04 abril 2009

DEUS NOS LIVRE DO MALÉFICO!
Até as pedras da rua e os peixinhos no mar sabem que o presidente dos EUA, Barack Obama, teceu vários elogios ao presidente Lula. "Ele (Lula) é o cara, adoro esse cara". E acrescentou: "Ele é o político mais popular da Terra". A mídia de todo o mundo publicou, jornais e revistas deram destaque para a notícia. Todas as redes de TV noticiaram, vários jornalista e analista políticos nacionais e internacionais comentaram. Todos os blogs de política, até os da oposição, noticiaram e comentaram. Mas ele, o eterno candidato, um dos piores governadores de SP, o Serra, disse que "não viu, não. não sabe, não leu", conforme texto da Folha de São Paulo de hoje, 4/4. Uma demonstração de pura inveja, de ignorancia, pois ele sabe que jamais terá elogios assim por parte de governantes de outras nações. Serra é sem noção, está demonstrando que não se interessou pelo grande acontecimento que foi a reunião do G20. Um encontro de lideres de 2/3 da humanidade para firmar acordos para ajudar o mundo a combater a crise econômica mundial. Em especial, estava lá o Brasil, representado por Lula. Ele está dizendo que isso não interessa a ele, que ele não tem intenção de que a crise não atinja o Brasil, para ele tem que atingir e muito, porque só assim ele teria uma remota chance de se eleger presidente em 2010, dizendo que Lula fracassou no combate à crise. Serra é um néscio, para ele não interessa quantos serão desempregados, quanto serão prejudicados economicamente, quantos irão a falência, quantos passam e passarão fome, a menos que os presidentes das várias Nações que compõem o G20, em especial os EUA e o presidente Lula, firmem acordos e parcerias para encontrar uma saída para a crise econômica mundial. Para ele, Serra, e para o PSDB, só interessa o poder, o poder de afundar o país, como fez FHC. Esse néscio sonha em ser presidente do Brasil, Deus nos livre do maléfico!
Jussara Seixas

Oposição planeja portal de fiscalização da gestão Lula
PSDB, DEM e PPS preparam uma “ofensiva” contra o governo. Planejam usar munição tradicional e armamento tecnológico.

Programam a abertura de um portal oposicionista na web. A idéia é que funcione como uma plataforma virtual de fiscalização da gestão Lula.
Blog do Josias de Souza

Essaé a idéia genial da oposição. Vão dar um tiro no pé de novo. Eles estã perdidos, sem rumo, sem discurso, sem projetos, sem ter o que apresentar de bom ao país. Como diz o Oni, "bobo custa a criar , mas quando cria .........da gosto"!

Obama elogia Lula, FHC esperneia, Chico Caruso capta
Em quatro dias Bovespa dispara 9% e dólar perde mais de 5%
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) subiu 1,5% nesta sexta-feira, aos 44.390,98 pontos, completando o quarto dia consecutivo de valorização. Em quatro dias, o mercado de ações acumulou alta de 9,19%. No ano, a valorização é de 18,22%.O dólar comercial caiu em quatro dias mais de 5,4%, fechando esta sexta em R$ 2,206.

