
Joaquim Barbosa, o "cara" da vez)
O deputado federal Michel Temer (PMDB), presidente do Congresso Nacional, afirmou que a instituição precisa se "reconciliar com a opinião pública". Até aí tudo bem. Surpreendeu-me, no entanto, a frase seguinte: "e com a opinião publicada". O conceito de opinião publicada ganhou notoriedade a partir de 2006, quando se começou a perceber a diferença cada vez mais profunda entre o que pensa a sociedade, incluindo aí suas elites intelectuais, e a opinião de meia dúzia de colunistas e apresentadores de televisão. Há tempos que venho percebendo, por parte dos parlamentares de todos os matizes ideológicos, uma tomada de consciência sobre a hostilidade visceral da imprensa contra o parlamento brasileiro. Trata-se de um fenômeno anterior ao governo Lula e que reforça minha crença de que a imprensa vem se tornando, cada vez mais, um elemento nocivo ao espírito democrático.O deputado federal Ciro Gomes, do PSB, esclarece que há mais de 40 anos os parlamentares têm direito a passagens aéreas, para si e para terceiros. Não há restrição a parentes, amigos ou amantes. É um privilégio? Sim, é um privilégio, que dura 4 anos. É um gasto alto? Sim, é um gasto alto. Mas uma democracia custa caro. Na moderna e industrializada Inglaterra, os contribuintes pagam passagens aéreas para membros da família real viajarem para onde quiserem - não por 4 anos, mas pela vida inteira. Em todas as monarquias do mundo, sempre ocorreu a mesma coisa. Isso sim eu acho um absurdo, porque sou contra a monarquia. Sou partidário do regime democrático e republicano, onde elegemos 513 deputados federais, pagamos-lhes salários de 17 mil reais, damos-lhe passagens aéreas, ajuda de custo para residência, verba de gabinete, dentre outros privilégios. É muita coisa? Não sei. Talvez sim, talvez não. A sociedade lhes concede esses privilégios de boa vontade, democraticamente, para que eles tenham mobilidade e força para enfrentar os grandes inimigos da pátria. Se não o fazem, é outra história. Mas um deputado não é, pelo menos teoricamente, um adversário do povo - é antes seu aliado, seu representante! O que eu sei é que um deputado precisa de passagens aéreas para seu exercício parlamentar. Tanto é que todos os parlamentos do mundo oferecem passagens aéreas a seus membros. Nos Estados Unidos, segundo Ciro Gomes, os deputados têm um cartão de crédito de valor quase ilimitado exclusivamente para viagens aéreas. Fiquei sabendo ainda que os deputados de Alagoas custam muito mais, per capita, do que seus colegas federais. E aí? O interesse da mídia, todavia, é criar problema no âmbito federal; os estados que se danem.Existem abusos? Sim, mas é preciso não esquecer que a orientação da casa era de que as passagens aéreas estavam disponíveis para uso pessoal dos parlamentares. Como se fizesse parte do salário. Se eles usavam sem sabedoria, de forma deslumbrada, é um problema sério, mas não creio que justifique ataques midiáticos que causam uma virtual paralisia do Congresso Nacional, em plena crise econômica.O Nassif tem alertado continuamente: há escândalos muito mais graves no ar, envolvendo Daniel Dantas et caterva, e que remontam a um processo de privatização que, cada vez mais, exala um mau cheiro de algumas dezenas de bilhões de reais.O dinheiro dos parlamentares é, pelo menos, um privilégio legal, constitucional; o problema da corrupção está nos recursos desviados nas sombras da noite, na influência de grandes empresários sobre a consciência dos parlamentares, no conluio entre meios de comunicação e o crime organizado.*O escândalo anterior, sobre a quantidade enorme de diretores, foi mais ridículo ainda, porque se tratava, aparentemente, da estratégia de “patrão”, como se diz. Trabalhei numa gráfica que era assim. Todo mundo era diretor. Diretor de máquinas, diretor de informática. Diretor de diagramação. Era uma gráfica pequena, com poucos funcionários, mas tinha uns 10 diretores. A razão disso é dar auto-estima e senso de responsabilidade aos empregados. Se o número de empregados era excessivo é outra história. No entanto, criaram um factóide bombástico, como se os tais diretores fossem nababos ociosos, liderando hordas de funcionários incompetentes.*Enfim, a pergunta é: por que agora? Se os deputados usam passagens aéreas há décadas, e os jornalistas sempre tiveram acesso a essas informações, porque só agora transformaram isso num escândalo? A grande imprensa procura, mais uma vez, produzir instabilidade política. Alguém determinou que o papel da imprensa é atacar as instituições políticas, que passam a ser, sistematicamente, ridicularizadas. As informações relevantes sobre a economia brasileira - aumento ou redução da safra agrícola, projeções de receita de exportações, entrevistas sobre o pré-sal e sobre a construção das grandes refinarias, debates sobre as leis em trâmite no Congresso - tudo isso é omitido da população brasileira, para a qual é servida, diariamente, uma sopinha rala, de química altamente cancerígena, com toxinas ideológicas e mentiras deslavadas.