20 março 2009

O BRASIL VAI AS RUAS NO DIA 30
A sede da Central Única dos Trabalhadores foi palco na tarde destaquinta-feira (19) de uma reunião histórica das centrais sindicais e dosmovimentos sociais. De forma unitária, 40 lideranças representantes de 19entidades nacionais decidiram atuar coletivamente no combate à crise,levando às ruas de todo o país no dia 30 de março uma resposta contundentedo povo brasileiro em defesa da redução dos juros e da jornada de trabalhosem redução de salário, de investimentos na reforma agrária, na geração deempregos, valorização dos salários e garantia de direitos.Durante mais de três horas dirigentes da CUT, Força Sindical, CGTB, CTB,NCST, UGT, Intersindical, Conlutas, MST, UNE, UBES, Marcha Mundial deMulheres, representações do movimento negro e comunitário dialogaram sobre anecessidade de responder à crise com unidade e mobilização em uma grandejornada pelo desenvolvimento. As linhas gerais de atuação já vinham sendodebatidas desde a Cumbre Sindical dos Trabalhadores das Américas, realizadaem Salvador, mas a convocação ganhou peso após o Fórum Social Mundial, com opleno assumimento pela Confederação Sindical Internacional (CSI),Confederação dos Trabalhadores das Américas (CSA), Federação SindicalMundial (FSM) e a Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul. Na mesmadata, serão feitos atos e mobilizações em vários países das Américas,África, Ásia e Europa, denunciando a globalização neoliberal, que fomentou adesregulação dos mercados, as privatizações e a desnacionalização daseconomias como a responsável pela crise.No Brasil, explicou Antonio Carlos Spis, da executiva nacional da CUT e daCoordenação dos Movimentos Sociais, "estamos construindo esta jornada commuita maturidade e compromisso com o presente e o futuro do país, com osinteresses da classe trabalhadora e do nosso povo". No final de semana, naescola do MST em Guararema, contou, a CMS e a Assembléia Popular estiveramreunidas para debater os pontos em comum das duas articulações e aconvocação para uma data unificada. "Esse também foi o espírito que norteoua reunião de hoje e que vai se refletir positivamente nas lutas que teremosdaqui por diante, porque as tarefas que temos pela frente vão exigir muitaorganização, muita mobilização e, acima de tudo, muita unidade", enfatizou.O presidente nacional da CUT, Artur Henrique, acredita que a complexidadedo momento vai exigir da direção das entidades uma aproximação cada vezmaior, citando o exemplo da luta contra as demissões na Empresa Brasileirade Aeronáutica (Embraer). Para Artur, entre as prioridades do dia 30, quetambém é o Dia de luta pela terra na Palestina, estão a defesa da paz, aaceleração da reforma agrária, a defesa dos empregos e o combate aos jurosmais altos do mundo. Entre as propostas apresentadas pelo líder cutista estáa de conformar a mais ampla unidade contra as demissões: "A partir de agoratemos de atuar de forma rápida e conjunta. Se uma empresa demitir, vamostodos para lá. Nossa resposta precisa ser contundente, pois a classetrabalhadora não pode pagar pela crise dos especuladores", enfatizou.Representando a Via Campesina e o MST, o companheiro Joaquim defendeu que oprotesto do dia 30 seja bem dirigido contra o Banco Central, contra amanutenção da política de juros altos; contra os banqueiros, que queremampliar seus lucros com a crise e a Fiesp, que quer arrochar salários eretirar direitos. Joaquim elogiou a construção da ação unitária e lembrouque o dia 30 também é de solidariedade à Palestina, pois é inaceitável apolítica de segregação imposta pelo terrorismo de Estado de Israel.Elogiando a maturidade das intervenções, a presidenta da União Nacional dosEstudantes (UNE), Lúcia Stumpf frisou que esta articulação deve terconseqüência para além do ato do dia 30, para que tenhamos um leque deforças realmente amplo, em condições de enfrentar e derrotar a política dotucano Henrique Meirelles.Meirelles também foi o alvo principal da intervenção do presidente da UniãoBrasileira ds Estudantes Secundaristas (UBES), Ismael Cardoso. Ele lembrouque "o argumento da inflação usado pelo presidente do BC é a felicidade dosrentistas, parasitas e especuladores. O BC é um agente nefasto da políticaeconômica que precisamos enfrentar e mudar".Para o secretário geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna),ficou evidenciado que "os trabalhadores não aceitam pagar pela crise e que aredução das taxas de juros é uma questão essencial neste momento". Jurunatambém propôs que o movimento unitário se reproduza nas comemorações do 1ºde Maio, com as lideranças das centrais fazendo uso da palavra em todas asmobilizações a serem realizadas.Em nome da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), CarlosRogério saudou a realização do dia 30, lembrando que "a unificação doconjunto das categorias, somada aos movimentos sociais, aponta desde já parauma jornada vitoriosa, que deve pautar as demais ações daqui para frente".Na avaliação de Aparecido Pires de Morais, da Central Geral dosTrabalhadores do Brasil (CGTB), "a questão central é a redução dos juros,pois com os patamares indecentes em que está a taxa selic, acaba drenando asnossas riquezas para os especuladores internacionais". Aparecido citou oexemplo das mobilizações contra os juros altos, em frente ao BC, e ressaltouque este é o caminho para pressionar por mais investimentos públicos.Segundo Canindé Pegado, da União Geral dos Trabalhadores, a jornada deveainda priorizar o fortalecimento das políticas públicas e a garantia derecursos para a área social, pois representam um investimento contra acrise, dialogando com a garantia de bem-estar e a qualidade de vida dapopulação.Representando o Conlutas, Geraldinho avaliou a reunião como um salto dequalidade em benefício do conjunto da classe, pois se estabeleceu uma lutacomum contra o desemprego, fortalecendo a ação de base para enfrentar opatronato e exigir do governo medidas mais efetivas contra a crise, quesaiam do campo das declarações formais de apoio, como uma lei que proíba asdemissões.O secretário geral da CUT São Paulo, Adi dos Santos Lima, saudou aresponsabilidade de todos os presentes com a construção da mobilização esublinhou que isso potencializará o poder de convocação individual de cadaum, sensibilizando os companheiros nas escolas, fábricas e bancos para estaatuação unitária.De acordo com o secretário geral da CUT Nacional, Quintino Severo, aorientação é que os estados reproduzam o formato da reunião, ampliando aconvocatória para que tenhamos uma jornada efetivamente nacional e de lutasno dia 30: "Precisamos ter ainda mais compromisso e responsabilidade,convocando nossa militância e a sociedade a enfrentar a política deflexibilização, de redução de salários, de retirada de direitos. A soluçãopara a crise passa pelo fortalecimento do mercado interno, por mais emprego,mais salário e mais direitos. É isso o que nós vamos dizer nas ruas no dia30", declarou.
Informação recebida por e-mail do PT- DN