Fórum de Belém terá ato de apoio a Tarso e Battisti
A pedido de ONGs, ministro e refugiado serão tema de debate
A pedido de ONGs, ministro e refugiado serão tema de debate
O ministro da Justiça, Tarso Genro, e o italiano Cesare Battisti, que ganhou a condição de refugiado no Brasil, serão incluídos de última hora na agenda de programação do Fórum Social Mundial, no fim do mês, em Belém. Entidades de direitos humanos querem que o fórum manifeste apoio aos dois, mesmo ausentes do encontro, que reúne ONGs de todo o mundo. Tarso receberá o apoio por sua decisão de contrariar a posição do Comitê Nacional para Refugiados (Conare) e permitir que Battisti viva no Brasil e não seja extraditado para a Itália.
Como a programação do Fórum estava concluída, a solução foi incluir o "caso Battisti" na oficina intitulada "Direito à memória e à verdade", que discutirá e reivindicará a abertura dos arquivos da ditadura, a revisão da Lei de Anistia e a punição para militares que torturaram nos anos de chumbo. Essa discussão ocorrerá durante três horas, na manhã do próximo dia 30. A iniciativa de incluir o ministro e o ex-militante político italiano como tema de debate foi do Movimento Nacional dos Direitos Humanos.
O coordenador do movimento, Gilson Cardoso, informou que recebeu apelos para que abordassem a polêmica do refúgio de Battisti. Numa nota divulgada ontem, a entidade anunciou apoio incondicional à decisão de Tarso. Leia mais em O Globo
Em mais um sinal de insatisfação com a concessão, pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, de status de refugiado político ao ex-ativista político Cesare Battisti, o governo italiano anunciou ontem estar avaliando a possibilidade de chamar seu embaixador no Brasil para consultas. No meio diplomático, essa convocação é considerada uma forma clara de protesto.
A proposta de chamar o embaixador Michele Valensise foi encaminhada ao ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, pelo ministro da Defesa, Ignazio La Russa. "Eu fui um dos primeiros a alertar o governo brasileiro sobre o risco de que a grande amizade entre os povos da Itália e do Brasil seja profundamente minada pela imprudente decisão de um ministro brasileiro, não contestada pelo presidente Lula, de considerar o terrorista e assassino Battisti como um perseguido político", disse La Russa.
O governo italiano também está estudando uma forma de recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a decisão de Tarso Genro, segundo confirmou o ministro de Relações Parlamentares, Elio Vito. Para $estão previstas manifestações em frente a representações brasileiras em Roma e em Milão.
O Globo