30 maio 2009

Palocci minimiza decisão do STF de adiar julgamento
GUSTAVO PORTO - Agencia Estado
RIBEIRÃO PRETO - O deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP) minimizou a decisão do Supremo Tribunal Federal (SFT) de adiar o julgamento que definirá se ele será ou não processado por mandar quebrar o sigilo bancário do ex-caseiro Francenildo Costa. "Não tem problema, uma hora vão decidir", disse.O ex-ministro também adotou tom cauteloso sobre sua pré-candidatura do governo de São Paulo. "Hoje, sou candidato a deputado federal, porque gosto do meu mandato", afirmou. Mesmo assim, fez questão de destacar que a escolha do candidato só será feita em fevereiro ou maio do ano que vem.Palocci participa hoje do programa de caravanas do PT que discute as ações do partido no Estado. O evento está sendo realizado em Ribeirão Preto (SP), cidade onde Palocci nasceu, tem base política e que administrou duas vezes. Ele foi ovacionado e aplaudido em pé pelos cerca de 350 militantes que estão no plenário da Câmara Municipal.A ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy, afirmou no evento que Palocci é o nome de consenso do PT à sucessão do governador José Serra (PSDB). "Se ele aceitar ser candidato, não haverá disputa no PT, pois o Palocci é um consenso absoluto", disse Marta.Palocci respondeu, no entanto, que Marta é que tem tudo para ser uma excelente candidata.Já o ex-presidente da Câmara deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) defendeu um descolamento entre a questão do ex-ministro no STF e a sucessão paulista. "O PT e o Palocci não podem ficar parados, e o nome do Palocci está aí independente da decisão do Supremo", afirmou.Em discurso, Palocci defendeu que o projeto do PT para o governo paulista seja uma continuidade do governo federal e citou a Educação como a principal área de atuação do partido caso vença as eleições de 2010 em São Paulo. A citação do tema ocorre justamente no momento em que Serra enfrenta uma greve de professores e um dia após o governador ser vaiado, em Presidente Prudente (SP), por um grupo deles.Se evitou falar em sucessão estadual, quando comentou o cenário político para a sucessão federal, Palocci defendeu abertamente o nome da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff como o nome do PT. "Defendo o nome da Dilma porque ela é a companheira que mais intensamente participou da construção desse governo e se vai haver um terceiro mandato para o presidente Lula será com a Dilma", concluiu Palocci.
Professores chamam Serra de ditador em Presidente Prudente
Enquanto discursava, governador era vaiado também por servidores da Saúde; 'Ele não negocia nem paga dissídio
SERRA ESTÁ NERVOSO
Serra foi vaiado por professores e funcionários públicos. Foi chamado de "ditador, ditador" pelos manifestantes. Irritado não respondeu perguntas dos jornalistas, e ainda soltou um palavrão que segundo o Estadão é impublicável. Está nervoso o ditador Serra, parece que andou fazendo até cateterismo as escondidas!

Truculência é marca do Serra
A entrevista coletiva foi tumultuada. A segurança reprimiu os jornalistas com certa dose de truculência. O governador fugiu das perguntas políticas. Ao ser perguntado pelo repórter do Estado se faria dobradinha com Aécio Neves na eleição para a presidência, Serra se irritou. "Pensei que você veio para perguntar sobre o hospital", respondeu. Um segurança agarrou o repórter na frente do governador, que condenou a atitude do rapaz e soltou um sonoro palavrão impublicável. Já sobre os rumores de que Serra teria se submetido a um cateterismo, feito secretamente de madrugada no Hospital Sírio-Libanês, o secretário da Saúde, Luis Roberto Barradas, foi lacônico: "Imagina! Nada disso! É desnecessário".
DESGOVERNO SERRA
Professores estaduais de SP decidem entrar em greve
Paralisação tem começo previsto para quarta-feira, por tempo indeterminado Categoria reivindica reajuste de 27,5% e retirada de dois projetos do governo Serra que modificam a contratação dos docentes
DA REPORTAGEM LOCAL
Professores da rede estadual decidiram, em assembleia ontem à tarde, entrar em greve a partir de quarta-feira por tempo indeterminado. Eles reivindicam um reajuste de 27,5% e a retirada da Assembleia Legislativa de dois projetos de lei, de autoria do governador José Serra (PSDB), que modificam a forma de contratação dos docentes das escolas estaduais.Além da assembleia, houve uma paralisação de um dia na rede, mas a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) não soube informar quantas escolas e professores aderiram até a conclusão desta edição.Segundo o sindicato, a assembleia reuniu na praça da República cerca de 5.000 dos 215 mil professores estaduais.O ato foi seguido por outro, que contou com a presença de outros funcionários públicos, que também reivindicam aumento salarial imediato.

Gabrielli afirma que "CPI não tem foco"
Presidente da Petrobras diz que investigação é política e que oposição reclama de caixa-preta, mas usa dados de site da empresa Gabrielli também acusa o TCU de ser "formado por pessoas politicamente comprometidas'; o órgão aponta problemas na estatal

SUCURSAL DO RIO

A oposição reclama que a Petrobras é uma caixa-preta, mas a maior parte dos dados que usa para questionar sua administração vem do site da empresa na internet. A afirmação foi feita à Folha pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que criticou a CPI criada para investigá-la, reclamou que a comissão não tem foco e que servirá exclusivamente a interesses políticos. Acusou o TCU (Tribunal de Contas da União), que apontou irregularidades na empresa, de ser um "órgão formado por pessoas politicamente comprometidas". José Sergio Gabrielli de Azevedo, 59, é presidente da estatal desde julho de 2005. A seguir, trechos da entrevista que ele concedeu à Folha, em seu escritório.

FOLHA - A Petrobras é uma caixa-preta?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI - Uma parte substantiva das informações que estão sendo usadas nas denúncias é coletada de sites da Petrobras, de livre acesso. Isso contradiz que a Petrobras seja uma caixa-preta. A Petrobras sofre um processo permanente e contínuo de acompanhamento do TCU, da CGU [Controladoria Geral da União] e tem de estar de acordo com as regras da CVM [Comissão de Valores Mobiliários] e da SEC [a CVM americana].
FOLHA - Mas é recorrente a crítica a uma autonomia excessiva.

GABRIELLI - Temos um processo de decisão para compras com várias etapas. Praticamente não há decisão isolada. Tem vários portões de decisão na escolha de projetos. Se não fosse assim, não seria possível fazer R$ 15 bilhões de investimento no primeiro trimestre. Não seria possível manter 55 mil contratos. Se isso aqui fosse uma caixa-preta cheia de ladrões e politiqueiros, não funcionaria. Essa empresa tem gestão, governança e profissionais técnicos dedicados. Dado o tamanho da companhia, não se pode dizer que não tem problema. Mas, se tiver, eles vão ser investigados. Mas não se pode generalizar. Fazer a ideia que a Petrobras é uma caixa-preta é ação política.
FOLHA - A Petrobras também não deveria franquear o acesso a informações de seus contratos?

GABRIELLI - Deveria ser repensado [o acesso] para evitar manipulação externa. Não vi em nenhum jornal até agora que a fonte original dessas informações foi o site da Petrobras. Que outra empresa tem isso?
FOLHA - A Petrobras é uma empresa com participação estatal.

GABRIELLI - Sim, mas 67% da Petrobras estão nas mãos de 700 mil acionistas. O governo tem um terço. No mercado concorrencial, não podemos passar informações [dos contratos]. Esse é um conflito que a Petrobras vive: é uma empresa controlada pelo governo, com acionistas privados. Aí um jornal diz que a Petrobras tem um sistema próprio [de licitações], como se a gente tivesse definido o sistema licitatório. Existe uma lei, que é a Lei do Petróleo. Não foi a Petrobras que fez. Essa lei remete ao presidente da República editar um decreto que vai definir as condições competitivas, porque a Petrobras, no mercado aberto, compete com muitas empresas. O presidente Fernando Henrique Cardoso fez o decreto 2.745 com base na lei. Esse decreto diz que tem uma série de condições para a contratação, seguidas rigorosamente pela Petrobras. A AGU diz que a Petrobras tem de cumprir o decreto. O TCU, que é um órgão do Legislativo formado por pessoas politicamente comprometidas, tem interpretação diferente, que nós temos de cumprir a lei 8.666 [que estabelece regras para licitações]. Recorremos ao Supremo Tribunal Federal em dez liminares julgadas, e prevaleceu o decreto. Não temos de cumprir a lei 8.666.
FOLHA - Se prevalecer o entendimento do TCU e agora dos proponentes da CPI, a Petrobras perde competitividade?

GABRIELLI - Vai dificultar muito. Não inviabiliza, mas fazer um processo competitivo com rapidez de decisões seguindo a lei 8. 666 não é possível.
FOLHA - Como o sr. justifica as contratações de ONGs ligadas ao PT?

GABRIELLI - Uma reportagem fala em 1.100 contratos e cita um ou dois com problemas, o que mostra que é um sistema eficiente. O volume de problemas é pequeno. Mas, se existem, vamos investigar. Se você pega os apoios da festa de São João, nos últimos quatro anos, vai ver que as prefeituras do PT são minoria. O critério não é ser PT ou não. É ter festa de São João.
FOLHA - A questão fundamental da Bahia é porque a ONG que recebeu dinheiro da Petrobras era de ex-dirigente regional do partido.

GABRIELLI - É uma ilação. Só queria dizer que não sou candidato ao Senado na Bahia. Isso é uma mentira deslavada, desmentida por mim sistematicamente. Não sou candidato. Mais, o Diretório Estadual do PT na Bahia tomou a posição de que o único cargo a que vai concorrer é o de governador.
FOLHA - O que motiva a CPI?