HOMENAGEM A DILMA ROUSSEFF A MINISTRA QUE ESTÁ AJUDANDO LULA A MUDAR O BRASIL PARA MUITO MELHOR

Entrevista coletiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a jornalistas brasileiros e estrangeiros na Embaixada do Brasil em Londres
Londres-Inglaterra, 02 de abril de 2009
Presidente: Primeiro, dizer para vocês que nós tivemos hoje um momento muito importante na história do mundo. Eu, que estou há seis anos participando de reuniões de chefes de Estado, e que há muito tempo vínhamos tentando construir alguma coisa que pudesse significar uma maior harmonia e um maior entendimento entre os países, disse ao meu companheiro Guido Mantega que, na verdade, é quem trabalhou muito mais tempo, articulando o documento final, que hoje aconteceram coisas que eu considero importantes para a história dos países e para o futuro da humanidade, se a gente não se apequenar a partir desse documento.
Foi a primeira reunião de que eu participei em que os chamados “países desenvolvidos” estavam em igualdade de condições com os países em desenvolvimento. Foi a primeira reunião de que eu participei em que não tinha ninguém sabendo de tudo, como se nós não soubéssemos de nada.
E isso se deve ao fato de que a crise é muito grande. Os países que são causadores da crise ainda não têm noção do tamanho dessa crise, porque ainda não mediram a totalidade dos prejuízos que essa crise pode dar em cada país, e também porque as pessoas estão muito sem saber o que fazer. Ninguém tem a certeza absoluta que tinha há dez anos.
Vocês estão lembrados que quando nós tivemos a crise russa, a crise asiática, a crise mexicana, o FMI chegava no Brasil achando que sabia o que todo mundo tinha que fazer. Agora, ninguém sabe. A única coisa que nós sabemos é que houve uma irresponsabilidade, e isso com concordância total do sistema financeiro internacional. O mercado não tinha a competência que as pessoas pensavam que tinha para cuidar com responsabilidade do fluxo de capitais no mundo. E todo mundo se convenceu, então, de que é preciso que haja uma regulação do sistema financeiro mundial, para que ele esteja mais voltado ao setor produtivo e menos ao setor especulativo.
Também todo mundo se colocou de acordo que não é possível a co-existência de um mundo moral e ético, um mundo desenvolvimentista, um mundo produtivo com os paraísos fiscais que, no fundo, no fundo, é por onde se lava o dinheiro do narcotráfico e do crime organizado. Ao mesmo tempo, todo mundo compreendeu que a Rodada de Doha é um sinal muito forte para que a gente possa começar a minorar os efeitos da crise, na medida em que façamos acordos que permitam o não-protecionismo dos produtos agrícolas na Europa e o fim do subsídio nos Estados Unidos. Uma coisa que eu venho tentando há quatro anos, aconteceu hoje: passar a discussão da Rodada de Doha para os líderes políticos, e não mais para os técnicos. Até porque os técnicos trabalharam de forma incansável nesses últimos anos, e chegou ao final do ano passado, fracassou porque você tinha eleições nos Estados Unidos e porque você tem eleições agora na Índia, não houve possibilidade de acordo. Ao mesmo tempo, se chegou à conclusão de que o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e outros órgãos, outras instituições financeiras multilaterais precisam ter mais recursos para socorrer os países mais necessitados e os países mais pobres. O que é extremamente importante para o momento histórico que nós estamos vivendo é que é a primeira reunião de que eu participo em que – e eu fiz questão de dizer isso duas vezes, ontem e hoje – que é a primeira reunião que nós fazemos em que a única coisa que eu peço para os países ricos é que eles recuperem as suas economias. A coisa mais importante, eu disse ontem no jantar e disse hoje: para mim, já seria suficiente se os Estados Unidos recuperassem a sua economia, se a Alemanha recuperasse, se o Reino Unido recuperasse. Porque aí, na medida em que eles recuperam a sua economia, eles vão ajudar para que o fluxo na balança comercial volte a crescer e é tudo o que nós queremos.
Nós não estamos precisando de dinheiro emprestado, não estamos precisando de alavancagem, de nada. Nós temos apenas 1,5% de déficit fiscal, nós temos 36% de dívida pública, nós temos investimentos, entre o PAC, entre o programa habitacional e entre a ajuda à agricultura familiar com o Mais Alimentos, nós temos mais de US$ 350 bilhões previstos em investimentos, até 2012. Portanto, a única coisa que nós queremos é a seguinte: criar as condições para que o fluxo da balança comercial volte a funcionar corretamente, para que os chineses voltem a vender e a comprar, para que os Estados Unidos voltem a vender e a comprar, para que o Reino Unido volte a vender e a comprar. Se isso for normalizado, nós já teremos muito, muito, muito da crise resolvida, e o problema mais sério, que é a questão de crédito. Daí, sim, a importância de se aportar mais recursos, porque o dinheiro desapareceu. Antes, você conversava com qualquer especialista em economia, ele dizia: “Tem US$ 5 trilhões voando entre os oceanos, tem não sei quanto...” Desapareceu. Ou seja, o crédito desapareceu no mundo.
Então, eu penso que essa reunião tem um sinal extremamente positivo. Se nós vamos ter competência de fazer com que os princípios determinados nessa reunião se transformem em políticas ativas a partir de amanhã, de depois de amanhã, porque sempre leva um tempo para maturar, é uma outra questão. As decisões foram tomadas, as discussões foram feitas, e vocês sabem que as discussões foram calorosas, houve momentos de tensão na reunião. Mas foi a primeira vez também que eu senti, no conjunto de líderes dos países mais importantes do mundo, todos humildemente querendo encontrar uma solução, ninguém queria acusar ninguém, ninguém queria fazer uma profissão de fé ideológica.
O que todo mundo estava percebendo era que nós estávamos em um barco, esse barco está vazando água e se a gente não cuidar de tirar a água e arrumar o casco, o barco afunda e é prejudicial para todo mundo.
Eu fiz questão de pedir que nas próximas reuniões cada um se apresente colocando a realidade do seu país. É importante que a gente saiba o que está sendo feito em cada país, qual é a dívida pública de cada país, qual é o déficit fiscal de cada país, qual é o investimento público que o Estado está fazendo em cada país, qual é a quantidade de geração de emprego em cada país, qual é o índice de desemprego em cada país, porque aí a gente vai ter uma noção exata de quem está fazendo a lição de casa, quem não está fazendo a lição de casa, quem está fazendo as coisas corretas, não está fazendo as coisas corretas.
De forma que eu quero terminar dizendo para vocês que eu já participei de muitas reuniões. Não foram poucas as que eu participei nesses seis anos de mandato. E essa foi a reunião da qual eu saí mais gratificado pela compreensão das lideranças políticas de cada país de que o momento é de prudência e ao mesmo tempo de ousadia política. Ou seja, nós temos que fazer as coisas importantes que precisam ser feitas no mundo, nós temos que cuidar melhor da economia, o mercado não é o senhor da razão, o mercado é um componente da política de um país e não o fator decisivo, que ele pode tudo. Porque na hora em que aperta, o que sobra? O Estado como indutor. O Estado como salvador. Eu acho que essa compreensão todo mundo tem. Todos que participaram falaram a mesma linguagem e eu acho que isso foi extremamente importante.
Se o governador do Rio de Janeiro quiser nos fazer companhia, alguém arruma uma cadeirinha para ele sentar aqui, já que ele veio aqui para conquistar a Olimpíada para o Brasil e eu acho que é um passo extremamente importante. Depois... A Olimpíada para o Brasil, em 2016, em que o Ronaldão vai jogar na seleção, nas Olimpíadas, naquela escala de jogadores com mais de 23 anos. Marcou um gol ontem. Você viu? Já é artilheiro do Corinthians.
Jornalista: (incompreensível)
Presidente: Ele está bem. Ele está bem.
Serginho, vem para cá, querido.
Bem, eu agora abro a palavra ao companheiro Guido. É o cara que tem mais expertise com essa coisa do G-20, porque o G-20, antes de ser dos políticos era dos ministros da Fazenda, então eu acho que estamos aí à disposição de vocês para as perguntas.
Deixa o Guido dar uma palavrinha.
Jornalista: (incompreensível)
Presidente: Posso sair e o Guido fica aqui.
Jornalista: Presidente, alguns jornalistas aqui, britânicos, comparam o senhor como uma espécie de líder dos emergentes nessa reunião do G-20. E disseram isso, principalmente, pela maneira dura com que o senhor se referiu aos países desenvolvidos na questão da crise ser criada por brancos de olhos azuis e tal.
Eu queria saber do senhor se, entre os países, o senhor sentiu que houve essa posição de liderança do Brasil, e uma curiosidade: eu queria saber o que senhor achou, o que o senhor respondeu ao presidente Obama quando ele disse a frase, apontando para o senhor: “Ele é o cara. É o político mais popular do mundo.”
Presidente: Primeiro, dizer para vocês que essa questão de liderança internacional é apenas uma bobagem teórica. Nenhum país passa o bastão para o outro ser líder dele, todos querem ser líder, esse é o dado concreto. Até porque liderança, você só é se você tiver liderados.
Eu, quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos era líder, porque os metalúrgicos me escolhiam como líder. Eu, no Brasil, sou líder porque o povo me escolheu para ser o Presidente da República. Mas não existe a possibilidade de ser líder na América do Sul, no Mercosul. Muitas pessoas, às vezes, entendem que o Brasil é líder porque o Brasil é grande, é a maior economia da América do Sul. Não existe isso. Cada um de nós vale pelo que representa, vale pelo que faz.
Eu sei que eu tenho uma coisa importante, nessa minha relação, que eu trato as pessoas muito bem, eu gosto de ser companheiro. Eu não vejo as pessoas apenas como presidente de um outro país, eu vejo como companheiro. Afinal de contas, são seis anos de relações que eu tenho com as pessoas, então já virou uma amizade pessoal, e eu gosto de tratar todo mundo bem. Mas ninguém me elegeu líder de nada, ou seja, eu continuo aqui falando em nome do Brasil, pura e simplesmente, quero que o Hu Jintao fale em nome da China, que o Singh fale em nome da Índia, que o Calderón fale em nome do México, que a Cristina fale em nome da Argentina, porque mexer nisso, é um centro nervoso.
Segundo, eu acho que a frase do Obama deve ter sido um gesto de gentileza ou uma brincadeira dele, porque eu tenho consciência do meu tamanho, da minha importância, e tenho consciência do tamanho e da importância de cada companheiro que estava aí.
Obviamente que eu não consigo entender a fala do Obama senão como uma brincadeira com uma pessoa que trata ele bem. Eu sou torcedor do Obama quando ele era candidato do Partido Democrata, virei mais torcedor quando ele ganhou da Hillary, mais torcedor quando ele disputou com o McCain, mais torcedor quando ele ganhou do McCain. E agora sou torcedor, porque eu disse para o Obama: Obama, eu rezo mais para você do que eu rezava na minha campanha e quando fui eleito Presidente. Porque o tamanho do pepino em que você está é infinitamente maior do que o meu. Então, Deus te ajude.
E o Obama, eu disse para ele, o Obama tem uma coisa fantástica, que é o seguinte: é o primeiro presidente latino-americano, que tem... dos Estados Unidos, que tem a cara da gente. Ele tem a cara da gente. Se você encontra ele na Bahia, você pensa que ele é baiano. Se você encontrar ele no Rio de Janeiro, vai pensar que ele é um carioca. Ele é o primeiro parecido com todo mundo, tranquilo, humilde. Não é fácil você ver um presidente dos Estados Unidos chegar em uma reunião e dizer: “Olha, eu sei que sou o mais novo. Eu estou com pouco tempo no mandato, eu vim aqui para ouvir, para aprender”. Você acha que é fácil um americano dizer isso? Eu acho que é uma coisa extraordinária. Então, é uma oportunidade que a América Latina tem, de estabelecer uma nova relação com os Estados Unidos, que a gente não tinha antes.
Então, eu sou torcedor do Obama, eu quero que ele dê certo. Dele e do Ronaldão, no Corinthians. Porque, pensa: eu torço para o Ronaldo acertar porque eu acho tão gostoso quando vejo as pessoas caírem e levantarem, cai outra vez e levanta. Eu acho uma coisa tão nobre o ser humano não desistir nunca. Então, eu sou assim. Então, acho que foi uma gentileza do Obama, só isso.
Jornalista: Presidente, os governos fizeram hoje a sua lição de casa, com mais uma derrama de 1,1 trilhão de dólares, cada dia tem um pacote desse tamanho, para tentar reanimar a economia. E o setor privado? Que, enfim, a crise nasceu no setor privado, a crise é de responsabilidade do setor privado, dessa vez não dá para acusar os governos de terem cometido irresponsabilidade, populismo, o diabo, como sempre se acusou. A crise é do setor privado, nasceu no setor privado. O governo hoje dá mais um tremendo aporte para tentar ressuscitar a economia. O que o setor privado vai fazer... o que o G-20 vai... os líderes do G-20 vão, de alguma maneira, forçar o setor privado a desencavar esse dinheiro, que (incompreensível).
Presidente: Olhe, uma novidade importante é que esse dinheiro que está sendo discutido para ser colocado como aporte ao FMI, ao Banco Mundial, ao Banco Interamericano, ao Banco Asiático, ao Banco Africano, ou seja, é um dinheiro para fazer fluir o crédito internacional e ajudar os países mais necessitados. Essa é uma coisa extremamente importante, porque todo mundo sabe que nos Estados Unidos e em Botsuana o principal problema é o crédito. Hoje eu ouvi de um presidente, ou seja, Botsuana ... de um representante africano aí, Botsuana vive de vender diamantes. Com essa crise, desde dezembro que não vende um diamante, por quê? Porque não tem crédito para os maridos darem um presente para as mulheres, um diamante, então as pessoas não compram. Então o crédito passou a ser uma palavra quase que chave na retomada do desenvolvimento e nós estamos discutindo exatamente esses aportes de recursos para fazer com que volte a fluir o crédito.
Eu acho, Clóvis, que a iniciativa privada, sobretudo o setor financeiro, precisa compreender de uma vez por todas que o fato de os países ricos, na sua grande maioria, ao longo dos últimos 20 anos, terem se descuidado da fiscalização, de regulamentar, fez com que as pessoas se assenhoreassem de direitos que não eram delas. Ou seja, enquanto no Brasil você tem um sistema financeiro que alavanca, no máximo, dez vezes o seu patrimônio líquido, você teve nos Estados Unidos bancos que alavancavam 35 vezes, ou seja, é você emprestar o que você não tem.
Ademais, eu acho que todo mundo está se convencendo, e disso falou o presidente Obama, disso falou o presidente Sarkozy, de que as pessoas podem ganhar dinheiro gerando coisas, produzindo coisas, ou seja, o cara produz um terno, financia um terno, ganha dinheiro porque financiou um terno, agora, o que as pessoas não podem é fazer uma quantidade de papéis, trocando entre banqueiros, entre especuladores, e ainda os caras ganhando bônus, imagina o que eles ganharam de bônus levando o sistema à falência.
Então, eu acho que a responsabilidade é de todos. Nos Estados Unidos, pelo que tenho acompanhado pela imprensa, o Obama está tentando partilhar parte daquilo que nós no Brasil chamamos de títulos podres, e eles mais sofisticadamente chamam de tóxicos, de títulos, como chamam? De papéis... sei lá. Ou seja, isso que eles modernizaram a palavra de tóxico, no fundo, no fundo, no fundo, o Obama está tentando criar uma coisa nova, fazer com que os empresários passem a comprar uma parte desses títulos até ver se recupera.
A minha posição é clara, isso eu já disse publicamente, dezenas de vezes, que não dá neste momento para você ficar dando dinheiro para banco que quebrou, ou seja, é melhor pegar esses títulos podres, colocar em um arquivo morto e dizer: “Olha, isso aqui existe, está ali, vamos ver o que vamos fazer depois”, mas todo dinheiro que você colocar novo tem que ser com o objetivo de gerar um crédito ou um financiamento para alguma coisa produtiva. Eu acho que nós demos um passo importante hoje, um passo muito importante. Deus queira que a gente não perca a lucidez. E esse passo seja o primeiro passo de uma longa caminhada e que a gente possa apresentar daqui a alguns anos uma economia, mais sólida, mais responsável e mais produtiva.
