
Revelados detalhes do manual de torturas da CIA
A CIA, o principal serviço secreto americano, seguia um detalhado manual de torturas para interrogar prisioneiros sob a suspeita de terrorismo.
Giuliana Morrone Nova York
Os detalhes foram revelados nesta quinta-feira pelo jornal "Washington Post".
O mais grotesco nesse manual de tortura, fora a indecência moral de quem imagina uma coisa dessas, é o empenho da CIA em ensinar a bater sem machucar.
O manual faz parte de uma série de documentos sigilosos sobre o tratamento dado aos prisioneiros de grande importância em prisões secretas no exterior. Um dos detidos, que trabalhava como tradutor de Osama Bin Laden, foi mantido acordado por seis dias seguidos.
O manual traz detalhes escabrosos sobre como torturar suspeitos sem provocar danos físicos permanentes. Por ironia, em relatórios internos, a direção da CIA manifestava o medo de que, se viesse a público, o manual poderia comprometer a imagem da agência.
A CIA concebeu uma lista com o que chamou de técnicas melhoradas de interrogatório.
Técnicas como a do muro: preso numa coleira, o suspeito era jogado repetidamente contra as paredes e o chão da cela. Uma toalha enrolada no pescoço e na cabeça, diz o manual, evita traumas nessas regiões.
E qual melhor maneira de estapear o rosto do suspeito em um interrogatório? O manual ensina.
Os interrogadores também podiam prender o suspeito dentro de uma caixa preta e deixá-lo ali durante 18 horas. Se fosse preciso mais pressão, insetos eram colocados dentro da caixa.
A CIA ensinava como obrigar os presos a assumir posições incômodas e mantê-los acordados por onze dias seguidos. Quando tudo isso falhava, amarravam o preso em um banco, enfiavam trapos em sua boca e nariz e jogavam água em seu rosto. "O fluxo de ar é interrompido de 20 a 40 segundos e a técnica produz a sensação de afogamento", diz o relatório.
Recordando
O Capitão Charles Rodney Chandler, tido como herói na guerra do Vietnã, era agente da CIA. Foi morto no Brasil, em outubro de 1968, em uma ação de guerrilha urbana contra a ditadura. Durante a guerra do Vietnã, desenvolveu técnicas de tortura tidas como infalíveis. Veio para o Brasil disfarçado de aluno de sociologia na Fundação Álvares Penteado, para treinar os torturadores da ditadura militar, ensinar essas técnicas de tortura que foram eficazes contra os vietnamitas. Ou alguém acredita que um militar americano, pretenso herói na guerra do Vietnã, tendo à disposição as melhores universidades dos EUA, tenha preferido uma bolsa de estudo para a Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado, no Brasil?
A CIA, o principal serviço secreto americano, seguia um detalhado manual de torturas para interrogar prisioneiros sob a suspeita de terrorismo.
Giuliana Morrone Nova York
Os detalhes foram revelados nesta quinta-feira pelo jornal "Washington Post".
O mais grotesco nesse manual de tortura, fora a indecência moral de quem imagina uma coisa dessas, é o empenho da CIA em ensinar a bater sem machucar.
O manual faz parte de uma série de documentos sigilosos sobre o tratamento dado aos prisioneiros de grande importância em prisões secretas no exterior. Um dos detidos, que trabalhava como tradutor de Osama Bin Laden, foi mantido acordado por seis dias seguidos.
O manual traz detalhes escabrosos sobre como torturar suspeitos sem provocar danos físicos permanentes. Por ironia, em relatórios internos, a direção da CIA manifestava o medo de que, se viesse a público, o manual poderia comprometer a imagem da agência.
A CIA concebeu uma lista com o que chamou de técnicas melhoradas de interrogatório.
Técnicas como a do muro: preso numa coleira, o suspeito era jogado repetidamente contra as paredes e o chão da cela. Uma toalha enrolada no pescoço e na cabeça, diz o manual, evita traumas nessas regiões.
E qual melhor maneira de estapear o rosto do suspeito em um interrogatório? O manual ensina.
Os interrogadores também podiam prender o suspeito dentro de uma caixa preta e deixá-lo ali durante 18 horas. Se fosse preciso mais pressão, insetos eram colocados dentro da caixa.
A CIA ensinava como obrigar os presos a assumir posições incômodas e mantê-los acordados por onze dias seguidos. Quando tudo isso falhava, amarravam o preso em um banco, enfiavam trapos em sua boca e nariz e jogavam água em seu rosto. "O fluxo de ar é interrompido de 20 a 40 segundos e a técnica produz a sensação de afogamento", diz o relatório.
Recordando
O Capitão Charles Rodney Chandler, tido como herói na guerra do Vietnã, era agente da CIA. Foi morto no Brasil, em outubro de 1968, em uma ação de guerrilha urbana contra a ditadura. Durante a guerra do Vietnã, desenvolveu técnicas de tortura tidas como infalíveis. Veio para o Brasil disfarçado de aluno de sociologia na Fundação Álvares Penteado, para treinar os torturadores da ditadura militar, ensinar essas técnicas de tortura que foram eficazes contra os vietnamitas. Ou alguém acredita que um militar americano, pretenso herói na guerra do Vietnã, tendo à disposição as melhores universidades dos EUA, tenha preferido uma bolsa de estudo para a Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado, no Brasil?