Publicitário deixa campanha de Alckmin e ataca serristasLucas Pacheco culpa tucanos ligados ao governador por problemas no programa
Marqueteiro diz que "lobos em pele de cordeiro" fizeram orquestração para espremer Alckmin; "não dá para fazer campanha autista", afirma
FOLHA - Qual foi a linha decidida antes de o programa de TV estrear?
PACHECO - O primeiro programa foi para o ar em 20 de agosto. Reapresentava o Geraldo ao eleitor. No segundo programa, dois dias depois, começamos a executar a estratégia de colocar o dedo na ferida. Dos problemas da saúde, da educação. O Tobias da Vai-Vai cantava um samba quase fúnebre que dizia que faltam mais de cem mil vagas nas escolas e nas creches. No dia seguinte, um sábado, o mundo tucano-kassabista, ligado ao governo do Estado, caiu sobre a cabeça do candidato. Começou uma pressão insuportável. Diziam que estávamos batendo na gestão do Serra na prefeitura. Estávamos mostrando os problemas. Não dá para fazer campanha autista.
FOLHA - Como o sr. responde ao que dizem que a propaganda de Alckmin é tecnicamente ruim?
PACHECO - Não temos os recursos das outras duas campanhas, feitas, aliás, por dois profissionais por quem tenho o maior respeito [João Santana, de Marta Suplicy, e Luiz Gonzalez, de Kassab]. E temos menos tempo. Tinha de adotar uma estética mais próxima da vida das pessoas que sofrem. Mas os lobos em pele de cordeiro conseguiram contaminar o noticiário com a versão de que havia crise de formato, não de conteúdo. Vi coisas nesta campanha que fariam o malufismo corar.
FOLHA - Por exemplo?
PACHECO - As acusações de compra de delegados [por kassabistas] antes da convenção do PSDB. Isso na cidade mais avançada do país.
FOLHA - O sr. está fora?
FOLHA - O sr. está fora?
PACHECO - Decidi sair depois de conversar com o Geraldo e com o Edson, para o bem do candidato. Quando você insiste numa tese, passa a atrapalhar o processo. Mas ponho a maior fé na campanha, no Raul Cruz Lima, que vai assumir, e na vitória. Depois de três meses, estou louco para ver meus netos.
Acima trechos da entrevista do ex marqueteiro do Alckmin. O problema todo é que esses tipos pensam em ser prefeito de SP, e mais sonham em ser presidente do Brasil. É hoje o jantar indigesto que vai reunir, Serra, Alckmin, FHC, et caterva. Vai voar muita pena.