17 junho 2009

Rui Falcão vem à região e fala sobre erros e acertos do PT

Kleber Werneck
A redação do ABC Repórter, em São Caetano, recebeu ontem a visita do deputado estadual Rui Falcão. Ele é um dos cardeais do PT em São Paulo. Participa das principais decisões da legenda em âmbito estadual e também foi atuante no governo da ex-prefeita Marta Suplicy. A seguir, alguns trechos da entrevista exclusiva concedida ao jornalista Walter Estevam Jr. Falcão falou das eleições em São Paulo, do PT no ABC, da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República, entre outras coisas.

ABC Repórter – Apesar de todas as conquistas do PT, tendo chegado, inclusive, à Presidência, o senhor defende uma modernização do partido?

Rui Falcão – Nós estamos na era da internet, do e-mail, chegou a hora do PT conversar mais com os filiados usando esses recursos tecnológicos. Temos que ter mecanismos de participação mais diretos. O que também implica em reforma política. Mecanismos como plebiscito, referendo. Para mim, estas questões são mais importantes em reforma política do que financiamento de campanha – que também é importante, você diminuir o peso do poderio econômico. Mas, a mudança precisa ser mais geral. E o PT é o partido que mais tem condições de caminhar nesta direção.

ABC Repórter – Uma vez o senhor disse que o PT ficou bem próximo do que era o PSDB. É isso mesmo que está acontecendo?

Falcão – Alguns setores da imprensa diziam: O PT e o PSDB são irmãos gêmeos. Você precisaria aliar a competência gerencial do PSDB à preocupação social do PT. Na verdade são projetos muito distintos. Não existe essa capacidade gerencial do PSDB. Se nós pegarmos aqui em São Paulo o exemplo do governador José Serra, você tem um balanço dos primeiros anos de governo: menos de 60% das metas que ele mesmo propôs foram cumpridas. Você tem entraves nas obras do metrô, nas obras do Rodoanel. Onde está essa capacidade gerencial? O PSDB virou o partido que articula, junto com o DEM, aquele setor mais conservador da sociedade. Um setor que perdeu sua representação com a queda do malufismo e a morte do ACM (Antonio Carlos Magalhães) na Bahia. Não há como querer essa aproximação entre os dois partidos.

ABC Repórter – O governo na Marta Suplicy, não foi reconhecido nas urnas. Por que?

Falcão – São Paulo é um estado muito difícil para o PT. Basta ver que o Lula só ganhou no estado uma única vez: em 2002, justamente quando a prefeita de São Paulo era Marta Suplicy. Há um setor da sociedade, que representa um terço, que sempre rejeita o PT. Seja qual for o candidato. O governo da Marta também mexeu com alguns poderes constituídos. Fez o bilhete único, o bolsa escola, mudou totalmente o perfil da cidade. Infelizmente, o peso da mídia conservadora e da máquina do governo do estado se voltaram contra a nossa campanha.

ABC Repórter – O momento no PT é de discutir a sucessão na Presidência da República. A candidata Dilma Rousseff tem subido assustadoramente nas pesquisas. Você acha que vai chegar o momento dela caminhar com as próprias pernas?

Falcão – Nós temos um grande eleitor, uma grande liderança que é o presidente Lula. Inicialmente, ele é quem vai impulsionar a candidatura da ministra Dilma Rousseff, que oficialmente ainda não é candidata. Mas, a ministra também é uma pessoa de grande valor, que conhece o Brasil todo, todos os programas do governo Lula, é a principal gestora do PAC.

ABC Repórter – O PT já tem candidato para o Governo do Estado?

Falcão – Ainda não. Nós já definimos um detalhe importante: que é uma candidatura própria do PT que será apresentada aos partidos aliados. Isso já foi definido pelo diretório estadual. Temos grandes nomes.
ABC Repórter – Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, seria o primeiro?

Falcão – O Palocci é o primeiro nome na preferência. Ele aguarda não só uma decisão judicial que será favorável, mas também o melhor momento para anunciar essa decisão. Temos um ano e pouco para eleição. Queremos uma proposta mais acabada para oferecer a população. E esse nome vai representar essa proposta. O próprio governador José Serra não se apresenta como candidato.
ABC Repórter – O ABC sempre foi considerado um reduto petista. Mas, o que acontece em São Caetano que o partido tem dificuldade para ser governo?

Falcão – O partido precisar conhecer melhor a realidade local. Ter um programa específico para a cidade. Não é verdade que o PT só vai bem em cidades que estão em crise, tem muita pobreza. São Caetano tem programa de desenvolvimento cientifico e tecnológico, tem uma classe média atuante e influente. E nós temos condições de dialogar com essa sociedade.

ABC Repórter – O Hamilton Lacerda e o José Dirceu são pessoas que devem voltar para o partido?
Falcão – Nada se provou contra o José Dirceu, eu acho que ele será absolvido na Justiça e continua atuando politicamente. É uma liderança reconhecida nacionalmente. Pelo
papel que ele ocupava, ele foi atingido porque queriam evitar a reeleição do presidente Lula.