15 outubro 2009

Vice de Yeda diz que irá depor na CPI e que tem provas de caixa 2
Guilherme Mergen
Direto de Porto Alegre

Convidado para depor na CPI da Corrupção, instalada na Assembleia Legislativa gaúcha para investigar denúncias de irregularidades na administração de Yeda Crusius, o vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Feijó (DEM), confirmou que comparecerá à comissão no dia 26 deste mês. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, ele afirmou que apresentará provas do suposto esquema de caixa 2 na campanha tucana em "momento adequado".

Na última sexta-feira, a RBS TV divulgou o vídeo do depoimento de Feijó ao Ministério Público Federal em agosto deste ano, poucos dias antes dos procuradores ajuizarem ação de improbidade administrativa contra Yeda Crusius e outros oito políticos. Na oitiva, o vice-governador detalhou como funcionava o suposto caixa 2 e prometeu entregar aos procuradores as provas, como os e-mails que trocava com o tesoureiro da campanha, Rubens Bordini.

"Vou à CPI para tentar agregar e dizer a verdade dentro do que eu sei. Em um fórum adequado, seja na CPI ou no Judiciário, vou mostrar o que tenho. Não posso antecipar mais nada. Já errei em outras oportunidades ao tornar as informações públicas antes de repassá-las aos órgãos investigadores", disse Feijó nesta quarta-feira. Durante a entrevista, o vice-governador informou que até o momento o MPF não solicitou as provas citadas no depoimento.


Apesar de cauteloso, Feijó fez críticas aos que chamou de "autores" da crise política instalada no Rio Grande do Sul. "Fico chocado ao ver o Estado perdendo credibilidade, mas não surpreso. Da mesma forma, acredito que a sociedade está atenta e não será iludida por aqueles que se alimentam do dinheiro público", disse.

Relação com Yeda
Fragilizada desde a campanha para o segundo turno das eleições em 2006, a relação de Paulo Feijó com a governadora Yeda Crusius foi rompida no ano passado. Nesta quarta-feira, Feijó afirmou que o seu último contato com a governadora foi em abril de 2008, quando assumiu interinamente o governo. "Eu nunca tive problema com Yeda. Ela que tem comigo", disse.

No último fim de semana, o rompimento entre os dois fez com que Yeda Crusius desistisse de uma viagem de nove dias aos Estados Unidos, onde se reuniria com o Banco Mundial para discutir a liberação de uma parcela de US$ 450 milhões de empréstimo ao governo gaúcho. Com os boatos de que sindicatos dos servidores planejavam acionar a Justiça para garantir a posse interina de Feijó, Yeda classificou a intenção como um "golpe" e disse temer uma "atitude perigosa" do vice.

Nesta quarta-feira, Feijó negou qualquer intenção de acionar a Justiça para assumir interinamente. "Desconheço qualquer atitude nesse sentido. De qualquer forma, já disse à governadora que, se for por uma questão pessoal, posso marcar uma viagem internacional no mesmo período que ela for deixar o País. Assim, quem assume é o presidente da Assembleia Legislativa."

Para Feijó, as declaração de governistas de que ele tentaria assumir mesmo sem o consentimento da tucana são "paranóias" e buscam desviar o foco sobre a crise no governo. "Falar em golpe é querer tirar o foco sobre o dia a dia do governo, da corrupção. Mas a sociedade vai dar uma resposta a essa crise", afirmou sem dar detalhes.

Ao ser questionado sobre suas pretensões políticas para 2010, o vice-governador foi cauteloso e disse que caberá ao seu partido (DEM) definir o seu papel nas eleições do próximo ano. "O partido vai decidir se eu serei candidato ao governo do Estado, à Câmara dos Deputados, ou apenas ajudarei a sigla em outras candidaturas", afirmou.
Redação Terra