GABRIELLI - O uso político. Não precisa de uma CPI. Ela não tem foco.
FOLHA - O TCU constatou que, devido a aditivos, contratos da Petrobras chegam a dobrar de valor. Esse artifício não dá margem para todo tipo de acréscimo
? GABRIELLI - Existe uma coisa chamada mudança de escopo, adaptação das condições encontradas no local, mudanças no cronograma por fatores externos à Petrobras, como licenciamento ambiental, problemas no fornecimento. O decreto que seguimos, o 2.745, permite os aditivos e nós o seguimos estritamente.
FOLHA - Quanto, em média, aumentam os contratos?

GABRIELLI - Há aumento de 10%, de 25%, tem aditivo que só aumenta prazo, sem custo. São 55 mil contratos.
FOLHA - Não poderia haver um programa para melhorar a execução dos contratos?

GABRIELLI - Estamos tentando, acelerando nossas condições para que a gente vá para o mercado com o projeto mais detalhado. Isso significa que podemos atrasar os projetos.
FOLHA - Que projetos?

GABRIELLI - Na [refinaria] Abreu e Lima, estamos com 14 licitações. Dessas, 6 cancelamos por excesso de preço, 8 estão concluídas. O escândalo é em torno de um contrato de terraplanagem. O problema é que estamos falando aqui de um conjunto muito grande de coisas.
FOLHA - O Comperj (complexo petroquímico do Rio) foi orçado, em 2005, em US$ 6 bilhões de dólares e está em US$ 8,6 bi.

GABRIELLI - Não se pode dizer que teve aumento, ainda, por estar em processo de licitação.
BOA NOTÍCIA
ALENCAR VOLTA HOJE DOS ESTADOS UNIDOS

O vice retorna após passar quatro dias nos EUA para iniciar novo tratamento contra o câncer. A previsão era de que ele ficasse até dez dias em Houston (Texas), onde foi aceito para teste clínico de uma nova droga experimental. Como reagiu bem à medicação, foi liberado.

STJ nega recurso de filha de FHC por nomeação de 1995
DA REPORTAGEM LOCAL
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) manteve suspensa a nomeação de Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para um cargo comissionado na Presidência da República.A decisão, unânime, foi da Segunda Turma, que rejeitou o recurso apresentado pela filha de FHC contra a decisão do TRF-1 (Tribunal Regional Federal), que suspendeu a nomeação.Em 1995, o ex-secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge Caldas Pereira, nomeou Luciana para o cargo de secretária-adjunta. Na época, petistas entraram com uma ação popular.Em sua decisão, a ministra-relatora do STJ, Eliana Calmon, ressaltou que o TRF-1 analisou a questão do ponto de vista estritamente constitucional, por isso o mérito do recurso não poderia ser analisado pelo STJ.A ministra citou o voto da Justiça Federal. "Já que agride abertamente a moralidade o presidente da República nomear sua própria filha secretária-geral, busca-se disfarçadamente, nomeá-la de forma oblíqua sob o manto da condição de secretária-adjunta", escreveu o juiz Carlos Alberto Simões.Ao recorrer ao STJ, Luciana alegou que a nomeação foi legal e não havia parentesco. Também argumentou que não havia subordinação direta ao presidente e que a ação popular era perseguição política. A Folha deixou recado no telefone de Luciana, mas ela não ligou de volta até o fechamento desta edição.


Serra é vaiado por professores em Presidente Prudente
AE
O governador de São Paulo, José Serra, foi vaiado nesta sexta-feira (29) por professores e servidores da saúde durante uma visita a Presidente Prudente, no interior paulista, para inaugurar obras. Durante o discurso, o governador chegou a ser chamado de "ditador" pelos manifestantes. Em resposta aos gritos - de "ditador, ditador" -, Serra ironizava: "Eles são contra a saúde, são contra até os deficientes (referindo-se a projetos que beneficiam deficientes). São de seitas e 'partidecos'. Nós governamos para toda a população de São Paulo. Não somos de 'trololó'", disse Serra."Ele não negocia nem paga o dissídio dos professores desde 2006. Não repassa nem a inflação acumulada e não discute o reajuste salarial com os professores", acusou Agripino Miguel Costa, conselheiro regional do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Os professores querem reajuste salarial de 27,5%, enquanto os servidores da Saúde pedem reposição salarial de 47%. No começo da noite de hoje os professores estaduais decidiram entrar em greve a partir de quarta-feira.

29 maio 2009

Ministro Paulo Bernardo recebe título de cidadão honorário de Curitiba
Nesta segunda-feira (1º) o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, recebe título de cidadão honorário na Câmara Municipal de Curitiba. O autor da indicação é o vereador Pedro Paulo (PT) que destaca a importância da atuação política de Paulo Bernardo no estado do Paraná, e de atualmente ao lado do Presidente Lula, se destacar como uma das lideranças mais influentes no desenvolvimento do país. “Paulo Bernardo desde sua militância como bancário e agora como Ministro nunca deixou de lado a importância da luta política e principalmente de um projeto a longo prazo em prol dos trabalhadores.”
Paulo Bernardo começou sua militância política no movimento estudantil ainda durante a ditadura militar. Cursava o último ano de geologia na Universidade de Brasília (UnB) quando foi expulso com base em decreto instituído pelo governo militar. Em 1982, já concursado como bancário de São Paulo foi transferido para o Paraná. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores em 1985, foi delegado sindical e diretor da Federação dos Bancários do Paraná.
Eleito deputado federal pelo PT do Paraná para a primeira legislatura de
1991 até 1995. Participou da elaboração do Mapa da Fome no Brasil na Comissão de orçamento do Congresso Nacional, onde desempenhou atividades por uma maior fiscalização orçamentária e das finanças públicas e combate à corrupção.
Reeleito em 1994, continuou sua atuação em defesa da moralidade e trato da coisa pública. Deixou o cargo para assumir a Secretaria de Fazenda em Londrina que estava com contas atrasadas e um déficit de R$ 3 milhões mensais. Nos 15 meses como Secretário, zerou o déficit e deixou um superávit de R$ 5 milhões.
Foi Secretário de Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul, de janeiro de
1999 a dezembro de 2000. Em 2002, Paulo Bernardo concorreu novamente a deputado federal e foi eleito com 72.831 votos dos paranaenses.
No Congresso Nacional atuou como membro titular ou suplente da várias Comissões Especiais e Permanentes. Foi Presidente da Comissão Mista de Planos, Orçamentos e Fiscalização. Foi vice-líder do PT nos períodos de
1995-1998 e 2003-2004.
Assessoria de Imprensa PT Curitiba
Brasil tem 2º melhor desempenho fiscal entre países do G-20
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, nesta quinta-feira (28), que os países emergentes, como o Brasil, terão uma recuperarão mais rápida de suas economias e em 2010 já estarão crescendo a patamares iguais aos de antes da crise. “Estamos retornando a níveis de normalidade. Ao final do ano, algumas economias já trabalharão com um PIB positivo”, declarou o ministro, em audiência pública no Senado.O desempenho fiscal do Brasil foi um dos pontos destacados pelo ministro Mantega que, segundo projeções da Economist Intelligence Unit (EIU), é o segundo melhor entre os países do G-20. A queda da dívida bruta e o aumento da confiança brasileira medido pelo risco país também reforçam os sinais de que a economia está se recuperando. “A crise serviu para por o Brasil à prova e o importante é que nós já estamos em um processo de recuperação”, disse o ministro.O ministro ressaltou que no cenário internacional houve uma melhora geral, com sinais de recuperação, principalmente a partir da consolidação do Governo Obama. Mas ainda há problemas a serem “digeridos”, como a questão dos ativos tóxicos que enfraquecem os grandes bancos. Ele acredita que, em 2009, ao contrário dos emergentes, as principais economias avançadas terão recessão, com um PIB negativo em torno de -4%. Ele acha que a maioria dos analistas prevê que em 2010 os avançados terão um crescimento modesto, entre 1% e 1,5%. “Será um longo processo de recuperação”.Em sua apresentação, o ministro apontou as medidas anticíclicas tomadas pelo Governo, que fizeram com que o país reunisse condições mais seguras e atraentes para o retorno do investimento estrangeiro. “Podemos ver o reflexo disso na retomada do fluxo de capital, no aumento da disponibilidade financeira, na recuperação do preço das commodities e no ingresso de investimentos na Bolsa de Valores.”O ministro destacou algumas condições que, combinadas, posicionaram o Brasil como um dos novos protagonistas no cenário internacional, com dinamismo e taxas de crescimento maiores: modernização da estrutura produtiva, contas públicas mais equilibradas, recursos naturais abundantes, menos dependência do mercado externo e grande produção de alimentos. “Temos ainda, como a China e a Índia, um grande mercado consumidor que ainda pode crescer muito. Por essas razões, acreditamos que o Brasil sairá mais rapidamente da crise e poderá ocupar posição privilegiada no mercado econômico internacional”, completou o ministro. Em Questão
Lula inaugura as primeiras grandes obras do PAC no Rio
Vladimir Platonow

Da Agência BrasilNo Rio de Janeiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa hoje (29) da inauguração das primeiras grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na cidade do Rio. A partir das 10h, ele estará no Complexo de Favelas de Manguinhos, onde serão entregues quatro novas instalações.

