INÁCIO LULA DA SILVA e NICOLAS SARKOZY
O Brasil e a França desejam oferecer ao mundo sua visão compartilhada de um novo multilateralismo adaptado ao mundo multipolar
A PRÓXIMA reunião de cúpula do G8, e do G8 + 5 (África do Sul, Brasil, China, Índia e México, mais Egito), a realizar-se em Áquila, na Itália, será a primeira desde que se tomou pleno conhecimento da extensão da crise financeira e econômica que estamos enfrentando. A crise ressalta o nosso grau de interdependência e impõe aos líderes a necessidade de dar uma resposta coletiva, baseada em valores e responsabilidades compartilhadas. Também nos força a avaliar o desempenho das instituições internacionais e a repensar as atuais estruturas de governança global. A necessidade de reformar a governança global não nasceu com a crise. Bem antes de sua eclosão, já era patente o déficit de representatividade e de coerência do sistema multilateral. A capacidade das instituições internacionais de superar os graves desafios do mundo atual precisa ser reforçada, e seus mandatos, revistos.Isso se aplica aos mais diversos campos, da economia à segurança, da energia ao meio ambiente. A crise apenas evidenciou o fato de que nós, líderes de nossos países, precisamos ser sujeitos das reformas necessárias para a construção de um mundo mais justo, desenvolvido e sustentável. Não estamos começando do zero. Algum progresso já foi alcançado. Em temas econômicos e financeiros, as cúpulas do G20 de Washington e de Londres contribuíram para fortalecer o diálogo entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento. Fomos capazes de chegar a resultados concretos porque nos unimos. As reuniões entre o G8 e o G5/G6 são outro exemplo da necessidade de incluir os países emergentes nas discussões sobre o futuro da economia internacional e sobre o enfrentamento dos desafios globais. Os países emergentes representam não apenas uma parcela enorme do território e da população do planeta mas também (e cada vez mais) do consumo e da produção globais. Nunca a cooperação internacional foi tão necessária. Agora precisamos ir além. As organizações financeiras internacionais, como o FMI e o Banco Mundial, precisam dar maior peso às economias emergentes mais dinâmicas nos seus processos de tomada de decisões. Também devem ser postas em prática as decisões tomadas pelo G20, no sentido de melhor regular e supervisionar as finanças internacionais, coibir a especulação, combater os paraísos fiscais e centros de lavagem de dinheiro e promover o crescimento. Com a crise, a ameaça do protecionismo ganhou novo impulso. A conclusão da Rodada Doha da OMC é tarefa urgente, para que se possa alcançar acordo ambicioso, amplo e equilibrado que beneficie sobretudo os países em desenvolvimento -em particular os mais pobres- e para que se reforce o multilateralismo comercial. Mas, para tirarmos todas as lições da crise, nós precisamos seguir nesse esforço e estendê-lo para além da esfera econômica e financeira. Não há paz sem desenvolvimento econômico e social nem há prosperidade duradoura sem estabilidade e segurança. Cada vez mais, os conflitos ocorrem em países fragilizados social e economicamente. A pobreza e a exclusão social agravam a instabilidade no sistema internacional. É chegado o momento de priorizar a dimensão social da globalização. Em todo o mundo, trabalhadores que enfrentam a tempestade econômica clamam por mais justiça e por maior segurança. Suas vozes precisam ser ouvidas. O impacto social da crise atual deve ser enfrentado diretamente pelas organizações internacionais, e o papel da OIT na governança econômica global deveria ser muito fortalecido nesse aspecto. A estrutura para o tratamento da paz e da segurança coletiva também requer adaptações significativas. Deve-se levar a bom termo um processo abrangente de reforma do Conselho de Segurança da ONU, de modo a salvaguardar uma ordem internacional mais equilibrada e inclusiva. Para garantir a eficácia do conselho, ele deve refletir as realidades atuais, inclusive um papel maior para os principais países em desenvolvimento em todas as regiões, como o Brasil e a Índia, uma representação mais justa para a África e para os principais contribuintes das Nações Unidas, como o Japão e a Alemanha. Outros perigos também ameaçam a paz e o desenvolvimento. A mudança do clima impõe enorme desafio à governança global. É preciso chegar a resultado ambicioso em Copenhague, em dezembro, para alcançarmos o objetivo comum de evitar uma séria mudança climática e limitar a 2 o aumento da temperatura global. Todas as nações devem reduzir suas emissões conforme as recomendações do IPCC e o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. Outros desafios globais incluem o crime organizado e transnacional, o terrorismo, o tráfico de pessoas e de drogas, as pandemias e a segurança alimentar. Nossas respostas a essas ameaças são insuficientes muitas vezes, por causa da fragmentação das organizações internacionais e de sua tendência a duplicar trabalhos. Os mecanismos atuais para a governança global são inadequados para lidar com o caráter sistêmico e a inter-relação dos diversos desafios que enfrentamos. A escala da crise econômica cria uma oportunidade única para que se comece a reformar amplamente as instituições internacionais. O Brasil e a França desejam oferecer ao mundo sua visão compartilhada de um novo multilateralismo adaptado ao mundo multipolar. Não podemos lidar com os problemas do século 21 com instituições internacionais que são legado do século 20. Junto com outros líderes mundiais, precisamos forjar uma "Aliança para Mudança", a fim de promover essa visão de uma ordem mundial mais democrática, fundada em maior solidariedade e justiça. Isso é o que os cidadãos do mundo esperam de nós. Somente assim estaremos à altura dos desafios do nosso século.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA é o presidente do Brasil.
NICOLAS SARKOZY é o presidente da França.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0707200908.htm
06 Julho 2009
ONU pede envolvimento de Lula na crise hondurenha
AE - Agencia Estado
SÃO PAULO - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, apelou ontem para um maior envolvimento do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na solução da crise política em Honduras. Ban disse que parte da crise está sendo provocada pelo comportamento de governos que tentam emendar constituições para permitir novos mandatos. Para o secretário, uma solução pacífica precisa ser encontrada e, principalmente, com a mediação de políticos da região. ?O presidente Lula precisa atuar nesse caso?, afirmou Ban. Sua ideia é que um diálogo seja estabelecido entre o governo de facto e o presidente deposto, de preferência por meio de um articulador. Ban espera que a região possa dar uma solução à crise sem a necessidade de mediadores externos. A resolução mostraria maturidade da região e compromisso com a democracia. A ONU se preocupa não apenas com o caso em Honduras, mas o sinal que envia à oposição em vários países da região.Ontem, o governo hondurenho não autorizou o pouso do presidente deposto, Manuel Zelaya, no aeroporto da capital Tegucigalpa. Apoiadores de Zelaya entraram em confronto com a polícia e o Exército, que tentavam restringir o aceso ao local. Ao menos uma pessoa morreu eu dez ficaram feridas. Segundo informações não confirmadas, outra jovem internada em um hospital público da capital hondurenha também teria morrido. As informações são do jornal O Estado de S.P
EUA descartam reunião com novo governo de Honduras
Delegação buscaria diálogo com OEA; Departamento de Estado confirma encontro com Zelaya na terça
Efe
WASHINGTON - Os Estados Unidos descartaram nesta segunda-feira, 6, uma possível reunião com uma delegação do novo governo hondurenho em Washington, que teria o objetivo de estabelecer diálogo com a Organização dos Estados Americanos (OEA). O porta-voz do Departamento de Estado americano, Ian Kelly, afirmou, no entanto que "seguramente" se reunirá com o presidente deposto Manuela Zelaya, que deve chegar aos EUA na terça-feira.
"Não sabemos nada sobre essa delegação, mas se representa o 'regime de fato', o Departamento de Estado não se reunirá com ela", porque se trata de um governo que os EUA não reconhecem. Em sua entrevista coletiva diária, explicou que Zelaya se reuniu no domingo à noite, em El Salvador, com um representante americano e "que seus planos são permanecer hoje no país e retornar amanhã aos EUA", disse.
Kelly disse que ainda não marcou encontros com Zelaya, mas acrescentou que tem "certeza de que teremos uma reunião de alto nível com ele". No domingo de manhã, horas antes do frustrado retorno do presidente deposto a seu país, o secretário de Estado adjunto dos EUA para a América Latina, Thomas Shannon, e o conselheiro adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca para a América Latina, Dan Restrepo, se reuniram com Zelaya, afirmou Kelly.
Outro porta-voz do Departamento de Estado disse à Agência Efe que não há planos nem para a secretária de Estado, Hillary Clinton, nem para outros altos funcionários de se reunirem nesta segunda com o Zelaya. O objetivo dos EUA continua sendo conseguir a restauração da ordem democrática em Honduras, o que significa o "retorno do presidente democraticamente eleito a Tegucigalpa", insistiu Kelly.