Jornalista: Presidente, durante a entrevista do presidente Sarkozy, houve uma pergunta meio fora do... totalmente... do bolso, o cara tirou da cartola, que o Brasil teria feito algum tipo de ressalva à proposta de abrir o vespeiro, lá, dos paraísos fiscais. Na verdade o Brasil teria se mostrado um pouco reticente à essa exposição total de quem não está de acordo com a cartilha. Só uma coisa que obviamente foi mencionada e a gente ficou com a pulga mordendo aqui, o senhor me desculpe.
Presidente: Não sei se... Como o Sarkozy não entende português e eu não entendo francês, possivelmente tenha faltado uma vírgula. Não, veja o que aconteceu: primeiro o Brasil é favorável que se publique a lista dos paraísos dos países que foram considerados paraísos fiscais pela OCDE. Agora, o que eu disse: é que ao divulgar a lista, digam quantos países foram investigados pela OCDE, porque o Brasil não faz parte da OCDE e não foi investigado. Então, o Brasil não consta na lista nem de bom, nem de ruim porque o Brasil não foi investigado. Então que se diga claramente que foram investigados 84 países, e desses 84, tem tantos que são considerados paraísos fiscais. Apenas isso.
Mas, eu era favorável a colocar a lista. Aliás, defendi lá que era favorável a publicar a lista, apenas com essa responsabilidade. Porque nós somos quase 200 países no mundo, só 84 foram investigados, você não pode colocar uma lista porque aparece mais de cem que não foram investigados e as pessoas perguntam, onde estão os outros? Sabe, apenas isso. Mas sou totalmente favorável, tanto é que nós aprovamos uma decisão de que fosse apresentada pela OCDE a lista hoje.
A disputa, na verdade, era mais entre Sarkozy e o coordenador, que era o Gordon Brown, porque o Gordon Brown não queria colocar no documento final uma coisa que era só da OCDE. Não queria colocar como peça do G-20. Ele queria colocar dizendo que a OCDE vai divulgar hoje, e prometeu ao Sarkozi divulgar antes de ele dar entrevista, que é para ele não ter dúvida que iria ser divulgada. Só isso.
O Sarkozy é parceiro estratégico do Brasil.
Jornalista: Presidente, parte do 1 trilhão que foi anunciado hoje, diz respeito aos direitos especiais de saque do FMI, são 250 bilhões. Para elevar esse montante, para que o FMI receba esses 250 bilhões, os países membros do FMI precisam desembolsar parte desse valor. O Brasil tem 1,7% das quotas, o que equivale a 4 bilhões e 250 milhões. É isso mesmo, é isso que o Brasil vai investir no FMI?
E segundo, qual é o valor total do esforço financeiro que o Brasil está disposto a fazer em toda a crise?
Presidente: Você não acha chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI? Não é uma coisa soberana? Eu passei parte da minha juventude carregando faixa no centro de São Paulo: “Fora FMI! fora FMI!”. Ou seja, agora... Veja, o Brasil é um país que tem solidez hoje e obviamente que o Brasil não quer se portar como um país pequeno.
Eu digo sempre o seguinte: nenhum país e nenhum ser humano do mundo é respeitado se ele não se respeita. E hoje o Brasil, se o Brasil defende que é preciso que tenha mais aporte de capital para o FMI, o Brasil tem condições de dizer que vai dar o equivalente a tanto. Vamos discutir o quanto que nós vamos dar. Não é apenas uma questão de quota, vamos dar aquilo que nós entendemos que podemos dar.
O que nós dissemos aos companheiros na reunião? Que o Brasil gostaria de dar, como empréstimo, para que não diminuíssem as nossas reservas, e que esse dinheiro, que nós e outros países emergentes déssemos, fosse emprestado para os países pobres, para os países da América Latina, sobretudo. Mas isso é uma coisa que o Guido vai discutir com os companheiros da área econômica. Eu sou da tese de que o Brasil deve participar.
O Brasil tem uma cabeça tão colonizada que o Brasil ainda, ao discutir financiamento para ajudar a Guiné Bissau ou para ajudar São Tomé e Príncipe, que tem 150 mil habitantes, o Brasil fica precisando que alguém doe dinheiro para o Brasil dar. Nós temos que entender que o Brasil, embora tenha problemas, o Brasil tem competência hoje para ajudar os países mais pobres, na medida em que aquele dinheiro não vá acabar com a economia brasileira, mas nós temos condições de contribuir. Nós temos condições de exigir e, ao mesmo tempo, de contribuir com a parcela que nós entendemos que seja razoável. Se cada um contribuir com um pouco, esse pouco... A gente não aprendeu, desde pequeno, que de grão em grão a galinha enche o papo? Depois a gente se queixa que os países ricos querem mandar no FMI, querem mandar no Banco Mundial. Lógico. Nós só entramos como pedintes, nós só estamos lá para pedir, para pedir, para pedir.
Nós temos que colocar a nossa fatia, para a gente poder exigir. Vocês sabem, quando vocês vão comprar um produto fiado em uma loja, e não têm emprego garantido, a dificuldade, e quando você chega com o dinheiro na mão para comprar, como é que vocês são bem tratados. É isso. O Brasil hoje tem credencial, é respeitado, e de forma muito humilde o Brasil precisa chegar lá para você ver que o Brasil vai contribuir. Não me perguntem o quanto, porque quem toma conta do dinheiro é o meu companheiro Guido e ele vai discutir com os parceiros [com] quanto nós vamos ter que contribuir. A verdade é essa: eu gostaria que o Brasil... Aliás, eu gostaria de passar para a história como o presidente que emprestou alguns reais ao FMI. Além de pagar a conta dos outros, ainda emprestei um pouquinho. Eu acho isso importante. Depois do Ronaldão no Corinthians, eu estou...
Jornalista: Presidente, sobre a decisão de o México dividir o empréstimo da nova linha de crédito flexível do Fundo Monetário, o senhor acha que pode ser visto com maus olhos pelo mercado ou pode levar, ainda, a algum estigma por parte dos investidores brasileiros, estrangeiros ou por todo o mundo? O que acha dessa decisão do México?
Presidente: Olhe, o dinheiro está sendo disponibilizado para quem precisa. A única coisa que eu posso dizer, com muito orgulho, é que neste momento o Brasil não precisa de dinheiro do FMI. Graças a Deus. Não falo isso por soberba, porque se um dia tivermos que precisar e for a única fonte que empreste, nós vamos atrás. Mas eu penso que o México tem uma economia muito, muito, muito... umbilicalmente ligada à economia norte-americana, e eu penso que se o México entende que deve pedir, é um direito do México e o mercado tem que dar graças a Deus porque o FMI não vai impor as condições que colocava cinco anos atrás para emprestar dinheiro para um país. É um direito líquido e certo do México, portanto o mercado tem que encarar como normalidade.
Jornalista: Presidente, pouco antes dessa reunião histórica, como o senhor definiu, a OCDE publicou a estimativa de que o Brasil vai ter uma contração de 0,3% este ano. A minha questão é: com base no que foi decidido hoje, o senhor diria que isso teria algum impacto, este ano, na economia brasileira para, eventualmente, por exemplo, reverter esse quadro de contração da economia brasileira? Que impacto concreto, o que foi decidido aqui, pode ter para uma recuperação da economia brasileira este ano?
Presidente: Vai ficar um pouco a minha palavra contra a palavra da OCDE, ou o otimismo do meu Ministro da Fazenda contra os economistas da OCDE.
Veja, obviamente que eu acho que se o mundo empresarial, se o mundo financeiro entendeu o recado de Londres como uma coisa positiva, isso pode ajudar muito. Agora, o que me dá a credibilidade para entender que o Brasil não vai atender aos prognósticos da OCDE é pelos investimentos que nós estamos fazendo no Brasil.
Eu vou repetir para vocês alguns números importantes: primeiro, o Brasil é um país que tem apenas 1,5% de déficit fiscal, um dos menores do mundo; segundo, o Brasil é um país que tem apenas 36% do PIB de dívida pública, é uma das menores do mundo; terceiro, o Brasil, só no PAC, tem US$ 300 bilhões para investir, até 2012, muitas obras em andamento, e vocês sabem que obras, a cada ano que passa, elas vão crescendo mais. Todas as dificuldades que o Governador do Rio de Janeiro teve, entre elaborar projeto executivo, projeto de prefeitura, licença ambiental, coisas que demoraram um ano, um ano e meio, este ano explode. Então, obviamente que isso vai gerar muitos empregos.
Nós... só para você ter idéia, aquele programa que nós criamos, chamado Mais Alimentos, em que colocamos à disposição R$ 25 bilhões do BNDES, para financiar tratores e implementos agrícolas para a agricultura familiar, hoje já é responsável por 40% da venda de indústrias de máquinas agrícolas no Brasil.
Com o programa habitacional... O programa habitacional envolve o equivalente a US$ 30 bilhões. Agora, você imagina, com as medidas que o Guido anunciou na última segunda-feira, de manter a redução do IPI do carro... O que mais você anunciou? Da construção civil. Ou seja, essas coisas vão gerar um dinamismo na economia. Será uma coisa importante para nós. Por isso que eu sou mais otimista do que os números da OCDE.
Jornalista: E o impacto (incompreensível)
Presidente: Eu acho que o impacto pode ser importante, porque eu tenho uma tese que parte dessa crise é a crise da desconfiança. Possivelmente, muitos de vocês deixaram de comprar alguma coisa que vocês iam comprar este ano, para ver o que vai acontecer, não é isso?
Vocês estão lembrados o que eu disse no dia 22 de dezembro: se a sociedade ficar com medo de consumir, o comércio não vai vender, a indústria não vai produzir. Então, o trabalhador que não estava consumindo, com medo de perder o emprego, ele vai perder o emprego exatamente porque ele não consumiu, porque é a lógica da economia. Nós não temos que esperar que os outros comprem, nós temos que comprar. Ou seja, nós somos os outros aos olhos dos outros, portanto nós temos que fazer a nossa parte. Gostou dessa frase? “Nós somos os outros aos olhos dos outros”.
Então, eu acho que a OCDE exagerou na visão do Brasil. Acho que o Brasil vive um momento... o Guido sabe do meu otimismo, o Guido sabe da minha crença, o Guido sabe que eu sei que nós temos dificuldades, mas eu vou continuar passando otimismo. Vocês nunca vão me ver dizendo uma coisa para baixo. Crise a gente enfrenta é lutando. Imaginem se o Cassius Clay tivesse medo de cara feia, o Foreman teria nocauteado ele naquela luta que ele fez no Zaire. Entretanto, depois de apanhar, com 11 assaltos, ele meteu a (muqueca) e derrubou o cara. Eu me considero o Cassius Clay dessa crise. Eu quero dar uma (muqueca) nessa crise e nocauteá-la nem que seja no último assalto.
Bom, acabou? Agora é o Guido. Mais uma.
Jornalista: Boa noite, já. Boa tarde, presidente Lula. Presidente, o senhor pode pontuar, efetivamente, se na reunião, você pode dizer que alguma coisa vai beneficiar diretamente o Brasil, ou a reunião ficou em termos gerais?
Presidente: Veja, não tem atitude para beneficiar esse ou aquele país. A atitude é para beneficiar todos os países, porque na medida em que você coloca mais dinheiro disponível para ajudar os países mais pobres, para facilitar o crédito, você está ajudando todos os países. O Brasil é um país competitivo. O que nós precisamos não é de nenhum favor de nenhum país rico. O que nós precisamos é que a economia desses países volte a ter um mínimo de solidez e que eles possam comprar aquilo que nós temos condições de produzir. Obviamente que nós sempre temos que ter um olhar para os mais pobres, os que mais precisam.
Então, o documento visa a ajudar todos os países e os países ricos jogam um papel importante porque eles têm mais responsabilidade, não só porque a crise nasceu neles – não é só por isso – mas porque eles têm mais reservas para fazer os investimentos de que o mundo precisa.
Dito isso, eu queria deixar o companheiro Guido aqui com vocês, para vocês questionarem à vontade. Ele sabe de tudo, está bem-humorado.
Jornalista: Queria perguntar... Na reunião de hoje, acordou-se que a OMC, a Organização Mundial do Comércio, (incompreensível) um segmento dos países que rompem as diretrizes contra ao protecionismo. Considera, senhor Lula, suficiente esta medida contra o protecionismo?
Presidente: Duas coisas que eu achei importantes nessa reunião. Primeiro, que todo mundo tem consciência de que o protecionismo é como se fosse uma droga. O viciado em droga, ao ingerir a droga, ele tem alguns momentos de êxtase e depois cai numa depressão profunda, não se sabe o que vai acontecer com ele depois. Nós estamos dizendo que o protecionismo pode parecer importante no começo, mas, a médio e longo prazo, é um desastre para a economia mundial. Se cada um resolver construir um muro em torno de si, será um desastre para a economia mundial. Isso é uma coisa de que todo mundo tem consciência. Ao mesmo tempo, nós nos convencemos de que quando os líderes políticos assumem a responsabilidade de decidir a Rodada de Doha, é porque nós estamos dando um sinal: o comércio, finalmente, vai ser livre. Qual era o meu medo? O meu medo era que, há 20 anos, quando os países desenvolvidos falavam em livre comércio, é porque eles tinham muito mais facilidade de colocar os seus produtos nos países mais pobres, sobretudo produtos com muito valor agregado. Na hora em que vem a crise, eles começam a perceber que o livre comércio é a única solução. A Alemanha diminuiu muito as exportações dela. Não adianta tentar se autorregular. É preciso que a gente libere o comércio para vender e comprar.
Eu acho que essa foi uma vitória que talvez uma pessoa comum não tenha noção do significado de os líderes políticos assumirem decidir o G-8. Porque eu, nesses últimos cinco anos, ligava para o Bush pessoalmente, ligava para o Chirac pessoalmente, ligava para o Tony Blair pessoalmente, ligava para o Schroeder, depois para a Angela Merkel pessoalmente: vamos assumir, vamos assumir, vamos assumir. Ninguém queria assumir. Hoje, sem dor nenhuma, nós assumimos, e eu acho que vai melhorar. Não melhora amanhã, nem depois de amanhã. É um processo, mas é uma esperança que eu acredito que vai dar bons resultados para o Brasil e para o mundo.
Companheiros e companheiras, isso aqui é uma assembléia permanente de entrevista coletiva e o Guido Mantega assume a presidência.
Amanhã vocês estão convidados a ver a visita que nós vamos fazer no lugar onde vão ser as Olimpíadas aqui em Londres, porque nosotros estamos querendo levar as Olimpíadas de 2016 para o Brasil, para o Rio de Janeiro.
Procurador diz que já tem como denunciar Dantas
Grandis vê sólidos elementos para ação de crime financeiro e lavagem
Fausto Macedo
Na reta final do inquérito Satiagraha, o Ministério Público Federal vê "indícios mais do que suficientes, sólidos elementos" para apresentar denúncia formal contra o banqueiro Daniel Dantas e pedir abertura de ação judicial contra ele por crimes financeiros e lavagem de dinheiro. A informação foi dada ontem pelo procurador da República Rodrigo de Grandis, que investiga o controlador do Grupo Opportunity.Rodrigo de Grandis aprovou decisão da Justiça dos EUA que manteve o bloqueio de cerca de US$ 450 milhões de Dantas depositados em instituição bancária americana. O congelamento, que acolhe recurso do Departamento de Justiça americano, vai perdurar pelo menos até 14 de maio. "A tendência é que o bloqueio seja preservado até o encerramento da ação penal brasileira (contra Dantas)."O procurador destacou que eventual pedido de prisão do banqueiro "é uma possibilidade". "Sempre existe essa possibilidade em qualquer denúncia, desde que preenchidos os requisitos legais necessários", ressalvou o procurador. Ele explicou que a garantia da aplicação da lei penal e a magnitude da lesão são motivos para a custódia. O procurador não quis dizer se vai pedir a prisão do banqueiro.Dantas foi preso duas vezes em julho, mas em ambas as ocasiões foi beneficiado pelo ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, que mandou soltar o investigado.Grandis assinalou que "não são imprescindíveis" os resultados de perícia em discos rígidos apreendidos no Oportunity. Os arquivos, criptografados, foram enviados em dezembro pela Polícia Federal aos EUA. "Presume-se que os discos possam conter dados importantes, mas se houver muita demora o Ministério Público Federal não vai esperar. O que já existe (de provas) já é suficiente para uma denúncia."O acusador de Dantas tem acompanhado depoimentos de testemunhas e investigados na PF. Ele estima que em 30 dias estará concluído o inquérito Satiagraha. Grandis poderá denunciar o banqueiro, mas não exclui a hipótese de requerer novas investigações.O advogado Andrei Schmidt, que defende Dantas, disse não ter sido informado sobre a decisão da Justiça americana. "Não fomos intimados dessa decisão. O caso está sob sigilo." A defesa nega envolvimento do banqueiro com crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

