27 agosto 2008

O bem da terra
Uma possível confirmação, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol, localizada no noroeste do Estado de Roraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana, demonstraria fraqueza da República diante de meia dúzia de arrozeiros e políticos que ainda se orientam por doutrinas incompatíveis com os avanços (para melhor) da humanidade.
Por isso, não acredito que os ministros do STF possam transformar o dia 27 de agosto na data em que o Brasil negou a sua própria história. Prefiro crer numa decisão que devolva a paz, a dignidade e a esperança de um futuro seguro aos verdadeiros donos da Raposa Serra do Sol.
A terra e os bens que ela oferece são fundamentais para a sobrevivência das populações tradicionais. É dela que os índios, por exemplo, tiram o sustento físico e espiritual. Aliás, cada um dos territórios corresponde à maneira de ser e de estar no mundo de determinada etnia.
Torna-se injusto, portanto, vê-los fatiados. E pela reafirmação étnica e dos valores de pertencimento à Terra dos índios Macuxi, Wapichana, Ingarikó, Taurepang e Patamona lutam tenazmente. Juntaram-se a elas outros povos do Brasil e do Mundo, que, também, rejeitam a prática do desenvolvimento econômico a qualquer custo.
O Brasil precisa se desenvolver, sim, mas com o respeito devido às pessoas e ao meio ambiente. A Amazônia, maior patrimônio sociocultural e biológico do País, exige muita atenção e cuidado das instituições republicanas. Um simples equívoco do Judiciário pode causar prejuízos irreversíveis a gerações indígenas e não-indígenas, não somente às que vivem na Raposa Serra do Sol.
João Pedro Gonçalves da Costa, 55 anos, técnico agrícola é senador pelo PT do Amazonas e vice-líder do Governo no Senado Federal.