O porta-voz também condenou "o uso da força nos últimos dias contra manifestantes em Tegucigalpa", depois de enfrentamentos entre seguidores de Zelaya e militares, no aeroporto da capital do país, que deixou um saldo de dois mortos e 10 feridos.
Kelly pediu ainda a todos os Estados-membros da OEA que atuem, individual e coletivamente, "em uma maneira que proteja e melhore o bem-estar dos hondurenhos, mantendo os contatos com a sociedade civil e o fluxo de ajuda humanitária e rejeitando a incitação e o uso da violência para conseguir uma mudança política."
Delegação buscaria diálogo com OEA; Departamento de Estado confirma encontro com Zelaya na terça
Efe
WASHINGTON - Os Estados Unidos descartaram nesta segunda-feira, 6, uma possível reunião com uma delegação do novo governo hondurenho em Washington, que teria o objetivo de estabelecer diálogo com a Organização dos Estados Americanos (OEA). O porta-voz do Departamento de Estado americano, Ian Kelly, afirmou, no entanto que "seguramente" se reunirá com o presidente deposto Manuela Zelaya, que deve chegar aos EUA na terça-feira.
"Não sabemos nada sobre essa delegação, mas se representa o 'regime de fato', o Departamento de Estado não se reunirá com ela", porque se trata de um governo que os EUA não reconhecem. Em sua entrevista coletiva diária, explicou que Zelaya se reuniu no domingo à noite, em El Salvador, com um representante americano e "que seus planos são permanecer hoje no país e retornar amanhã aos EUA", disse.
Kelly disse que ainda não marcou encontros com Zelaya, mas acrescentou que tem "certeza de que teremos uma reunião de alto nível com ele". No domingo de manhã, horas antes do frustrado retorno do presidente deposto a seu país, o secretário de Estado adjunto dos EUA para a América Latina, Thomas Shannon, e o conselheiro adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca para a América Latina, Dan Restrepo, se reuniram com Zelaya, afirmou Kelly.
Outro porta-voz do Departamento de Estado disse à Agência Efe que não há planos nem para a secretária de Estado, Hillary Clinton, nem para outros altos funcionários de se reunirem nesta segunda com o Zelaya. O objetivo dos EUA continua sendo conseguir a restauração da ordem democrática em Honduras, o que significa o "retorno do presidente democraticamente eleito a Tegucigalpa", insistiu Kelly.
O porta-voz também condenou "o uso da força nos últimos dias contra manifestantes em Tegucigalpa", depois de enfrentamentos entre seguidores de Zelaya e militares, no aeroporto da capital do país, que deixou um saldo de dois mortos e 10 feridos.
Kelly pediu ainda a todos os Estados-membros da OEA que atuem, individual e coletivamente, "em uma maneira que proteja e melhore o bem-estar dos hondurenhos, mantendo os contatos com a sociedade civil e o fluxo de ajuda humanitária e rejeitando a incitação e o uso da violência para conseguir uma mudança política."
Meirelles: economia está forte para voltar a crescer
- Agencia Estado
GOIÂNIA - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, avalia que a economia do Brasil está mais forte para voltar a crescer porque "não foram criadas vulnerabilidades" para o enfrentamento da crise financeira. Em palestra sobre as perspectivas da economia brasileira e do agronegócio, em Goiânia, Meirelles disse que, ao contrário de outros países, o Brasil "vai sair mais forte porque a economia e os fundamentos não estão enfraquecendo".Meirelles sustentou a avaliação ao lembrar que as reservas internacionais voltaram a crescer no Brasil, enquanto outros países acompanharam a diminuição do nível. Além disso, afirmou que "a política fiscal continua forte". Ele, porém, não comentou a recente retirada da Petrobras do superávit primário, nem a perspectiva de o governo ter de descontar a parcela do Projeto Piloto de Investimento (PPI) para atingir a meta de economia para o pagamento de juros em 2009.Segundo Meirelles, um sinal de que a situação fiscal continua adequada é o comportamento do indicador da dívida. Ao apresentar a projeção para a relação entre a dívida e o PIB de vários países, ele destacou que o Brasil vai continuar com a tendência de redução do índice em 2010, ao contrário das economias centrais, como o Japão, Estados Unidos e o Reino Unido.CompulsórioMeirelles respondeu aos críticos que sempre questionaram as alíquotas do depósito compulsório e a estratégia de acumulação de reservas internacionais. "Recebemos muita crítica quando tomamos medidas para nos preparar a uma situação desfavorável", disse, ao lembrar que essa estratégia permitiu à autoridade monetária reagir à crise ao liberar R$ 100 bilhões em recursos do compulsório e, ao mesmo tempo, oferecer dólares diante da queda da oferta de empréstimos externos. Meirelles defendeu que essa estratégia foi bem sucedida. Conforme dados apresentados por ele, entre o agravamento da crise, em setembro de 2008, e maio de 2009, o crédito ofertado pelos bancos de grande porte cresceu 12,1%. Nos bancos pequenos e médios, no entanto, houve retração de 0,6%.Medidas recentes, porém, mudaram o quadro, segundo o presidente do BC. "Os bancos menores têm retomado a oferta de empréstimos, principalmente no crédito pessoal e para pequenas e médias empresas, diante das medidas do compulsório e a criação de um seguro do Fundo Garantidor de Crédito. Isso, especialmente, deu mais tranquilidade aos investidores", disse. Ele, porém, não atualizou os dados relativos a esse segmento.Além da volta à normalidade no crédito, Meirelles repetiu várias vezes que, a despeito da crise, o Brasil retomou as compras de dólares para as reservas internacionais. "Isso é uma demonstração de força do Brasil", disse. Com a volta da autoridade monetária às compras, o patamar das reservas subiu nos últimos dias e se aproxima novamente do nível histórico de dezembro do ano passado. Na quinta-feira passada, o patamar estava em US$ 208,823 bilhões, próximo ao registrado em 17 de dezembro de 2008, o maior nível da história, quando as reservas somaram US$ 209,224 bilhões.DiálogoO presidente do BC disse para a plateia de 300 lideranças políticas, empresariais e rurais de Goiás que quer aumentar o diálogo com a sociedade para ajudar a resolver a situação da economia. Na palestra sobre as perspectivas da economia e do agronegócio na Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, o presidente do BC disse que "o importante é que o nosso diálogo seja intenso" para que os problemas econômicos possam ser solucionados. "As portas estão abertas no Banco Central em Brasília", disse.Deu como exemplo o pedido dos produtores agrícolas que queriam alterar os critérios de avaliação de risco de operações de crédito.
- Agencia Estado
GOIÂNIA - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, avalia que a economia do Brasil está mais forte para voltar a crescer porque "não foram criadas vulnerabilidades" para o enfrentamento da crise financeira. Em palestra sobre as perspectivas da economia brasileira e do agronegócio, em Goiânia, Meirelles disse que, ao contrário de outros países, o Brasil "vai sair mais forte porque a economia e os fundamentos não estão enfraquecendo".Meirelles sustentou a avaliação ao lembrar que as reservas internacionais voltaram a crescer no Brasil, enquanto outros países acompanharam a diminuição do nível. Além disso, afirmou que "a política fiscal continua forte". Ele, porém, não comentou a recente retirada da Petrobras do superávit primário, nem a perspectiva de o governo ter de descontar a parcela do Projeto Piloto de Investimento (PPI) para atingir a meta de economia para o pagamento de juros em 2009.Segundo Meirelles, um sinal de que a situação fiscal continua adequada é o comportamento do indicador da dívida. Ao apresentar a projeção para a relação entre a dívida e o PIB de vários países, ele destacou que o Brasil vai continuar com a tendência de redução do índice em 2010, ao contrário das economias centrais, como o Japão, Estados Unidos e o Reino Unido.CompulsórioMeirelles respondeu aos críticos que sempre questionaram as alíquotas do depósito compulsório e a estratégia de acumulação de reservas internacionais. "Recebemos muita crítica quando tomamos medidas para nos preparar a uma situação desfavorável", disse, ao lembrar que essa estratégia permitiu à autoridade monetária reagir à crise ao liberar R$ 100 bilhões em recursos do compulsório e, ao mesmo tempo, oferecer dólares diante da queda da oferta de empréstimos externos. Meirelles defendeu que essa estratégia foi bem sucedida. Conforme dados apresentados por ele, entre o agravamento da crise, em setembro de 2008, e maio de 2009, o crédito ofertado pelos bancos de grande porte cresceu 12,1%. Nos bancos pequenos e médios, no entanto, houve retração de 0,6%.Medidas recentes, porém, mudaram o quadro, segundo o presidente do BC. "Os bancos menores têm retomado a oferta de empréstimos, principalmente no crédito pessoal e para pequenas e médias empresas, diante das medidas do compulsório e a criação de um seguro do Fundo Garantidor de Crédito. Isso, especialmente, deu mais tranquilidade aos investidores", disse. Ele, porém, não atualizou os dados relativos a esse segmento.Além da volta à normalidade no crédito, Meirelles repetiu várias vezes que, a despeito da crise, o Brasil retomou as compras de dólares para as reservas internacionais. "Isso é uma demonstração de força do Brasil", disse. Com a volta da autoridade monetária às compras, o patamar das reservas subiu nos últimos dias e se aproxima novamente do nível histórico de dezembro do ano passado. Na quinta-feira passada, o patamar estava em US$ 208,823 bilhões, próximo ao registrado em 17 de dezembro de 2008, o maior nível da história, quando as reservas somaram US$ 209,224 bilhões.DiálogoO presidente do BC disse para a plateia de 300 lideranças políticas, empresariais e rurais de Goiás que quer aumentar o diálogo com a sociedade para ajudar a resolver a situação da economia. Na palestra sobre as perspectivas da economia e do agronegócio na Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, o presidente do BC disse que "o importante é que o nosso diálogo seja intenso" para que os problemas econômicos possam ser solucionados. "As portas estão abertas no Banco Central em Brasília", disse.Deu como exemplo o pedido dos produtores agrícolas que queriam alterar os critérios de avaliação de risco de operações de crédito.