Serra ignora elogio de Obama a Lula
O governador de São Paulo, José Serra, disse ontem não ter visto a cena em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chama o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "o político mais popular da Terra".Celebrado pelo governo brasileiro, o vídeo foi exibido na internet e o diálogo, reproduzido pelos jornais."Não vi. Só ouvi dizer. Não vou comentar", disse Serra hesitante.Na conversa, ocorrida durante reunião do G-20, em Londres, Obama se refere a Lula como "Meu chapa" ("my man"). E continua: "Eu adoro esse cara! É o político mais popular da Terra."Observando a conversa, o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, comenta: "É o político há muito tempo no cargo mais popular da Terra". E Obama conclui: "É porque ele é boa-pinta".Questionado, num primeiro momento, pelos jornalistas sobre o que achara, Serra respondeu apenas: "Nada". Só depois disse que não vira a cena. Apesar das evasivas de Serra, os tucanos apostam que o afago servirá para manter a popularidade de Lula em alta mesmo em momentos de crise.
Folha de São Paulo

03 abril 2009

Petrobras passa Pemex e se torna a maior empresa da América Latina em vendas
Da Redação Em São Paulo
A Petrobras (PETR3, PETR4) se tornou, no segundo semestre do ano passado, a empresa com maior volume de vendas da América Latina, segundo levantamento da consultoria Economatica divulgado nesta sexta-feira. As vendas da estatal brasileira somaram US$ 35,24 bilhões no terceiro trimestre, superando os US$ 33,86 bilhões verificados pela antiga líder, a gigante mexicana Pemex, também do setor petrolífero.

Vendas de automóveis sobem 36% no melhor março; motos avançam 30,45%
Da Redação, com agências Infomoto e Reuters

As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus novos no país tiveram um mês de março histórico em 2009 -- como
informado na quinta-feira (2) -- mostrando o impacto positivo no setor das medidas de incentivo adotadas pelo governo federal, como a redução do IPI. O setor de duas rodas também comemora alta expressiva no mês, mas ainda sonha com o efeito das medidas de impulso, só anunciadas no dia 1º, e com mais disponibilidade de crédito.De acordo com a Fenabrave, que representa as distribuidoras de veículos, o salto no mês foi de 36,10% em relação a fevereiro, com um total de 271.393 unidades emplacadas. Na comparação com março de 2008, a alta também foi significativa: 16,89%.
Brasil consegue suspender decisão que desbloqueou bens de Dantas nos EUA
da Folha Online, em Brasília
O governo brasileiro conseguiu suspender até maio a decisão da Justiça norte-americana que desbloqueou parte dos bens do banqueiro Daniel Dantas e do fundo Opportunity, nos Estados Unidos. A Justiça norte-americana concedeu ontem liminar determinando o congelamento dos recursos até que o mérito do caso seja julgado em segunda instância. A expectativa do Ministério da Justiça é que o assunto entre na pauta do tribunal no fim de maio.
O secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., confirmou à Folha Online nesta quinta-feira a suspensão do desbloqueio e disse que os pedidos de congelamento de dinheiro com indícios de irregularidade são necessários.
"Nós fizemos a nossa parte. Nós agimos dentro de nossa atribuição. Nosso entendimento é de que quando há suspeita de que o dinheiro é ilícito deve haver o bloqueio. Porque dessa forma vamos combater o fluxo do crime. Não adianta prender e processar. Tem que cortar o fluxo da possível organização criminosa", disse Tuma Jr.
Governo Lula é implacável no combate a corrupção
Nobel da Paz para Lula
Lula pode ser o próximo ganhador do Nobel da Paz. Quem me confidenciou esta informação foi um embaixador de país árabe sediado em Brasília.
De acordo com esse embaixador, se depender do Oriente Médio (excluindo Israel) e dos países africanos, Lula pode considerar-se vitorioso.
Segundo o embaixador, quem deu a partida foi o presidente Obama, cuja manifestação de carinho ao brasileiro foi repercutida em todo o mundo.
Ao se referir a Lula “esse é o cara…Eu adoro esse cara”, o presidente estadunidense nada mais fez do que lançar a candidatura do presidente brasileiro ao Nobel da Paz.
“Ele é o político mais popular da terra”, continuou o presidente Obama. Nem completou a frase, pois outros presidentes o acompanharam endossando a sua admiração pelo brasileiro.
O Fome Zero, criado por Lula, foi muito discutido no encontro do G-20 e olimpicamente ignorado pela mídia brasileira.
Outra manifestação muito comentada durante o encontro foi a verdade universal dita pelo presidente Lula sobre os responsáveis pelas eternas crises mundiais. Os tais brancos de olhos azuis.
Obama, de acordo com a minha fonte, “ficou maravilhado com o arrojo do brasileiro, ao descer do trono e manifestar uma verdade que ninguém tinha coragem de dizer”.
http://blogdobourdoukan.blogspot.com/
ESSE É O CARA
Lula diz esperar que netos não tenham vergonha da reunião do G20

Lula foi à Londres participar da reunião de cúpula do G20
Em entrevista à BBC nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse esperar que a reunião do G20, em Londres, que traçou planos para conter a crise econômica, não seja motivo de vergonha para as futuras gerações.
"Peço a Deus para que os meus netos não tenham vergonha dessa reunião daqui a 15 ou 20 anos", disse ele.