Sem obras do PAC, vizinhos do Complexo do Alemão, no Rio, sentem-se o "primo pobre"
Vão ser abertos ao público o Centro Vocacional Tecnológico, que oferecerá vagas a 1.500 alunos, em 17 cursos profissionalizantes, um parque aquático com duas piscinas e ginásio esportivo, uma super Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com serviços de saúde 24 horas, e um Posto de Orientação Urbanística e Social (Pouso) para controlar a expansão e a construção de imóveis na comunidade.Por volta do meio-dia, Lula almoça com o governador Sérgio Cabral, secretários e ministros no Palácio Laranjeiras. Em seguida, às 15h, o presidente inaugura mais um conjunto de obras, desta vez no Complexo do Alemão.Ali vão ser entregues 56 apartamentos - com dois quartos e 58 metros quadrados - e aberto o Centro de Geração de Renda, destinado a facilitar a contratação dos trabalhadores por empresas interessadas, além de abrigar instalações para microcrédito, incubadora de novos negócios e serviços de apoio.Até 2010, será investido cerca de R$ 1 bilhão em obras do PAC nas comunidades do Alemão e de Manguinhos. O principal objetivo é levar serviços básicos e infraestrutura, beneficiando diretamente 40 mil famílias e ajudando a diminuir os altos índices de violência nessas duas regiões.Para o presidente da Associação dos Moradores da Favela Nova Brasília, Alcides de Almeida, conhecido na comunidade como Cidinho, as obras do Complexo do Alemão estão mudando até a auto-estima dos jovens, que ficaram estigmatizados pela imagem de violência que a região adquiriu nos últimos anos."Hoje você passa em qualquer rua do Complexo do Alemão e vê valas negras, colégios abandonados, sem creche, sem estrutura nenhuma. Então o jovem que desce para um baile na zona sul não gosta de trazer sua namorada, por vergonha. A partir do momento em que está sendo feito esse melhoramento, já mexe com a estrutura deles", contou Cidinho.Segundo ele, o abandono de anos acabou criando um círculo vicioso, ao permitir o crescimento da violência e o consequente fechamento de diversas fábricas que funcionavam no local, com milhares de trabalhadores, grande parte da própria comunidade."Só a fábrica da Coca-Cola empregava 3 mil funcionários. Daqui saíram várias firmas, e os pais desses jovens ficaram desempregados. E agora eles ganham novamente a oportunidade de ter a carteira assinada com as obras", afirmou.A chegada de obras, investimentos e vagas de trabalho, para o líder comunitário, é a solução para combater a violência no Complexo do Alemão, que por muitos anos ficou conhecido como "a fortaleza do tráfico" e foi palco de confrontos sangrentos entre polícia e criminosos, com um saldo de centenas de mortos."Se você traz a educação, o desenvolvimento, o emprego, os jovens não querem se envolver com coisas erradas. Eles querem construir coisas boas. Caveirão [veículo blindado da polícia] e brutalidade só atrapalham e espantam", disse.
Dilma Rousseff, nossa candidata se consolida
Vou voltar ao tema das eleições de 2010, da tática do PT e da política de alianças, apoiado na pesquisa encomendada pelo partido, da Vox Populi, publicada essa semana. Excelente para o PT, a pesquisa nos dá o cenário atual da disputa para a presidência e para o governo dos principais Estados do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul.
A primeira conclusão é que a candidatura Dilma Rousseff se consolidou não apenas no PT, mas no eleitorado brasileiro. Já passou de 20% e está empatada com Aécio Neves e Ciro Gomes. A segunda é que por ser do Sul, do Rio Grande, Dilma tende a crescer e tirar a vantagem que a oposição construiu naquela região do país desde nossa vitória em 2002. A terceira é que ela ainda tem muito para crescer no Nordeste e no Norte e em todo país: 54% dos eleitores ainda não sabem que Dilma é apoiada pelo presidente Lula.
Mas a eleição não é só nacional, é também estadual, e tem importância para consolidarmos nossas alianças não só com o PMDB, que hoje governa 7 Estados; mas também com o PSB, que governa 3 Estados, o que nos leva à necessidade de fazermos alianças com esse partido em Estados prioritários ou, no mínimo, construir dois palanques.
A pesquisa chama atenção para a situação de São Paulo, onde o PMDB já apóia o PSDB (que também tem apoio do DEM e do PTB-PPS-PV) e o PT ainda não tem candidato e uma aliança. Mesmo não sendo boa sua situação nas pesquisas, o PT tem uma base eleitoral de 35% dos votos. Também conta com a disputa entre os tucanos Gilberto Kassab, Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes Ferreira na base do governo Serra e com a promessa de candidatura única ao senado à Orestes Quércia que não se sustentará.
Neste contexto, Minas Gerais passa a ser a principal questão para nossa vitória em 2010. Aécio Neves pode ser candidato ao senado, apoiando seu vice Antonio Augusto Anastasia; ser vice de José Serra; ou mesmo sair do PSDB, renunciando o mandato em setembro dentro do prazo da legislação eleitoral. Para nós, do PT, a pior hipótese é sua candidatura a vice, o que poderia inclusive nos levar a uma aliança em Minas com o PMDB, mesmo não tendo a cabeça de chapa. Vale lembrar que hoje, a situação em Minas é de disputa interna no PT, entre duas correntes lideradas por Patrus Ananias e Fernando Pimentel, respectivamente. Apesar do bom resultado nas pesquisas para nós - mas que são encabeçadas por Hélio Costa senador e ministro do PMDB, nosso aliado - unidos temos chances reais de vencer as eleições.
No Rio de Janeiro, caminhamos para a consolidação da aliança com o PMDB e Sérgio Cabral, temos grandes possibilidades de um palanque forte e com chances de reeleger o governador e eleger um senador e do PT.
Já na Bahia, a situação não é fácil. Se é fato que o governador Jaques Wagner tem todas as condições de se reeleger, a crise na aliança com o PMDB que se aproximou do DEM, o PSDB, por sua vez, pela primeira vez na história do Carlismo na Bahia, tende a uma aliança com o ex-pefelistas, o que acende uma luz de alarme.
No Rio Grande do Sul, o PMDB está à cavaleiro para construir uma aliança com o PSDB (dado o desgaste de Yeda Crusius); ou com o bloco PDT-PSB-PC do B e com apoio do PTB, que poderia apoiar ou não Dilma Rousseff. O PT fica com uma candidatura forte (mais de 30% de votos), mas isolado para o segundo turno.
Se acrescentarmos a esses cenários as dificuldades que temos com o PMDB no Pará,Tocantins e no Mato Grosso do Sul e a oposição deste partido ao governo Lula em São Paulo, Pernambuco, Acre, Santa Catarina, veremos que apesar da real possibilidade de alianças nos Estados de RJ, GO, RO, PR, AL, SE, CE, PI, MA, AP, AM, ES, PB, RN, será nos estados de Minas, Rio e Bahia que decidiremos o futuro da aliança nacional.
Junto ao PSB, sem desconsiderar a pré candidatura de Ciro Gomes, temos grandes chances de consolidar a aliança nacional com coligações nos Estados governados por esse partido: Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte; e podemos montar palanques ainda na Paraíba. Agora, tanto para o PSB, como para o PDT, o PC do B, o PR e mesmo o PMDB, contará também a eleição para o Senado e a Câmara dos Deputados, o que para o PT é decisivo e fundamental para a governabilidade no próximo governo.
A preferência nacional pelo PT de 29% dos eleitores permite ao partido eleger uma grande bancada de deputados e senadores. Assim, fica clara a necessidade de priorizar a eleição nacional, a de presidente e de senadores e deputados; e de construir palanques nos Estados, possivelmente tendo o PT que abrir mão de candidaturas legítimas e naturais, em nome do projeto nacional e da maioria no Congresso Nacional.

José Dirceu é ex-ministro da Casa Civil

BRASIL NO RUMO CERTO



Desabrigados ainda reverenciam Lula, mas desconhecem Dilma
Maioria dos entrevistados pela BBC Brasil citou Bolsa Família como motivo de apoio ao presidente.


Enviada especial da BBC Brasil a Bacabal e Trizidela do Vale (MA)
- Apesar de estarem há quase dois meses sem ter onde morar por causa das enchentes, os desabrigados do Vale do Mearim, no Maranhão, mantêm aparentemente intacto o seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quase todos os cerca de 20 entrevistados pela BBC Brasil na região disseram que votariam de novo no presidente, mas poucos já ouviram falar na ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que está sendo preparada por Lula para concorrer à Presidência em 2010. Expulsos de suas casas pelas chuvas e muitos deles obrigados a viver em abrigos superlotados e sem higiene, os moradores da região criticam autoridades locais por causa da situação em que vivem. No entanto, quando o assunto é o presidente, as respostas são quase sempre de admiração e reverência."Com o Lula, nossa vida está muito melhor, (a qualidade de vida) quadruplicou", disse o agricultor Hermógenes Francisco da Conceição, de 76 anos.Conceição vive na localidade de Santa Rosa, no município de Bacabal, um dos mais atingidos pelas cheias no Maranhão.No local, à beira do rio Mearim, moram cinco famílias, alguns porcos, galinhas e muitos cachorros.A comunidade não tem luz elétrica, ninguém lá sabe ler e Conceição não soube dizer ao certo quantas crianças vivem no local. A mais nova, de cerca de um ano de idade, não tem nome nem idade certa, porque ainda não foi registrada.Ninguém frequenta a escola, localizada a 1h30 de bicicleta, quando as estradas estão transitáveis. As mulheres nunca ouviram falar em métodos anticoncepcionais.Apesar das dificuldades, Conceição e a família disseram que o presidente melhorou sua vida e a dos pobres do país, e que votariam nele novamente caso fosse candidato. Bolsa FamíliaQuase todos os entrevistados pela BBC Brasil citaram o programa Bolsa Família como o principal motivo para apoiarem o presidente."Isso melhorou muito a nossa vida, a de muitas famílias. Eu recebo R$ 122 por mês", afirmou Eliene da Silva Brito, 36 anos, que há mais de dois meses vive em um abrigo improvisado em um ginásio da cidade de Trizidela do Vale.A agricultora, o marido e os cinco filhos tiveram de deixar sua casa de barro, inundada até a metade da parede. No abrigo, dividem espaço com os poucos móveis que conseguiram salvar da água. "Votei no Lula e voto de novo", disse Eliene. Em outro abrigo de Trizidela do Vale, montado em um hospital abandonado, diversas famílias disseram que repetiriam o voto no presidente.De todas as pessoas ouvidas pela BBC Brasil, apenas o comerciante Edivaldo Almada de Oliveira, 54 anos, disse que não votaria de novo no presidente."Eu votei nele, mas o Lula nunca mereceu voto de ninguém. Toma de um pra dar para os outros", afirmou Oliveira, que teve seu bar inundado e saqueado durante as enchentes.
Dilma
Se a popularidade de Lula parece quase intocada, o nome de sua escolhida para sucedê-lo na Presidência é desconhecido da maioria das pessoas entrevistadas.
Apenas dois sabiam quem era Dilma Rousseff. "Gosto muito do Lula, ele nos deu o Bolsa Família. Tanta gente hoje tem mais facilidades, uma vida melhor", disse a comerciante Selma Aguiar, 35 anos, que nesta semana reabriu sua lanchonete depois de mais de um mês embaixo d'água. "Eu também voto nele", afirmou sua filha Giovanna, de cinco anos.Selma nunca havia ouvido falar em Dilma Rousseff. Ao ser informada de que se tratava de uma provável candidata à Presidência, disse: "Nunca ouvi falar dela, mas se for do lado do Lula, voto nela com certeza."
ESSA É A EDUCAÇÃO PARA CRIANÇAS E JOVENS NO GOVERNO SERRA