*A imprensa, definitivamente, não respeita as instituições políticas ou o funcionalismo público. Venera quem ganha 1 milhão de reais no Big Brother, apresentadores de tv que faturam milhões por ano, mas um deputado federal, responsável pela execução de leis que mudarão a vida e o destino de várias gerações de brasileiros, não pode ganhar 17 mil reais por mês, não pode ganhar passagens aéreas e é um absurdo que receba auxílio moradia. A nossa imprensa, que na verdade é um partido político, gostaria de voltássemos à democracia censitária e aristocrática britânica do século XVII, quando parlamentares não recebiam salários e, portanto, tinham que ser muito ricos para financiar a sua atividade política. Como nossa elite aufere lucros astronômicos, fica óbvio que a gritaria contra os ganhos dos deputados visa hostilizá-los diante do populacho.As pessoas devem entender que o Brasil precisa de um parlamento confiante, bem remunerado, forte, que se sinta seguro para lutar a batalha ideológica contra os magnatas da comunicação e da indústria – e digo contra não no sentido de ser inimigo desses segmentos, e sim no de estabelecer um confronto democrático.*Torna-se, para mim, cada vez mais claro, que uma sociedade pós-industrial, com enorme concentração populacional e, portanto, convivendo com riscos colossais, como epidemias, crises econômias e instabilidades sociais, precisa criar regulamentação rígida para sua imprensa. Não no intuito de amordaçá-la, e sim no de instituir um verdadeiro regime de liberdade, que só ocorre quando há lei. O que vemos hoje é uma ditadura terrível de diretores de redação sobre a consciência e a ideologia de jornalistas.Por exemplo, o jornal O Globo publicou editoriais fortemente agressivos - embora disfarçados com o manto da ironia - contra instituição da hora extra em sua redação! Aliás, o fato do sindicato dos jornalistas do Globo, com apoio do sindicato municipal, ter obtido essa vitória, me deu uma grande alegria. Mostrou que ainda há vida, contradição e inquietude nas redações.
Acesse oleododiabo.blogspot.com
O deputado federal Michel Temer (PMDB), presidente do Congresso Nacional, afirmou que a instituição precisa se "reconciliar com a opinião pública". Até aí tudo bem. Surpreendeu-me, no entanto, a frase seguinte: "e com a opinião publicada". O conceito de opinião publicada ganhou notoriedade a partir de 2006, quando se começou a perceber a diferença cada vez mais profunda entre o que pensa a sociedade, incluindo aí suas elites intelectuais, e a opinião de meia dúzia de colunistas e apresentadores de televisão. Há tempos que venho percebendo, por parte dos parlamentares de todos os matizes ideológicos, uma tomada de consciência sobre a hostilidade visceral da imprensa contra o parlamento brasileiro. Trata-se de um fenômeno anterior ao governo Lula e que reforça minha crença de que a imprensa vem se tornando, cada vez mais, um elemento nocivo ao espírito democrático.O deputado federal Ciro Gomes, do PSB, esclarece que há mais de 40 anos os parlamentares têm direito a passagens aéreas, para si e para terceiros. Não há restrição a parentes, amigos ou amantes. É um privilégio? Sim, é um privilégio, que dura 4 anos. É um gasto alto? Sim, é um gasto alto. Mas uma democracia custa caro. Na moderna e industrializada Inglaterra, os contribuintes pagam passagens aéreas para membros da família real viajarem para onde quiserem - não por 4 anos, mas pela vida inteira. Em todas as monarquias do mundo, sempre ocorreu a mesma coisa. Isso sim eu acho um absurdo, porque sou contra a monarquia. Sou partidário do regime democrático e republicano, onde elegemos 513 deputados federais, pagamos-lhes salários de 17 mil reais, damos-lhe passagens aéreas, ajuda de custo para residência, verba de gabinete, dentre outros privilégios. É muita coisa? Não sei. Talvez sim, talvez não. A sociedade lhes concede esses privilégios de boa vontade, democraticamente, para que eles tenham mobilidade e força para enfrentar os grandes inimigos da pátria. Se não o fazem, é outra história. Mas um deputado não é, pelo menos teoricamente, um adversário do povo - é antes seu aliado, seu representante! O que eu sei é que um deputado precisa de passagens aéreas para seu exercício parlamentar. Tanto é que todos os parlamentos do mundo oferecem passagens aéreas a seus membros. Nos Estados Unidos, segundo Ciro Gomes, os deputados têm um cartão de crédito de