As declarações foram feitas após uma pergunta sobre como a cúpula desta quinta-feira será enxergada no futuro. Esquivando-se de fazer previsões, o presidente também aproveitou para criticar o protecionismo dos países ricos.
"Agora é que precisamos lutar contra o protecionismo, agora é que precisamos fazer o livre comércio. O protecionismo é como uma droga, ela pode fazer efeito imediato, mas depois vem a depressão, a recessão, e depois o caos".
O presidente, no entanto, avaliou o encontro de forma positiva. Segundo ele, a cúpula do G20 foi boa não apenas para o Brasil ou algum país individualmente, mas para "a esperança e o futuro da humanidade".
"A reunião foi boa porque os países ricos estavam diante dos países em desenvolvimento em igualdade de condições e sabendo que países como Brasil e China, embora vivam a mesma a crise, têm economias muito mais sólidas, porque temos menos déficit fiscal, dívida pública e estamos fazendo fortes investimentos em infraestrutura, o que gera empregos", disse.
Leia também na BBC Brasil: G20 anuncia investimento de US$ 1,1 tri para 'encurtar recessão'
Nova ordem
O presidente brasileiro afirmou acreditar que uma das possíveis consequências do encontro será a criação uma nova ordem econômica mundial.
"Penso que é inexorável, vamos ter uma nova ordem econômica mundial. Porque todos se deram conta de que não é possível coexistir uma política de desenvolvimento produtiva, que precisa gerar empregos, com uma política financeira vivendo de especulação", disse ele.
Para Lula, o setor financeiro tem que estar ligado ao setor produtivo.
"Cada financiamento tem que gerar um sapato, uma camisa, um parafuso, um carro. Nunca na vida vi alguém ganhar bônus por dar prejuízo", disse.
"Pode demorar mais um, dois anos, ou até mais. Mas virá outra ordem econômica."
Para Lula, a crise deve também apressar o surgimento de uma nova ordem política global.
"Queremos que o mundo do século 21 seja representado pela força política que ele tem hoje, e não a que tinha na década de 40 do século 20", disse ele.
"O que explica a Alemanha e o Japão estarem fora (do Conselho de Segurança da ONU)?

Queremos compor uma nova geografia política pra que a ONU tenha mais representatividade.
"Se a ONU estivesse mais forte, essa reunião do G20 poderia ter sido convocada pela ONU e todos os países participariam", disse.
Comércio
O presidente brasileiro disse ainda que acredita que a reunião em Londres vai apressar a resolução da rodada de Doha de liberalização do comércio.
"Eu digo há anos que a rodada de Doha só seria resolvida quando os líderes políticos assumissem a responsabilidade de discuti-la. Hoje concordamos que os líderes vão discuti-la", disse ele.
"Defendo a rodada de Doha porque o que precisamos é que os produtos dos países pobres da América Central, Latina e África possam chegar à Europa e aos EUA em condições mais justas. Não são possíveis subsídios para produtos agrícolas como temos hoje."
"O que o mundo precisa é de oportunidade e não favor. Que os países pobres tenham o direito de crescer. E só vão crescer se o comércio for realmente livre", disse ele.
"Essa reunião é um alento de que o mundo pode mudar se quisermos que ele mude"
Leia também na BBC Brasil: Lula diz querer ser 1º presidente do Brasil a emprestar ao FMI
MÁ NOTÍCIA PARA A OPOSIÇÃO
Saldo da balança cresce 9,1% e soma US$ 3 bi no trimestre
Karina Nappi
SÃO PAULO - A balança comercial registrou no trimestre um superávit de US$ 3,012 bilhões, um crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período de 2008, após o resultado negativo verificado em janeiro (US$ 524 milhões) de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). A média diária do saldo comercial dos três primeiros meses foi de US$ 49,4 milhões.
Segundo o professor de economia da ESPM, José Eduardo Balian, o crescimento perante o trimestre anterior demonstra que o País está saudável e que enfrenta a crise de maneira forte e positiva. "Apesar do resultado negativo de janeiro, tivemos nos meses seguintes resultados positivos, o que demonstra que nossa economia está aquecida e entrando no ritmo novamente", argumenta.
O mês de março fechou com superávit de US$ 1,771 bilhão, na balança comercial. A média diária foi de US$ 80,5 milhões, 63% maior do que o verificado no mesmo mês de 2008. Em relação ao desempenho de fevereiro, no entanto, foi observada uma retração de 17,9%.
Em 22 dias úteis, as exportações somaram US$ 11,809 bilhões. As importações totalizaram no mês US$ 10,038 bilhões. Esses desempenhos resultaram numa corrente de comércio de US$ 21,847 bilhões. Pelo critério da média diária, as exportações brasileiras, em março, apresentaram queda de 14,9% sobre o desempenho médio diário registrado no mesmo mês de 2008 (US$ 630,7 milhões). Entretanto, sobre os embarques em fevereiro deste ano (US$ 532,6 milhões), houve crescimento de 0,8%.
As importações, na mesma comparação, caíram 21,5% em relação ao desempenho médio diário registrado em março do ano passado (US$ 581,3 milhões), mas sobre a média diária verificada em fevereiro (US$ 434,5 milhões) houve crescimento de 5%.
As exportações brasileiras devem fechar o ano em US$ 160 bilhões afirmou o secretário de Comércio Exterior do Mdic, Welber Barral. Essa previsão é 20% menor que o desempenho das exportações do ano passado, que totalizaram US$ 197,9 bilhões. Se a estimativa se concretizar, essa será a primeira queda desde 1999, quando as vendas caíram 6,1% em relação ao ano anterior.
Para Barral, o recuo nas exportações é justificado pela crise internacional. Ele, no entanto, disse que as perspectivas para o Brasil são mais otimistas que em relação a outros países. As vendas externas brasileiras recuarão menos que em outros países porque temos menos problemas de
crédito, explicou Barral.
De acordo com o ministério, a retração nas vendas brasileiras no trimestre só é maior que a da Índia, cujas exportações caíram 18,9% no mesmo período. O recuo, ressaltou Barral, chegou a 43% na Rússia, 31,5% no México e 30,4% na Argentina. Diferentemente de 2008, o
governo desistiu de fixar uma meta.
De acordo com o economista da Wintrade José Góes, a balança comercial irá apresentar déficits originários da crise somente em 2011, "depois que passarmos a crise, as demais nações estiverem com sua capacidade de produção total, nossas exportações tendem a cair, mas isso só irá acontecer daqui um ano e meio ou dois".
Os motivos para o superávit da balança comercial, segundo Góes, devem-se ao impacto mais intenso na retração de commodities e a forte queda das importações. "O problema é resultado decorrente primeiro da taxa de
câmbio que foi alterada e o nível de atividades internas que ainda está baixo", explica.
Apesar do resultado satisfatório, as exportações brasileiras acumularam no ano, de US$ 31,177 bilhões, com média diária de US$ 511,1 milhões. Esse desempenho foi 19,4% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando o desempenho médio diário chegou a US$ 634,3 milhões.
As importações totalizaram, entre janeiro e março, US$ 28,165 bilhões, com uma média diária de US$ 461,7 milhões, valor 21,6% inferior ao verificado no mesmo período do ano passado quando registrou-se US$ 589 milhões.
Segundo Góes, a quantidade de exportações de petróleo e minérios devem ter sido o principal fator para os valores superavitários divulgados.
http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=7&id_noticia=280063&editoria=
JORNALISTA EMPORCALHA-SE EM SUJEIRA DE SENADOR
O sucesso do presidente Lula no G20, o sucesso do Brasil, deixou atordoados muitos jornalistas que torcem para o quanto pior melhor. O Noblat, aquele que recebe uma grana do Senado, é um deles. A BBC de Londres deu a notícia sobre os elogios que o presidente Lula recebeu do mais poderoso presidente da Terra, Barack Obama, dos EUA, às 8:20, horário de Brasília. Mas o Noblat só publicou a notícia em seu blog às 15:44. Ele deve ter ficado esperando para ver se a notícia teria repercussão, ou se daria para ele abafar, deixar passar. Como teve repercussão mundial, ele, de muita má vontade, publicou 7 horas depois, quando até as pedras, até os peixinhos nos rios já estavam sabendo que Obama disse que "Lula é o presidente mais popular da Terra." Mas publicou quase instantaneamente o discurso do Tasso Jereissati, do PSDB, se emporcalhando no corporativismo do Senado (que paga Noblat) para se defender da acusação de usar quase 500 mil reais, dinheiro público, para fretar jatinhos. Para isso ele foi ávido, publicou em primeira mão.
Jussara Seixas
OPOSIÇÃO nua em pelo, trêmula e encolhida
Um tsunami está arrasando a oposição. Como ondas gigantescas, denúncias, fatos, investigações, envolvimentos escusos com empreiteiras deixaram a oposição nua em pelo, trêmula e encolhida. Como se não bastassem as denúncias de propinas, corrupção, caixa 2, uso de verba pública para pagar fretamento de avião, governador cassado, governadora repudiada pelo povo, filha do ex-presidente FHC recebendo dinheiro público do Senado sem trabalhar, o maior desafeto deles, o presidente Lula, foi a estrela do G20. O Brasil brilhou no G20 porque foi representado pelo presidente Lula. O presidente Lula foi elogiado por todos os participantes do G20. “O político mais popular da Terra”, segundo o presidente dos EUA. Barack Obama teceu elogios rasgados ao presidente Lula, dizendo que ele, Lula, é o ”o cara". Isso tirou o pouco de chão que restava para a oposição, ela se desmilinguiu. Estão tontos, perdidos, sem rumo e sem prumo. Ontem, em Londres, presidente Lula lavou a alma do povo brasileiro, fez o brasileiro sentir orgulho do Brasil quando disse que o Brasil, pela primeira vez na história, vai emprestar dinheiro para o FMI. O presidente Lula há anos quitou o empréstimo contraído por Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) com o Fundo. Foi uma das heranças malditas deixada por FHC do PSDB. Disse o presidente Lula: "Você não acha chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI? Não é uma coisa soberana?" A felicidade do presidente Lula em mostrar para mundo que nossa economia está sólida, apesar da crise, que o Brasil não quebrou e não vai quebrar, contagiou o povo brasileiro. O Brasil do presidente Lula passou a ser visto pelo mundo com respeito, como um grande país, um país soberano, o último país a ser atingido pela crise mundial e o primeiro a se recuperar. Isso graças à boa gestão do presidente ex-metalúrgico, que conduziu a economia do país com muita sabedoria e honestidade. Luiz Inácio Lula da Silva, o melhor e mais competente presidente que este país já teve, vai fazer seu sucessor, ou sucessora, em 2010. Que ninguém duvide disso!
Jussara Seixas