Nunca ame ninguém. Estupre" ; "Tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto" ; "Odeie. Assim, por esporte"
Livros inadequados para crianças foram distribuídos para a rede pública estadual. Em um dos textos, o autor usa ironia e dá conselhos de como fazer tudo errado e virar uma pessoa muito má.SPTV / Globo.comLivros inadequados para crianças foram distribuídos para a rede pública estadual. O SPTV já mostrou, com a presença do governador Serra, o problema de um livro de humor que foi distribuído para a terceira série. Tinha muitas piadas de conotação sexual e não era adequado para meninos e meninas de nove ou dez anos de idade.O governador disse que ia mandar recolher tudo e que estava investigando quem foi responsável pela compra. Isso tudo é feito com dinheiro público: a compra, a distribuição e o trabalho de recolher. Sem contar o pior, mais difícil de medir: o dano que um texto inapropriado pode provocar na cabecinha de uma criança.Até agora, não foi divulgado quem fez a compra errada nem que punição pode receber.O novo livro inadequado foi distribuído também para a terceira série. Em um dos textos, o autor usa ironia e dá conselhos de como fazer tudo errado e virar uma pessoa muito má. O problema é se meninos de nove anos percebem a ironia do mesmo modo que os adultos.“Poesia do Dia - poetas de hoje para leitores de agora" foi enviado às escolas há cerca de duas semanas para ser usado como material de apoio. A obra, é uma coletânea de poesias. Tem frases como "Nunca ame ninguém. Estupre", "Tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto"; e "Odeie. Assim, por esporte"; a publicação foi entregue a alunos de faixa etária de nove anos da rede pública de ensino do estado de São Paulo.”Matéria Completa, ::Aqui::
http://nogueirajr.blogspot.com/


O Brasil ocupa a segunda colocação em uma pesquisa que avaliou os países mais otimistas ao redor do mundo. Os dados partiram de um estudo realizado pelo instituto Gallup em 140 países. Cerca de 150 mil pessoas foram entrevistas e o material foi analisado por estudantes da Universidade de Kansas, nos Estados Unidos. À frente do Brasil, a Irlanda aparece como o país em que mais pessoas acreditam que sua vida vai melhorar daqui pra frente.De acordo com a pesquisa, o otimismo é universal. Aproximadamente 95% dos entrevistados acredita que sua vida daqui a cinco anos será melhor que a que tinha há cinco anos. Matthew Gallagher, estudante de psicologia da universidade e idealizador do estudo, disse que a inspiração da esperança é o maior fator para mudanças. Apesar de todas as mazelas do mundo, como crise econômica, desemprego, guerras, mortes e epidemias, as pessoas continuam a acreditar no melhor, segundo Gallagher.niciada há seis meses, a pesquisa envolveu telemarketing e visitas presenciais em países com acesso telefônico limitado. As pessoas responderam perguntas sobre acesso a condições básicas de sobrevivência, qualidade de vida, percepção sobre o governo e o que pensa sobre o futuro. No resultado final, a Irlanda aparece como o país com maior nível de otimismo, seguido do Brasil, Dinamarca e Nova Zelândia. Os Estados Unidos aparecem em décimo lugar e Egito, Haiti, Bulgaria e Zimbábue nas últimas posições.”
Matéria Completa, ::Aqui::

Para secretário do RN Lula é o 'cara' e deve concorrer
Cipriano Neto aproveitou e pediu a regulamentação e o reconhecimento do cantor de cordel
O Estado de S. Paulo
Dida Sampaio/AE
Durante Encontro Nordestino de Cordel, Cipriano (de gravata vermelha) diz que Lula é "o cara"BRASÍLIA - Ao participar na noite desta quinta-feira, 28, do primeiro Encontro Nordestino de Cordel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se divertiu ao ouvir dos repentistas críticas à CPI da Petrobrás, elogios à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua candidata à Presidência da República, e lamentações às suas afirmações de que não deseja concorrer a um terceiro mandato.

O presidente ouviu ainda do secretário de Cultura do Rio Grande do Norte, Cipriano Neto, uma série de versos, enumerando as razões pela quais ele sempre disse que Lula é "o cara", expressão só reconhecida pela imprensa, segundo ele, depois que o presidente norte-americano, Barack Obama, a repetiu para o mundo.

"O petróleo do pré-sal os gringos tiveram um troço porque Lula disse que é nosso. Há dias Lula declara que não está nem aí para os bestas da CPI. Por isso, Lula é o cara", afirmou Cipriano, que aproveitou para pedir regulamentação e reconhecimento da profissão de cantor de cordel. "Já que ele não está querendo ir para o terceiro mandato aproveite o segundo prá olhar pra gente de fato", ouviu Lula de outro cordelista que o homenageou. "O presidente Lula já nos deu a garantia de que leva para Pernambuco a maior refinaria, mas falta reconhecer a classe da cantoria", completou.

Já a dupla Chico de Assis e Antonio Lisboa ao cantar seus versos, disse que eram militantes do Partido dos Trabalhadores e emendou: "no PT discutirmos sempre com as correntes. Como Dilma, as mulheres são guerreiras. Como Lula, os poetas são decentes". As duplas criticaram até mesmo a direita, provocando risos nos presentes: "a direita caiu mas está viva e se deixarmos ela vem mais forte do que antes".

Ao final do evento, patrocinado pela Caixa Econômica Federal, o presidente Lula mostrou empenho e interesse em atender aos pleitos da categoria. Lula recomendou ao ministro da Cultura, Juca Ferreira, que estava ao seu lado, que inserisse na programação da TV pública, pelo menos uma hora de apresentação de cantores de cordel.

"Quem já andou pelo Nordeste sabe que a única coisa que o povo vê é a TV passando aqueles enlatados. Ou um companheiro apresentando um cordel na porta do boteco ou da igreja. Juca, bem que poderia ter uma hora na TV Pública para apresentar os artistas de cordel", afirmou, sob aplausos da plateia.

Lula, tirou fotos com os presentes e chegou até mesmo a pousar ensaiando que ia tocar no violão de um dos repentistas.

Montagem simbolizando a verdade por trás da CPI da PETROBRÁS.
Colaboração da companheira LILI ABREU

28 maio 2009


Manifestações populares em municípios gaúchos pedem "Fora Yeda"
Cerca de mil pessoas participaram da atividade da Campanha Ela Não Pode Continuar - Fora Yeda, promovida pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais - FSPE/RS, na tarde de quarta-feira (27), em Santa Maria, região central do Estado
A mobilização começou pela manhã, com visitas às escolas e outras repartições públicas e continuou à tarde com uma concentração, às 15h, na Praça Saldanha Marinho. Em seguida, os manifestantes seguiram em caminhada até o prédio da Justiça Federal em Santa Maria onde foi realizado um ato público.
O Fórum solicitou audiência com a juíza Simone Barbisan Fortes, responsável pelo caso Rodin. Na reunião, os sindicalistas declararam apoio à apuração da fraude que desviou pelo menos 44 milhões de reais e pediram mais agilidade na condenação dos envolvidos.
A mobilização em Santa Maria também contou com a participação de delegações Santa Cruz do Sul, Cachoeira do Sul, Santiago e São Borja. A caravana dos servidores já passou pelas regiões de Santa Rosa, Santana do Livramento e Passo Fundo.
Manifestação pelo Fora Yeda também em Gravataí
Já na cidade de Gravataí, pela manhã de ontem, cerca de 800 trabalhadores em educação e estudantes participaram de manifestação promovida pelo 22° Núcleo do CPERS/Sindicato pelo Fora Yeda.
Nas ruas centrais da cidade professores, funcionários, estudantes, integrantes da comunidade escolar e trabalhadores da GM denunciaram o governo corrupto de Yeda, a destruição da escola pública e defenderam os planos de carreira dos educadores. Exigiram com veemência o afastamento da governadora Yeda Crusius, chefe de um governo envolvido em sucessivos escândalos de corrupção.
Na caminhada em direção a 28ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) era visível a manifestação de apoio da população, que repetia as palavras de ordem e aplaudia a marcha.
Ao longo do trajeto e na frente da CRE, os educadores denunciaram a falta de professores, de funcionários e a estrutura precária das escolas. As falas de encerramento destacaram o sentimento recolhido dos manifestantes de que a disposição para a luta aumenta na mesma medida em que crescem os ataques contra os educadores e a educação.
CUT