Após a sugestão do setor, o Conselho Monetário Nacional (CMN) - do qual Meirelles faz parte - aprovou a medida que deu a possibilidade de quase 100 mil agricultores voltarem a tomar recursos no sistema financeiro.Normalmente ligado apenas ao temas macroeconômicos, a palestra de Meirelles na capital goiana também tratou de assuntos ligados ao campo.
Ele apresentou dados da evolução da arroba do boi gordo, da soja e do milho, importantes atividades econômicas de Goiás e explicou que o comportamento dessas commodities está diretamente ligado à demanda mundial.Também destacou a evolução de indicadores econômico-sociais pouco comuns no dia-a-dia do BC.
Lembrou que desde 2003 foram criados 7,5 milhões de empregos formais e que 30 milhões de pessoas cruzaram a linha de pobreza nesse período. Também exaltou que 20 milhões de brasileiros passaram a integrar a classe média e que esse grupo social já corresponde a mais de metade da população brasileira.

Denúncias de lobista investigadas pelo MPF complicam situação de Yeda Crusius do PSDB
Flávio Ilha
Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre
Um documento de 13 páginas assinado pelo lobista Lair Ferst relatou ao Ministério Público Federal uma série de 20 denúncias de corrupção envolvendo integrantes do governo de Yeda Crusius - inclusive a própria governadora. O documento, publicado em parte na edição de hoje (6) do jornal Zero Hora afirma, entre outras coisas, que a governadora negociou diretamente o pagamento de propina junto aos operadores de um esquema de fraudes no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), que desviou cerca de R$ 44 milhões dos cofres públicos gaúchos. A governadora não aceitou a propina de R$ 50 mil, segundo Lair, porque considerou o valor insuficiente.O depoimento de Lair também relata doações financeiras sem recibo para a campanha da então candidata ao governo, o que configura a prática de Caixa 2. O documento lista cinco doações sem recibo para a campanha, que totalizam R$ 1,4 milhão. Segundo Lair, que trabalhou na arrecadação da campanha de Yeda Crusius ao governo, o dinheiro não contabilizado era recebido por Marcelo Cavalcante, ex-representante do governo gaúcho em Brasília e que foi encontrado morto em fevereiro, e administrados pela secretária particular da governadora, Walna Meneses.As informações também reabrem a polêmica sobre compra da casa da governadora, ao afirmarem que o imóvel custou R$ 1 milhão e não os R$ 750 mil declarados por Yeda Crusius. Segundo Lair Ferst, a diferença de R$ 250 mil teria sido paga em "dinheiro e por fora". Em outro momento, o lobista relata que o então marido da governadora e coordenador da campanha, Carlos Crusius, pegava dinheiro vivo no comitê e levava para casa. "Os recursos jamais retornavam", escreve Ferst. No total, mais de 30 pessoas ou empresas são citadas na denúncia ao MPF. As denúncias foram encaminhadas pelo procurador Alexandre Schneider ao então Procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, no dia 16 de abril. Duas semanas depois, Souza designou Francisco Teixeira para adotar um expediente de investigação contra a governadora Yeda Crusius, que desde então está em tramitação no Ministério Público Federal. O órgão não se manifesta oficialmente sobre a investigação. A governadora não se manifestou sobre o teor do documento. Em nota oficial, o governo disse que não há nada de novo na divulgação das informações e que todas as supostas denúncias são fatos já mencionados no passado, "sem qualquer comprovação, com o claro objetivo de criar dúvida e estabelecer desconfiança na relação do governo com a sociedade".Em relação à compra da casa, a nota reafirma que o fato foi investigado pelo Ministério Público Estadual, "que determinou o arquivamento da investigação dado a legalidade comprovada pela análise da farta documentação disponibilizada pela governadora". A nota termina dizendo que o governo aguarda "com serenidade" o desenvolvimento das investigações e que confia "que a Justiça seja feita".O advogado de Lair Ferst, Lúcio de Constantino, se disse surpreso com a divulgação da carta, mas não negou a existência do documento. Segundo ele, se Lair for convocado para depor numa CPI ou num procedimento penal, "vai expor tudo o que sabe de maneira tranquila". O advogado da governadora Yeda Crusius, José Eduardo Alckmin, não quis comentar as informações. O escândalo que abala o governo gaúcho veio a público em 2007. Em 6 de novembro, com a deflagração da Operação Rodin, a Polícia Federal (PF) começou a desbaratar um esquema de corrupção vinculado ao Detran que lesou os cofres públicos em cerca de R$ 44 milhões.O secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul, Ricardo Englert, disse que qualquer denúncia precisa ser acompanhada de provas para ser levada a sério. "O Estado não pode ficar parado em função de uma denúncia desse tipo", criticou. O PSOL anunciou que pedirá à Justiça o bloqueio dos bens da governadora Yeda Crusius, do seu ex-marido Carlos Crusius e do ex-secretário Geral de governo Delson Martini para recuperar parte dos recursos desviados. Além disso, o partido quer o afastamento imediato da governadora do cargo. "O Rio Grande do Sul está parado do ponto de vista dos serviços públicos porque a governadora está muito ocupada se defendendo. Precisamos de alguém que dê atenção aos problemas do Estado, porque eles [a governadora] continuam roubando e desviando recursos", defendeu a deputada federal Luciana Genro.
Um documento de 13 páginas assinado pelo lobista Lair Ferst relatou ao Ministério Público Federal uma série de 20 denúncias de corrupção envolvendo integrantes do governo de Yeda Crusius - inclusive a própria governadora. O documento, publicado em parte na edição de hoje (6) do jornal Zero Hora afirma, entre outras coisas, que a governadora negociou diretamente o pagamento de propina junto aos operadores de um esquema de fraudes no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), que desviou cerca de R$ 44 milhões dos cofres públicos gaúchos. A governadora não aceitou a propina de R$ 50 mil, segundo Lair, porque considerou o valor insuficiente.O depoimento de Lair também relata doações financeiras sem recibo para a campanha da então candidata ao governo, o que configura a prática de Caixa 2. O documento lista cinco doações sem recibo para a campanha, que totalizam R$ 1,4 milhão. Segundo Lair, que trabalhou na arrecadação da campanha de Yeda Crusius ao governo, o dinheiro não contabilizado era recebido por Marcelo Cavalcante, ex-representante do governo gaúcho em Brasília e que foi encontrado morto em fevereiro, e administrados pela secretária particular da governadora, Walna Meneses.As informações também reabrem a polêmica sobre compra da casa da governadora, ao afirmarem que o imóvel custou R$ 1 milhão e não os R$ 750 mil declarados por Yeda Crusius. Segundo Lair Ferst, a diferença de R$ 250 mil teria sido paga em "dinheiro e por fora". Em outro momento, o lobista relata que o então marido da governadora e coordenador da campanha, Carlos Crusius, pegava dinheiro vivo no comitê e levava para casa. "Os recursos jamais retornavam", escreve Ferst. No total, mais de 30 pessoas ou empresas são citadas na denúncia ao MPF. As denúncias foram encaminhadas pelo procurador Alexandre Schneider ao então Procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, no dia 16 de abril. Duas semanas depois, Souza designou Francisco Teixeira para adotar um expediente de investigação contra a governadora Yeda Crusius, que desde então está em tramitação no Ministério Público Federal. O órgão não se manifesta oficialmente sobre a investigação. A governadora não se manifestou sobre o teor do documento. Em nota oficial, o governo disse que não há nada de novo na divulgação das informações e que todas as supostas denúncias são fatos já mencionados no passado, "sem qualquer comprovação, com o claro objetivo de criar dúvida e estabelecer desconfiança na relação do governo com a sociedade".Em relação à compra da casa, a nota reafirma que o fato foi investigado pelo Ministério Público Estadual, "que determinou o arquivamento da investigação dado a legalidade comprovada pela análise da farta documentação disponibilizada pela governadora". A nota termina dizendo que o governo aguarda "com serenidade" o desenvolvimento das investigações e que confia "que a Justiça seja feita".O advogado de Lair Ferst, Lúcio de Constantino, se disse surpreso com a divulgação da carta, mas não negou a existência do documento. Segundo ele, se Lair for convocado para depor numa CPI ou num procedimento penal, "vai expor tudo o que sabe de maneira tranquila". O advogado da governadora Yeda Crusius, José Eduardo Alckmin, não quis comentar as informações. O escândalo que abala o governo gaúcho veio a público em 2007. Em 6 de novembro, com a deflagração da Operação Rodin, a Polícia Federal (PF) começou a desbaratar um esquema de corrupção vinculado ao Detran que lesou os cofres públicos em cerca de R$ 44 milhões.O secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul, Ricardo Englert, disse que qualquer denúncia precisa ser acompanhada de provas para ser levada a sério. "O Estado não pode ficar parado em função de uma denúncia desse tipo", criticou. O PSOL anunciou que pedirá à Justiça o bloqueio dos bens da governadora Yeda Crusius, do seu ex-marido Carlos Crusius e do ex-secretário Geral de governo Delson Martini para recuperar parte dos recursos desviados. Além disso, o partido quer o afastamento imediato da governadora do cargo. "O Rio Grande do Sul está parado do ponto de vista dos serviços públicos porque a governadora está muito ocupada se defendendo. Precisamos de alguém que dê atenção aos problemas do Estado, porque eles [a governadora] continuam roubando e desviando recursos", defendeu a deputada federal Luciana Genro.