Consenso de Washington acabou, diz Brown
Premiê britânico, anfitrião do G20, vê "começo" de virada" na crise e puxa coro de elogios de líderes ao resultado do encontro Obama cita "a mais firme e rápida resposta internacional da história a uma crise internacional", e assessores veem tensões superadas
Anfitrião do encontro mais importante até agora para tentar resolver a pior crise econômica em décadas, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, decretou ontem o fim do Consenso de Washington, enquanto os principais líderes mundiais eram unânimes em anunciar que a cúpula de Londres do G20 era o "começo da virada"."O velho Consenso de Washington acabou. Hoje, chegamos a um novo consenso, de que tomamos ação global conjunta para lidar com os problemas que enfrentamos", disse Brown, sobre o receituário liberal hegemônico na América Latina na década de 1990. Agora, afirma o primeiro-ministro trabalhista, tem início a era da cooperação.Uma das principais preocupações dos líderes mundiais era justamente que o encontro fosse considerado um sucesso -ele ao menos ajudou a turbinar os principais mercados acionários ontem- e por isso um se esforçava mais que o outro para destacar o caráter "histórico" da reunião.Por trás dos sorrisos na frente das câmeras, nos bastidores a reunião foi "tensa" até os últimos minutos, como revelavam integrantes das comitivas e até alguns dos líderes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou uma discussão entre Brown e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e fontes norte-americanas tentavam dizer que o presidente Barack Obama foi "fundamental" para o final feliz.Em sua estreia no palco mundial de uma grande reunião multilateral, Obama afirmou que a cúpula era "a hora da virada em nossa busca pela recuperação global", com "a mais firme e rápida resposta internacional da história a uma crise internacional".Já o francês Sarkozy deixou de lado as ameaças pré-reunião, quando chegou a dizer que podia abandonar o encontro se não gostasse do seu encaminhamento, e tratou de reivindicar parte da responsabilidade pelo desfecho.Defendeu a pressão que fez ao lado da Alemanha por mais regulação e chegou até a trazer à tona a comparação com Bretton Woods (o encontro em 1944 que definiu as instituições da economia internacional pelas décadas subsequentes), que tinha praticamente desaparecido desde o primeiro encontro do G20 sobre a crise, em novembro passado. Afirmando que era a maior reforma do sistema desde então, falou que acabou "a loucura da desregulação total".Lula também tirou sua casquinha e afirmou: "Fizemos um momento muito importante na história do mundo".Nas semanas que antecederam a cúpula, líderes de todo o planeta demonstravam apreensão sobre qual seria a recepção dos mercados e do público para o que quer que fosse anunciado ao final da reunião.Questionado por repórteres, na semana que antecedeu o encontro, sobre o que seria fundamental para que fosse um "sucesso", Brown foi sincero: "Que vocês digam que foi um sucesso".
DEM, PSDB,PMDB,PPS,PDT, PP,Paulo Skaf, Camargo Correia devem estar com insônia. Haja Rivotril


Justiça deu à PF acesso geral a dados de clientes de 8 teles
Autorização, concedida no início da Castelo de Areia, não incluiu escuta telefônicaComo na Satiagraha, polícia pôde mapear, até agosto de 2008, ligações de cidadãos com senhas sem restrição, fornecidas por companhias
SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Polícia Federal pediu, e a Justiça autorizou, o acesso geral ao extrato de chamadas e ao cadastro dos clientes de oito empresas de telefonia (Telefônica, Embratel, Vésper, Vivo, TIM, Claro, OI e Nextel) no início da Operação Castelo de Areia, em janeiro de 2008.O procedimento durou até agosto de 2008, quando a Justiça excluiu a possibilidade de acesso ilimitado ao histórico das ligações feitas pelos usuários. A restrição passou a ser adotada na Castelo de Areia após a Folha ter revelado que o mesmo tipo de autorização foi dada na Operação Satiagraha contra o Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0304200902.htm
MISTÉRIO AMERICANO
Em meio à repercussão da operação Castelo de Areia, que investiga a empreiteira Camargo Corrêa, o juiz Fausto De Sanctis viajou para os EUA. Passou os últimos dias incomunicável, tratando de "assuntos sigilosos com autoridades americanas", como definiu a um interlocutor.
QUEIJO SUÍÇO
E o mesmo juiz De Sanctis marcou para o dia 14 de maio a audiência de "requerimentos finais, debates e julgamentos" de outra operação bombástica, a Kaspar 2, em que 29 doleiros e executivos de bancos como os suíços UBS e Credit Suisse respondem a acusações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, entre outras.
Mônica Bergamo

02 abril 2009

No Brasil, tucano voa com dinheiro público
ZÉ DIRCEU: No mínimo indecoroso o hábito do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ex-presidente nacional da legenda tucana, de voar em jatinhos fretados pagos com dinheiro público do Senado Federal. Mas é o que denuncia reportagem de hoje da Folha de S. Paulo, com base em dados do Sistema de Acompanhamento do Orçamento (SIAFI). O levantamento publicado pelo jornal indica que Tasso Jereissati tem o hábito de somar passagens aéreas oficiais do Senado para fretar jatos particulares. Com essa prática, de 2005 até hoje, o senador gastou R$ 469 mil. Ele confirma ao jornal que o Senado paga os aviões fretados por ele, mas só assume gastos de R$ 358 mil. Mesmo esse valor ele reconhece ser alto, mas justifica que compreende o período entre 2005-2006, quando era presidente nacional do PSDB. Ou seja, as verbas do Senado pagaram viagens partidárias do tucanato. Pior, o controle do SIAFI rastreia gastos de R$ 335 mil do senador entre 2005 a 2007 mas, após esse período, embora as despesas apareçam como "fretamento de jato pelo senador", não há mais registro do seu nome. Sobre o senador recaem também suspeitas de que compra combustíveis de avião com verbas de passagens aéreas da Casa. Vejam só, logo o senador, uma das principais estrelas da constelação - ou seria dos ares? - tucana, um pessoal que posa de probo, de vestais, que vive alardeando transparência... Desde quando transparência é esconder e retirar do sistema a prestação de contas das viagens em jatos fretados com dinheiro do Senado?
(leia nota abaixo) .
Lula diz querer ser 1 presidente do Brasil a emprestar ao FMI
G20 concordou em injetar bilhões no Fundo; presidente não revela contribuição do país.
Da BBC Brasil em Londres
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, após a cúpula do G20, que pretende entrar para a história como o primeiro presidente brasileiro que emprestou dinheiro para o Fundo Monetário Internacional (FMI). Na reunião em Londres, Lula e os demais líderes do G20 chegaram a um acordo para que US$ 1,1 trilhão seja usado para combater a crise financeira global. A maior parte do dinheiro deve ser destinada ao Fundo. Leia mais na BBC Brasil: G20 anuncia investimento de US$ 1,1 tri para 'encurtar recessão' Em entrevista coletiva, Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não revelaram o valor que o Brasil vai destinar ao órgão internacional de crédito. Segundo eles, o Brasil está em negociação com o FMI para que o dinheiro para o Fundo seja na forma de um empréstimo, para que as reservas do país não diminuam. "Vocês não acham chique emprestar dinheiro para o FMI? O Brasil hoje tem solidez", afirmou o presidente. Momento "inédito" Lula descreveu a cúpula do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo e os principais países emergentes, como um momento muito importante para o futuro da humanidade. "Pela primeira vez, os países chamados desenvolvidos se colocaram em pé de igualdade com os que estão em desenvolvimento", afirmou. O presidente acrescentou que houve "momentos de tensão e discussões calorosas" durante a cúpula, mas que os líderes do G20 conseguiram chegar a um consenso. "Essa foi a reunião que eu mais saí gratificado pelo fato de que as pessoas compreenderam que o momento é de prudência e ousadia política", completou Lula. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Animada com G20, Bovespa salta 4% e fecha com maior pontuação em 6 meses
Da Redação Em São Paulo
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) saltou 4,19% nesta quinta-feira, atingindo 43.736,45 pontos, a maior pontuação em seis meses. O maior fechamento até então havia ocorrido em 3 de outubro do ano passado, aos 44.517,32 pontos.
No terceiro dia consecutivo de queda, o dólar comercial caiu 1,97% e fechou vendido a R$ 2,236, o menor patamar desde 6 de janeiro, quando atingiu R$ 2,182. No ano, a moeda acumula queda de 4,16%.
O dia foi de otimismo generalizado nos mercados de ações por causa das decisões tomadas pelo G20 na reunião que aconteceu hoje em Londres.
Os países participantes decidiram triplicar os recursos para o FMI (Fundo Monetário Internacional), numa tentativa de reanimar a economia global. Será injetado US$ 1 trilhão em dinheiro novo no FMI e no Banco Mundial.
Ficou acertado, também, que, num esforço fiscal já planejado, os países usarão US$ 5 trilhões até 2010 na tentativa de proteger e criar empregos e aumentar a produção mundial em 4%.
Na Europa, o Banco Central cortou a taxa de juros na Zona do Euro em 0,25 ponto percentual, para 1,25% ao ano, o menor nível histórico. A redução foi menor do que o esperado, de pelo menos 0,5 ponto percentual e o presidente do órgão não descartou novas reduções.
Mas, notícias alarmantes continuam chegando. Na Espanha, o desemprego aumentou 3,5% em março, para 3.605.402 pessoas, a maior marca desde 1996.
Nos Estados Unidos, o número semanal de pedidos de seguro-desemprego aumentou em 12 mil na semana passada e chegou a 669 mil, o nível mais alto desde outubro de 1982.
E a fabricante de aviões Bombardier avisou que até o final do ano demitirá 10% de seus funcionários, cerca de 3 mil trabalhadores, em consequência da redução da demanda por aviões de negócios.
(Com informações de Reuters e Valor Online)
Obama diz que Lula é "o político mais popular da Terra"