PCdoB pede processo contra Bolsonaro por cartaz polêmico

UOL Notícias

Em Brasília

O PCdoB pediu nesta quinta-feira (28) a instauração de um processo contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por causa de um cartaz pendurado na porta de seu gabinete: "Desaparecidos do Araguaia. Quem procura [osso] é [cachorro]".O cartaz está afixado no gabinete do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) desde 2005O texto faz referência à abertura dos arquivos da ditadura e a busca dos mortos da guerrilha do Araguaia, organizada pelo PCdoB onde atualmente é o Estado do Tocantins. Bolsonaro é o único congressista a defender abertamente o período do Regime Militar (1964-1985) no Brasil.Na quarta-feira (27), a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) fez um discurso contra o cartaz no plenário. Deputados que estavam próximos dizem que ela foi provocada por Bolsonaro. Ele teria dito que haveria problema em achar os "terroristas" mortos, pois eles teriam sido enterrados em cova rasa e comidos pelos porcos. Em seguida, Bolsonaro disse sentir pena dos porcos.O que você acha de o deputado Jair Bolsonaro ironizar a busca de corpos do Araguaia?Esses terroristas foram fazer o que lá? Pescar lambari? Não, eles foram tomar o poder", disse o deputado por telefone ao UOL Notícias. Bolsonaro afirmou ainda não ter medo de ser cassado ou repreendido. "Eu tenho imunidade para que? Com certeza não é para se juntar a essa esquerda." Na sua representação, o partido comunista afirma que a conduta do deputado "ofende e desrespeita" a criação pelo governo, em 1995, de uma Comissão Especial voltada a encontrar as vítimas do embate entre os guerrilheiros e os militares. Eles se baseiam no trecho do regimento do Conselho de Ética que caracteriza como quebra de decoro parlamentar "praticar atos que infrinjam as regras de boa conduta nas dependências da Casa".
Bolsonaro é louco, deveria estar internado em alguma instituição para doentes mentais. Ele é uma ameaça a sociedade. Ele é o próprio cão raivoso

PSDB quer expulsar deputados tucanos que assinaram proposta da 2ª reeleição de Lula
Folha Online, em Brasília
O PSDB ameaça expulsar do partido os quatro deputados da legenda que assinaram a PEC (proposta de emenda constitucional) que viabiliza uma segunda reeleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), disse nesta quinta-feira que não vai aceitar a adesão de tucanos a uma proposta que classifica como "golpista".
"Quem fez isso deve deixar o partido para que não seja forçado a deixar depois", disse o senador.
Guerra afirmou, porém, que vai discutir inicialmente o caso dos tucanos com a Executiva Nacional do PSDB antes de estabelecer eventuais punições. "Eu estou decidido a não aceitar nenhuma assinatura de deputados tucanos em uma atitude golpista", afirmou.
O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE), autor da PEC, disse que quatro deputados do PSDB e 11 do DEM teriam assinado a proposta. A Mesa Diretora da Câmara ainda não divulgou os nomes dos 194 deputados que assinaram a proposta uma vez que ainda vai conferir as assinaturas de cada um.
Barreto protocolou nesta quinta-feira, na Mesa Diretora da Câmara, a PEC que permite duas reeleições continuadas para prefeitos, governadores e presidente da República. O deputado conseguiu o apoio de 194 deputados à matéria que, na prática, mantém o presidente Lula no cargo até 2012 caso o texto seja aprovado pela Casa.
Para valer a tempo de ampliar o mandato de Lula, a PEC precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado até setembro -- prazo limite para mudanças na legislação eleitoral referentes à disputa de 2010.
Depois de conferidas as assinaturas, a PEC tem que ser admitida pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e segue para discussão em uma comissão especial a ser criada na Câmara. Só depois disso é que segue para votação nos plenários da Câmara e do Senado, o que pode não ocorrer a tempo de valer para as eleições de 2010.
Apesar de Lula ter se mostrado contra um eventual terceiro mandato, o deputado disse que a iniciativa partiu da própria Câmara. "Estamos discutindo uma tese. Independente da vontade do presidente Lula, a proposta tramita. É uma tese que o parlamento precisa analisar",
Lula participa de programa nacional do PT que vai ao ar nesta quinta-feira
Vai ao ar nesta quinta-feira (28) o programa nacional do Partido dos Trabalhadores, que terá participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na TV, a transmissão começa às 20h30; no rádio, às 20h.
Com 10 minutos de duração, o programa mostrará como as políticas públicas elaboradas pelo PT fizeram o Brasil diminuir desigualdades, gerar empregos e promover desenvolvimento com distribuição de renda e inclusão social. Também irá destacar que, na contramão do neoliberalismo, o governo do PT consolidou o país como um dos mais bem preparados do mundo para a superação da crise econômica internacional.
Além de Lula, o programa terá fala de lideranças nacionais petistas, incluindo cinco ministros. Após a transmissão em rede nacional de rádio e televisão, a íntegra do programa será postada no Portal do PT.
Ocupação pacífica do Congresso dia 3"
Escrito por Leonardo Severo

CUT e FUP convocam ato "Em Defesa da Petrobrás, do Patrimônio Público e por uma nova lei do Petróleo"

Não à privatização!
Integrada à campanha "Por uma nova lei do petróleo, pela retomada do monopólio estatal e em defesa da Petrobrás pública e com compromisso social", a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) estão convocando para a próxima quarta-feira, dia 3 de junho, uma "Ocupação pacífica do Congresso Nacional", data da instalação oficial da CPI da Petrobrás.
Para o secretário geral da CUT, Quintino Severo, mais do que nunca, "neste momento é fundamental a unidade do movimento sindical e social em defesa da Petrobrás e do patrimônio público nacional", daí a importância da atuação conjunta para "ampliar a defesa do nosso petróleo e do gás contra os que querem destruir a imagem da Petrobrás, paralisar os investimentos e, com isto, diminuir o ritmo do desenvolvimento do país".
Nos últimos dias, foram feitas mobilizações unitárias vitoriosas que envolveram as Centrais Sindicais e o conjunto das entidades populares nos estados do Rio de Janeiro (21/05) e do Rio Grande do Norte (26/5). As próximas manifestações ocorrerão em Curitiba (2/6), Brasília (03/06) e Manaus (11/06).
"Como a Petrobrás responde por mais de 10% do PIB nacional e por quase 60% dos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a ação orquestrada pelo PSDB e pelo DEM representa clara sabotagem ao país, uma tentativa desesperada de paralisar os avanços sociais", declarou o secretário de Política Sindical da CUT Nacional, Vagner Freitas, reforçando o significado do dia 3 de junho.
O coordenador da FUP, João Antonio de Moraes, também condenou a irresponsabilidade demo-tucana, mas lembrou que ela faz parte da trajetória neoliberal "dos mesmos que durante oito anos tentaram sucatear e privatizar a Petrobrás, propondo, inclusive, mudar o nome da empresa para Petrobrax". Moraes lembrou que o objetivo da oposição de direita é "retardar o máximo possível a exploração do pré-Sal".
"Por trás da CPI, está também a intenção de dificultar ou impedir mudanças na legislação do setor petróleo, beneficiando o cartel multinacional com as atuais regras que permitem a continuidade dos leilões das nossas reservas de petróleo e gás, o que é um crime de lesa-Pátria", enfatizou Antonio Carlos Spis, membro da executiva nacional da CUT e líder histórico dos petroleiros.
Entre as propostas da campanha está a mudança na Lei do Petróleo, restabelecendo o monopólio estatal e o fim dos leilões; o fim da exportação do petróleo cru e investimento na indústria; fazer a mensuração da riqueza do pré-Sal com a conclusão do processo exploratório, com um inventário de onde está, qual a quantidade e quem ganhou nos leilões e a implantação de um Fundo Social Soberano de Investimento, voltado para as necessidades do povo brasileiro, como educação, saúde, trabalho, moradia e reforma agrária.
Atualizado em ( 27/05/2009 )

CORAGEM E CONVICÇÃO FAZ ELE SER DIFERENTE
Courage of conviction makes him so differentBy Zhou Zhiwei (China Daily)Updated: 2009-05-26 07:54
From a shoeshine boy with only five years' schooling to the president of Brazil, the life of Luiz Inacio Lula da Silva reads like a fairy tale.He has defied conventions and many a popular theory. For example, he won the presidential election in October 2002 in his fourth attempt, rubbishing the "either you win at the third attempt, or you quit" theory. He is the first Brazilian president who comes from the working class.A landslide victory in October 2006 saw him retain his office, and his effective governance made the Newsweek declare him the 18th most influential and powerful person in the world. In the list of 50 people, he scored over Warren Buffet, Bill Gates, Dominique Strauss-Kahn and Steve Jobbs. The Newsweek said Lula had built Brazil into one of the most economically stable emerging markets. And at the G20 Summit in London in April, Barack Obama called him one of the most popular politicians in the world.In December 2008, an opinion poll by Datafolha, a trusted Brazilian poll agency, showed 70 percent of the people rated Lula's policies as "very good" or "good". That made him the president with the highest approval rating in Brazil's history.On the political front, despite being a former radical leftist, Lula unified about 10 parties - from the left as well as the right - after being re-elected to form the largest ruling coalition in Brazil's history. His coalition strategy has focused on maintaining administrative stability and consistency in policies.Brazil's economy has grown at an annual average of 4 percent in the last six years, 1 percent higher than that of his predecessor Fernando Cardoso's eight-year rule. The growth rate in 2004 was 5.7 percent, the highest since 1994.Lula's policies have facilitated the fast and stable economic boom that has helped Brazil resume its position among the 10 largest economies in the world. The country's per capita GDP was $2,800 when he assumed power in 2002, but by last year it had crossed $7,000.His tenure has seen an improvement in all macro-economic indices of the country. Inflation has been curbed, foreign debts are at a historic low, foreign direct investment has surged, and foreign exchange reserves have jumped from $37 billion in 2002 to a staggering $200 billion last year.In the first half of 2008, credit rating institutes such as Standard & Poor's, DBRS and Fitch raised Brazil's rating to "investment grade" because its macro-economic situation had "improved fundamentally", and it had fairly optimistic medium-term prospects of economic growth.Lula has achieved a lot on the social front, too. During his campaign in 2002, he made "helping the poor have three meals a day" his biggest mission. Since assuming office, his administration has implemented a series of social projects, topped by "Fome Zero" (Zero Hunger) and "Bolsa Familia" (Family Stipend), which have achieved brilliant results.The income of the poor has grown by 22 percent in the past five years compared with 4.9 percent growth for the rich. The 1991-2001 decade saw 3.2 million jobs being created, but during Lula's first four years alone, the country offered 4.65 million new jobs. The minimum wage has surged from 200 real a month in 2003 to 465 real earlier this year, and the income gaps between men and women and among different ethnic groups have narrowed.The country's demography has changed, too, with the proportion of the middle class increasing from 42 percent in 2005 to 52 percent now. The number of the poor shrunk by 27.7 percent during Lula's first tenure, more than what Cardoso could achieve during his two tenures.Lula has tried to extend the "Fome Zero" project to other countries, too, making him a leader in the global anti-poverty movement.He has used "presidential diplomacy", "trade diplomacy", "cultural diplomacy", "generous diplomacy" and "ethanol diplomacy" to improve Brazil's foreign relations. He has presided over the diversification of foreign trade, bolstered the country's independent economic development, raised the level of Brazil's leadership in Latin America, and promoted the regional integration of the continent.By actively participating in UN reforms, the Doha round of WTO talks and other global forums, Brazil has strengthened its position on the global stage. Driven by his active diplomatic strategy, the country has enhanced its influence in the international community.Lula was lucky to inherit the basic framework of many policies from his predecessor Cardoso. But he has succeeded in his efforts because he always tries to reach his goals and honor the promises he made during his election campaigns.His political and financial farsightedness have helped Brazil weather the global financial crisis without much harm. In fact, the Organization of Economic Cooperation and Development has described Brazil as a "model country for economic stability".As a Brazilian has said, Lula "is the representative of the poor, and a president who cares for the people. His achievements (till now) are enough to make him one of the greatest presidents in Brazil's history. The Brazilian people will remember him forever."The author is a researcher with the Institute of Latin American Studies, the Chinese Academy of Social Sciences.(China Daily 05/26/2009 page9