Yeda do PSDB, é denunciada à Procuradoria Geral da República
Jornal Zero Hora:
Pivô do escândalo do Detran entregou ao MPF acusações envolvendo campanha de Yeda e início da administração
Desde fevereiro, quando a deputada Luciana Genro deu entrevista ao lado do vereador Pedro Ruas, ambos do PSOL, revelando denúncias que teriam sido feitas por Lair Ferst contra a governadora Yeda Crusius, os gaúchos convivem com a dúvida sobre se o pivô do escândalo do Detran estaria colaborando com as investigações. A confirmação veio ontem por meio de documentos a que Zero Hora teve acesso.
No ofício OF/SECRIM/PRRS/Nº 2669, datado de 16 de abril, o procurador Alexandre Schneider encaminha ao então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, um texto escrito por Lair detalhando 20 supostas irregularidades que teriam sido cometidas na campanha de 2006 e no início do governo de Yeda. ZH teve acesso a 12 páginas das 13 páginas escritas em computador por Lair, rubricadas e numeradas pelo protocolo da Procuradoria-Geral da República.
Lair conta desde sua aproximação da campanha até suposta oferta de propina à governadora feita pelo grupo responsável pela fraude no Detran. No relato, afirma que a casa de Yeda foi comprada por R$ 1 milhão, e não por R$ 750 mil, como está no contrato, e que a diferença foi paga com caixa 2.
São levantadas suspeitas sobre mais de 30 pessoas ou empresas. Lair descreve um cenário de farto caixa 2. Um dos 20 fatos afirma que a SP Alimentação, fornecedora de merenda escolar para a prefeitura de Canoas, doou R$ 500 mil que foram utilizados no início da organização da campanha. Os valores teriam chegado ao comitê por meio de Chico Fraga, então secretário de Governo de Canoas. A SP é suspeita de envolvimento na fraude no município.
Jornal Zero Hora:
Pivô do escândalo do Detran entregou ao MPF acusações envolvendo campanha de Yeda e início da administração
Desde fevereiro, quando a deputada Luciana Genro deu entrevista ao lado do vereador Pedro Ruas, ambos do PSOL, revelando denúncias que teriam sido feitas por Lair Ferst contra a governadora Yeda Crusius, os gaúchos convivem com a dúvida sobre se o pivô do escândalo do Detran estaria colaborando com as investigações. A confirmação veio ontem por meio de documentos a que Zero Hora teve acesso.
No ofício OF/SECRIM/PRRS/Nº 2669, datado de 16 de abril, o procurador Alexandre Schneider encaminha ao então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, um texto escrito por Lair detalhando 20 supostas irregularidades que teriam sido cometidas na campanha de 2006 e no início do governo de Yeda. ZH teve acesso a 12 páginas das 13 páginas escritas em computador por Lair, rubricadas e numeradas pelo protocolo da Procuradoria-Geral da República.
Lair conta desde sua aproximação da campanha até suposta oferta de propina à governadora feita pelo grupo responsável pela fraude no Detran. No relato, afirma que a casa de Yeda foi comprada por R$ 1 milhão, e não por R$ 750 mil, como está no contrato, e que a diferença foi paga com caixa 2.
São levantadas suspeitas sobre mais de 30 pessoas ou empresas. Lair descreve um cenário de farto caixa 2. Um dos 20 fatos afirma que a SP Alimentação, fornecedora de merenda escolar para a prefeitura de Canoas, doou R$ 500 mil que foram utilizados no início da organização da campanha. Os valores teriam chegado ao comitê por meio de Chico Fraga, então secretário de Governo de Canoas. A SP é suspeita de envolvimento na fraude no município.
“O ex-diretor do Senado por 12 anos Agaciel Maia, apadrinhado por todo esse período pelo senador José Sarney, agora está na berlinda. O cacique, que reuniu neste domingo seis senadores em sua residência, perdeu a paciência com a descoberta de três novas contas secretas, no valor de R$ 160 milhões, controladas por Agaciel – segundo reportagem publicada neste domingo pela Folha de S. Paulo.Logo pela manhã, em companhia dos senadores do PMDB, Sarney telefonou para o atual diretor do Senado, Haroldo Tajra, e determinou que ele apurasse tudo. Em suma, confidenciaram os presentes, o presidente do Congresso mandou fazer uma devassa na administração de Agaciel Maia. Foi a primeira vez que o veterano, segundo testemunhas, mostrou tamanha irritação com o “ex-afilhado”. Até este domingo, Sarney estava neutro, deixando todo o ataque e investigação nas mãos do primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI).”
Matéria Completa, ::Aqui::
Enquanto o mundo ainda não emergiu da crise, o mercado automotivo brasileiro surpreende. Apoiadas na redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), crescimento do crédito, promoções e demanda, as fortes vendas de carros e comerciais leves pegaram desprevenida até mesmo a indústria automobilística, que não apostava numa recuperação tão rápida e já tem dificuldades para atender a todos os pedidos - alguns modelos enfrentam fila de espera de até dois meses."Ninguém acreditava num desempenho tão forte aqui depois de uma crise de dimensões globais ", afirmou o consultor André Beer, ex-vice-presidente da General Motors. "O mercado brasileiro prova estar em processo de maturidade", reforça Beer, que também já presidiu a Anfavea ( Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores)."As 300 mil unidades em junho (recorde histórico) são para deixar qualquer um boquiaberto", afirma Domingos Boragina Neto, diretor comercial da Citroën. "Demonstra que o brasileiro é reativo na crise."As vendas cresceram 3,1% no primeiro semestre sobre igual período de 2008. Quem antes apostava numa retração de até 5% em 2009, já considera elevação na mesma cifra. "Já acredito em 2,9 milhões de unidades neste ano contra 2,78 milhões em 2008", afirmou Francisco Satkunas, diretor da SAE (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade).As empresas que mais apostaram no período em que a crise se instalou no Brasil, em setembro de 2008, colhem os frutos. Enquanto a maioria recorreu a férias coletivas prolongadas, a Volkswagen, por exemplo, apostou na produção - a linha da Kombi só parou uma semana na fábrica da Anchieta.As vendas de carros e comerciais leves da VW cresceram 12,6% no primeiro semestre, enquanto o mercado subiu 4,2%. Só em junho, suas vendas totais aumentaram 35,7%, quando a indústria cresceu 17,23%. "Quem não entrou na onda do apocalipse sai mais forte da crise", afirma Satkunas."A indústria está surpresa e confiante", afirma Francisco Stefanelli, diretor de vendas da GM, que teve recorde histórico de vendas em junho.Facilidade na compra do 0 km enfraquece mercado de usadoEstimativas do mercado apontam para até 1 milhão de unidades de veículos seminovos encalhados nos pátios de concessionárias. A redução do IPI dos veículos novos dificultou as vendas de usados, que sofreram desvalorização de até 35%. "Hoje todo mundo só quer comprar carro novo", afirma o gerente de vendas Robert Veronezzi, da Avel, revendedora Volkswagen em São Bernardo.Por conta disso, o estoque de novos dura uma média de duas semanas em muitas revendas - na crise, encalhava por até 60 dias.Para o engenheiro Francisco Satkunas, o desempenho do mercado nacional será baseado na venda de usados quando o governo retomar a cobrança integral do IPI no ano que vem sobre o veículo zero. "Hoje compra carro quem busca uma oportunidade, mas quem tem um seminovo está esperando uma reação nos preços", avalia ele. "O usado será a base de sustentação do mercado quando o incentivo acabar", acredita o especialista.Satkunas cita seu próprio exemplo: "Tenho uma Meriva com dois anos de uso, que custou R$ 50 mil. Hoje o mercado só paga R$ 32 mil. Como eu, muita gente não vai querer vender agora porque a defasagem é muita."Brasil está entre os três países que conseguem reverter criseApenas três países no mundo conseguiram reverter no primeiro semestre a queda na venda de carros em razão da crise financeira mundial: Brasil, China e Alemanha. Pela força de sua economia, o mercado chinês chegou próximo dos 5 milhões de unidades, aumento de cerca de 8% em relação a 2008. A Alemanha adotou programa em que deu até 3.500 euros para incentivar renovação de frota.O Brasil apostou na redução do IPI e ainda incentivou bancos públicos a liberar crédito quando os financiamentos privados minguaram a partir do quatro trimestre do ano passado. Em maio, os financiamentos começaram a ser retomados e os planos voltaram para uma média de 42 meses. "Apesar da surpresa, já sentíamos, em consulta à nossa rede, que as vendas iriam reagir e surpreender em 2009", afirma o diretor de vendas da General Motors, Francisco Stefanelli."O que faz a reação do mercado brasileiro é o desejo do consumidor em comprar um carro novo", afirma André Beer, experiente executivo que atuou por mais de 40 anos na indústria automobilística brasileira. O ex-dirigente da Anfavea lembra que o Brasil tem uma relação de 7 habitantes para cada carro. "Isso gera um potencial enorme e atrai o interesse de montadoras de todas as partes do mundo."Para o engenheiro Francisco Satkunas, integrante da SAE (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade), o Brasil vai continuar a ter um desempenho bom no segundo semestre. "O mercado está alcançando uma robustez que não tem mais volta", acredita.O que prejudica uma retomada total da indústria brasileira é a queda nas exportações, principalmente de caminhões. Algumas marcas enfrentam redução superior a 50%. "O mercado interno não consegue absorver toda a produção, mesmo assim ajudou muito na recuperação da indústria."A previsão é que a indústria tenha redução de até 10% na produção neste ano com a queda nas vendas externas, que foram de cerca de 3,2 milhões de unidades em 2008.