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira que seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, é "o político mais popular da Terra" (assista ao vídeo).

A afirmação foi feita no momento em que o americano, o brasileiro e o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, trocavam cumprimentos, pouco antes do início da reunião do G20 (grupo das potências econômicas e dos principais países emergentes).



Os três chefes de governo conversavam informalmente antes de se iniciarem as atividades oficiais. Enquanto Lula e Rudd trocavam aperto de mãos, Obama brincou, como se estivesse apresentando o brasileiro ao australiano, e disse: "Ele (Lula) é o cara, adoro esse cara". E acrescentou: "Ele é o político mais popular da Terra".

Rudd completou: "O mais popular político de longo mandato". O americano então emendou, novamente se referindo a Lula: "É porque ele é boa pinta".


Charge do Bessinha
Líderes do G-20 chegam a acordo contra crise mundial
Medidas incluem mais recursos para o FMI e sanções aos paraísos fiscais, além de reforma do sistema financeiro
Efe


LONDRES - Os líderes do G-20 reunidos em Londres chegaram a um acordo para superar a crise econômica mundial, que inclui uma reforma do sistema financeiro e um fundo de US$ 1 trilhão para os organismos multilaterais, anunciou nesta quinta-feira, 2, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. Além disso, os estímulos fiscais ao redor do mundo somarão US$ 5 trilhões até o fim de 2010.

"Este é o dia em que o mundo se uniu para lutar conjuntamente contra a recessão global", disse Brown em uma coletiva de imprensa após a reunião de cúpula do grupo em Londres. O acordo saiu após duras negociações entre os países que, como Alemanha e França, davam prioridade à regulação do sistema financeiro internacional e os que, como os Estados Unidos, pediam estímulos fiscais para estimular a economia.

O premiê britânico assegurou que o G-20 lança uma mensagem clara de que "nesta era global nossa prosperidade é indivisível", e de que "são necessárias soluções globais aos problemas globais". Brown disse que o "consenso de Washington está superado" e que chegou um "novo consenso", em que o comércio mundial deve se converter em um "motor de crescimento".

Os chefes de Estado chegaram a um acordo sobre uma reforma no sistema financeiro global, incluindo os fundos hedge (de alto risco), o controle das agências de classificação e o estabelecimento de um sistema contábil internacional mais transparente.

"O sigilo bancário é uma coisa do passado", disse Brown, que ressaltou que é necessário "limpar os bancos" para restabelecer as linhas de crédito a empresas e cidadãos, e que também haverá novas regras sobre os bônus de banqueiros.

Entre as medidas concretas, o G-20 se comprometeu a direcionar US$ 1 trilhão aos organismos financeiros multilaterais com o objetivo de ajudar os países com problemas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) terá seus recursos triplicados e receberá US$ 500 bilhões, além dos US$ 250 bilhões já comprometidos com o organismo.

Os líderes políticos do G-20, grupo que representa 85% da economia mundial e dois terços da população, também concordaram em tomar medidas concretas contra o protecionismo e decidiram estabelecer sanções aos paraísos fiscais.

Obama diz que Lula é 'o político mais popular na Terra'
BBC Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira em Londres que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o "político mais popular da Terra". Obama fez o comentário em uma roda de líderes mundiais, pouco antes do início da reunião do G20, em uma sala de conferência do Excel Center, em Londres.Um vídeo da BBC registra a cena em que os dois se cumprimentam. Obama troca um aperto de mãos com o presidente brasileiro, olha para o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, e diz, apontando para Lula: "Esse é o cara! Eu adoro esse cara!".Em seguida, enquanto Lula cumprimenta Rudd, Obama diz, novamente apontando para Lula : "Esse é o político mais popular da Terra".Rudd aproveita a deixa e diz : "O mais popular político de longo mandato"."É porque ele é boa pinta", acrescenta Obama.
Brasil vai pôr dinheiro no FMI
Lula diz que país participará de esforço internacional para injetar US$ 1 tri nas economias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o Brasil está pronto para injetar dinheiro no Fundo Monetário Internacional (FMI), como forma de ajudar numa solução para a crise global e a reforma da instituição.
- O Brasil não vai agir como se fosse um paisinho pequeno e sem importância - afirmou o presidente, a caminho da reunião de cúpula do G-20 (grupo de países ricos e principais emergentes), que começa hoje em Londres, em clima de quebra-quebra e muitos protestos. As manifestações deixaram dezenas de feridos, um morto e 63 presos.
Lula não disse quanto o país aplicaria no Fundo. Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, revelou que os países do G-20 estão negociando uma injeção de até US$ 1 trilhão, não apenas no FMI mas também em outras instituições multilaterais, como o Banco Mundial, para socorrer os países que não estão conseguindo crédito. A medida está condicionada a que os recursos sejam só para países pobres e emergentes
O Globo
FHC 0 X LULA 1000
FHC fez vários empréstimos junto ao FMI, quebrou o país. Deixou para o governo Lula a herança maldita da divida, que o governo Lula pagou. O governo Lula não pede empréstimo ao FMI. No governo Lula, o Brasil está pronto para injetar dinheiro no Fundo Monetário Internacional (FMI), como forma de ajudar numa solução para a crise global e a reforma da instituição.
Verba desviada por Maluf começa a voltar ao Brasil
Banco alemão se comprometeu a repatriar US$ 5 milhões
Mais US$ 22 milhões foram bloqueados nas Ilhas Jersey

O Deutsche Bank, maior casa bancária da Alemanha, comprometeu-se a devolver ao Brasil US$ 5 milhões desviados de obras públicas tocadas pela prefeitura de São Paulo.

Investigação conduzida pelo promotor Sílvio Marques concluiu que a malversação foi feita à época em que a cidade era comandada por Paulo Maluf (PP-SP).

O acordo para a repatriação do butim deve ser assinado na próxima segunda (6) entre o Deutsche e o Ministério Público de São Paulo.

Graças a uma ação conjunta da prefeitura paulistana e da Promotoria, foram bloqueados outros US$ 22 milhões malversados em São Paulo.

O dinhheiro está depositado no sistema bancário das Ilhas Jersey, um paraíso fiscal europeu. De novo, os desvios são atribuídos a Maluf.

O bloqueio foi assegurado por uma decisão liminar (provisória) da Corte Real de Jersey. A expectativa das autoridades brasileiras é a de obter a repatriação.
Blog do Josias de Souza
A rainha Elizabeth II, da Inglaterra (ao centro), e os líderes do G20, grupo dos países ricos e emergentes, no Palácio de Buckinham, em Londres. Em um dos encontros prévios ao encontro do G20, que acontecerá nesta quinta-feira.Prestigiado o presidente Lula sentou-se ao lado da rainha Elizabeth II na foto oficial da visita que reuniu líderes de todo o mundo.
O governo federal vai disponibilizar em um portal na internet os documentos em poder do Arquivo Nacional referentes ao período da ditadura militar, entre 1964 e 1982. Intitulado de "Portal Memória Reveladas", o site vai digitalizar os documentos para que a população tenha acesso ao seu conteúdo.
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MÁ NOTÍCIA PARA A OPOSIÇÃO
Venda de veículos volta a bater recorde
Com o IPI reduzido e a retomada das linhas de crédito, mercado automotivo do país registrou o melhor março da históriaNo 1º trimestre, a indústria também obteve o melhor desempenho para o período; segundo analistas, ao menos por ora a crise foi afastada

A indústria automotiva voltou a bater recordes, como se a crise já tivesse ficado para trás após a redução do IPI sobre carros e a retomada do crédito.O setor teve no mês passado o melhor resultado de vendas para um mês de março. Foram vendidos 271.494 veículos -entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus-, volume 17% superior ao registrado no mesmo mês de 2008, conforme apurou a Folha.Trata-se do segundo mês mais expressivo para a indústria automotiva, atrás de julho de 2008, quando foram vendidas 288.137 unidades.No acumulado, o setor também bateu recorde -foi o melhor primeiro trimestre da história, com o emplacamento de 668.314 veículos."Pelo menos por enquanto, as medidas adotadas foram suficientes para retirar o setor da crise", afirmou o consultor automotivo André Beer, ex-presidente da Anfavea (associação das montadoras).
DEM O PREFERIDO DA CC
Andar de cima.
Lobista da Fiesp flagrado nos grampos da Operação Castelo de Areia, Luiz Henrique Bezerra responde, na estrutura montada pela federação em Brasília, ao ex-senador Rodolpho Tourinho (DEM-BA).
Por fora 1.
Conversa telefônica entre Bezerra e um diretor da Camargo Corrêa em 29 de setembro do ano passado, pouco antes do primeiro turno das eleições municipais. "Posso passar no Fiesp? Ou outro e-mail?", pergunta Fernando Dias Gomes sobre comprovantes de doações feitas a políticos. "É melhor no outro", orienta Bezerra.
Por fora 2.