ESTRAGOS PRODUZIDOS NA PETROBRÁS, PELO GOVERNO FHC, VISANDO DESNACIONALIZÁ-LA


1993 - Como ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso fez um corte de 52% no orçamento da Petrobrás previsto para o ano de 1994, sem nenhuma fundamentação ou justificativa técnica. Ele teria inviabilizado a empresa se não tivesse estourado o escândalo do orçamento, envolvendo vários parlamentares apelidados de “anões do orçamento”, no Congresso Nacional, assunto que desviou a atenção do País, fazendo com que se esquecessem da Petrobrás. Todavia, isto causou um atraso de cerca de 6 meses na programação da empresa, que teve de mobilizar as suas melhores equipes para rever e repriorizar os projetos integrantes daquele orçamento;
1994
- ainda como ministro da Fazenda, com a ajuda do diretor do Departamento Nacional dos Combustíveis, manipulou a estrutura de preços dos derivados do petróleo, de forma que, nos 6 últimos meses que antecederam o Plano Real, a Petrobrás teve aumentos mensais na sua parcela dos combustíveis em valores 8% abaixo da inflação. Por outro lado, o cartel internacional das distribuidoras de derivados teve aumentos de 32%, acima da inflação, nas suas parcelas.
Isto significou uma transferência anual, permanente, de cerca de US$ 3 bilhões do faturamento da Petrobrás, para o cartel dessas distribuidoras.
A forma de fazer isto foi através dos 2 aumentos mensais que eram concedidos aos derivados, pelo fato de a Petrobrás comprar o petróleo em dólares, no exterior, e vender no mercado em moeda nacional. Havia uma inflação alta e uma desvalorização diária da nossa moeda. Os dois aumentos repunham parte das perdas que a Petrobrás sofria devido a essa desvalorização.
Mais incrível: a Petrobrás vendia os derivados para o cartel e este, além de pagá-la só 30 a 50 dias depois, ainda aplicava esses valores e o valor dos tributos retidos para posterior repasse ao tesouro no mercado financeiro, obtendo daí vultosos ganhos financeiros em face da inflação galopante então presente. Quando o plano Real começou a ser implantado com o objetivo de acabar com a inflação, o cartel reivindicou uma parcela maior nos aumentos porque iria perder aquele duplo e absurdo lucro.
1995
- Em fevereiro, já como presidente, FHC proibiu a ida de funcionários de estatais ao Congresso Nacional para prestar informações aos parlamentares e ajudá-los a exercer seus mandatos com respaldo de informações corretas. Assim, os parlamentares ficaram reféns das manipulações da imprensa comprometida. As informações dadas aos parlamentares no governo de Itamar Franco, como dito acima, haviam impedido a revisão com um claro viés neoliberal da Constituição Federal.
Emitiu um decreto, 1403/95 que instituía um órgão de inteligência, o SIAL, Serviço de Informação e apoio Legislativo, com o objetivo de espionar os funcionários de estatais que fossem a Brasília falar com parlamentares. Se descobertos, seriam demitidos.
Assim, tendo tempo para me aposentar, solicitei a aposentadoria e fui para Brasília por conta da Associação. Tendo recursos bem menores que a Petrobrás (que, no governo Itamar Franco enviava 15 empregados semanalmente ao Congresso), eu só podia levar mais um aposentado para ajudar no contato com os parlamentares. Um dos nossos dirigentes, Argemiro Pertence, mudou-se para Brasília, às suas expensas, para ajudar nesse trabalho;
Também em 1995, FHC deflagrou o contrato e a construção do Gasoduto Bolívia-Brasil, que foi o pior contrato que a Petrobrás assinou em sua história. FHC, como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, funcionou como lobista em favor do gasoduto. Como presidente, suspendeu 15 projetos de hidrelétricas em diversas fases, para tornar o gasoduto irreversível. Este fato, mais tarde, acarretaria o “apagão” no setor elétrico brasileiro.
As empresas estrangeiras, comandadas pela Enron e Repsol, donas das reservas de gás naquele país só tinham como mercado o Brasil. Mas a construção do gasoduto era economicamente inviável. A taxa de retorno era de 10% ao ano, enquanto o custo financeiro era de 12% ao ano. Por isto pressionaram o Governo a determinar que Petrobrás assumisse a construção. A empresa foi obrigada a destinar recursos da Bacia de Campos, onde a Taxa de Retorno era de 80%, para investir nesse empreendimento. O contrato foi ruim para o Brasil pelas seguintes razões: mudança da matriz energética para pior, mais suja; ficar dependente de insumo externo dominado por corporações internacionais, com o preço atrelado ao do petróleo e valorada em moeda forte; foi ruim para a Bolívia que só recebia 18% pela entrega de uma de suas últimas riquezas, a mais significativa. Evo Morales elevou essa participação para 80% (a média mundial de participação dos países exportadores é de 84%) e todas as empresas aceitaram de bom grado. E foi péssimo para a Petrobrás que, além de tudo, foi obrigada a assinar uma cláusula de “Take or Pay”, ou seja, comprando ou não a quantidade contratada, ela pagaria por ela. Assim, por mais de 10 anos, pagou por cerca de 10 milhões de metros cúbicos sem conseguir vender o gás no mercado nacional.
Em 1995, o governo, faltando com o compromisso assinado com a categoria, levou os petroleiros à greve, com o firme propósito de fragilizar o sindicalismo brasileiro e a sua resistência às privatizações que pretendia fazer. Havia sido assinado um acordo de aumento de salário de 13%, que foi cancelado sob a alegação de que o presidente da Petrobrás não o havia assinado. Mas o acordo foi assinado pelo então Ministro das Minas e Energia, Delcídio Amaral, pelo representante do presidente da Petrobrás e pelo Ministro da Fazenda, Ciro Gomes.
Além disto, o acordo foi assinado a partir de uma proposta apresentada pelo presidente da Petrobrás. Enfim, foi deflagrada a greve, após muita provocação, inclusive do Ministro do TST, Almir Pazzianoto, que disse que os petroleiros estavam sendo feitos de palhaços. FHC reprimiu a greve fortemente, com tropas do exercito nas refinarias, para acirrar os ânimos. Mas deixou as distribuidoras multinacionais de gás e combustíveis sonegarem os produtos, pondo a culpa da escassez deles nos petroleiros. No fim, elas levaram 28% de aumento, enquanto os petroleiros perderam até o aumento de 13% já pactuado e assinado.
No balanço final da greve, que durou mais de 30 dias, o TST estabeleceu uma multa pesada que inviabilizou a continuação da luta dos sindicatos. Por ser o segundo maior e mais forte sindicato de trabalhadores brasileiros, esse desfecho arrasador inibiu todos os demais sindicatos do país a lutar por seus direitos. E muito menos por qualquer causa em defesa da Soberania Nacional. Era a estratégia de Fernando Henrique para obter caminho livre e sangrar gravemente o patrimônio brasileiro.
1995
O mesmo Fernando Henrique comandou o processo de mudança constitucional para efetivar cinco alterações profundas na Constituição Federal de 1988, na sua Ordem Econômica, incluindo a quebra do monopólio Estatal do Petróleo, através de pressões, liberação de emendas dos parlamentares, barganhas e chantagens com os parlamentares (o começo do “mensalão” – compra de votos de parlamentares com dinheiro desviado do erário público). Manteve o presidente da Petrobrás, Joel Rennó que, no governo Itamar Franco, chegou a fazer carta ao Congresso Nacional defendendo a manutenção do monopólio estatal do petróleo, mas que, no governo FHC, passou a defensor empedernido da sua quebra.
1996 -
Fernando Henrique enviou o Projeto de Lei que, sob as mesmas manobras já citadas, se transformou na Lei 9478/97. Esta Lei contem artigos conflitantes entre si e com a Constituição Brasileira. Os artigos 3º, 4º e 21, seguindo a Constituição, estabelecem que as jazidas de petróleo e o produto da sua lavra, em todo o território Nacional (parte terrestre e marítima, incluído o mar territorial de 200 milhas e a zona economicamente exclusiva) pertencem à União Federal. Ocorre que, pelo seu artigo 26 -- fruto da atuação do lobby sobre uma brecha deixada pelo Projeto de Lei de FHC -- efetivou a quebra do Monopólio, ferindo os artigos acima citados, além do artigo 177 da Constituição Federal que, embora alterada, manteve o monopólio da União sobre o petróleo. Esse artigo 26 confere a propriedade do petróleo a quem o produzir. Tentamos corrigir esse absurdo através de uma Ação de Inconstitucionalidade (ADI) assinada pelo Governador do Paraná, Roberto Requião em 2003 (ver pagina 15).
E insisto em dizer que é fundamental que a propriedade seja da União, portanto do povo brasileiro, impondo ao governo estratégias que confiram maior proveito da exportação petrolífera — através de contrapartidas necessárias — além do controle da produção que privilegie, inteligentemente, os interesses do país.
1997
– Fernando Henrique criou a Agência Nacional do Petróleo e nomeou o genro, David Zylberstajn, que havia se notabilizado como Secretário de Minas e Energia do Estado de São Paulo desnacionalizando várias empresas de energia por preços irrisórios, inclusive a Eletropaulo, vendida para a empresa americana AES que, para essa compra, lançou mão de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES e não pagou. Cabe salientar que, dos recursos do BNDES, 50% são originários do FAT - Fundo de Amparo ao Trabalhador e foram emprestados a empresas estrangeiras para comprar empresas nacionais, que demitiram, em média, 30% dos trabalhadores. Ou seja, o Fundo de Amparo aos trabalhadores foi usado para desempregar os trabalhadores.
Zylberstajn, no ato de sua posse, com o auditório cheio de empresas estrangeiras ou de seus representantes bradou: “O petróleo agora é vosso”. Empossado, iniciou os leilões de áreas, já com alguma pesquisa já feita pela Petrobrás, com tal avidez entreguista que os blocos licitados tinham áreas 220 vezes maiores do que a dos blocos licitados no Golfo do México;
Zylberstajn, inicialmente, mandou que a Petrobrás escolhesse 10% das áreas sedimentares, de possível ocorrência de hidrocarbonetos, nas 29 províncias onde ela já havia pesquisado, para continuar explorando por mais 3 anos, quando, se não achasse petróleo, teria que devolvê-las à ANP. Depois de 6 meses de exaustivos estudos, a Petrobrás escolheu as áreas que queria. Surpreendentemente, Zylberstajn, aproveitando que a atenção do país estava voltada para a Copa do Mundo de futebol, em realização na França, retomou 30% dessas áreas que a Petrobrás havia escolhido, sob rigorosos critérios técnicos, pelos seus especialistas. Assim, a Petrobrás passou a ter direito de explorar apenas 7% do total das rochas sedimentares brasileiras. Esse prazo de 3 anos se mostrou inviável e foi estendido para 5 anos. Nós publicamos informativos mostrando que as multinacionais tinham 8 anos de prazo contra os 3 da Petrobrás.
1998, a Petrobrás é impedida pelo governo FHC de obter empréstimos no exterior para tocar seus projetos — a juros de 6% a/a —, e de emitir debêntures que visavam à obtenção de recursos para os seus investimentos;
Cria o REPETRO, através do decreto 3161/98, que libera as empresas estrangeiras do pagamento de impostos pelos seus produtos importados. Mas sem, contudo, dar a contrapartida às empresas nacionais. Isto, somado à abertura do mercado nacional iniciada por Fernando Collor, liquidou as 5.000 empresas fornecedoras de equipamentos para a Petrobrás, gerando desemprego e perda de tecnologias brutais para o País. Essas empresas haviam sido criadas através do repasse de tecnologia que a Petrobrás gerava ou absorvia. A presença do fornecedor nacional facilitava em muito a operação da empresa.
Ainda em
1998, seis empresas multinacionais (duas delas comandaram a privatização da YPF Argentina – Merryl Linch e Gaffney Cline) passaram a ocupar o 12º andar do prédio da Petrobrás (Edise) para examinar minuciosamente todos os dados da Companhia, sob o argumento de que se tratava de uma avaliação dos dados técnicos e econômicos necessários à venda de ações da Empresa, em poder do governo. Durante dois anos, essas empresas receberam todas as informações que quiseram dos gerentes da Petrobrás, inclusive as mais confidenciais e estratégicas, de todas as áreas. Reviraram as entranhas da Companhia, de uma forma jamais realizada em qualquer empresa que aliene suas ações.
1999 – Muda-se o estatuto da Petrobrás com três finalidades:


1) permitir que estrangeiros possam ser presidentes da empresa (Philipe Reichstul);

2) permitir a venda de ações para estrangeiros e
3) retirar os diretores da empresa do Conselho de Administração, colocando em seu lugar representantes do sistema Financeiro Internacional, como Jorge Gerdau Johannpeter (comandante do lobby para a quebra do Monopólio), Roberto Heiss, Paulo Haddad e outros;
Reichstul inicia o mandato cancelando atabalhoadamente (propositalmente?) o contrato da empresa Marítima -- de fornecimento de 6 plataformas para perfuração exploratória -- um mês antes dela incorrer numa grave inadimplência. O cancelamento salvou a Marítima de pesadas multas e ainda deu a ela argumentos para processar a Petrobrás, pedindo R$ 2 bilhões de indenização pelo incrível cancelamento. Ganhou em primeira instância;
Reichstul viaja aos EUA com o ex-jogador Pelé e, juntos, fazem propaganda do lançamento e venda de ações da Petrobrás em Wall Street; o Governo vende, então, 20% do capital total da Petrobrás, que estavam em seu poder. Posteriormente, mais 16% foram vendidos pelo irrisório valor total de US$ 5 bilhões. Como a “Ação Direta de Inconstitucionalidade” da AEPET, contra o artigo 26, já mencionado, assinada pelo governador Roberto Requião (Paraná) foi derrubada, e a Petrobrás é dona das reservas, em detrimento da União, esses acionistas incorporaram ao seu patrimônio um acervo de 10 bilhões de barris - 36% de 30 bilhões de barris nas mãos da Petrobrás (incluindo 16 bilhões do pré-sal, já cubados) – os quais, pela Constituição pertencem à União. Como, agora, estamos no limiar do pico de produção mundial, o barril de petróleo, em queda temporária, vai ultrapassar os US$ 100, esse patrimônio transferido, gratuitamente, valerá mais de US$ 1 trilhão. Considerando que já existiam no mercado cerca de 20% das ações em mãos de testas de ferro, o governo, hoje, detém 54% das ações com direito a voto, mas apenas 40% do capital total da Petrobrás (antes das mudanças o governo detinha 87% do capital total da Companhia).
O poder dos novos e felizardos acionistas de Wall Street os levam a exigir da Petrobrás a quitação dos débitos que a Companhia tem com o Fundo de Pensão (Petros), de preferência pelo menor preço possível. Reichstul usa R$ 8 bilhões em títulos de longuíssimo prazo do governo (NTN tipo B, recebidos na privatização das subsidiárias da Companhia – prazos de 23 e 32 anos) e quita a dívida, financeiramente, mas não atuarialmente, pelo valor de face dos títulos. A Petrobrás contabiliza a saída dos títulos por R$ 1,8 bilhão e o Fundo de Pensão os recebe por R$ 8 bilhões;
Reichstul dobra o salário dos gerentes da Petrobrás, amplia o número deles e lhes dá poderes ilimitados para contratar empresas e pessoas. Ganha com isto o apoio para fazer todos as falcatruas que planejava. Desmonta a competente equipe de planejamento da Petrobrás e contrata, sem concorrência, a Arthur De Little, empresa americana, presidida pelo seu amigo Paulo Absten para comandar o planejamento estratégico da Companhia. Isto resulta numa série de desastres consecutivos. Entre eles, a compra de ativos obsoletos na Argentina, na Bolívia e em outros países. Os gerentes – cooptados -- se fartam de contratar empresas e pessoas, sem controle. A terceirização atinge o estrondoso absurdo de 120.000 contratados, com nepotismo e corrupção, enquanto os empregados efetivos caem de 60.000 para cerca de 30.000, seguindo a estratégia aplicada na Argentina, de enxugar para desnacionalizar. Abre-se acesso às entranhas da empresa para pessoas alocadas por empreiteiras e concorrentes estrangeiras.
Reichstul tenta mudar o nome da empresa para Petrobrax para facilitar a pronúncia dos futuros compradores estrangeiros. Causa uma reação de indignação nacional e recua. Mas segue a sua meta desnacionalizante e divide a empresa em 40 unidades de negócio, seguindo a proposta do Credit Suisse First Boston, apresentada ao Governo Collor, para a desnacionalização da Companhia. Pulveriza as equipes técnicas, desmantelando a tecnologia da empresa e preparando para, através do artigo 64 da Lei 9478/97, transformar cada unidade de negócio em subsidiaria e privatizá-las, como iniciou fazendo com a Refinaria do Rio Grande do Sul, a Refap.
Essa privatização foi feita através de uma troca de ativos com a Repsol Argentina (pertencente ao Banco Santander, braço do Royal Scotland Bank Co), onde a Petrobrás deu ativos no valor de US$ 500 bilhões, -- que avaliamos em 2 bilhões -- e recebeu ativos no valor de 500 milhões, os quais, dois dias depois, com a crise da Argentina passaram a valer US$ 170 milhões.
A avaliação dos ativos foi feita pelo banco Morgan Stanley, do qual Francisco Gros era diretor, acumulando, desde o inicio da gestão Reichstul, o cargo de membro do Conselho de Administração da Petrobrás. Gros, segundo sua biografia publicada pela Fundação Getulio Vargas, veio para o Brasil, como diretor do Morgan Stanley para assessorar as multinacionais no processo de privatização. Através de sindicalistas do Rio Grande do Sul entramos com uma ação judicial na qual ganhamos a liminar, cassada, mas que interrompeu esse processo de desnacionalização.
A gestão Reichstul levou a empresa a um nível de acidentes sem precedentes na sua história: 62 acidentes graves — em dois anos — contra a série histórica de 17 acidentes em 23 anos (1975 a 1998), segundo relatório publicado pelo Conselho Regional de Engenharia do Estado do Paraná Nós pedimos investigação de sabotagem aos vários órgãos de segurança: Polícia Federal, Marinha, Procuradoria Federal. Não investigaram, mas os acidentes cessaram.
2001, Reichstul, Desgastado, dá lugar a Francisco Gros que, ao assumir a presidência da Petrobrás, num discurso em Houston, EUA, declara que, na sua gestão, “a Petrobrás passará de estatal para empresa privada, totalmente desnacionalizada”; compra 51% da Pecom Argentina, por US$ 1,1 bilhão, embora a dita empresa tenha declarado, publicamente, um déficit de US$ 1,5 bilhão; cria um sistema para mascarar acidentes nos quais os acidentados não os possam reportar; tenta implantar um plano de Benefício Definido no Fundo de pensão – Petros.
Faz, ainda, um contrato de construção de duas plataformas com a Halliburton, com uma negociação obscura, sem concorrentes, que resulta, além de um emprego maciço de mão-de-obra estrangeira, em dois atrasos superiores a um ano e meio. Estes atrasos fizeram com que, pela primeira vez na história da empresa, houvesse uma queda de produção, fato ocorrido em novembro de 2004. Apesar desses atrasos, a Halliburton não pagou multa e ainda ganhou cerca de US$ 500 milhões de adicionais da Petrobrás, em tribunal americano;
Com a eleição de Lula para a presidência da república, antes da sua posse, houve uma renegociação em massa dos contratos de serviço em andamento, com novos prazos, superiores a 4 anos, de forma a criar uma blindagem ao novo governo, impedindo as reanálises, renegociações ou revogações dos contratos feitos sem concorrência, incluindo empresas ligadas aos amigos de alguns gerentes do governo FHC;
CONTINUIDADE NO GOVERNO LULA
Em 2003, o Presidente Lula substitui parte dos diretores da Petrobrás, mas mantém todo o segundo escalão da administração anterior. Este grupo, formando o “Comitê de Negócios”, continua ditando as regras e impedindo as modificações necessárias para restaurar a Empresa.