Uma disputa entre Serra e Ciro pelo governo paulista?
Até algumas semanas atrás, antes de sairem as últimas pesquisas eleitorais sobre a sucessão presidencial, o quadro de candidatos parecia definido, limitado a apenas dois: Serra pela oposição e Dilma pelo governo.
Favorito em todos os cenários desde a primeira pesquisa, o governador paulista José Serra dependia apenas de um acerto com o governador mineiro Aécio Neves, que insistia nas prévias, para colocar seu bloco na rua.
Apoiada vigorosamente pelo presidente Lula, Dilma tornou-se a candidata do PT e dos partidos aliados, e só não será a candidata do governo por razões de saúde, possibilidade cada vez mais remota de acordo com os últimos boletins médicos.
As pesquisas mais recentes, no entanto, acenderam um sinal amarelo neste quadro que parecia cristalizado. Com Dilma subindo e Serra caindo, a diferença entre os dois diminuiu consideravelmente, não dando a ninguém certeza sobre o desfecho da disputa presidencial.
Talvez por isso tenham surgido nas últimas semanas muitas conversas em diferentes ambientes, tanto do governo como da oposição, de que a candidatura de Serra a presidente já não é tão irreversível como parecia no começo do ano.
Agora, mais do que nunca, o destino de Serra estará na dependência das próximas pesquisas, especialmente no começo do próximo ano. A se manter a atual tendência, as coisas ainda podem mudar para o lado da oposição.
Quem conhece bem o governador Serra argumenta que ele só será candidato se tiver absoluta certeza da vitória na corrida presidencial e o partido unido em torno dele. Na dúvida, poderá optar por se candidatar à reeleição em São Paulo, com a vitória garantida, deixando o campo livre para outro candidato, ou seja, Aécio Neves.
Lembram estes especialistas em Serra que foi exatamente o que aconteceu nas últimas eleições, quando ele também era o favorito nas pesquisas, mas abriu mão para se candidatar a governador de São Paulo, deixando para Geraldo Alkmin a tarefa e disputar a presidência com Lula, então candidato à reeleição.
No meio destas conversas, surgiu outro fato novo chamado Ciro Gomes. O que de início parecia rematado absurdo, a candidatura dele ao governo de São Paulo numa ampla aliança de oposição aos tucanos, a cada dia ganha mais espaço nas especulações sobre a disputa no maior colégio eleitoral do país.
Sem qualquer possibilidade de vitória em São Paulo _ ao contrário, com seus vários nomes aparecendo atrás até de Paulo Maluf _ o PT poderia abrir mão da candidatura própria para fechar com Ciro.
A princípio reticentes, tanto Ciro com os principais lídereres do PT paulista começam a cada dia a falar mais seriamente sobre a sua candidatura em São Paulo. Tudo vai depender, claro, da posição a ser adotada pelo presidente Lula e pela candidata Dilma, mas a opção Ciro já não pode ser descartada nem das pesquisas nem das análises sobre 2010.
Por uma destas ironias da política, se as pesquisas viabilizarem a candidatura de Ciro, será mais um elemento a pesar na definição eleitoral de Serra, já que para setores da a tradicional elite paulistana a eleição paulista é mais importante do que a nacional.
O Estadão, por exemplo, deixou isso bem claro em editorial, ao fechar questão na defesa da candidatura de Serra ao governo paulista e não à presidência, em 2006, para o tucanato não correr o risco de perder o poder no Estado que controla há mais de duas décadas.
Uma nota publicada no Painel da Folha deste domingo, sob o título “Estalo 1″, dá uma pista sobre o que rola nos bastidores tucanos a 15 meses das eleições gerais:
“Quem conhece bem Aécio Neves acredita que os novos elementos de seu discurso _ ênfase na unidade do PSDB, prodigalidade nos elogios a José Serra e interesse decrescente pelas prévias _ têm uma única explicação: pela primeira vez, o governador de Minas enxerga uma possibilidade real de o colega de São Paulo optar pela reeleição, abrindo caminho para sua candidatura a presidente”.
Do alto das suas montanhas, como sabemos, os políticos mineiros costumam enxergar longe. Se a análise de Aécio estiver correta, não será de todo improvável que Serra e Ciro voltem a se enfrentar, desta vez nas eleições para governador de São Paulo. Até agora, o favorito absoluto é o ex-governador tucano Geraldo Alkmin.
A única certeza neste momento é que, ao contrário do que pensa meu amigo Carlos Augusto Montenegro, o bruxo do Ibope, o cenário eleitoral de 2010 ainda não está definido.
Se Dilma e Aécio vierem mesmo a ser os principais candidatos à sucessão presidencial, vai ser divertido tentar descobrir quem é da situação e quem é da oposição _ e quem é mais amigo do Lula…
Até algumas semanas atrás, antes de sairem as últimas pesquisas eleitorais sobre a sucessão presidencial, o quadro de candidatos parecia definido, limitado a apenas dois: Serra pela oposição e Dilma pelo governo.
Favorito em todos os cenários desde a primeira pesquisa, o governador paulista José Serra dependia apenas de um acerto com o governador mineiro Aécio Neves, que insistia nas prévias, para colocar seu bloco na rua.
Apoiada vigorosamente pelo presidente Lula, Dilma tornou-se a candidata do PT e dos partidos aliados, e só não será a candidata do governo por razões de saúde, possibilidade cada vez mais remota de acordo com os últimos boletins médicos.
As pesquisas mais recentes, no entanto, acenderam um sinal amarelo neste quadro que parecia cristalizado. Com Dilma subindo e Serra caindo, a diferença entre os dois diminuiu consideravelmente, não dando a ninguém certeza sobre o desfecho da disputa presidencial.
Talvez por isso tenham surgido nas últimas semanas muitas conversas em diferentes ambientes, tanto do governo como da oposição, de que a candidatura de Serra a presidente já não é tão irreversível como parecia no começo do ano.
Agora, mais do que nunca, o destino de Serra estará na dependência das próximas pesquisas, especialmente no começo do próximo ano. A se manter a atual tendência, as coisas ainda podem mudar para o lado da oposição.
Quem conhece bem o governador Serra argumenta que ele só será candidato se tiver absoluta certeza da vitória na corrida presidencial e o partido unido em torno dele. Na dúvida, poderá optar por se candidatar à reeleição em São Paulo, com a vitória garantida, deixando o campo livre para outro candidato, ou seja, Aécio Neves.