Ao autorizar a quebra do sigilo de e-mail do lobista da Fiesp, a Procuradoria alegou que o endereço poderia "vir a ser utilizado para a prática de atividades ilícitas".
Painel Folha de São Paulo
Construtora financia político em cidade onde é investigada
Camargo Corrêa é alvo por suposto não recolhimento de impostos em Nortelândia (MT)Promotoria também apura crimes ambientais na obra da usina da empreiteira, que fez doações à campanha do prefeito e de vereadores
FÁBIO ZANINIENVIADO ESPECIAL A NORTELÂNDIA (MT)
A construtora Camargo Corrêa, no foco da investigação da Operação Castelo de Areia, é a financiadora eleitoral da elite política de algumas cidades no interior do país em que mantém interesses econômicos. É o caso de Nortelândia, uma cidadezinha de 6.200 habitantes a três horas de carro de Cuiabá.Metade da área do município, equivalente a meia cidade de São Paulo, fica atrás dos muros e das cercas da fazenda Camargo, estabelecida em 1970.Gigante econômica numa cidade com economia frágil e baixos indicadores sociais, a empresa teve peso decisivo no resultado da última eleição municipal. Foi ela a maior doadora privada para o prefeito, Neurilan Fraga (PR), e para 5 dos 9 vereadores, segundo dados declarados à Justiça Eleitoral.Atenção semelhante recebem outras cidades em que a empresa tem obras, na análise de suas doações declaradas em 2008. É o caso de Iranduba (AM), Ribas do Rio Pardo (MS) e Glória de Dourados (MS).InvestigaçãoNo caso de Nortelândia, o apoio político local vem a calhar para a empresa, investigada desde o ano passado pelo Ministério Público Estadual. A suspeita é de que sua usina hidrelétrica particular tenha alterado a vazão do rio Santana, que corta o município, reduzindo a população de peixes pintados e dourados e matando a atividade pesqueira local. Há também uma investigação sobre o não recolhimento de impostos.O prefeito e os vereadores, aliados declarados da empresa, são da opinião de que não se deve fiscalizar suas atividades.Há pelo menos cinco anos não é feita uma audiência pública na Câmara que tenha como tema as atividades da Camargo. "Quem tem de fiscalizar é o governo estadual. Nós não temos competência para isso", diz o vereador Luiz Garcia (PPS), financiado por ela.A distribuição dos recursos para o prefeito, cinco vereadores e dois suplentes -da mesma coligação- foi sacramentada em 12 de setembro, numa reunião na fazenda. Cada escolhido recebeu um cheque. O prefeito teve metade da campanha bancada pela Camargo. Recebeu R$ 54 mil, cinco vezes mais do que tudo que levantou seu único adversário. A campanha custou R$ 43 por voto. A de Gilberto Kassab (DEM), em São Paulo, R$ 14 por voto.Pelas ruas esburacadas do centro, praticamente todas as casas ainda exibem adesivos amarelados da campanha de Neurilan. "Busquei o recurso junto a gerentes da empresa que conheço. É claro que ajudou muito", afirma o prefeito.Os vereadores receberam cotas de R$ 3.000 cada um -em alguns casos, isso respondeu por 40% de tudo o que arrecadaram. Todos são do mesmo grupo, que há dois mandatos controla a cidade, embora pertençam a partidos diferentes: DEM, PMDB, PSDB, PPS e PR."Nosso grupo procurou a empresa e fomos agraciados com essas contribuições", afirma o vereador Benedito Mayer (PMDB). "É uma cidade de economia fraca, qualquer doação que entra faz muita diferença", diz o presidente da Câmara, Aníbal Oliveira (DEM).Em 68 mil hectares, a fazenda cria 14.500 cabeças de gado nelore, planta 9.124 hectares de soja, 1.200 de milho e 300 de sorgo. A usina hidrelétrica tem capacidade de 4,2 MW e foi construída com R$ 15 milhões de recursos do BNDES. A Promotoria apura assoreamento do rio, desmatamento de vegetação ciliar e a criação desordenada de javalis (uma praga para as pequenas lavouras locais).São 160 empregos gerados (muito pouco, segundo moradores) e nenhum centavo de imposto recolhido ao município. Por estar em área rural, a fazenda não paga IPTU. Também não recolhe ISS nem paga royalties pelo uso da água do rio. Todos os pontos estão sendo investigados. "É no mínimo imoral que essa empresa tenha pago tantas campanhas de políticos do município", afirma a promotora Claire Dutra.
Delegado da PF: só poder político gera indignação
Marcela Rocha
Especial para Terra Magazine
Em entrevista a Terra Magazine, o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Sandro Torres Avelar, discorda da necessidade de maior fiscalização da PF e do Ministério Público Federal, defendida pelo presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes. E rebate as críticas sobre os supostos "abusos" cometidos pelos delegados federais.


- Todos sabem que o tratamento é diferenciado. Só houve indignação das autoridades quando se mexeu com gente de poder político e econômico bastante grande. Quando uma pessoa sem recursos é presa, ela é esquecida. Quando é uma pessoa de nível econômico mais elevado, o nível de indignação é elevado também e em pouquíssimo tempo a situação é revertida.


Em palestra ministrada na Faculdade de Direito no Largo São Francisco, em São Paulo, Gilmar Mendes criticou a ausência de controle do Ministério Público Federal sobre a Polícia Federal. Fez coro à série de críticas à Operação Castelo de Areia, que prendeu diretores da construtora Camargo Corrêa sob a acusação de crimes financeiros.


Para o delegado, "todas as instituições devem ser fiscalizadas. Acho também que a PF já é extremamente fiscalizada, pelo MPF, pelo Poder Judiciário e pela sociedade".
- Não existe instituição sob maior controle do que a Polícia Federal. E mais: inclusive o Poder Judiciário tem que ser submetido a um controle.
Gilmar Mendes defendeu a criação de uma vara especializada para controlar as atividades policiais, pois, para ele, alguns membros do MPF não só não fiscalizam como contribuem com os abusos cometidos pela PF.
Questionado sobre os "abusos" cometidos pela PF e a necessidade de fiscalizações mais rigorosas, o delegado Torres discorda da afirmação. E sugere:
- Seria positivo um conselho comum com votos paritários entre juízes, membros do MP, delegados e representantes da OAB para poder fiscalizar todo mundo. Com isso, haveria um controle em cima de todas essas instituições: Ministério Público, Poder Judiciário, Polícia Federal.
O que mais preocupa o presidente da associação é a falta de julgamentos e condenações por parte de quem tem foro privilegiado, ou seja, que são julgados pelos tribunais superiores. Chama atenção a alguns números que, segundo ele, "desmoralizam todo o sistema":
- No Supremo Tribunal Federal, de 1988 para cá, houve 140 processos de quem tem foro privilegiado. Destes, menos de 15 foram julgados e nunca, ninguém foi condenado. Eu não posso pressupor que nesses 140 processos o trabalho da PF e do MP tenha sido mal feito.
Para bom entendedor meia palavra basta: "Não adianta tentar aperfeiçoar a polícia, enquanto esses dados desmoralizam todo o sistema", conclui o delegado Torres.
Veja a entrevista na íntegra:
Terra Magazine - Acredita faltar fiscalização sobre a Polícia Federal e Ministério Público?

Sandro Torres Avelar - Acho que todas as instituições devem ser fiscalizadas. Acho também que a PF já é extremamente fiscalizada, pelo MPF, pelo Poder Judiciário e pela sociedade. Não existe instituição sob maior controle do que a Polícia Federal. E mais, inclusive o Poder Judiciário tem que ser submetido a um controle.
Então por que o presidente do Supremo afirma faltar controle, fiscalização?

Eu discordo dessa afirmação. Tanto a PF quanto o MPF estão realizando um trabalho que merece aplausos. Exageros devem ser sempre combatidos no âmbito administrativo e as devidas providências precisam ser tomadas. Mas não concordo que a PF ou o MPF precisem de um controle especial. Se for para existir algum tipo de controle especial é preciso que se pense com precisão quem o fará.
Quem?

Na minha opinião, seria positivo um conselho comum com votos paritários entre juízes, membros do MP, delegados e representantes da OAB para poder fiscalizar todo mundo. Com isso, haveria um controle em cima de todas essas instituições: Ministério Público, Poder Judiciário, Polícia Federal. Todas as instituições merecem sofrer controle e nenhuma delas é mais controlada do que a PF.
Concorda que existiram exageros na Operação Castelo de Areia no que tange à prisão dos suspeitos para levantamento dos dados e depoimentos?

Como avalia a mobilização das autoridades em torno destes casos de maior visibilidade?

Falar nisso é chover no molhado. Todos sabem que o tratamento é diferenciado. O País inteiro sabe que só houve indignação das autoridades quando se mexeu com gente de poder político e econômico bastante grande. Quando uma pessoa sem recursos é presa, ela é esquecida. Quando é uma pessoa de nível econômico mais elevado, o nível de indignação é elevado também e em pouquíssimo tempo a situação é revertida.
Isto não preocupa o senhor?

A juíza que concedeu o habeas corpus avaliou a situação e tem poder para decidir. Não é isto o que me preocupa, mas a falta de julgamentos e condenações por parte de quem tem foro privilegiado, ou seja, que são julgados pelos tribunais superiores. No Supremo Tribunal Federal, de 1988 para cá, houve 140 processos de quem tem foro privilegiado. Destes, menos de 15 foram julgados e nunca, ninguém foi condenado. Eu não posso pressupor que nesses 140 processos o trabalho da PF e do MP tenha sido mal feito. Então, vemos que o sistema está errado. É necessário proibir eventuais abusos da PF, mas que também não se propicie esse tipo de dado desmoralizador de todo o sistema. Se o Supremo não tem condições de julgar esses processos, que urgentemente se modifique a legislação e passem a ser julgados por quem tem condições de fazê-lo. Senão, não adianta tentar aperfeiçoar a polícia, enquanto esses dados desmoralizam todo o sistema.
Terra Magazine