Durante o governo de transição FHC - Lula, estivemos com a então futura Ministra Dilma Roussef, que nos perguntou sobre como acabar com o 5º leilão de áreas petrolíferas. Respondemos que não havia como interrompê-lo, dado o estágio avançado do leilão. Sugerimos que ela envidasse esforços na eliminação dos leilões seguintes e ela respondeu que isto era ponto pacífico no governo Lula. Um mês depois, emitiu uma resolução em nome do Conselho Nacional de Política Energética, a de número 8, mandando prosseguir com as licitações usando argumentos infundados. Era a plástica ideológica para se viabilizar, perante o “mercado”, como candidata a presidente do Brasil. A plástica facial veio depois, em 2008, para agradar, melhorando a imagem, e conquistar os eleitores.
O Governo prossegue intervindo na questão petróleo e ordena que a Petrobrás devolva à ANP parte do Bloco BC-60 onde a Companhia havia encontrado 2 bilhões de barris de petróleo e que - pela Lei - deveria continuar com ela. Veio o 6º leilão e a Petrobrás perdeu esta área para a Empresa americana DEVON, devido a um artifício do edital propositalmente subjetivo elaborado pela ANP. Era dado um peso de 40% no conteúdo de compras no mercado nacional como critério de avaliação do leilão. Alertamos a ANP que uma empresa sem escrúpulos poderia superestimar esse conteúdo. A ANP prosseguiu o leilão e a DEVON, devido a artifício do Edital propositadamente introduzido pela ANP, ganhou, pagando menos do que a Petrobrás ofertou, porque propôs comprar 80% no mercado nacional. Esse percentual era inviável. AEPET ingressou na Justiça.
Na questão previdenciária, por determinação do sistema financeiro internacional (SFI), o governo ordena à Petrobrás a implantação de um plano tipo Contribuição Definida (CD), em lugar do plano de Benefício Definido (BD) em vigor na fundação de previdência privada de seus empregados (Petros). A Petrobrás garantia o plano BD. O SFI, que já adquirira 40% das ações da Petrobrás, não queria e nem quer correr qualquer risco, nem ter compromisso algum com os empregados. Outro fato relevante é que o plano CD jogaria os recursos arrecadados na ciranda financeira, e, com isto, as empresas seguradoras americanas captariam recursos nacionais para cobrir o rombo de mais US$ 300 bilhões dos fundos do tipo CD americanos. (Fontes: Le Monde e New York Times)
2003, ponto positivo: o novo diretor de Exploração e Produção (E&P) faz um esforço exploratório para perfurar as áreas que seriam devolvidas à ANP, em agosto de 2003. O diretor anterior vinha postergando essas providências para, propositalmente, entregar as áreas para leilão. De janeiro a agosto, o E&P descobre 5,6 bilhões de barris (50% da reserva do País) e impede a devolução dessas áreas para leilão. O esforço também ajudou à descoberta, em 2007, do campo de Tupi e o pré-sal.
AÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE –ADI
Quando, em 1997 foi aprovada a Lei 9478/97, consultamos vários constitucionalistas sobre a inconstitucionalidade do seu artigo 26 que dava a propriedade do petróleo a quem produzisse, enquanto a Constituição Federal dizia que ele era monopólio da União. Mas esses mesmos juristas diziam que esperássemos um momento mais oportuno, porque o presidente Fernando Henrique contava com o voto favorável de 8 dos 11 ministros do Supremo tribunal Federal.
Em 2003, tendo o Governo Lula mudado 4 dos 11 ministros do STF, a AEPET entrou com a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) do referido artigo 26, através do governador Roberto Requião. Esperava-se que o governo, agora, aproveitasse o pretexto para rever os estragos de FHC. Ledo engano. Tendo sido acolhida a ADI pelo Ministro Ayres de Britto, que inclusive concedeu provimento a uma ação cautelar que suspendia o 6º leilão de áreas petrolíferas, fomos surpreendidos com o mandato de segurança do governo, através da Advocacia Geral da União, que derrubou na calada da noite, através de ato monocrático do presidente do STF, Nelson Jobim, a cautelar concedida pelo ministro Ayres de Britto;
Obtivemos um voto magistral do Relator, ministro Ayres de Brito e, em seguida, do Ministro Marco Aurélio Mello, favoráveis à ADI. A partir daí, entrou em campo o mesmo lobby que “convencera” o Congresso Nacional a quebrar o Monopólio Estatal, agora para “convencer” os Ministros do Supremo Tribunal Federal a derrubar a ADI. Assim, tivemos 7 votos lamentáveis, pela sua mediocridade, contrários ao interesse e à Soberania Nacional. Os sete votos contrários foram fraquíssimos em termos de fundamentação. O próprio presidente do STF, Ministro Nelson Jobim, desmoralizou 5 desses sete votos contrários à ADI, por estarem baseados em premissas falsas.
Desses, o voto menos pior foi o do Ministro Sepúlveda Pertence que declarou: “quando jovem, pixei muros pelo petróleo é nosso. Agora, o legislador mudou de idéia¨. Se o Ministro tivesse lido os artigos 3º, 4º e 21 da própria Lei, veria que o legislador não mudou de idéia, mas o lobby é que mudou as idéias do legislador, só no artigo 26, e também as dos ministros do STF.
Outro fato lamentável foi o posicionamento do Advogado Geral da União, seguindo orientação do Governo. Para defender a derrubada da ADI, o advogado argumentou que as empresas estrangeiras haviam investido muito e se ela fosse aceita o risco Brasil aumentaria. Ou seja, ele votou a favor do “Mercado” e contra o interesse nacional, contrariando a Constituição Federal que defende o interesse coletivo em detrimento do individual. Posicionamento similar teve o Procurador Geral da República, que tinha obrigação de ser mais independente.
Na sequência dos episódios, o governo nomeia o ex-deputado Haroldo Lima, filiado ao PCdoB, para a direção da ANP. Tradicional defensor da soberania nacional e do monopólio estatal do Petróleo, Haroldo, em um mês, dá uma guinada de 180º e passa a lobista das transnacionais, defendendo os leilões das áreas petrolíferas com argumentos falaciosos.
Em 2006, o governo manda a Petrobrás fazer parceria no Campo de Mexilhão (o maior e melhor campo de gás já descoberto) com a Repsol – a mesma que deu um rombo de US$ 2 bilhões na Petrobrás com a troca de ativos em 2001, cumprindo determinação de dividir a empresa em unidades de negocio para viabilizar a sua privatização. Questionamos severamente o Diretor de Exploração e Produção sobre esta entrega. Alegava ele, entre outros argumentos, que a Repsol tinha experiência em comercialização de gás. Como sabemos que esse diretor é um nacionalista, ficou-nos evidente que a pressão dos lobbies era e é muito forte. Chegamos a ponderar com ele: “sendo o gás natural, sob novas tecnologias, conversível em diesel da melhor qualidade, as empresas transnacionais consideram o gás o combustível do século XXI. Portanto, é uma insanidade essa doação para a Repsol”. Os argumentos do diretor foram pífios e o repreendemos fortemente. Mais tarde, Mexilhão teve reduzidas suas perspectivas e acabou ficando só com a Petrobrás. Mais uma vez, a Repsol, braço do capital Anglo-saxão, fez suas investidas na América Latina. Quase teve sucesso, mais uma vez.
Fonte: Fernando Siqueira, presidente da AEPET.