Lembram estes especialistas em Serra que foi exatamente o que aconteceu nas últimas eleições, quando ele também era o favorito nas pesquisas, mas abriu mão para se candidatar a governador de São Paulo, deixando para Geraldo Alkmin a tarefa e disputar a presidência com Lula, então candidato à reeleição.
No meio destas conversas, surgiu outro fato novo chamado Ciro Gomes. O que de início parecia rematado absurdo, a candidatura dele ao governo de São Paulo numa ampla aliança de oposição aos tucanos, a cada dia ganha mais espaço nas especulações sobre a disputa no maior colégio eleitoral do país.
Sem qualquer possibilidade de vitória em São Paulo _ ao contrário, com seus vários nomes aparecendo atrás até de Paulo Maluf _ o PT poderia abrir mão da candidatura própria para fechar com Ciro.
A princípio reticentes, tanto Ciro com os principais lídereres do PT paulista começam a cada dia a falar mais seriamente sobre a sua candidatura em São Paulo. Tudo vai depender, claro, da posição a ser adotada pelo presidente Lula e pela candidata Dilma, mas a opção Ciro já não pode ser descartada nem das pesquisas nem das análises sobre 2010.
Por uma destas ironias da política, se as pesquisas viabilizarem a candidatura de Ciro, será mais um elemento a pesar na definição eleitoral de Serra, já que para setores da a tradicional elite paulistana a eleição paulista é mais importante do que a nacional.
O Estadão, por exemplo, deixou isso bem claro em editorial, ao fechar questão na defesa da candidatura de Serra ao governo paulista e não à presidência, em 2006, para o tucanato não correr o risco de perder o poder no Estado que controla há mais de duas décadas.
Uma nota publicada no Painel da Folha deste domingo, sob o título “Estalo 1″, dá uma pista sobre o que rola nos bastidores tucanos a 15 meses das eleições gerais:
“Quem conhece bem Aécio Neves acredita que os novos elementos de seu discurso _ ênfase na unidade do PSDB, prodigalidade nos elogios a José Serra e interesse decrescente pelas prévias _ têm uma única explicação: pela primeira vez, o governador de Minas enxerga uma possibilidade real de o colega de São Paulo optar pela reeleição, abrindo caminho para sua candidatura a presidente”.
Do alto das suas montanhas, como sabemos, os políticos mineiros costumam enxergar longe. Se a análise de Aécio estiver correta, não será de todo improvável que Serra e Ciro voltem a se enfrentar, desta vez nas eleições para governador de São Paulo. Até agora, o favorito absoluto é o ex-governador tucano Geraldo Alkmin.
A única certeza neste momento é que, ao contrário do que pensa meu amigo Carlos Augusto Montenegro, o bruxo do Ibope, o cenário eleitoral de 2010 ainda não está definido.
Se Dilma e Aécio vierem mesmo a ser os principais candidatos à sucessão presidencial, vai ser divertido tentar descobrir quem é da situação e quem é da oposição _ e quem é mais amigo do Lula…
Leia mais aqui:
http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/
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Corinthians oferece apoio a Dilma por ajuda de Lula em estádio
Em São Paulo
Os encontros cada vez mais constantes entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o mandatário do Corinthians, Andres Sanchez, vão muito além da paixão de ambos pelo time alvinegro. Enquanto o clube pretende angariar mais uma ajuda para o tão sonhado projeto do estádio próprio, o líder da nação pode ganhar um apoio para a provável candidatura da petista e atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nas eleições presidenciais de 2010.
Presidente Lula e Andres Sanchez(d) têm se encontrado ao longo das últimas semanas
O assunto foi discutido entre Andres e Lula há cerca de um mês. Desde então, os dois já estiveram em pelo menos dois eventos públicos, incluindo o da última quinta-feira, quando parte do elenco alvinegro deixou Porto Alegre e, após uma escala em São Paulo, seguiu a Brasília para receber os cumprimentos do presidente pela conquista da Copa do Brasil.Ainda não foi definido qual tipo de ajuda Lula poderia dar ao projeto de construção do estádio corintiano. Pessoas próximas ao presidente, no entanto, apostam que uma das saídas seria um acordo para que o time não tenha muitos problemas para conseguir um empréstimo junto ao BNDES para viabilizar a nova arena, caso seja necessário.Em contrapartida, o mandatário do Corinthians afirmou a Lula que colocará o clube à disposição de Dilma Rousseff, possível nome do PT na corrida a presidente em 2010. A atual ministra da Casa Civil poderia, por exemplo, dar o pontapé inicial em uma partida do time alvinegro e ganhar visibilidade. No entanto, não está descartada nem a possibilidade de um apoio mais formal à candidatura de Dilma, que é torcedora do Internacional.Os esforços de Andres para agradar Lula fizeram até com que o mandatário do Corinthians fosse ao Morumbi, na última semana, declarar um apoio ao projeto do estádio do São Paulo para a Copa do Mundo de 2014, mesmo atitude tomada pelo presidente do país.Na ocasião, o mandatário corintiano declarou que o seu time não iria construir estádio para a Copa do Mundo, apesar de não descartar a intenção de ter uma arena própria. A diretoria alvinegra afirmou ainda que não pretende contar com uma "casa" com mais de 45 mil pessoas, já que espaços grandiosos são deficitários, na visão de Andres.
Os encontros cada vez mais constantes entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o mandatário do Corinthians, Andres Sanchez, vão muito além da paixão de ambos pelo time alvinegro. Enquanto o clube pretende angariar mais uma ajuda para o tão sonhado projeto do estádio próprio, o líder da nação pode ganhar um apoio para a provável candidatura da petista e atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nas eleições presidenciais de 2010.
Presidente Lula e Andres Sanchez(d) têm se encontrado ao longo das últimas semanas
O assunto foi discutido entre Andres e Lula há cerca de um mês. Desde então, os dois já estiveram em pelo menos dois eventos públicos, incluindo o da última quinta-feira, quando parte do elenco alvinegro deixou Porto Alegre e, após uma escala em São Paulo, seguiu a Brasília para receber os cumprimentos do presidente pela conquista da Copa do Brasil.Ainda não foi definido qual tipo de ajuda Lula poderia dar ao projeto de construção do estádio corintiano. Pessoas próximas ao presidente, no entanto, apostam que uma das saídas seria um acordo para que o time não tenha muitos problemas para conseguir um empréstimo junto ao BNDES para viabilizar a nova arena, caso seja necessário.Em contrapartida, o mandatário do Corinthians afirmou a Lula que colocará o clube à disposição de Dilma Rousseff, possível nome do PT na corrida a presidente em 2010. A atual ministra da Casa Civil poderia, por exemplo, dar o pontapé inicial em uma partida do time alvinegro e ganhar visibilidade. No entanto, não está descartada nem a possibilidade de um apoio mais formal à candidatura de Dilma, que é torcedora do Internacional.Os esforços de Andres para agradar Lula fizeram até com que o mandatário do Corinthians fosse ao Morumbi, na última semana, declarar um apoio ao projeto do estádio do São Paulo para a Copa do Mundo de 2014, mesmo atitude tomada pelo presidente do país.Na ocasião, o mandatário corintiano declarou que o seu time não iria construir estádio para a Copa do Mundo, apesar de não descartar a intenção de ter uma arena própria. A diretoria alvinegra afirmou ainda que não pretende contar com uma "casa" com mais de 45 mil pessoas, já que espaços grandiosos são deficitários, na visão de Andres.
Sarney quer auditoria externa em contas do Senado
Senado vai fazer auditoria externa em contas correntes que centralizam contribuição
O Globo
BRASÍLIA
- O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), determinou neste domingo ao diretor-geral da Casa, Haroldo Tajra, a contratação de uma auditoria externa para verificar a regularidade da movimentação de três contas correntes mantidas pela instituição desde 1991, que centralizam as contribuições mensais pagas pelos usuários do Sistema Integrado de Saúde (SIS) - que são os funcionários do Senado Federal e seus dependentes.
De acordo com reportagem do jornal "Folha de São Paulo", o saldo dessas três contas soma atualmente R$ 160 milhões, mas não consta na contabilidade oficial da Casa nem do Siafi (Sistema de Acompanhamento dos Gastos Públicos). E a única fiscalização sobre a saída de dinheiro dessas contas seria feita por uma comissão de 11 servidores indicados pelo ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, mas que nunca se reuniu para auditar esses gastos.
- Auditar essas contas é um bom encaminhamento. Mas está claro que o mecanismo de fiscalização da entrada e saída de dinheiro dessas contas é muito frágil, o que abre uma margem de dúvidas sobre essa movimentação - observou o presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, senador Renato Casagrande (PR), que antes de saber das providências tomadas por Sarney chegou a acreditar que se tratava de contas secretas.
