A VERSÃO E O FATO A procuradora Lívia Tinôco disse não ter autoridade para investigar Gilmar Mende s (à esq.), mas ofício ao lado prova que ela e stá atrás da história
Confusão Suprema
Ofício de procuradora a restaurante de Brasília mostra que o Ministério Público investiga jantar de advogados de Daniel Dantas com assessores do presidente do STF
Na tarde da terça-feira 23, durante aproximadamente uma hora, a procuradora Lívia Nascimento Tinôco conversou com repórteres de ISTOÉ na sala da assessoria de imprensa da Procuradoria da República no Distrito Federal. Ela faz parte de um grupo de três procuradores que atua no Controle Externo da Atividade Policial no DF e investiga o caso da interceptação telefônica ilegal que gravou uma conversa do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Durante a conversa, a procuradora relatou que o delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, após um depoimento formal, lhe mostrou uma série de fotos que seriam de um jantar reunindo assessores do ministro Gilmar Mendes e um dos advogados do banqueiro Daniel Dantas, o principal investigado pela Satiagraha. Segundo a procuradora, Protógenes disse que as fotos foram feitas com a câmara de um telefone celular. O delegado teria afirmado ainda que aquelas fotografias não foram incluídas no inquérito porque não identificara todos os presentes ao jantar, entre eles uma mulher loira aparentando ter cerca de 25 anos. Quando perguntada sobre o paradeiro das fotos, a procuradora Lívia foi enfática: "Não fiquei com as fotos porque não é de minha competência investigar esta reunião", afirmou. "Gilmar Mendes é competência do procurador-geral." Na verdade, porém, a procuradora Lívia está sim empenhada em descobrir quem participou do encontro e o que foi tratado durante o jantar com ovas de peixe voador e filhotes de enguias.
Na quinta-feira 25, ISTOÉ teve acesso à cópia do ofício número 33/2008 - MPF/PRDF/LT (leia facsímile na pág.36) da Procuradoria da República no Distrito Federal, assinado pela procuradora Lívia na terça-feira 16 de setembro - portanto, uma semana antes de ela ter negado à ISTOÉ que estivesse investigando assessores de Gilmar Mendes.
Na quinta-feira 25, ISTOÉ teve acesso à cópia do ofício número 33/2008 - MPF/PRDF/LT (leia facsímile na pág.36) da Procuradoria da República no Distrito Federal, assinado pela procuradora Lívia na terça-feira 16 de setembro - portanto, uma semana antes de ela ter negado à ISTOÉ que estivesse investigando assessores de Gilmar Mendes.
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