valor quase ilimitado exclusivamente para viagens aéreas. Fiquei sabendo ainda que os deputados de Alagoas custam muito mais, per capita, do que seus colegas federais. E aí? O interesse da mídia, todavia, é criar problema no âmbito federal; os estados que se danem.Existem abusos? Sim, mas é preciso não esquecer que a orientação da casa era de que as passagens aéreas estavam disponíveis para uso pessoal dos parlamentares. Como se fizesse parte do salário. Se eles usavam sem sabedoria, de forma deslumbrada, é um problema sério, mas não creio que justifique ataques midiáticos que causam uma virtual paralisia do Congresso Nacional, em plena crise econômica.O Nassif tem alertado continuamente: há escândalos muito mais graves no ar, envolvendo Daniel Dantas et caterva, e que remontam a um processo de privatização que, cada vez mais, exala um mau cheiro de algumas dezenas de bilhões de reais.O dinheiro dos parlamentares é, pelo menos, um privilégio legal, constitucional; o problema da corrupção está nos recursos desviados nas sombras da noite, na influência de grandes empresários sobre a consciência dos parlamentares, no conluio entre meios de comunicação e o crime organizado.*O escândalo anterior, sobre a quantidade enorme de diretores, foi mais ridículo ainda, porque se tratava, aparentemente, da estratégia de “patrão”, como se diz. Trabalhei numa gráfica que era assim. Todo mundo era diretor. Diretor de máquinas, diretor de informática. Diretor de diagramação. Era uma gráfica pequena, com poucos funcionários, mas tinha uns 10 diretores. A razão disso é dar auto-estima e senso de responsabilidade aos empregados. Se o número de empregados era excessivo é outra história. No entanto, criaram um factóide bombástico, como se os tais diretores fossem nababos ociosos, liderando hordas de funcionários incompetentes.*Enfim, a pergunta é: por que agora? Se os deputados usam passagens aéreas há décadas, e os jornalistas sempre tiveram acesso a essas informações, porque só agora transformaram isso num escândalo? A grande imprensa procura, mais uma vez, produzir instabilidade política. Alguém determinou que o papel da imprensa é atacar as instituições políticas, que passam a ser, sistematicamente, ridicularizadas. As informações relevantes sobre a economia brasileira - aumento ou redução da safra agrícola, projeções de receita de exportações, entrevistas sobre o pré-sal e sobre a construção das grandes refinarias, debates sobre as leis em trâmite no Congresso - tudo isso é omitido da população brasileira, para a qual é servida, diariamente, uma sopinha rala, de química altamente cancerígena, com toxinas ideológicas e mentiras deslavadas.*A imprensa, definitivamente, não respeita as instituições políticas ou o funcionalismo público. Venera quem ganha 1 milhão de reais no Big Brother, apresentadores de tv que faturam milhões por ano, mas um deputado federal, responsável pela execução de leis que mudarão a vida e o destino de várias gerações de brasileiros, não pode ganhar 17 mil reais por mês, não pode ganhar passagens aéreas e é um absurdo que receba auxílio moradia. A nossa imprensa, que na verdade é um partido político, gostaria de voltássemos à democracia censitária e aristocrática britânica do século XVII, quando parlamentares não recebiam salários e, portanto, tinham que ser muito ricos para financiar a sua atividade política. Como nossa elite aufere lucros astronômicos, fica óbvio que a gritaria contra os ganhos dos deputados visa hostilizá-los diante do populacho.As pessoas devem entender que o Brasil precisa de um parlamento confiante, bem remunerado, forte, que se sinta seguro para lutar a batalha ideológica contra os magnatas da comunicação e da indústria – e digo contra não no sentido de ser inimigo desses segmentos, e sim no de estabelecer um confronto democrático.*Torna-se, para mim, cada vez mais claro, que uma sociedade pós-industrial, com enorme concentração populacional e, portanto, convivendo com riscos colossais, como epidemias, crises econômias e instabilidades sociais, precisa criar regulamentação rígida para sua imprensa. Não no intuito de amordaçá-la, e sim no de instituir um verdadeiro regime de liberdade, que só ocorre quando há lei. O que vemos hoje é uma ditadura terrível de diretores de redação sobre a consciência e a ideologia de jornalistas.Por exemplo, o jornal O Globo publicou editoriais fortemente agressivos - embora disfarçados com o manto da ironia - contra instituição da hora extra em sua redação! Aliás, o fato do sindicato dos jornalistas do Globo, com apoio do sindicato municipal, ter obtido essa vitória, me deu uma grande alegria. Mostrou que ainda há vida, contradição e inquietude nas redações.
Acesse oleododiabo.blogspot.com