- Não tem irregularidade no fato de essas contas não estarem no Siafi, porque são contas de benefícios de servidores. Mas não tem sentido contas nesse valor serem geridas por uma pessoa só - disse o 1º secretário Heráclito Fortes (DEM-PI), referindo-se à suspeita de que as contas eram controladas por Agaciel. - Vamos fazer a auditagem e reforçar os mecanismos de fiscalização. Tajra afirma que contas nunca foram secretas
Em nota divulgada no domingo, Haroldo Tajra esclareceu que as contas do SIS (uma destinada à contribuição dos servidores do Senado, outra ao Prodasen e a última à Gráfica) nunca foram secretas e estão previstas no inciso VII, do artigo 29, do Regulamento do SIS aprovado pela Resolução do Senado n 86, de 1991. Tajra negou também que as movimentações se dão de forma livre.
Segundo a nota assinada por Tajra, os recursos dessas três contas só podem ser movimentados mediante ofício dirigido aos bancos com as assinaturas do Diretor da Secretaria Executiva do SIS, hoje ocupada por Fábio Scarton, e do diretor-geral do Senado. Ao GLOBO, Tajra admitiu neste domingo que ele próprio já as movimentou.
- Os recursos dessas contas são usados para o pagamento de hospitais e médicos. Essa movimentação é feita por meio de ofícios. Eu mesmo já movimentei cerca de R$ 50 mil na primeira semana em que assumi a Diretoria Geral - disse.
A justificativa para que as contas não constem dos registros do Siafi é a de que "não se tratam de recursos públicos, mas recursos provenientes do desconto da contribuição mensal paga pelos usuários do SIS".
Segundo a nota, os recursos do Fundo do SIS representam aproximadamente 40% do total do custeio do sistema de saúde. Mensalmente são elaborados relatórios da movimentação das contas do SIS. De 'espírito aliviado', Sarney recebe Lobão e Renan neste domingo
Sarney ficou em casa na tarde deste domingo e recebeu amigos.
De acordo com reportagem do jornal "Folha de São Paulo", o saldo dessas três contas soma atualmente R$ 160 milhões, mas não consta na contabilidade oficial da Casa nem do Siafi (Sistema de Acompanhamento dos Gastos Públicos). E a única fiscalização sobre a saída de dinheiro dessas contas seria feita por uma comissão de 11 servidores indicados pelo ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, mas que nunca se reuniu para auditar esses gastos.
- Auditar essas contas é um bom encaminhamento. Mas está claro que o mecanismo de fiscalização da entrada e saída de dinheiro dessas contas é muito frágil, o que abre uma margem de dúvidas sobre essa movimentação - observou o presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, senador Renato Casagrande (PR), que antes de saber das providências tomadas por Sarney chegou a acreditar que se tratava de contas secretas.
- Não tem irregularidade no fato de essas contas não estarem no Siafi, porque são contas de benefícios de servidores. Mas não tem sentido contas nesse valor serem geridas por uma pessoa só - disse o 1º secretário Heráclito Fortes (DEM-PI), referindo-se à suspeita de que as contas eram controladas por Agaciel. - Vamos fazer a auditagem e reforçar os mecanismos de fiscalização. Tajra afirma que contas nunca foram secretas
Em nota divulgada no domingo, Haroldo Tajra esclareceu que as contas do SIS (uma destinada à contribuição dos servidores do Senado, outra ao Prodasen e a última à Gráfica) nunca foram secretas e estão previstas no inciso VII, do artigo 29, do Regulamento do SIS aprovado pela Resolução do Senado n 86, de 1991. Tajra negou também que as movimentações se dão de forma livre.
Segundo a nota assinada por Tajra, os recursos dessas três contas só podem ser movimentados mediante ofício dirigido aos bancos com as assinaturas do Diretor da Secretaria Executiva do SIS, hoje ocupada por Fábio Scarton, e do diretor-geral do Senado. Ao GLOBO, Tajra admitiu neste domingo que ele próprio já as movimentou.
- Os recursos dessas contas são usados para o pagamento de hospitais e médicos. Essa movimentação é feita por meio de ofícios. Eu mesmo já movimentei cerca de R$ 50 mil na primeira semana em que assumi a Diretoria Geral - disse.
A justificativa para que as contas não constem dos registros do Siafi é a de que "não se tratam de recursos públicos, mas recursos provenientes do desconto da contribuição mensal paga pelos usuários do SIS".
Segundo a nota, os recursos do Fundo do SIS representam aproximadamente 40% do total do custeio do sistema de saúde. Mensalmente são elaborados relatórios da movimentação das contas do SIS. De 'espírito aliviado', Sarney recebe Lobão e Renan neste domingo
Sarney ficou em casa na tarde deste domingo e recebeu amigos.
Visitaram o peemedebista o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), o senador Gim Argello (PTB-DF), o ex-ministro da Casa Civil Ronaldo Costa Couto, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
- O espírito de Sarney está tranquilo e aliviado - disse Lobão, ao deixar a residência. Já Ronaldo Costa Couto afirmou que não está mais envolvido com política e que foi apenas encontrar um "velho amigo".
Mais cedo, ele visitou o cardeal emérito de Brasília, dom José Freire Falcão, e conversou com ele sobre a abertura de processo contra Agaciel e o ex-diretor da Secretaria de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi, que pedirá nesta segunda-feira.
Relatório final da comissão, entregue a Sarney, conclui que Agaciel e Zoghbi são os principais responsáveis pelos atos secretos e sugere que os dois sejam processados por prevaricação, improbidade administrativa e desídia (negligência).
- O espírito de Sarney está tranquilo e aliviado - disse Lobão, ao deixar a residência. Já Ronaldo Costa Couto afirmou que não está mais envolvido com política e que foi apenas encontrar um "velho amigo".
Mais cedo, ele visitou o cardeal emérito de Brasília, dom José Freire Falcão, e conversou com ele sobre a abertura de processo contra Agaciel e o ex-diretor da Secretaria de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi, que pedirá nesta segunda-feira.
Relatório final da comissão, entregue a Sarney, conclui que Agaciel e Zoghbi são os principais responsáveis pelos atos secretos e sugere que os dois sejam processados por prevaricação, improbidade administrativa e desídia (negligência).
05 Julho 2009
Em Paris, Lula critica G8 e defende G20
Presidente disse porém que continuará participando de reuniões do G8.
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, em Paris, que as discussões sobre a economia mundial se desenrolem no G20, grupo formado por nações desenvolvidas e avançadas, em detrimento do G8, grupo formado por nações industrializadas mais a Rússia. Ao desembarcar em Paris, escala da viagem presidencial a um encontro do G8, Lula disse que "o melhor espaço para discussão do sistema financeiro mundial é o G20", de acordo com informações da Agência Brasil. Segundo a agência, os jornalistas questionaram naquele momento o presidente a respeito de declarações do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que afirmou duas semanas atrás que "o G8 morreu". Lula respondeu que vai continuar participando como convidado das reuniões do G8, mas que está convencido de que o fórum mais amplo o G20 é mais adequado para as discussões dos grandes temas. O Brasil é um dos criadores do G20 no âmbito das negociações comerciais globais, e o presidente Lula tem sido uma das vozes mais ativas a reivindicar uma maior participação das nações emergentes nas decisões sobre o futuro da economia do planeta. No sábado, em uma carta aos líderes do G8, que se reunirão na Itália, o papa Bento 16 pediu que as nações mais ricas do planeta defendam os países pobres da recessão mundial. Segundo o Papa, os países mais vulneráveis não podem arcar com os custos de uma crise que não criaram. O pontífice afirmou que as ajudas econômicas são uma forma de sair da crise, mas ressaltou que é preciso também repensar o sistema financeiro mundial para torná-lo mais justo. A reunião do G8 ocorrerá na cidade L'Áquila, próxima de Roma, a partir da quarta-feira. Lula ficará em Paris até a terça-feira. Na capital francesa, ele se encontrará com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com o primeiro-ministro português, José Sócrates.
Presidente disse porém que continuará participando de reuniões do G8.
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, em Paris, que as discussões sobre a economia mundial se desenrolem no G20, grupo formado por nações desenvolvidas e avançadas, em detrimento do G8, grupo formado por nações industrializadas mais a Rússia. Ao desembarcar em Paris, escala da viagem presidencial a um encontro do G8, Lula disse que "o melhor espaço para discussão do sistema financeiro mundial é o G20", de acordo com informações da Agência Brasil. Segundo a agência, os jornalistas questionaram naquele momento o presidente a respeito de declarações do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que afirmou duas semanas atrás que "o G8 morreu". Lula respondeu que vai continuar participando como convidado das reuniões do G8, mas que está convencido de que o fórum mais amplo o G20 é mais adequado para as discussões dos grandes temas. O Brasil é um dos criadores do G20 no âmbito das negociações comerciais globais, e o presidente Lula tem sido uma das vozes mais ativas a reivindicar uma maior participação das nações emergentes nas decisões sobre o futuro da economia do planeta. No sábado, em uma carta aos líderes do G8, que se reunirão na Itália, o papa Bento 16 pediu que as nações mais ricas do planeta defendam os países pobres da recessão mundial. Segundo o Papa, os países mais vulneráveis não podem arcar com os custos de uma crise que não criaram. O pontífice afirmou que as ajudas econômicas são uma forma de sair da crise, mas ressaltou que é preciso também repensar o sistema financeiro mundial para torná-lo mais justo. A reunião do G8 ocorrerá na cidade L'Áquila, próxima de Roma, a partir da quarta-feira. Lula ficará em Paris até a terça-feira. Na capital francesa, ele se encontrará com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com o primeiro-ministro português, José Sócrates.
