Gestão Chalita deixou rombo de R$ 4 milhões
Fundação para o Desenvolvimento da Educação cobra verba referente a 3.233 parabólicas pagas e não entregues no governo AlckminEx-secretário afirma que fundação é independente; ex-diretor da FDE que diz ter sido convidado por Chalita é requerido a devolver valor.
Fundação para o Desenvolvimento da Educação cobra verba referente a 3.233 parabólicas pagas e não entregues no governo AlckminEx-secretário afirma que fundação é independente; ex-diretor da FDE que diz ter sido convidado por Chalita é requerido a devolver valor.
Auditoria interna da FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), órgão ligado à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, identificou um rombo de R$ 4,08 milhões, fruto de contrato assinado em 2006 para fornecimento de antenas parabólicas, durante gestão do então secretário Gabriel Chalita, no governo de Geraldo Alckmin (PSDB).A FDE foi à Justiça cobrar a devolução do dinheiro ao erário. Entre os citados a pagar o valor está o ex-diretor Milton Dias Leme, que disse em depoimento ter sido convidado para o cargo, após entrevistas, por Chalita e pelo secretário-adjunto e hoje deputado estadual Paulo Barbosa (PSDB).Chalita diz que a FDE é uma fundação independente da secretaria da Educação.A Folha teve acesso à auditoria da FDE, que embasa uma ação de improbidade que tramita na 2ª Vara da Fazenda.A fundação assinou, em janeiro de 2006, contrato para fornecimento de 5.500 antenas e 5.500 receptores para implementar nas escolas estaduais o projeto Canal do Saber, que reproduziria programas educativos de TVs para os alunos.Antes mesmo da comprovação de que as antenas haviam sido entregues, houve um aditamento, em 27 de abril de 2006, de mais 1.375 antenas e 1.375 receptores. Tudo deveria ser entregue, de acordo com a ação, até 3 de julho de 2006, e os equipamentos seriam pagos até 30 dias após o recebimento."Todos os valores devidos à contratada, inclusive o aditado, foram pagos, e esta não entregou os equipamentos na sua integralidade", sustenta a fundação na inicial do processo.Segundo levantamento da FDE, foram pagas, mas não entregues, 3.233 antenas e 4.695 receptores. Apesar da contratação total de 6.875 antenas e 6.875 receptores, São Paulo tinha cerca de 5.300 escolas.Candidato a vereador, Chalita foi escolhido para ser o "puxador" de voto do PSDB para a Câmara neste ano. Em seu site, ele cita como realização de sua gestão a "implantação do Canal do Saber nas 5.306 escolas, levando programação exclusiva à rede estadual de ensino".Pelos materiais pagos e não entregues, a cobrança é de R$ 4 milhões, em valores já atualizados. Mas a FDE também teve um custo de R$ 4,6 milhões para a produção dos programas e mais R$ 2,5 milhões para a transmissão via satélite.O Canal do Saber foi desativado em novembro de 2006, após a saída de Chalita, menos de um ano após o lançamento oficial do programa no dia 28 de março, com a presença do então governador Alckmin -ambos deixaram os cargos porque o tucano viria a ser candidato à Presidência.A ação foi movida contra a empresa que venceu a licitação, Comercial Vida, o ex-diretor Milton Dias Leme, que exerceu a função de 16 de maio de 2005 a 16 de maio de 2006, e o funcionário André Romano.
Vereadores recém-eleitos já pensam em deixar Câmara para tentar outros cargos
O ex-secretário de Educação de Geraldo Alckmin não descarta trabalhar no próximo Executivo paulistano, caso haja convite."Não digo que recusaria [um convite], a não ser que o partido resolvesse ocupar, se fosse um pedido partidário. Mas preferiria ficar na Câmara", disse à Folha. Líder com 102.048 votos, Chalita teve a candidatura formalizada na última hora. "Não seria candidato. Só fui por insistência do Alckmin", disse.