Livro de poemas sobre os porões da ditadura será lançado hoje, em Brasília
A Editora Fundação Perseu Abramo, em coedição com a Publischer Brasil, lança nesta quarta-feira (28), em Brasília, o livro Poemas do Povo da Noite, de Pedro Tierra, pseudônimo de Hamilton Pereira da Silva. A reedição do livro, escrito nas prisões pelas quais passou o escritor entre os anos de 1972 e 1977, marca os 30 anos da Lei de Anistia. Poemas do Povo da Noite é uma das obras que retratam os procedimentos do regime militar no Brasil. O lançamento do livro, com a presença do autor, será no Instituto Cervantes, a partir das 20h.
Hamilton Pereira da Silva, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), foi preso em 10 de junho de 1972, quando tinha 24 anos, em Anápolis, Goiás. Era acusado de subversão e de atentar contra a segurança nacional. Submetido a longos períodos de tortura, aos quais o autor costuma se referir como "interrogatórios", permaneceu cerca de três meses incomunicável em quartéis do Exército em Goiânia e em Brasília.
Leitor e apreciador de literatura desde a adolescência, Hamilton encontrou na poesia uma maneira de se manter "vivo e lúcido na cadeia", como forma de resistência e de comunicação com o mundo exterior. Como registra o jornalista, escritor, doutor em Comunicação e Cultura e atual deputado Emiliano José (PT-BA), "Hamilton tinha a capacidade de viver poesia, de mergulhar na tragédia e nas dores humanas depois de experimentá-las na própria carne".
Seus poemas descrevem os duros momentos passados pelos presos políticos, as torturas, a morte de muitos deles e a luta pela vida dos que resistiram às sevícias. São poemas em que palavras como "sangue", "morte", "luta" e "companheiro" aparecem com freqüência. A homenagem a companheiros mortos é também tratada no livro.
Primeira edição
A primeira edição do livro ocorreu na Espanha. O volume em espanhol, premiado pela Casa de las Américas deu origem à primeira edição integral e comercial do livro em 1978. Ainda em 1978 uma revista alemã publicou poemas da obra de Pedro Tierra, além de textos de Josué de Castro, D. Hélder Câmara, Thiago de Mello, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Esta publicação foi "Um novo céu - Uma nova Terra", lançada em tiragem de 35 mil exemplares. Nesta revista, pela primeira vez, revelou-se que Pedro Tierra era pseudônimo de Hamilton Pereira.
Somente em 1979, após esse percurso internacional, Poemas do Povo da Noite chegou ao Brasil. Publicado pela Editorial Livramento, de São Paulo, o livro teve uma tiragem de 3.980 exemplares, com as mesmas ilustrações da edição espanhola e da edição original que foi organizada pelo então advogado do autor no Brasil, o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh.
www.ptnacamara.org.br
A Editora Fundação Perseu Abramo, em coedição com a Publischer Brasil, lança nesta quarta-feira (28), em Brasília, o livro Poemas do Povo da Noite, de Pedro Tierra, pseudônimo de Hamilton Pereira da Silva. A reedição do livro, escrito nas prisões pelas quais passou o escritor entre os anos de 1972 e 1977, marca os 30 anos da Lei de Anistia. Poemas do Povo da Noite é uma das obras que retratam os procedimentos do regime militar no Brasil. O lançamento do livro, com a presença do autor, será no Instituto Cervantes, a partir das 20h.
Hamilton Pereira da Silva, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), foi preso em 10 de junho de 1972, quando tinha 24 anos, em Anápolis, Goiás. Era acusado de subversão e de atentar contra a segurança nacional. Submetido a longos períodos de tortura, aos quais o autor costuma se referir como "interrogatórios", permaneceu cerca de três meses incomunicável em quartéis do Exército em Goiânia e em Brasília.
Leitor e apreciador de literatura desde a adolescência, Hamilton encontrou na poesia uma maneira de se manter "vivo e lúcido na cadeia", como forma de resistência e de comunicação com o mundo exterior. Como registra o jornalista, escritor, doutor em Comunicação e Cultura e atual deputado Emiliano José (PT-BA), "Hamilton tinha a capacidade de viver poesia, de mergulhar na tragédia e nas dores humanas depois de experimentá-las na própria carne".
Seus poemas descrevem os duros momentos passados pelos presos políticos, as torturas, a morte de muitos deles e a luta pela vida dos que resistiram às sevícias. São poemas em que palavras como "sangue", "morte", "luta" e "companheiro" aparecem com freqüência. A homenagem a companheiros mortos é também tratada no livro.
Primeira edição
A primeira edição do livro ocorreu na Espanha. O volume em espanhol, premiado pela Casa de las Américas deu origem à primeira edição integral e comercial do livro em 1978. Ainda em 1978 uma revista alemã publicou poemas da obra de Pedro Tierra, além de textos de Josué de Castro, D. Hélder Câmara, Thiago de Mello, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Esta publicação foi "Um novo céu - Uma nova Terra", lançada em tiragem de 35 mil exemplares. Nesta revista, pela primeira vez, revelou-se que Pedro Tierra era pseudônimo de Hamilton Pereira.
Somente em 1979, após esse percurso internacional, Poemas do Povo da Noite chegou ao Brasil. Publicado pela Editorial Livramento, de São Paulo, o livro teve uma tiragem de 3.980 exemplares, com as mesmas ilustrações da edição espanhola e da edição original que foi organizada pelo então advogado do autor no Brasil, o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh.
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