BBC Brasil
Ciro abre conta em SP para viabilizar a mudançaDA REPORTAGEM LOCAL
Vista com ceticismo quando surgiu, há um mês, a possível candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo de São Paulo continua no cenário político, com avanços concretos nas negociações.Anteontem, entusiastas da alternativa Ciro comemoraram o cumprimento de um pré-requisito legal pouco notado, mas crucial para sua candidatura: o deputado federal já tem contas em seu nome em São Paulo, o que é fundamental para garantir a transferência de domicílio eleitoral para a cidade.A mudança do domicílio pode ser feita até o início de outubro, um ano antes das eleições, mas é preciso comprovar residência no Estado ao menos três meses antes -prazo que venceu na sexta-feira, dia 3.Parte do PT de São Paulo, um dos principais entraves à candidatura, dá sinais de que pode vir a aceitar a entrada de Ciro na disputa estadual, como deixou claro a entrevista de um dos pré-candidatos, Emídio de Souza, à Folha.Na semana passada, o presidente do PT-SP, Edinho Silva, reuniu-se em Brasília com o presidente do PSB-SP, deputado federal Márcio França (um dos principais articuladores da candidatura Ciro), para discutir o cenário político no Estado. Vai haver novas conversas.O grupo da ex-prefeita Marta Suplicy é um dos mais ferrenhos opositores de o PT deixar de ter candidato próprio a governador. Próximo de Marta, o líder do partido na Assembleia Legislativa, Rui Falcão, diz que isso seria abrir mão de um projeto estratégico no Estado.Integrantes do comando nacional do partido -que também tem interesse nessa solução, porque tiraria o deputado da disputa pela Presidência e abriria caminho para alianças mais amplas com o PT do presidente Lula- fazem uma avaliação realista de que as chances de a candidatura emplacar ainda não são grandes, mas também não são mínimas.Lula já disse ao presidente do PSB, o governador Eduardo Campos (PE), que vê com simpatia a hipótese Ciro. Nesta semana pode haver a aguardada conversa entre Ciro, Lula e Campos para discutir a real possibilidade da candidatura.
Serra em desespero vai dar um piti!
''Queremos que não valha a pena corromper''
Abramovay diz que prejuízo para empresas que se envolvem com escândalos é hoje muito pequena no Brasil
Abramovay diz que prejuízo para empresas que se envolvem com escândalos é hoje muito pequena no Brasil
Felipe Recondo
Estadão
Estadão
Ao enviar ao Congresso o projeto de responsabilização de pessoas jurídicas, a proposta do governo federal é atingir o bolso das empresas e, com isso, coibir a prática da corrupção. O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, que está envolvido na discussão, diz que a ideia é punir as empresas de tal forma que fiquem desestimuladas a se envolver em esquemas de corrupção. Ele avalia que as empresas têm pouco a perder se praticam crimes contra a administração pública. "Hoje, o prejuízo para a empresa é muito pequeno. Queremos que esse prejuízo seja tão grande que não valha a pena corromper."
Qual será a consequência do projeto para as empresas brasileiras?
Esperamos maior responsabilidade das empresas. Estamos vivendo no mundo em que a responsabilidade corporativa é importante, onde as empresas se preocupam em fazer programas de prevenção da corrupção por ser importante para a imagem delas. Precisamos lidar com essa nova realidade e dizer que o governo pode punir empresas que são corruptas.
Hoje, a punição é imposta pelo mercado?
O fato de se ter uma empresa cuja política necessite corromper uma pessoa para fazer determinada coisa andar precisa ser punido pelo Estado. Isso precisa afetar o valor da marca, precisa afetar a empresa. É muito mais grave ter uma empresa punida do que um diretor que praticou determinado ato. Por isso estamos preocupados com a condenação de empresas e não só das pessoas físicas nos casos de corrupção.
Não é possível punir essas empresas com base na legislação atual?
É muito difícil hoje punir empresas, porque a lógica que se aplica é a do direito penal. E o direito penal no Brasil é feito para punir pessoas físicas. Por isso queremos sair desse debate para podermos punir a empresa (no âmbito administrativo e cível) e gerar um prejuízo que é muito maior, que vai além da multa e atinge a imagem. Queremos que o consumidor saiba que a empresa foi condenada. É importante saber que aquela empresa tinha na sua política a prática da corrupção.
Será possível punir uma empresa mesmo sem provas de que houve ordem para o pagamento de propina, por exemplo?
Quando tratamos de pessoa física, precisamos identificar a intenção, se houve ou não a intenção. E temos de entrar até na análise psicológica para saber por que a pessoa fez aquilo. No caso da empresa, não precisamos disso. O que temos de avaliar é se a empresa, representada por alguém que tinha poder para isso, praticou um ato ilegal. E, se praticou, a empresa será punida.
Não é possível condenar a empresa com base no Código Penal?
O que a gente nota é que, nos casos em que a Constituição determina a responsabilidade penal da pessoa jurídica, como na lei ambiental, há pouquíssimas condenações, porque o juiz não consegue aplicar o direito penal para a empresa. Então, o que queremos é tirar isso do âmbito do direito penal, colocar no âmbito administrativo, porque é onde essas punições funcionam.
Será possível fechar uma empresa envolvida com corrupção?
Certamente. Fechar empresa é sempre ruim. O ideal é manter a empresa funcionando. Mas a empresa vai precisar internalizar para o seu custo o prejuízo que terá com uma condenação. Hoje, o prejuízo para a empresa é muito pequeno. Queremos que esse prejuízo seja tão grande que não valha a pena corromper.
Qual será a consequência do projeto para as empresas brasileiras?
Esperamos maior responsabilidade das empresas. Estamos vivendo no mundo em que a responsabilidade corporativa é importante, onde as empresas se preocupam em fazer programas de prevenção da corrupção por ser importante para a imagem delas. Precisamos lidar com essa nova realidade e dizer que o governo pode punir empresas que são corruptas.
Hoje, a punição é imposta pelo mercado?
O fato de se ter uma empresa cuja política necessite corromper uma pessoa para fazer determinada coisa andar precisa ser punido pelo Estado. Isso precisa afetar o valor da marca, precisa afetar a empresa. É muito mais grave ter uma empresa punida do que um diretor que praticou determinado ato. Por isso estamos preocupados com a condenação de empresas e não só das pessoas físicas nos casos de corrupção.
Não é possível punir essas empresas com base na legislação atual?
É muito difícil hoje punir empresas, porque a lógica que se aplica é a do direito penal. E o direito penal no Brasil é feito para punir pessoas físicas. Por isso queremos sair desse debate para podermos punir a empresa (no âmbito administrativo e cível) e gerar um prejuízo que é muito maior, que vai além da multa e atinge a imagem. Queremos que o consumidor saiba que a empresa foi condenada. É importante saber que aquela empresa tinha na sua política a prática da corrupção.
Será possível punir uma empresa mesmo sem provas de que houve ordem para o pagamento de propina, por exemplo?
Quando tratamos de pessoa física, precisamos identificar a intenção, se houve ou não a intenção. E temos de entrar até na análise psicológica para saber por que a pessoa fez aquilo. No caso da empresa, não precisamos disso. O que temos de avaliar é se a empresa, representada por alguém que tinha poder para isso, praticou um ato ilegal. E, se praticou, a empresa será punida.
Não é possível condenar a empresa com base no Código Penal?
O que a gente nota é que, nos casos em que a Constituição determina a responsabilidade penal da pessoa jurídica, como na lei ambiental, há pouquíssimas condenações, porque o juiz não consegue aplicar o direito penal para a empresa. Então, o que queremos é tirar isso do âmbito do direito penal, colocar no âmbito administrativo, porque é onde essas punições funcionam.
Será possível fechar uma empresa envolvida com corrupção?
Certamente. Fechar empresa é sempre ruim. O ideal é manter a empresa funcionando. Mas a empresa vai precisar internalizar para o seu custo o prejuízo que terá com uma condenação. Hoje, o prejuízo para a empresa é muito pequeno. Queremos que esse prejuízo seja tão grande que não valha a pena corromper.
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